terça-feira, 7 de junho de 2011

Plano prevê mais 30 usinas hidrelétricas até 2020

O Brasil deve ter pelo menos mais 30 usinas hidrelétricas até 2020, que vão gerar cerca de 19 mil megawatts (MW) de energia. Dessas, seis já foram autorizadas e devem entrar em operação a partir de 2018. Vinte e quatro ainda dependem de autorização e têm previsão de começar a funcionar a partir de 2016. A previsão está no Plano Decenal de Expansão de Energia 2020 (PDE), divulgado hoje (3) pelo Ministério de Minas e Energia.
O documento prevê o planejamento energético do país até 2020 e serve para orientar as decisões do governo no atendimento ao crescimento da demanda e à necessidade de infraestrutura para o setor. O texto será submetido à consulta pública até o dia 1º de julho.

Segundo o PDE, entre 2010 e 2020 a taxa média de crescimento do consumo de energia elétrica será de 4,6% ao ano. Para a expansão da geração de energia serão necessários, entre 2011 e 2020, investimentos de R$ 190 bilhões. Desse total, R$ 100 bilhões são referentes a investimentos em novas usinas - 55% em hidrelétricas e 45% no conjunto de outras fontes renováveis, como pequenas centrais hidrelétricas, usinas movidas a biomassa ou usinas eólicas. Para a transmissão de energia, os investimentos totais entre 2011 e 2020 devem ser de cerca de R$ 46,4 bilhões, sendo R$ 30 bilhões em linhas de transmissão e R$ 16,4 bilhões em subestações.

A demanda total de etanol projetada para 2020 é de 73,3 bilhões de litros. Para atender a essa demanda será necessária a expansão da capacidade industrial atual, tanto com o aumento da produção nas usinas já existentes quanto na construção de novas. De acordo com o PDE, a estimativa dos investimentos necessários é de cerca de R$ 90 bilhões até 2020. “É importante destacar que, para o atendimento da demanda no médio prazo, é necessária a retomada dos investimentos em toda a cadeia produtiva, que foram significativamente reduzidos nos últimos anos, além de problemas climáticos (estiagem) em 2010 e alta do preço do açúcar no mercado internacional”, aponta o estudo.

O plano prevê como desafio para o setor energético a viabilização desse conjunto de projetos de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável. Também destaca a necessidade de atender aspectos socioambientais nos projetos de geração de energia. “Isto é, fazer com que a estratégia de expansão da oferta de energia se mostre, a cada ciclo de planejamento, mais sustentável, sendo capaz de atender os objetivos setoriais em consonância com os propósitos de preservação do meio ambiente”, diz o documento.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Crise de 2008 trouxe novos desafios para o desenvolvimento da capacidade produtiva

Depois de dar um salto de quase 60% em apenas três safras, elevando a produção de etanol de menos de 17 bilhões para 27 bilhões de litros no ciclo 2008/2009, a indústria do setor passou a enfrentar virtual estagnação desde lá. "A produção não cresce de fato há três safras", reforça o analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ângelo Bressan Filho.

O grande desafio, daqui para frente, resumem os presidentes da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, e da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich, será desenvolver mecanismos adequados para restabelecer a competitividade do setor e recuperar a capacidade de crescimento, sabendo que haverá demanda firme pela frente.

No curto prazo, os esforços têm sido direcionados, em conversas frequentes com o governo federal, para planejar o abastecimento ao longo da safra já em curso de forma a reduzir a volatilidade dos preços, especialmente no caso do anidro, utilizado na mistura com a gasolina,
aponta Jank.

A combinação de uma entressafra mais longa do que o habitual, com forte expansão do consumo e menor oferta de sacarose, depois de dois anos complicados para os canaviais, castigados ora pelo excesso de umidade, ora pela forte estiagem, analisa Guilherme Nastari, da Datagro, lançaram os preços do etanol numa espiral de alta, seguida de uma forte queda.

Pela primeira vez em oito anos, lembra Jank, os preços do etanol atingiram uma posição de desvantagem em relação à gasolina, que não sofre correções desde 2005. "Numa primeira frente de discussões, estamos trabalhando para ampliar a segurança no abastecimento, principalmente no caso do álcool anidro", reforça o presidente da Unica.

Isso certamente deverá se traduzir em políticas para reforçar a capacidade de estocagem das usinas e, ainda, no estabelecimento de novas formas de contratação da produção envolvendo indústrias e distribuidoras. "Se conseguirmos fazer um planejamento bem feito, poderemos atravessar a próxima entressafra com menos solavancos", acredita Marcos Jank. Os desafios para o longo prazo e estarão no centro do debate da terceira edição do Ethanol Summit, realizado pela Unica, em São
Paulo.

Em resumo, trata-se de definir
"como retomar o processo de expansão da capacidade instalada para que o etanol ocupe o lugar devido na matriz de combustíveis do país", afirma Grubisich. O executivo lembra que, na safra passada, o desencontro entre a produção efetiva e a demanda potencial, que cresceu acima da capacidade de ampliação da oferta, levou o setor a deixar de vender entre 6 bilhões a 8 bilhões de litros.

A competitividade da indústria brasileira de etanol esbarra num obstáculo conhecido, mas politicamente espinhoso. Os preços do etanol na bomba tornam-se vantajosos até o limite de 70% do valor do litro de gasolina, virtualmente congelado há seis anos. Mexer nos preços do combustível fóssil não é visto como uma opção tanto pela indústria, quanto pelo governo, que buscam outros caminhos para recuperar a capacidade de investimento de um setor que chegou a injetar mais de US$ 20 bilhões entre 2006 e 2009 na instalação de 120 novas destilarias, acumulando capacidade para processar perto de 630 milhões de toneladas de cana apenas na região Centro-Sul do país
.

"Hoje, não há um projeto novo no pipeline do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e nas demais instituições financeiras que operam com o setor", descreve Jank.

Ao analisar os fundamentos da crise recente no setor sucroalcooleiro, o especialista Ângelo Bressan Filho, da Conab, identificou uma queda importante na rentabilidade da indústria precisamente a partir da safra 2007/2008. Naquele ciclo, o setor negociou pouco mais de 21,5 bilhões de litros, alcançando uma receita líquida total de apenas R$ 238,45 milhões, o que correspondeu a uma taxa de retorno sobre o capital investido de apenas 0,6%.

Essa margem havia atingido um pico de 14,4% na safra anterior, realimentando o vigoroso processo de investimento que o setor experimentava até então. No ciclo 2008/2009, a receita líquida cresceu para R$ 1,184 bilhão, mas a taxa de retorno manteve-se limitada a 2,6%.

Sobre a mesa de negociações, governo e indústria discutem novas políticas para o setor e conversam sobre a possibilidade, entre outras, de fixar um tratamento tributário diferenciado, que reconheça as "externalidades positivas do etanol e da bioenergia na competição com combustíveis de origem fóssil e não renovável", nas palavras de Jank. A ideia é caminhar para a criação de um "imposto verde", mais baixo para veículos com taxas reduzidas de emissão de gases do efeito estufa e menos poluidores.

Jank e Grubisich acreditam que há tempo para recuperar o terreno perdido para a gasolina, a partir das políticas públicas que começam a ser desenhadas. A nova regulação proposta para o mercado de etanol, agora sob o comando da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo Grubisich, representa o reconhecimento da importância do etanol para a matriz energética brasileira (Valor, 6/6/11)

Cemig analisa ativos para consolidação no mercado

BELO HORIZONTE - Após fechar a aquisição, por R$ 1,1 bilhão, de cinco ativos de transmissão da espanhola Abengoa, por meio da controlada Taesa, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) reiterou hoje sua disposição de participar agressivamente do processo de consolidação do mercado de energia. Durante encontro anual da empresa com analistas de mercado, o presidente da estatal mineira, Djalma Morais, deixou claro que a empresa analisa outros ativos que possam agregar valor ao grupo nos três segmentos: transmissão, geração e distribuição.
Segundo ele, a companhia contratou uma consultoria financeira e aguarda um parecer para avaliar a viabilidade da aquisição da Centrais Elétricas de Goiás (Celg).
Na busca por eficiência, escala e redução de custos, a Cemig persegue uma participação de 20% nas três áreas de atuação. Atualmente, conforme o diretor de finanças e relações com investidores, Luiz Fernando Rolla, a empresa possui uma fatia de 13% na distribuição e entre 6% e 7% no mercado nacional de geração. Com a compra dos ativos da Abengoa, a participação no segmento de transmissão chegará a quase 12%.
"O mercado é muito grande aqui no Brasil e tem oportunidades tanto em geração, quanto em transmissão e distribuição. Hoje, o número de participantes do mercado é muito grande em qualquer dos três segmentos a escala é um fator importante na captura de ganho e na redução de custo", destacou Rolla.
Segundo os dirigentes da Cemig, a Taesa desembolsou recursos próprios, por meio também do Fundo de Investimentos em Participações Coliseu (com 38,59% de participação no capital social da empresa), para adquirir 50% de participação na Abengoa Participações Holding, que opera no País as transmissoras STE, ATE, ATE II e ATE III. Pelos termos do acordo, a Taesa - criada a partir da compra pela Cemig da italiana Terna Participações - irá deter também 100% da transmissora NTE.
"A Cemig vai focar em todo e qualquer ativo na área de transmissão, geração e distribuição que venha agregar valor", reforçou Morais. "Mesmo que a gente não tenha esse quantitativo necessário para a aquisição, nós vamos ao mercado e adquirimos esse dinheiro; ou através da rede bancária ou através de um fundo. Não existe um dinheiro separado para aquisições, existe um planejamento."
No caso da Celg, observou o executivo, o governo de Minas Gerais decidiu entregar a um "ente financeiro" a verificação do valor exato do ativo. A negociação enfrentou resistência porque a estatal goiana teria dívidas acumuladas na casa dos R$ 5 bilhões. Para um acordo, a Cemig, segundo fontes, teria de aportar recursos da ordem de R$ 1 bilhão na companhia. "Caso isso seja viável, voltaremos a conversar", disse Morais.
Números
A Cemig informou que com a operação envolvendo a Abengoa, a Taesa se consolida como a maior transmissora privada com contratos do Novo Modelo, que são os outorgados a partir de 2000, com duração de 30 anos. Considerando-se os números de 2010, a previsão é que o Ebitda da empresa aumente em mais de R$ 200 milhões. O retorno esperado é de 8,5% ao ano mais inflação.
Com a aquisição, a Taesa irá expandir sua rede de transmissão para 6.253 km, um aumento de 68% (em relação aos atuais 3.712 km), considerando 100% das linhas adquiridas. A atuação passou de 14 para 16 estados da Federação.
Conforme Rolla, em termos de Receita Anual Permitida (RAP), a participação no mercado de transmissão de energia elétrica irá aumentar cerca de dois pontos porcentuais, de 6,5% para 8,6%.

Governo apoiará aumento dos investimentos em etanol, diz Coutinho

Segundo ele, o BNDES financiou R$ 7,6 bilhões em projetos do setor em 2010, mas não tem nenhuma estimativa sobre quanto deve ser emprestado em 2011 pelo banco oficial

SÃO PAULO - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que não faltará por parte do governo federal todo o apoio para  aumento dos investimentos do setor de açúcar e álcool nos próximos anos. Segundo ele, o BNDES financiou R$ 7,6 bilhões em projetos do setor em 2010, mas não tem nenhuma estimativa sobre quanto deve ser emprestado em 2011 pelo banco oficial. Coutinho fez os comentários na abertura do Ethanol Summit, que ocorre hoje em São Paulo.
De acordo com ele, o Brasil tem amplas condições de assumir o processo de desenvolvimento do etanol de segunda geração. Na sua visão, a crise financeira internacional retardou os investimentos do setor produtor de açúcar e álcool em 2009 e 2010. Contudo, ele ressaltou que as empresas desse segmento produtivo precisam ampliar os recursos dedicados à ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo.
"É  preciso ampliar e expandir a produção de cana, renovar os canaviais e partir para uma nova geração de projetos para que possam dobrar até 2020 a capacidade do setor brasileiro de etanol e açúcar", disse.
Capacidade dobrada
Coutinho afirmou que o setor produtor de álcool e açúcar precisa partir para uma nova geração de projetos a fim de dobrar até 2020 a capacidade de produção. "Temos total condições de assumir o processo de desenvolvimento do etanol de segunda geração", afirmou, destacando que o governo federal dará todo o apoio técnico e financeiro para que o Brasil continue na vanguarda mundial do processo tecnológico de produção do combustível. Coutinho fez os comentários na abertura do Ethanol Summit, que ocorre hoje em São Paulo.

Etanol precisa restabelecer competitividade sobre gasolina, diz Jank

De acordo com o presidente da Unica, desde 2006 a gasolina permanece praticamente estável enquanto os preços do etanol são voláteis e oscilam de acordo com a oferta e demanda

SÃO PAULO - O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, ressaltou hoje, durante abertura do Ethanol Summit, que é preciso restabelecer a competitividade do etanol combustível em relação ao preço da gasolina, que é administrado pelo governo. De acordo com ele, desde 2006 a gasolina permanece praticamente estável enquanto os preços do etanol são voláteis e oscilam de acordo com a oferta e demanda.
Jank recordou que durante os últimos cinco anos os preços do etanol hidratado ficaram competitivos praticamente todo o período em relação à gasolina. Segundo ele, foi apenas a partir de 2008, quando os preços do etanol caíram abaixo do custo de produção do setor, que as usinas buscaram equilibrar seus ganhos com a produção de açúcar.
"Sem o etanol, o consumidor brasileiro teria gasto R$ 20 bilhões a mais com a utilização de gasolina desde os anos 70", disse. O presidente da Unica salientou também que, agora, além do etanol, do açúcar, e da cogeração, o setor parte para outros desafios, com investimentos em outros segmentos, como o bioplástico e produtos de biohidrocarbonetos produzidos a partir da cana, além do biobutanol e do etanol de segunda geração.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou, em seu discurso de abertura, que o banco está pronto para apostar nos investimentos do setor em novos produtos químicos.

Ometto deve ser conselheiro mais bem pago

Remuneração: Salário anual na Raízen Energia será de R$ 13 milhões, mais bônus de 25%.

O anúncio de criação da Raízen Energia, parceria entre Cosan e Shell, levou o empresário Rubens Ometto ao posto de conselheiro mais bem pago das companhias abertas brasileiras. Para ficar na presidência do conselho de administração da empresa, Ometto vai receber, por ano, R$ 13 milhões como remuneração fixa. Além disso, pelos próximos cinco anos, terá direito a um bônus variável atrelado ao cumprimento de indicadores de desempenho operacionais. A meta de bônus do fundador da Cosan será de 25% de sua remuneração fixa. Ou seja, se tudo der certo, Ometto vai receber, por ano, R$ 16,25 milhões.

Dados públicos da Cosan, empresa na qual Ometto também era presidente do conselho, mostram que no período de 1º de abril de 2010 a 31 de março de 2011, nove conselheiros de administração receberam o valor total de R$ 746 mil. E a empresa pagou R$ 8,8 milhões a seis diretores estatutários.

A Cosan não divulga a informação média, máxima e mínima de cada órgão da administração, amparada em liminar obtida pela regional Rio do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Como surgiu da união de Cosan e Shell, a Raízen é, portanto, uma nova empresa, de tamanho maior, o que poderia ser uma justificativa para o aumento de salário. Procurada pelo Valor, a Cosan não concedeu entrevista.

Comparada com a de outras companhias, a remuneração de Ometto se destaca não apenas pelo montante, mas também pela parcela fixa. Entre as empresas que não usaram a liminar do Ibef-Rio, a que mais pagou a um conselheiro em 2010 foi a OGX, no total de R$ 50 milhões, sendo praticamente tudo em plano de opção de ações. A empresa de petróleo explica ainda que esse pagamento foi feito a um ex-executivo - que agora está só no conselho - pelas funções exercidas como diretor.

Ainda no universo das companhias que não usaram a liminar judicial, o Bradesco aparece com a segunda maior remuneração no conselho, de R$ 11,5 milhões, sendo parte em salário fixo e parte em gratificação por desempenho.
A terceira empresa da lista é a MPX, com remuneração da R$ 6,8 milhões, também com peso grande da fatia de opções.

Mesmo comparando com diretores - que normalmente ganham mais que conselheiros -, a remuneração de Ometto ficará entre as maiores. Ao se olhar os maiores valores pagos por empresas que não usam a liminar do Ibef, OGX, Lojas Renner e Ambev aparecem na frente, com valores de R$ 19,7 milhões, R$ 16,1 milhões e R$ 12,0 milhões, respectivamente, pagos a um único executivo, com peso grande para a parcela variável e em opções.

Havia expectativa desde abril com relação ao anúncio da remuneração de Ometto na Raízen. Circularam informações de que o pacote previa inicialmente um salário de US$ 25 milhões anuais por um período de dez anos, além de um plano de opções avaliado em US$ 50 milhões. À época, a empresa informou que o plano de remuneração não estava concluído.

A divulgação oficial da remuneração bem menor do que o esperado, apesar de ainda robusta, foi recebida na quinta-feira com alta de 4,8% na cotação das ações da Cosan. Na sexta, o papel subiu mais 2,6% e fechou a R$ 24,80, patamar que havia perdido em abril, quando o mercado especulava sobre o salário do conselheiro.
Em comentário distribuído a clientes, o Morgan Stanley classificou a notícia como positiva, pois eliminava uma incerteza que vinha pesando sobre as ações.

O Safra comentou em relatório que a parte variável dos ganhos do empresário está ligada a metas de desempenho medidas por indicadores como crescimento, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês), sinergias e sustentabilidade. Não foram fornecidas informações sobre as metas, pois a companhia classifica os dados como estratégicos e confidenciais.

ArcelorMittal vai investir US$ 300 mi no ES

Siderurgia:
Baptista, da ArcelorMittal Brasil, vai terá uma nova linha de aço galvanizado para atender a indústria automotiva
As siderúrgicas no Brasil acirram a cada dia, com novos investimentos, a competição pelo mercado tido como o "premium", o de uso de aço na fabricação de automóveis e bens de linha branca. O grupo ArcelorMittal acaba de aprovar nova linha de aço galvanizado na sua unidade de São Francisco do Sul (SC), ao mesmo tempo em que a Usiminas, em parceria com a Nippon Steel, faz a inauguração de uma linha com capacidade igual em Ipatinga (MG).

O investimento da ArcelorMittal Tubarão, controlada de aços planos do grupo ArcelorMittal no país, situada na Grande Vitória (ES), será de US$ 300 milhões. A nova linha terá capacidade de 550 mil toneladas de aço galvanizado (material revestido com ligas de zinco contra ferrugem) e de 100 mil toneladas de laminado a frio.

O objetivo, explicou Benjamin Batista, CEO da empresa, é atender a demanda em alta na indústria automotiva. Ele mencionou, além dos programas de expansão das atuais fábricas de veículos no país, a chegada de montadoras asiáticas, como Toyota, Hyundai e Chery, todas no Estado de São Paulo. No início do ano passado, no mesmo site, a empresa tinha inaugurado sua segunda linha, de 400 mil toneladas, mas a expansão do mercado se mostrou tão firme que atraiu aço importado.

Depois de dois anos de obras, a nova linha ficará pronta no fim de 2013. "Como já temos a aprovação, até o fim do ano vamos fechar a compra de equipamentos e a contratação de construtoras as obras civis e a montagem." Com essa expansão, a unidade, chamada de Vega do Sul, ficará com capacidade de 2 milhões de toneladas: 75% de material galvanizado e 25% de laminado a frio. Os mercados alvo da empresa serão o automotivo, o de linha branca e construção civil.

O suprimento de material para fazer os dois tipos de aço nessa unidade será feito pela usina em Serra (ES), onde o laminador de bobinas a quente foi ampliado em 2010 para 4 milhões de toneladas ao ano. Investimento em um novo laminador teve a decisão adiada deste ano para 2012. "Vamos ver como ficará o mercado até lá".
A disputa no segmento de aço galvanizado, usado na carroceria de automóveis, geladeiras, freezer e máquinas de lavar, ocorre entre Usiminas, CSN e ArcelorMittal, além das importações. O material importado entrou agressivamente no ano passado, assustando as usinas: atingiram 780 mil toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr). As vendas internas somaram 2,25 milhões de toneladas, indicando um consumo nacional de 3 milhões de toneladas.

Com as instalações atuais e esse novo investimento, as três usinas vão ficar com capacidade instalada próxima de 4,5 milhões de toneladas. Um grande desafio é tomar de volta o mercado abocanhado pelo aço estrangeiro.

Batista informou também que está aprovada, para março de 2012, a parada do alto-forno 1 de Tubarão, o maior da usina, para reforma das instalações que vai durar 90 dias. A produção do equipamento começa a ser reduzida gradativamente a partir de outubro. A obra vai custar US$ 180 milhões.

A reforma será a primeira desse alto-forno, que entrou em operação em 1983 e responde por quase metade da capacidade instalada total, de 7,5 milhões de toneladas. Ele tem a vida mais longa em uma usina de aço no mundo. Coração de uma siderúrgica, em geral são reformados após 15 anos de entrada em funcionamento.

Por conta disso, a empresa vai religar, também aos poucos, seu alto-forno 2, parado por conta da crise de 2008/2009. Sua capacidade é de 1,3 milhão de toneladas de placas por ano. Segundo Batista, como essa unidade é dedicada à exportação, com o atual custo do minério de ferro (no caso, pelotas) não se justificou até agora religá-lo. "Hoje, ganha-se dinheiro com ele parado", disse. O preço pago pela placa, valor FOB, no mercado mundial, está em torno de US$ 650 a tonelada.

SIG Combibloc vai dobrar produção no PR em 2 anos

Embalagens : Fábrica em Campo Largo receberá aportes de € 90 mi até 2016

Rolf Stangl, presidente: América do Sul estará entre operações mais relevantes
O Brasil conquistou lugar de destaque nos planos de internacionalização da suíça SIG Combibloc e, em até cinco anos, a América do Sul deverá representar uma das mais relevantes operações para a companhia. É assim que Rolf Stangl, presidente da SIG, define o papel da região para os negócios da fabricante de embalagens longa vida que, depois de avançar sobre território asiático, inaugura hoje sua primeira fábrica no país - instalada no Paraná -, já com 100% da capacidade tomada e planos de duplicação em até dois anos. "Com a fábrica, a participação da região deve crescer rapidamente", diz Stangl, que está no país para acompanhar a cerimônia no município de Campo Largo.

Conforme Stangl, a operação sul-americana ainda é muito pequena se comparada a outras regiões - esse mercado estava na lanterninha em termos de representatividade nas vendas globais em 2010, com fatia de 4%. Países do Oeste Europeu, com participação de 44%, e Ásia-Pacífico, com fatia de 22%, apareciam na ponta oposta. "O que chama a atenção é que a América do Sul vem crescendo rapidamente e isso representa também um desafio", explica. No ano passado, as vendas na região avançaram 60%, ante crescimento médio anual global de 9,8%, desde 2004, considerando-se o volume total comercializado pela SIG.

Com capacidade de produção inicial de 1 bilhão de embalagens cartonadas assépticas por ano, a unidade paranaense atenderá tanto o mercado brasileiro quanto demais países sul-americanos, especialmente Chile. Ainda assim, a SIG seguirá importando determinados tamanhos de embalagem, produzidos na Europa, até que a operação brasileira se torne autossuficiente. "Vamos reduzir a importação gradualmente e temos como meta ser autossuficiente o mais rápido possível", destaca o presidente. "Nosso foco inicial é ganhar escala nesta fábrica."

No Paraná, serão produzidas inicialmente embalagens longa vida de tamanho médio, com capacidades de 750 ml a 1 litro. Mais adiante, as "caixinhas" de 200 ml poderão ser incorporadas à produção local. A escolha dessa linha levou em conta o perfil de consumo do país. Na China, exemplifica Stangl, a SIG optou por fabricar apenas embalagens pequenas, as mais consumidas localmente.

Em menos de dois anos, a companhia deverá duplicar a capacidade produtiva no Paraná - o projeto original já contempla a expansão. Até 2016, serão € 90 milhões em investimentos na unidade e há possibilidade de a empresa instalar também uma extrusora no país. Num primeiro momento, todo o papel laminado que será utilizado na produção de embalagens no Brasil será importado de outras fábricas da SIG. No futuro, contudo, a companhia poderá buscar fornecedores locais de papel-cartão, entre os quais Klabin, Suzano Papel e Celulose e a chilena CMPC. Segundo Stangl, não existe política de fornecimento exclusivo.

Apesar da aposta significativa na região, o executivo reconhece que há desafios a serem confrontados, entre os quais o câmbio e aqueles inerentes a mercados que estão em rápido crescimento. "Mas isso também ocorreu quando chegamos à Tailândia e à China, de forma que não é exatamente uma novidade", pondera. Além disso, a companhia suíça terá de avançar sobre o mercado da concorrência. Grande rival da SIG, a Tetra Pak domina hoje o mercado de embalagens longa vida no país, que está estimado em 10 bilhões de unidades ao ano, e também anunciou recentemente planos de expansão. Dentre os clientes no país destacam-se BR Foods, Itambé, Schincariol, Shefa, entre outros.

A história da SIG começa na Alemanha, em 1878, com a iniciativa de Ferdinand Emil Jagenberg de constituir uma indústria de papel. Em 1989, a PLK, que já produzia embalagens assépticas para bebidas e alimentos, foi comprada pela suíça SIG. Em 2007, foi a vez da SIG ser comprada pelo grupo Rank, da Nova Zelândia. No ano passado, a fabricante de embalagens correspondeu ao segundo maior negócio do grupo, cujas vendas totais superaram US$ 9 bilhões.

Metalúrgico recebe 40% a mais de PLR

Conjuntura: Valores altos, que chegam a 7,5 salários, são quase exclusividade dessa categoria

As montadoras estão pagando uma Participação sobre Lucros e Resultados (PLR) até 40% maior que os valores - já elevados - pagos no passado. Para os 3,2 mil metalúrgicos do chão de fábrica da montadora Volvo, em Curitiba (PR), o benefício, este ano, representou o equivalente a 7,5 salários - a montadora pagará, ao todo, R$ 15 mil aos operários. O teto pago em PLR no ano passado - os R$ 10,8 mil concedidos pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) - pode virar piso em 2011.

A inflação mais elevada tem dificultado o trabalho dos sindicatos nas negociações salariais tradicionais, mas, ao menos nas categorias mais organizadas, a Participação sobre Lucros e Resultados (PLR) tem surgido como uma válvula de escape. Os valores altos, contudo, são quase uma exclusividade desse grupo particular de operários. Levantamento do Valor junto a 16 escritórios regionais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) não encontrou outras categorias com negociações expressivas de PLR. Foram raros, inclusive, os acordos já negociados este ano.

Quando foi criada, em 1994, a PLR era vista pelos sindicatos como "arma de cooptação" dos trabalhadores, que recebiam o bônus condicionado ao cumprimento de metas de produção. Na Volvo, por exemplo, os R$ 8 mil referentes à segunda parcela da PLR (a primeira, de R$ 7 mil foi paga em maio) está condicionada ao cumprimento de 100% da meta de produção da fábrica para o ano - o valor final pode aumentar caso as metas sejam superadas.

"Trata-se de uma política de salários muito interessante para as empresas", diz Christian Mattos, consultor sênior da Towers Watson, entidade especializada em consultoria corporativa. "Na indústria, principalmente, onde a folha de pagamentos costuma representar 8% dos custos totais de produção, uma PLR elevada não onera o caixa, e ainda amplia a produtividade da companhia", afirma Mattos. Segundo ele, a PLR era majoritariamente praticada por multinacionais com operação no Brasil, mas, "cada vez mais, todas as empresas estão adotando".

Segundo José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a PLR deixou de ser vista como "tabu" pelos sindicatos, e já foi incorporada nas negociações com as empresas. "Os próprios trabalhadores acabam pressionando seu sindicato a negociar a PLR", afirma o representante do Dieese.

A negociação por um bônus mais elevado é uma das razões que tem mantido a fábrica da Volkswagen, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, parada há mais de 30 dias. O sindicato reivindica R$ 12 mil de PLR para os 3,1 mil metalúrgicos, mesmo valor acordado com a Renault.

Os 2,3 mil operários da mina Casa de Pedra (MG), que pertence à CSN, fizeram cinco dias de greve por uma PLR equivalente a 5,4 salários, mas a paralisação terminou na sexta-feira com um reajuste nominal de salários de 8,3%, um abono de R$ 300 e a decisão de discutir a participação nos lucros e resultados fora da data-base da categoria.

Mesmo sindicatos de esquerda mais radical, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ligado ao PSTU, negociam PLR condicionada a metas. O valor acertado no mês passado com a General Motors (GM), de R$ 10,8 mil, está condicionado a produção conjunta de 410 mil veículos nas duas fábricas da GM, em São José e em São Caetano do Sul (SP). No ano passado, as unidades produziram, ao todo, 414 mil veículos. Caso, no entanto, a produção atinja o máximo instalado - cerca de 450 mil veículos -, a PLR total pode ultrapassar R$ 13 mil.

Enquanto cada vez mais sindicatos negociam e declaram greve por conta da PLR, a discussão sobre o seu pagamento ainda existe em algumas entidades. Segundo Jair dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, a campanha pela PLR deve se concentrar em duplo convencimento: no dos trabalhadores, para mostrar que a PLR "é um bônus que não é incorporado ao salário", e nas empresas, que devem pagar PLR sem condicionantes.

Em maio, o presidente do sindicato de Campinas conduziu a negociação com a AmstedMaxion, que produz trens de carga, e aceitou pagar R$ 6,5 mil aos 1,9 mil operários do chão de fábrica sem exigir o cumprimento de metas em troca. "Essa é uma negociação modelo", diz Santos, "porque os trabalhadores já cumprem uma jornada abusiva".

O caso dos metalúrgicos e da AmstedMaxion, ao menos por enquanto, é exceção. Em consulta às regionais do Dieese, o Valor apurou que a maioria das categorias que recebe PLR - como urbanitários, comerciários e eletricitários - ainda está na fase de negociação, e as discussões estão concentradas nas metas exigidas, já que grande parte das empresas envolvidas não aceita debater valores. (Colaborou Arícia Martins, de São Paulo)

Etanol cai de novo

O preço médio do etanol hidratado nos postos do Brasil fechou a semana com queda de 2,12%, na comparação com a sexta-feira passada, e acumulou uma perda de 15,8% em relação à primeira semana de maio, segundo a Reuters citando dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O movimento se deve à intensificação da colheita de cana no Centro-Sul do Brasil.