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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Os desafios de Rubens Ometto na Raízen

Estratégia:

"Em 15 anos estarei com 76 anos. Quero me manter ativo", afirma Ometto.
Em mais de três décadas de labuta na Cosan, quando a empresa ainda nem tinha esse nome, tampouco a atual dimensão, Rubens Ometto Silveira Mello fez a Cosan atingir o inimaginável. Não se tratou apenas do faro afinado para aproveitar oportunidades únicas do mercado, como foi, por exemplo, a compra da NovAmérica, nem somente a visão para antecipar o movimento de consolidação que ocorreria em seguida. Rubinho, como é conhecido, quebrou paradigmas históricos do setor de açúcar e álcool ao se juntar ao "inimigo", comprando os ativos da Esso e se unindo à Shell.

Ontem, dia 2, a anglo-holandesa e a Cosan oficializaram o começo das operações conjuntas e agora dividem o mesmo desafio, batizado de Raízen. Dela, o empresário será o presidente do conselho de administração e, fora do dia-a-dia da operação, voltará sua atenção para questões estratégicas desse negócio, que vai faturar R$ 50 bilhões por ano com suas 24 usinas sucroalcooleiras e 4,5 mil postos de combustíveis.

"Seguirei sendo um conselheiro bem ativo. Quero trabalhar motivando novas ideias e construindo estratégias para que a empresa atinja as sinergias propostas", diz. Esse potencial de ganhos com a união de operações é, a valor presente líquido, de R$ 3,4 bilhões.

Açúcar e álcool estarão no foco dos investimentos da empresa nos próximos cinco anos. Em 2015, a moagem de cana deve atingir 100 milhões de toneladas, segundo previsão da companhia, a produção de açúcar deve subir para 6 milhões de toneladas e a de etanol para 5 bilhões de litros.

Com um salário anual de R$ 13 milhões, Rubens não revela o que "vê" à frente. Questionado sobre o direito da Shell de exercer a compra da participação da Cosan na Raízen nos próximos 10 anos ou 15 anos, ele faz as contas: "Estou com 61 [anos]. Daqui 15 anos serão 76. O Roberto Marinho começou a Rede Globo com 65". Estaria ele pensando em um novo negócio aos 76 anos? A resposta é outra pergunta: "Há algo impossível para Rubens Ometto?

Bracelpa e Unica pedem 'tratamento isonômico'

A Bracelpa, entidade que representa a indústria brasileira de papel e celulose, e a Unica, que reúne produtores de açúcar e etanol, devem concluir hoje a redação de um documento, que será encaminhado ao governo federal, com propostas para o debate sobre a restrição da compra de terras por empresas estrangeiras. O objetivo é abrir portas para a discussão do tema entre representantes da indústria florestal e o Executivo.

A principal reivindicação das entidades, que buscam o apoio da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (Abraf), é a de que os investimentos em terras com finalidade produtiva sejam tratados de maneira isonômica, independentemente da origem dos recursos que serão aplicados no projeto.

"Se uma empresa de capital estrangeiro tem CNPJ brasileiro, ela deveria poder investir na área florestal", defende a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes. Outra alternativa seria a aplicação do conceito de reciprocidade: se uma nação proíbe a compra de terras por estrangeiros, o país responderia de maneira equivalente. "Essa é uma visão da Bracelpa, mas que poderia ser avaliada", diz ela.

A estimativa do setor florestal é de que entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões em recursos que seriam aplicados em terras e plantio no país estão represados em razão do parecer da AGU que limitou a compra de terras por estrangeiros. Na indústria de celulose e papel, companhias como International Paper (IP), maior fabricante de papéis dos EUA, e a sueco-finlandesa Stora Enso já demonstraram preocupação com as novas regras e cogitam a suspensão de investimentos caso o parecer seja mantido.