A Agência Nacional de Petróleo (ANP) confirmou na sexta-feira que o pedido de anulação do 22º leilão de biodiesel feito pela empresa Biopetro foi recebido pela agência no fim da tarde da véspera. Até então, a empresa enviara à agência apenas uma carta na qual informava que o advogado que a representa enviaria o pedido, motivado por suspeitas de irregularidades.
Em matéria publicada à página B16 da edição do dia 2 de junho, o Valor não incluiu, por um erro de edição, a informação que a ANP enviou à reportagem de que, até o início da noite de quarta-feira, o pedido da Biopetro não havia sido apresentado.
A companhia alega que houve "disparidades significativas" entre os preços de arremate do primeiro e do segundo lotes do 22º leilão de biodiesel, realizado entre os dias 24 e 26 de maio. A empresa argumenta que, no primeiro dia do leilão, quando participaram apenas companhias que têm Selo Social, a maior parte de grande porte, o preço médio do litro alcançou R$ 2,25. Já no segundo lote, aberto também a empresas sem Selo Social, o valor caiu para R$ 1,96.
A Biopetro questiona, ainda, o fato de as mesmas empresas que participaram do pregão do primeiro lote terem participado também do segundo, mas oferecendo valores bem menores e sem arrematarem nenhum volume. No documento enviado à ANP, a empresa sustenta que o saldo desse movimento foi um "sentimento de ação apenas depreciativa dos preços". (FB)
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Plantio de canaviais atrasa e a oferta de cana adicional crescerá menos em 2012
Agroenergia: Em vez de 138 milhões de toneladas, o avanço em cana deve ser de 118 milhões
"Em março, a chuva foi tão intensa que quase não se plantou nada de cana", diz Ismael Perina, presidente da Orplana
O excesso de chuvas entre março e abril deste ano atrapalhou o plantio de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país. Parte do que se esperava de cana adicional para o ano que vem já foi perdida, segundo estimativa da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Inicialmente, a entidade previa que o potencial de crescimento da oferta da matéria-prima era de 138 milhões de toneladas, resultado de uma renovação de canavial de cerca de 1,3 milhão de hectares.
Essa cana é colhida já na safra seguinte com uma produtividade mais alta, próxima de 130 toneladas por hectare, bem acima das 100 toneladas por hectare da cana que está sendo plantada agora entre maio e junho (cana de inverno) e a semeada entre agosto e setembro (cana de um ano).
É justamente para a "cana de um ano e meio", com o primeiro corte mais produtivo, que se esperava a maior área plantada e na qual houve a maior queda no plantio, diz Rodrigues.
Mais capitalizados, produtores e usinas iniciaram 2011 com planos de renovar 18% (1,3 milhão de hectares) da área de cana do Centro-Sul, acima da média anual de 16%. Desses 1,3 milhão, 1 milhão de hectares estavam planejados para o cultivo dessa cana de um ano e meio. Rodrigues estima que 60% da área prevista para esse período de plantio foi efetivamente cultivada.
"Choveu muito no Centro-Sul todo, sobretudo em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná", diz Rodrigues. Algumas usinas continuam o plantio, mas da cana de inverno que, juntamente com a "cana de um ano" deve ter uma fatia de 300 mil hectares da área de renovação prevista para o ano.
"Não teremos todo o potencial previsto inicialmente mas, de qualquer forma, ao renovarmos, estaremos substituindo nessa área um canavial velho, de seis anos de idade e produtividade de 65 toneladas de cana por hectare, por um outro novo, com 100 toneladas por hectare", diz Pádua.
Apesar da redução do potencial de crescimento de oferta de cana para 2012, Pádua pondera que o aumento do volume disponível para moagem do ano que vem em comparação com esta safra está garantido. "Há o volume adicional da renovação de canaviais e também as novas áreas vindas dos greenfields", argumenta.
Os fornecedores de cana devem ser os mais afetados pelas adversidades no plantio de cana neste ano. Ismael Perina Júnior, presidente da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), afirma que apesar de todo o esforço para avançar o plantio, em março os fornecedores de cana não conseguiram cultivar quase nada, por causa das chuvas torrenciais. "Daqui para frente, apenas as usinas plantam, pois o clima fica seco e as indústrias conseguem irrigar com a vinhaça, líquido resultante do processo industrial ", diz.
Esta safra em curso, a 2011/12, já é a segu
nda com oferta escassa de cana. Por isso, a tentativa de ampliar a renovação. A previsão da Unica para este ciclo é de moagem de 568,50 milhões de toneladas de cana. Se concretizada, ficaria 2,11% acima das 556,74 milhões de toneladas processadas no ciclo anterior.
Mas, a própria Unica já reconheceu que pode revisar esse número para baixo, por causa da menor produtividade apresentada pelos canaviais neste começo de safra - consequência da forte estiagem que atingiu as áreas de cana no ano passado. A consultoria Datagro já alterou sua estimativa em maio para 554,1 milhões de toneladas de moagem, ante as 561,32 milhões previstas em abril.
O mercado já começa a precificar as chances de uma safra menor no Brasil nos futuros de açúcar. Na sexta-feira, os contratos para outubro fecharam em alta de 23 pontos, a 23,61 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York diante de especulações de que a oferta de açúcar no Brasil será limitada. No mercado interno, a safra pressiona. O indicador Cepea/Esalq para o cristal caiu 1,5% na sexta-feira, a R$ 53,83 por saca.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Usina vai usar palha de cana-de-açúcar para gerar energia
Além da biomassa do bagaço, a palha que sobra nos canaviais após a colheita da cana-de-açúcar é apontada como de grande potencial de geração de energia.
O material já vem sendo usado por algumas usinas do país na queima atrelada ao bagaço. A iniciativa, porém, deve ganhar força neste ano com um projeto estimado em US$ 68,5 milhões.
O projeto para uso da palha na geração de energia envolve recursos aplicados por três usinas, GEF (Fundo Mundial para o Meio Ambiente), Ministério da Ciência e Tecnologia e o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).
Segundo o coordenador de pesquisas do CTC, Suleiman José Hassuani, o uso da palha na geração de energia pelas usinas de cana pode garantir eletricidade para até 13 milhões de residências.
A cada safra, ainda de acordo com ele, são 84 milhões de toneladas de palha deixadas nos canaviais brasileiros.
O projeto prevê que parte da palha seja levada junto com a cana para as usinas.
O processo de separação ocorreria na chegada do produto às unidades, com o uso de ventiladores nas esteiras de cana que vai para a moagem.
A primeira usina a adotar o sistema será a Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP), ainda neste ano, diz Hassuani. Ele não informou os nomes das outras duas usinas que devem aderir ao projeto de uso da palha.
Cargill mergulha no álcool
Multinacional negocia criação de joint venture com o grupo brasileiro Usina São João; com a união, empresas produzirão açúcar, etanol e energia elétrica a partir do bagaço da cana
Agência Estado – A gigante norte-americana Cargill, uma das maiores produtoras e processadoras de alimentos do mundo, anunciou nesta quinta-feira a assinatura de um acordo com o Grupo Usina São João (USJ) para a criação de uma joint venture no segmento de açúcar, etanol e bioeletricidade. Cada uma das empresas terá fatia de 50% na parceria e a gestão será compartilhada. Na prática, a multinacional assumirá metade das operações no Estado de Goiás do tradicional grupo brasileiro, com 60 anos de atividade. O valor da transação não foi revelado. A Usina São João, em Araras (SP), pioneira da companhia, não integra a nova empresa.
A Cargill informou que a conclusão da transação, prevista para os próximos meses, “está sujeita a aprovação das autoridades regulatórias”. A nova empresa reunirá os ativos industriais goianos do Grupo USJ – as Usinas São Francisco, em operação desde 2007, na cidade de Quirinópolis, e a Usina Cachoeira Dourada, em construção no município de mesmo nome. “Parte do capital investido pela Cargill na joint venture será utilizado na conclusão da Usina Cachoeira Dourada, que deverá entrar em operação na safra de 2013, além de outros aprimoramentos na Usina São Francisco”, informa comunicado da empresa.
A joint venture “passará a ser sucessora dos contratos de fornecimento de cana-de-açúcar mantidos com produtores da região”, informou a companhia. Após a conclusão dos investimentos, a capacidade para processamento de cana-de-açúcar das duas usinas juntas será de 7,5 milhões de toneladas por ano. As unidades produzirão açúcar e etanol, além de unidade geradora de energia elétrica a partir de bagaço de cana, com capacidade para gerar 120 MW/h, dos quais um terço atende a sua própria demanda.
Marcelo Andrade, diretor do negócio açúcar e etanol da Cargill no Brasil, informou que o investimento vai ao encontro da estratégia da companhia neste segmento. “Tratam-se de duas usinas novas, com escala de produção competitiva, em uma região que adota práticas modernas de plantio e colheita 100% mecanizados”. Com a operação, a Cargill amplia sua participação no mercado de bioenergia brasileiro, iniciada em 2006, quando adquiriu do empresário Maurílio Biagi Filho 64% do capital da Cevasa, em Patrocínio Paulista, SP.
Já o presidente do Grupo USJ, Hermínio Ometto Neto, informou que o objetivo da empresa em Goiás “sempre foi transformar a região em um polo de produção sustentável de alimentos e energia renovável, a partir de cana-de-açúcar, desenvolvendo também a cadeia produtiva na região”. O Grupo USJ contou com assessoria financeira do Banco Votorantim e do Banco Itaú BBA na operação. “A parceria com a Cargill significa um importante passo em nossa estratégia de crescimento”, informou Ometto Neto.
Cargill assume 50% do grupo USJ em Goiás com joint venture
Na prática, a multinacional assumirá metade das operações no Estado de Goiás do tradicional grupo brasileiro, com 60 anos de atividade segmento de açúcar
RIBEIRÃO PRETO - A gigante norte-americana Cargill, uma das maiores produtoras e processadoras de alimentos do mundo, anunciou a assinatura de um acordo com o Grupo Usina São João (USJ) para a criação de uma joint venture no segmento de açúcar, etanol e bioeletricidade. Cada uma das empresas terá fatia de 50% na parceria e a gestão será compartilhada. Na prática, a multinacional assumirá metade das operações no Estado de Goiás do tradicional grupo brasileiro, com 60 anos de atividade. O valor da transação não foi revelado. A Usina São João, em Araras (SP), pioneira da companhia, não integra a nova empresa.
A Cargill informou que a conclusão da transação, prevista para os próximos meses, "está sujeita a aprovação das autoridades regulatórias". A nova empresa reunirá os ativos industriais goianos do Grupo USJ - as Usinas São Francisco, em operação desde 2007, na cidade de Quirinópolis, e a Usina Cachoeira Dourada, em construção no município de mesmo nome. "Parte do capital investido pela Cargill na joint venture será utilizado na conclusão da Usina Cachoeira Dourada, que deverá entrar em operação na safra de 2013, além de outros aprimoramentos na Usina São Francisco", informa comunicado da empresa.
A joint venture "passará a ser sucessora dos contratos de fornecimento de cana-de-açúcar mantidos com produtores da região", informou a companhia. Após a conclusão dos investimentos, a capacidade para processamento de cana-de-açúcar das duas usinas juntas será de 7,5 milhões de toneladas por ano. As unidades produzirão açúcar e etanol, além de unidade geradora de energia elétrica a partir de bagaço de cana, com capacidade para gerar 120 MWh, dos quais um terço atende a sua própria demanda. Os dois terços excedentes são destinados ao sistema de energia elétrica.
Marcelo Andrade, diretor do negócio açúcar e etanol da Cargill no Brasil, informou que o investimento vai ao encontro da estratégia da companhia neste segmento. "Tratam-se de duas usinas novas, com escala de produção competitiva, em uma região que adota práticas modernas de plantio e colheita 100% mecanizados". Com a operação a Cargill amplia sua participação no mercado de bioenergia brasileiro, iniciada em 2006, quando adquiriu do empresário Maurílio Biagi Filho 64% do capital da Cevasa, em Patrocínio Paulista (SP).
Já o presidente do Grupo USJ, Hermínio Ometto Neto, informou que o objetivo da empresa em Goiás "sempre foi transformar a região em um polo de produção sustentável de alimentos e energia renovável, a partir de cana-de-açúcar, desenvolvendo também a cadeia produtiva na região". O Grupo USJ contou com assessoria financeira do Banco Votorantim e do Banco Itaú BBA na operação. "A parceria com a Cargill significa um importante passo em nossa estratégia de crescimento", informou Ometto Neto.
BB e BNDES assinam contrato para exportação na América Latina
Parceria
O acordo estabelece uma linha de crédito no valor equivalente a até US$ 200 milhões
Os presidentes do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e do BNDES, Luciano Coutinho, firmaram nesta quarta-feira (1/6) contrato de financiamento de exportações brasileiras a países da América Latina.
O acordo, com base em nova modalidade de apoio (BNDES Exim Automático), estabelece uma linha de crédito no valor equivalente a até US$ 200 milhões, em que o Banco do Brasil, atuando por meio de suas agências externas, poderá financiar importadores de maquinários fabricados no Brasil, inicialmente nos mercados da Argentina, Chile e Paraguai.
O novo produto busca dar maior agilidade operacional ao financiamento às exportações brasileiras de máquinas, equipamentos e demais itens de maior valor agregado, mediante a concessão de linha de crédito a bancos no exterior.
Todas as agências do Banco do Brasil, no Brasil e no exterior, estão habilitadas a atender as empresas interessadas nesta linha de crédito.
Com prazos de pagamento de até cinco anos, a nova linha contribuirá para ampliar a competitividade das empresas brasileiras no exterior, principalmente no segmento de bens de capital que enfrenta acirramento da concorrência internacional em operações de médio e longo prazos.
Entre as exportações que deverão ser incrementadas com esta linha de crédito destacam-se máquinas e implementos agrícolas, máquinas industriais, ônibus e caminhões, máquinas rodoviárias, geradores e transformadores e equipamentos de telecomunicações brasileiros
Cemig adquire ativos na Abengoa por R$ 1,099 bilhão
Energia
A operação foi realizada por meio da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa), empresa coligada da Cemig
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) firmou com o Grupo Abengoa dois contratos de aquisição de participação, no valor total de R$ 1,099 bilhão.
A operação foi realizada por meio da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa), empresa coligada da Cemig.
O primeiro contrato diz respeito a compra de 50% das ações detidas pela Abengoa Concessões Brasil Holding no capital social da Abengoa Participações Holding.
Pelo segundo contrato, a Cemig adquiriu 100% das ações detidas pela Abengoa na Nordeste Transmissora de Energia (NTE).
Já a Abengoa informou que a operação é parte da estratégia de reduzir sua dívida. Além dessa operação, a empresa vendeu 40% da Telvent, sua filial de serviços tecnológicos, para a francesa Schneider Electric.
Com ambas as operações, a empresa espanhola espera reduzir sua dívida líquida em € 1,43 bilhões
Os desafios de Rubens Ometto na Raízen
Estratégia:
"Em 15 anos estarei com 76 anos. Quero me manter ativo", afirma Ometto.
Em mais de três décadas de labuta na Cosan, quando a empresa ainda nem tinha esse nome, tampouco a atual dimensão, Rubens Ometto Silveira Mello fez a Cosan atingir o inimaginável. Não se tratou apenas do faro afinado para aproveitar oportunidades únicas do mercado, como foi, por exemplo, a compra da NovAmérica, nem somente a visão para antecipar o movimento de consolidação que ocorreria em seguida. Rubinho, como é conhecido, quebrou paradigmas históricos do setor de açúcar e álcool ao se juntar ao "inimigo", comprando os ativos da Esso e se unindo à Shell.
"Seguirei sendo um conselheiro bem ativo. Quero trabalhar motivando novas ideias e construindo estratégias para que a empresa atinja as sinergias propostas", diz. Esse potencial de ganhos com a união de operações é, a valor presente líquido, de R$ 3,4 bilhões.
Açúcar e álcool estarão no foco dos investimentos da empresa nos próximos cinco anos. Em 2015, a moagem de cana deve atingir 100 milhões de toneladas, segundo previsão da companhia, a produção de açúcar deve subir para 6 milhões de toneladas e a de etanol para 5 bilhões de litros.
Com um salário anual de R$ 13 milhões, Rubens não revela o que "vê" à frente. Questionado sobre o direito da Shell de exercer a compra da participação da Cosan na Raízen nos próximos 10 anos ou 15 anos, ele faz as contas: "Estou com 61 [anos]. Daqui 15 anos serão 76. O Roberto Marinho começou a Rede Globo com 65". Estaria ele pensando em um novo negócio aos 76 anos? A resposta é outra pergunta: "Há algo impossível para Rubens Ometto?
Bracelpa e Unica pedem 'tratamento isonômico'
A Bracelpa, entidade que representa a indústria brasileira de papel e celulose, e a Unica, que reúne produtores de açúcar e etanol, devem concluir hoje a redação de um documento, que será encaminhado ao governo federal, com propostas para o debate sobre a restrição da compra de terras por empresas estrangeiras. O objetivo é abrir portas para a discussão do tema entre representantes da indústria florestal e o Executivo.
A principal reivindicação das entidades, que buscam o apoio da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (Abraf), é a de que os investimentos em terras com finalidade produtiva sejam tratados de maneira isonômica, independentemente da origem dos recursos que serão aplicados no projeto.
"Se uma empresa de capital estrangeiro tem CNPJ brasileiro, ela deveria poder investir na área florestal", defende a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes. Outra alternativa seria a aplicação do conceito de reciprocidade: se uma nação proíbe a compra de terras por estrangeiros, o país responderia de maneira equivalente. "Essa é uma visão da Bracelpa, mas que poderia ser avaliada", diz ela.
A estimativa do setor florestal é de que entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões em recursos que seriam aplicados em terras e plantio no país estão represados em razão do parecer da AGU que limitou a compra de terras por estrangeiros. Na indústria de celulose e papel, companhias como International Paper (IP), maior fabricante de papéis dos EUA, e a sueco-finlandesa Stora Enso já demonstraram preocupação com as novas regras e cogitam a suspensão de investimentos caso o parecer seja mantido.
A principal reivindicação das entidades, que buscam o apoio da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (Abraf), é a de que os investimentos em terras com finalidade produtiva sejam tratados de maneira isonômica, independentemente da origem dos recursos que serão aplicados no projeto.
"Se uma empresa de capital estrangeiro tem CNPJ brasileiro, ela deveria poder investir na área florestal", defende a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes. Outra alternativa seria a aplicação do conceito de reciprocidade: se uma nação proíbe a compra de terras por estrangeiros, o país responderia de maneira equivalente. "Essa é uma visão da Bracelpa, mas que poderia ser avaliada", diz ela.
A estimativa do setor florestal é de que entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões em recursos que seriam aplicados em terras e plantio no país estão represados em razão do parecer da AGU que limitou a compra de terras por estrangeiros. Na indústria de celulose e papel, companhias como International Paper (IP), maior fabricante de papéis dos EUA, e a sueco-finlandesa Stora Enso já demonstraram preocupação com as novas regras e cogitam a suspensão de investimentos caso o parecer seja mantido.
As causas estruturais do real forte
Entrada maciça de capitais e valorização de produtos primários no exterior estão entre as causas do real forte |
UMA DAS QUESTÕES mais relevantes no debate econômico atual tem sido a força do real nos mercados de câmbio. Apesar do esforço do governo, a moeda norte-americana está novamente sendo negociada abaixo de R$ 1,60.
As causas por trás do real valorizado continuam a ser as mesmas que prevalecem há vários anos: entrada maciça de capitais e valorização de produtos primários importantes nos mercados internacionais.
As causas por trás do real valorizado continuam a ser as mesmas que prevalecem há vários anos: entrada maciça de capitais e valorização de produtos primários importantes nos mercados internacionais.
A diferença agora fica por conta de uma mudança na composição dos recursos que estão entrando no país: as aplicações em títulos de renda fixa estão sendo substituídas por investimentos diretos no capital de empresas brasileiras.
Muitos analistas dizem que esse fluxo de investimentos -que, nos últimos 12 meses, chegou a mais de US$ 60 bilhões- não se sustenta no médio prazo e que o real vai voltar a se desvalorizar. Para esses pessimistas, uma nova crise internacional pode ocorrer a qualquer momento e o Brasil enfrentará a fuga desses capitais. A causa mais citada para esse cenário negativo é a de crise na China, seja por questões econômicas, seja por questões políticas.
Mas outro cenário provável é que o crescimento chinês se sustente -como vem acontecendo há mais de 20 anos- e que o mundo emergente atravesse a próxima década crescendo de forma sustentada.
Nessas condições, o Brasil continuará a receber investimentos maciços, principalmente se o governo Dilma resolver trilhar o caminho das concessões de serviços públicos ao setor privado e de outras reformas.
Para um país com taxas muito baixas de poupança -privada e do governo-, a única forma de financiar os investimentos para garantir crescimento anual de 4% será a absorção de poupança externa.
Essa é uma verdade derivada da teoria econômica, e não apenas uma posição ideológica de liberais extremados. Por essa razão é que o real forte é um subproduto natural da onda de investimentos que varre nossa economia e que o governo -corretamente- quer preservar a todo custo. Ou seja, não há como fugir desse fato, a não ser reduzindo os investimentos e, mais à frente, o próprio crescimento econômico.
Outra fonte externa de demanda pelo real está relacionada com os juros baixos que devem prevalecer no mundo desenvolvido nos próximos anos. A fraqueza da recuperação econômica nos Estados Unidos e em outros países do Primeiro Mundo e o choque deflacionário que ainda virá quando tiverem de lidar com os níveis insustentáveis do endividamento público devem manter esse quadro de juros baixos por um tempo ainda bastante longo. Os mercados, aliás, especulam com um novo movimento do Federal Reserve -que se ria chamado de QE3- no sentido de manter os mercados inundados de dólares em 2012.
Nesse ambiente, os países emergentes vão continuar a receber investimentos internacionais por muitos anos, movimento que deve sustentar as cotações atuais de suas moedas. E o Brasil, que alia um grande potencial de crescimento a juros internos elevados, vai ser uma das economias de maior atração.
Finalmente, podemos observar já há algum tempo uma busca por moedas alternativas por parte dos bancos centrais de países com superavit em conta-corrente -principalmente na Ásia e os produtores de petróleo- e grandes investidores institucionais privados para compor suas reservas e carteiras de investimento de renda fixa.
A gestora de recursos Pimco, a maior do mundo, revelou recentemente que tem hoje um volume de títulos de países emergentes maior do que sua carteira de papéis do Tesouro norte-americano.
Por todas essas razões, acredito que teremos de conviver por muito tempo com o real valorizado e buscar, por outros meios, minorar seus efeitos negativos, entre eles a perda de competitividade da indústria brasileira.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 68, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso). Escreve às sextas-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.
Outras forças externas estão agindo também na direção do real forte. A principal delas é a valorização das exportações de produtos primários e que têm garantido saldo comercial expressivo, apesar do aumento vigoroso das importações.
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