Mostrando postagens com marcador Valoronline 06/06/2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Valoronline 06/06/2011. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Crise de 2008 trouxe novos desafios para o desenvolvimento da capacidade produtiva

Depois de dar um salto de quase 60% em apenas três safras, elevando a produção de etanol de menos de 17 bilhões para 27 bilhões de litros no ciclo 2008/2009, a indústria do setor passou a enfrentar virtual estagnação desde lá. "A produção não cresce de fato há três safras", reforça o analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ângelo Bressan Filho.

O grande desafio, daqui para frente, resumem os presidentes da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, e da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich, será desenvolver mecanismos adequados para restabelecer a competitividade do setor e recuperar a capacidade de crescimento, sabendo que haverá demanda firme pela frente.

No curto prazo, os esforços têm sido direcionados, em conversas frequentes com o governo federal, para planejar o abastecimento ao longo da safra já em curso de forma a reduzir a volatilidade dos preços, especialmente no caso do anidro, utilizado na mistura com a gasolina,
aponta Jank.

A combinação de uma entressafra mais longa do que o habitual, com forte expansão do consumo e menor oferta de sacarose, depois de dois anos complicados para os canaviais, castigados ora pelo excesso de umidade, ora pela forte estiagem, analisa Guilherme Nastari, da Datagro, lançaram os preços do etanol numa espiral de alta, seguida de uma forte queda.

Pela primeira vez em oito anos, lembra Jank, os preços do etanol atingiram uma posição de desvantagem em relação à gasolina, que não sofre correções desde 2005. "Numa primeira frente de discussões, estamos trabalhando para ampliar a segurança no abastecimento, principalmente no caso do álcool anidro", reforça o presidente da Unica.

Isso certamente deverá se traduzir em políticas para reforçar a capacidade de estocagem das usinas e, ainda, no estabelecimento de novas formas de contratação da produção envolvendo indústrias e distribuidoras. "Se conseguirmos fazer um planejamento bem feito, poderemos atravessar a próxima entressafra com menos solavancos", acredita Marcos Jank. Os desafios para o longo prazo e estarão no centro do debate da terceira edição do Ethanol Summit, realizado pela Unica, em São
Paulo.

Em resumo, trata-se de definir
"como retomar o processo de expansão da capacidade instalada para que o etanol ocupe o lugar devido na matriz de combustíveis do país", afirma Grubisich. O executivo lembra que, na safra passada, o desencontro entre a produção efetiva e a demanda potencial, que cresceu acima da capacidade de ampliação da oferta, levou o setor a deixar de vender entre 6 bilhões a 8 bilhões de litros.

A competitividade da indústria brasileira de etanol esbarra num obstáculo conhecido, mas politicamente espinhoso. Os preços do etanol na bomba tornam-se vantajosos até o limite de 70% do valor do litro de gasolina, virtualmente congelado há seis anos. Mexer nos preços do combustível fóssil não é visto como uma opção tanto pela indústria, quanto pelo governo, que buscam outros caminhos para recuperar a capacidade de investimento de um setor que chegou a injetar mais de US$ 20 bilhões entre 2006 e 2009 na instalação de 120 novas destilarias, acumulando capacidade para processar perto de 630 milhões de toneladas de cana apenas na região Centro-Sul do país
.

"Hoje, não há um projeto novo no pipeline do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e nas demais instituições financeiras que operam com o setor", descreve Jank.

Ao analisar os fundamentos da crise recente no setor sucroalcooleiro, o especialista Ângelo Bressan Filho, da Conab, identificou uma queda importante na rentabilidade da indústria precisamente a partir da safra 2007/2008. Naquele ciclo, o setor negociou pouco mais de 21,5 bilhões de litros, alcançando uma receita líquida total de apenas R$ 238,45 milhões, o que correspondeu a uma taxa de retorno sobre o capital investido de apenas 0,6%.

Essa margem havia atingido um pico de 14,4% na safra anterior, realimentando o vigoroso processo de investimento que o setor experimentava até então. No ciclo 2008/2009, a receita líquida cresceu para R$ 1,184 bilhão, mas a taxa de retorno manteve-se limitada a 2,6%.

Sobre a mesa de negociações, governo e indústria discutem novas políticas para o setor e conversam sobre a possibilidade, entre outras, de fixar um tratamento tributário diferenciado, que reconheça as "externalidades positivas do etanol e da bioenergia na competição com combustíveis de origem fóssil e não renovável", nas palavras de Jank. A ideia é caminhar para a criação de um "imposto verde", mais baixo para veículos com taxas reduzidas de emissão de gases do efeito estufa e menos poluidores.

Jank e Grubisich acreditam que há tempo para recuperar o terreno perdido para a gasolina, a partir das políticas públicas que começam a ser desenhadas. A nova regulação proposta para o mercado de etanol, agora sob o comando da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo Grubisich, representa o reconhecimento da importância do etanol para a matriz energética brasileira (Valor, 6/6/11)

Ometto deve ser conselheiro mais bem pago

Remuneração: Salário anual na Raízen Energia será de R$ 13 milhões, mais bônus de 25%.

O anúncio de criação da Raízen Energia, parceria entre Cosan e Shell, levou o empresário Rubens Ometto ao posto de conselheiro mais bem pago das companhias abertas brasileiras. Para ficar na presidência do conselho de administração da empresa, Ometto vai receber, por ano, R$ 13 milhões como remuneração fixa. Além disso, pelos próximos cinco anos, terá direito a um bônus variável atrelado ao cumprimento de indicadores de desempenho operacionais. A meta de bônus do fundador da Cosan será de 25% de sua remuneração fixa. Ou seja, se tudo der certo, Ometto vai receber, por ano, R$ 16,25 milhões.

Dados públicos da Cosan, empresa na qual Ometto também era presidente do conselho, mostram que no período de 1º de abril de 2010 a 31 de março de 2011, nove conselheiros de administração receberam o valor total de R$ 746 mil. E a empresa pagou R$ 8,8 milhões a seis diretores estatutários.

A Cosan não divulga a informação média, máxima e mínima de cada órgão da administração, amparada em liminar obtida pela regional Rio do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Como surgiu da união de Cosan e Shell, a Raízen é, portanto, uma nova empresa, de tamanho maior, o que poderia ser uma justificativa para o aumento de salário. Procurada pelo Valor, a Cosan não concedeu entrevista.

Comparada com a de outras companhias, a remuneração de Ometto se destaca não apenas pelo montante, mas também pela parcela fixa. Entre as empresas que não usaram a liminar do Ibef-Rio, a que mais pagou a um conselheiro em 2010 foi a OGX, no total de R$ 50 milhões, sendo praticamente tudo em plano de opção de ações. A empresa de petróleo explica ainda que esse pagamento foi feito a um ex-executivo - que agora está só no conselho - pelas funções exercidas como diretor.

Ainda no universo das companhias que não usaram a liminar judicial, o Bradesco aparece com a segunda maior remuneração no conselho, de R$ 11,5 milhões, sendo parte em salário fixo e parte em gratificação por desempenho.
A terceira empresa da lista é a MPX, com remuneração da R$ 6,8 milhões, também com peso grande da fatia de opções.

Mesmo comparando com diretores - que normalmente ganham mais que conselheiros -, a remuneração de Ometto ficará entre as maiores. Ao se olhar os maiores valores pagos por empresas que não usam a liminar do Ibef, OGX, Lojas Renner e Ambev aparecem na frente, com valores de R$ 19,7 milhões, R$ 16,1 milhões e R$ 12,0 milhões, respectivamente, pagos a um único executivo, com peso grande para a parcela variável e em opções.

Havia expectativa desde abril com relação ao anúncio da remuneração de Ometto na Raízen. Circularam informações de que o pacote previa inicialmente um salário de US$ 25 milhões anuais por um período de dez anos, além de um plano de opções avaliado em US$ 50 milhões. À época, a empresa informou que o plano de remuneração não estava concluído.

A divulgação oficial da remuneração bem menor do que o esperado, apesar de ainda robusta, foi recebida na quinta-feira com alta de 4,8% na cotação das ações da Cosan. Na sexta, o papel subiu mais 2,6% e fechou a R$ 24,80, patamar que havia perdido em abril, quando o mercado especulava sobre o salário do conselheiro.
Em comentário distribuído a clientes, o Morgan Stanley classificou a notícia como positiva, pois eliminava uma incerteza que vinha pesando sobre as ações.

O Safra comentou em relatório que a parte variável dos ganhos do empresário está ligada a metas de desempenho medidas por indicadores como crescimento, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês), sinergias e sustentabilidade. Não foram fornecidas informações sobre as metas, pois a companhia classifica os dados como estratégicos e confidenciais.

ArcelorMittal vai investir US$ 300 mi no ES

Siderurgia:
Baptista, da ArcelorMittal Brasil, vai terá uma nova linha de aço galvanizado para atender a indústria automotiva
As siderúrgicas no Brasil acirram a cada dia, com novos investimentos, a competição pelo mercado tido como o "premium", o de uso de aço na fabricação de automóveis e bens de linha branca. O grupo ArcelorMittal acaba de aprovar nova linha de aço galvanizado na sua unidade de São Francisco do Sul (SC), ao mesmo tempo em que a Usiminas, em parceria com a Nippon Steel, faz a inauguração de uma linha com capacidade igual em Ipatinga (MG).

O investimento da ArcelorMittal Tubarão, controlada de aços planos do grupo ArcelorMittal no país, situada na Grande Vitória (ES), será de US$ 300 milhões. A nova linha terá capacidade de 550 mil toneladas de aço galvanizado (material revestido com ligas de zinco contra ferrugem) e de 100 mil toneladas de laminado a frio.

O objetivo, explicou Benjamin Batista, CEO da empresa, é atender a demanda em alta na indústria automotiva. Ele mencionou, além dos programas de expansão das atuais fábricas de veículos no país, a chegada de montadoras asiáticas, como Toyota, Hyundai e Chery, todas no Estado de São Paulo. No início do ano passado, no mesmo site, a empresa tinha inaugurado sua segunda linha, de 400 mil toneladas, mas a expansão do mercado se mostrou tão firme que atraiu aço importado.

Depois de dois anos de obras, a nova linha ficará pronta no fim de 2013. "Como já temos a aprovação, até o fim do ano vamos fechar a compra de equipamentos e a contratação de construtoras as obras civis e a montagem." Com essa expansão, a unidade, chamada de Vega do Sul, ficará com capacidade de 2 milhões de toneladas: 75% de material galvanizado e 25% de laminado a frio. Os mercados alvo da empresa serão o automotivo, o de linha branca e construção civil.

O suprimento de material para fazer os dois tipos de aço nessa unidade será feito pela usina em Serra (ES), onde o laminador de bobinas a quente foi ampliado em 2010 para 4 milhões de toneladas ao ano. Investimento em um novo laminador teve a decisão adiada deste ano para 2012. "Vamos ver como ficará o mercado até lá".
A disputa no segmento de aço galvanizado, usado na carroceria de automóveis, geladeiras, freezer e máquinas de lavar, ocorre entre Usiminas, CSN e ArcelorMittal, além das importações. O material importado entrou agressivamente no ano passado, assustando as usinas: atingiram 780 mil toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr). As vendas internas somaram 2,25 milhões de toneladas, indicando um consumo nacional de 3 milhões de toneladas.

Com as instalações atuais e esse novo investimento, as três usinas vão ficar com capacidade instalada próxima de 4,5 milhões de toneladas. Um grande desafio é tomar de volta o mercado abocanhado pelo aço estrangeiro.

Batista informou também que está aprovada, para março de 2012, a parada do alto-forno 1 de Tubarão, o maior da usina, para reforma das instalações que vai durar 90 dias. A produção do equipamento começa a ser reduzida gradativamente a partir de outubro. A obra vai custar US$ 180 milhões.

A reforma será a primeira desse alto-forno, que entrou em operação em 1983 e responde por quase metade da capacidade instalada total, de 7,5 milhões de toneladas. Ele tem a vida mais longa em uma usina de aço no mundo. Coração de uma siderúrgica, em geral são reformados após 15 anos de entrada em funcionamento.

Por conta disso, a empresa vai religar, também aos poucos, seu alto-forno 2, parado por conta da crise de 2008/2009. Sua capacidade é de 1,3 milhão de toneladas de placas por ano. Segundo Batista, como essa unidade é dedicada à exportação, com o atual custo do minério de ferro (no caso, pelotas) não se justificou até agora religá-lo. "Hoje, ganha-se dinheiro com ele parado", disse. O preço pago pela placa, valor FOB, no mercado mundial, está em torno de US$ 650 a tonelada.

SIG Combibloc vai dobrar produção no PR em 2 anos

Embalagens : Fábrica em Campo Largo receberá aportes de € 90 mi até 2016

Rolf Stangl, presidente: América do Sul estará entre operações mais relevantes
O Brasil conquistou lugar de destaque nos planos de internacionalização da suíça SIG Combibloc e, em até cinco anos, a América do Sul deverá representar uma das mais relevantes operações para a companhia. É assim que Rolf Stangl, presidente da SIG, define o papel da região para os negócios da fabricante de embalagens longa vida que, depois de avançar sobre território asiático, inaugura hoje sua primeira fábrica no país - instalada no Paraná -, já com 100% da capacidade tomada e planos de duplicação em até dois anos. "Com a fábrica, a participação da região deve crescer rapidamente", diz Stangl, que está no país para acompanhar a cerimônia no município de Campo Largo.

Conforme Stangl, a operação sul-americana ainda é muito pequena se comparada a outras regiões - esse mercado estava na lanterninha em termos de representatividade nas vendas globais em 2010, com fatia de 4%. Países do Oeste Europeu, com participação de 44%, e Ásia-Pacífico, com fatia de 22%, apareciam na ponta oposta. "O que chama a atenção é que a América do Sul vem crescendo rapidamente e isso representa também um desafio", explica. No ano passado, as vendas na região avançaram 60%, ante crescimento médio anual global de 9,8%, desde 2004, considerando-se o volume total comercializado pela SIG.

Com capacidade de produção inicial de 1 bilhão de embalagens cartonadas assépticas por ano, a unidade paranaense atenderá tanto o mercado brasileiro quanto demais países sul-americanos, especialmente Chile. Ainda assim, a SIG seguirá importando determinados tamanhos de embalagem, produzidos na Europa, até que a operação brasileira se torne autossuficiente. "Vamos reduzir a importação gradualmente e temos como meta ser autossuficiente o mais rápido possível", destaca o presidente. "Nosso foco inicial é ganhar escala nesta fábrica."

No Paraná, serão produzidas inicialmente embalagens longa vida de tamanho médio, com capacidades de 750 ml a 1 litro. Mais adiante, as "caixinhas" de 200 ml poderão ser incorporadas à produção local. A escolha dessa linha levou em conta o perfil de consumo do país. Na China, exemplifica Stangl, a SIG optou por fabricar apenas embalagens pequenas, as mais consumidas localmente.

Em menos de dois anos, a companhia deverá duplicar a capacidade produtiva no Paraná - o projeto original já contempla a expansão. Até 2016, serão € 90 milhões em investimentos na unidade e há possibilidade de a empresa instalar também uma extrusora no país. Num primeiro momento, todo o papel laminado que será utilizado na produção de embalagens no Brasil será importado de outras fábricas da SIG. No futuro, contudo, a companhia poderá buscar fornecedores locais de papel-cartão, entre os quais Klabin, Suzano Papel e Celulose e a chilena CMPC. Segundo Stangl, não existe política de fornecimento exclusivo.

Apesar da aposta significativa na região, o executivo reconhece que há desafios a serem confrontados, entre os quais o câmbio e aqueles inerentes a mercados que estão em rápido crescimento. "Mas isso também ocorreu quando chegamos à Tailândia e à China, de forma que não é exatamente uma novidade", pondera. Além disso, a companhia suíça terá de avançar sobre o mercado da concorrência. Grande rival da SIG, a Tetra Pak domina hoje o mercado de embalagens longa vida no país, que está estimado em 10 bilhões de unidades ao ano, e também anunciou recentemente planos de expansão. Dentre os clientes no país destacam-se BR Foods, Itambé, Schincariol, Shefa, entre outros.

A história da SIG começa na Alemanha, em 1878, com a iniciativa de Ferdinand Emil Jagenberg de constituir uma indústria de papel. Em 1989, a PLK, que já produzia embalagens assépticas para bebidas e alimentos, foi comprada pela suíça SIG. Em 2007, foi a vez da SIG ser comprada pelo grupo Rank, da Nova Zelândia. No ano passado, a fabricante de embalagens correspondeu ao segundo maior negócio do grupo, cujas vendas totais superaram US$ 9 bilhões.

Metalúrgico recebe 40% a mais de PLR

Conjuntura: Valores altos, que chegam a 7,5 salários, são quase exclusividade dessa categoria

As montadoras estão pagando uma Participação sobre Lucros e Resultados (PLR) até 40% maior que os valores - já elevados - pagos no passado. Para os 3,2 mil metalúrgicos do chão de fábrica da montadora Volvo, em Curitiba (PR), o benefício, este ano, representou o equivalente a 7,5 salários - a montadora pagará, ao todo, R$ 15 mil aos operários. O teto pago em PLR no ano passado - os R$ 10,8 mil concedidos pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) - pode virar piso em 2011.

A inflação mais elevada tem dificultado o trabalho dos sindicatos nas negociações salariais tradicionais, mas, ao menos nas categorias mais organizadas, a Participação sobre Lucros e Resultados (PLR) tem surgido como uma válvula de escape. Os valores altos, contudo, são quase uma exclusividade desse grupo particular de operários. Levantamento do Valor junto a 16 escritórios regionais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) não encontrou outras categorias com negociações expressivas de PLR. Foram raros, inclusive, os acordos já negociados este ano.

Quando foi criada, em 1994, a PLR era vista pelos sindicatos como "arma de cooptação" dos trabalhadores, que recebiam o bônus condicionado ao cumprimento de metas de produção. Na Volvo, por exemplo, os R$ 8 mil referentes à segunda parcela da PLR (a primeira, de R$ 7 mil foi paga em maio) está condicionada ao cumprimento de 100% da meta de produção da fábrica para o ano - o valor final pode aumentar caso as metas sejam superadas.

"Trata-se de uma política de salários muito interessante para as empresas", diz Christian Mattos, consultor sênior da Towers Watson, entidade especializada em consultoria corporativa. "Na indústria, principalmente, onde a folha de pagamentos costuma representar 8% dos custos totais de produção, uma PLR elevada não onera o caixa, e ainda amplia a produtividade da companhia", afirma Mattos. Segundo ele, a PLR era majoritariamente praticada por multinacionais com operação no Brasil, mas, "cada vez mais, todas as empresas estão adotando".

Segundo José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a PLR deixou de ser vista como "tabu" pelos sindicatos, e já foi incorporada nas negociações com as empresas. "Os próprios trabalhadores acabam pressionando seu sindicato a negociar a PLR", afirma o representante do Dieese.

A negociação por um bônus mais elevado é uma das razões que tem mantido a fábrica da Volkswagen, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, parada há mais de 30 dias. O sindicato reivindica R$ 12 mil de PLR para os 3,1 mil metalúrgicos, mesmo valor acordado com a Renault.

Os 2,3 mil operários da mina Casa de Pedra (MG), que pertence à CSN, fizeram cinco dias de greve por uma PLR equivalente a 5,4 salários, mas a paralisação terminou na sexta-feira com um reajuste nominal de salários de 8,3%, um abono de R$ 300 e a decisão de discutir a participação nos lucros e resultados fora da data-base da categoria.

Mesmo sindicatos de esquerda mais radical, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ligado ao PSTU, negociam PLR condicionada a metas. O valor acertado no mês passado com a General Motors (GM), de R$ 10,8 mil, está condicionado a produção conjunta de 410 mil veículos nas duas fábricas da GM, em São José e em São Caetano do Sul (SP). No ano passado, as unidades produziram, ao todo, 414 mil veículos. Caso, no entanto, a produção atinja o máximo instalado - cerca de 450 mil veículos -, a PLR total pode ultrapassar R$ 13 mil.

Enquanto cada vez mais sindicatos negociam e declaram greve por conta da PLR, a discussão sobre o seu pagamento ainda existe em algumas entidades. Segundo Jair dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, a campanha pela PLR deve se concentrar em duplo convencimento: no dos trabalhadores, para mostrar que a PLR "é um bônus que não é incorporado ao salário", e nas empresas, que devem pagar PLR sem condicionantes.

Em maio, o presidente do sindicato de Campinas conduziu a negociação com a AmstedMaxion, que produz trens de carga, e aceitou pagar R$ 6,5 mil aos 1,9 mil operários do chão de fábrica sem exigir o cumprimento de metas em troca. "Essa é uma negociação modelo", diz Santos, "porque os trabalhadores já cumprem uma jornada abusiva".

O caso dos metalúrgicos e da AmstedMaxion, ao menos por enquanto, é exceção. Em consulta às regionais do Dieese, o Valor apurou que a maioria das categorias que recebe PLR - como urbanitários, comerciários e eletricitários - ainda está na fase de negociação, e as discussões estão concentradas nas metas exigidas, já que grande parte das empresas envolvidas não aceita debater valores. (Colaborou Arícia Martins, de São Paulo)

Etanol cai de novo

O preço médio do etanol hidratado nos postos do Brasil fechou a semana com queda de 2,12%, na comparação com a sexta-feira passada, e acumulou uma perda de 15,8% em relação à primeira semana de maio, segundo a Reuters citando dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O movimento se deve à intensificação da colheita de cana no Centro-Sul do Brasil.

Reclamação da Biopetro chega à ANP

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) confirmou na sexta-feira que o pedido de anulação do 22º leilão de biodiesel feito pela empresa Biopetro foi recebido pela agência no fim da tarde da véspera. Até então, a empresa enviara à agência apenas uma carta na qual informava que o advogado que a representa enviaria o pedido, motivado por suspeitas de irregularidades.

Em matéria publicada à página B16 da edição do dia 2 de junho, o Valor não incluiu, por um erro de edição, a informação que a ANP enviou à reportagem de que, até o início da noite de quarta-feira, o pedido da Biopetro não havia sido apresentado.

A companhia alega que houve "disparidades significativas" entre os preços de arremate do primeiro e do segundo lotes do 22º leilão de biodiesel, realizado entre os dias 24 e 26 de maio. A empresa argumenta que, no primeiro dia do leilão, quando participaram apenas companhias que têm Selo Social, a maior parte de grande porte, o preço médio do litro alcançou R$ 2,25. Já no segundo lote, aberto também a empresas sem Selo Social, o valor caiu para R$ 1,96.

A Biopetro questiona, ainda, o fato de as mesmas empresas que participaram do pregão do primeiro lote terem participado também do segundo, mas oferecendo valores bem menores e sem arrematarem nenhum volume. No documento enviado à ANP, a empresa sustenta que o saldo desse movimento foi um "sentimento de ação apenas depreciativa dos preços". (FB)

Plantio de canaviais atrasa e a oferta de cana adicional crescerá menos em 2012

Agroenergia: Em vez de 138 milhões de toneladas, o avanço em cana deve ser de 118 milhões

"Em março, a chuva foi tão intensa que quase não se plantou nada de cana", diz Ismael Perina, presidente da Orplana
O excesso de chuvas entre março e abril deste ano atrapalhou o plantio de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país. Parte do que se esperava de cana adicional para o ano que vem já foi perdida, segundo estimativa da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Inicialmente, a entidade previa que o potencial de crescimento da oferta da matéria-prima era de 138 milhões de toneladas, resultado de uma renovação de canavial de cerca de 1,3 milhão de hectares.

Neste momento, já se sabe que pelo menos 20 milhões de toneladas desse volume esperado não devem virar realidade, segundo o diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues. Ele afirma que a cana que é plantada entre fevereiro e abril, a chamada "cana de um ano e meio", foi afetada pelo excesso de chuvas.

Essa cana é colhida já na safra seguinte com uma produtividade mais alta, próxima de 130 toneladas por hectare, bem acima das 100 toneladas por hectare da cana que está sendo plantada agora entre maio e junho (cana de inverno) e a semeada entre agosto e setembro (cana de um ano).

É justamente para a "cana de um ano e meio", com o primeiro corte mais produtivo, que se esperava a maior área plantada e na qual houve a maior queda no plantio, diz Rodrigues.

Mais capitalizados, produtores e usinas iniciaram 2011 com planos de renovar 18% (1,3 milhão de hectares) da área de cana do Centro-Sul, acima da média anual de 16%. Desses 1,3 milhão, 1 milhão de hectares estavam planejados para o cultivo dessa cana de um ano e meio. Rodrigues estima que 60% da área prevista para esse período de plantio foi efetivamente cultivada.

"Choveu muito no Centro-Sul todo, sobretudo em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná", diz Rodrigues. Algumas usinas continuam o plantio, mas da cana de inverno que, juntamente com a "cana de um ano" deve ter uma fatia de 300 mil hectares da área de renovação prevista para o ano.

"Não teremos todo o potencial previsto inicialmente mas, de qualquer forma, ao renovarmos, estaremos substituindo nessa área um canavial velho, de seis anos de idade e produtividade de 65 toneladas de cana por hectare, por um outro novo, com 100 toneladas por hectare", diz Pádua.

Apesar da redução do potencial de crescimento de oferta de cana para 2012, Pádua pondera que o aumento do volume disponível para moagem do ano que vem em comparação com esta safra está garantido. "Há o volume adicional da renovação de canaviais e também as novas áreas vindas dos greenfields", argumenta.

Os fornecedores de cana devem ser os mais afetados pelas adversidades no plantio de cana neste ano. Ismael Perina Júnior, presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), afirma que apesar de todo o esforço para avançar o plantio, em março os fornecedores de cana não conseguiram cultivar quase nada, por causa das chuvas torrenciais. "Daqui para frente, apenas as usinas plantam, pois o clima fica seco e as indústrias conseguem irrigar com a vinhaça, líquido resultante do processo industrial ", diz.
Esta safra em curso, a 2011/12, já é a segu
nda com oferta escassa de cana. Por isso, a tentativa de ampliar a renovação. A previsão da Unica para este ciclo é de moagem de 568,50 milhões de toneladas de cana. Se concretizada, ficaria 2,11% acima das 556,74 milhões de toneladas processadas no ciclo anterior.

Mas, a própria Unica já reconheceu que pode revisar esse número para baixo, por causa da menor produtividade apresentada pelos canaviais neste começo de safra - consequência da forte estiagem que atingiu as áreas de cana no ano passado. A consultoria Datagro já alterou sua estimativa em maio para 554,1 milhões de toneladas de moagem, ante as 561,32 milhões previstas em abril.

O mercado já começa a precificar as chances de uma safra menor no Brasil nos futuros de açúcar. Na sexta-feira, os contratos para outubro fecharam em alta de 23 pontos, a 23,61 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York diante de especulações de que a oferta de açúcar no Brasil será limitada. No mercado interno, a safra pressiona. O indicador Cepea/Esalq para o cristal caiu 1,5% na sexta-feira, a R$ 53,83 por saca.