terça-feira, 11 de outubro de 2011

PETROBRAS BIOCOMBUSTíVEIS INVESTE EM ETANOL DE SEGUNDA GERAçãO E EM BIOQAV

Com o objetivo de aumentar o seu market-share de etanol, a Petrobras traça planos para alcançar 12% de representatividade no mercado até 2015. Para tal, a empresa planeja ampliar em 275% sua produção, que atualmente é de 1,5 bilhão de litros por ano.
 Acredita-se ser possível alcançar essa meta com um investimento de R$ 1,9 bilhão, dos quais 30% iriam para aquisições de usinas já existentes e os 70% restantes seriam destinados a projetos greenfield.

O projeto de ampliação consiste também em dominar novas rotas tecnológicas. Nesse sentido a Petrobras destinará R$ 300 milhões para pesquisa e desenvolvimento; recurso que será direcionado a tornar comercial a tecnologia de fabricação de etanol de segunda geração, no caso etanol celulósico fabricado a partir de bagaço de cana-de-açúcar. Feito isso, estima-se um aumento de 30% na produção de etanol sem que haja necessidade de ampliação de área plantada. Outra rota tecnológica que a empresa busca aprimoramentos para tornar mais viável em escala comercial é a de fabricação do BioQAV, o querosene de aviação biocombustível. Espera-se que em 5 anos se inicie a produção e a comercialização pela empresa, englobando mais este segmento a sua linha de combustíveis renováveis.

Visando acompanhar a crescente demanda, o governo brasileiro garante benefícios fiscais no projeto de ampliação da Petrobras, acreditando assim, estar colaborando para atingir a meta de dobrar a produção brasileira de etanol nos próximos 10 anos 

Taxação de exportação de açúcar é hipótese ainda em estudo, diz Lobão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que a taxação da exportação de açúcar para estimular a produção do etanol no país está inserida no rol de medidas que o governo poderá tomar para conter a alta dos preços. Entretanto, a escolha dessa alternativa, segundo o ministro, será evitada ao máximo.
Ele acredita que a taxação da exportação de açúcar, que tem o preço mais atrativo para o produtor de cana-de-açúcar, também não teria efeito significativo de curto prazo, considerado importante para ajudar a conter a pressão sobre a inflação. "Ainda é uma hipótese, mas essa será a última medida, que também não terá um efeito a curtíssimo prazo", disse.
Lobão considera que as decisões mais importantes para o setor de etanol já foram tomadas pelo governo. Ele citou o aumento do consumo de gasolina, importação de volume significativo do próprio etanol, oferta de incentivos à produção de etanol, crédito do BNDES aos produtores de cana-de-açúcar e transferência do papel de fiscalização para Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Governo ataca com MPs para baixar o preço do etanol

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que ontem teve reunião com a presidente Dilma: medidas em estudo


O governo prepara duas medidas provisórias para incentivar a estocagem e a produção de cana-de-açúcar para fabricação de etanol. A primeira dará melhores condições de juros e prazos aos financiamentos de "warrantagem" (estocagem) de etanol pelas usinas e autorizará a equalização das taxas da nova linha pelo Tesouro Nacional. O segundo texto incluirá a desoneração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) do etanol, o financiamento para renovação de canaviais próprios das usinas e crédito para projetos "greenfield" (construção) e "brownfield" (ampliação) de unidades produtoras de etanol.
A minuta da primeira MP já está pronta e deve ser enviada pelo Ministério das Minas e Energia à Casa Civil nos próximos dias. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) tem solicitado até R$ 3 bilhões para a "warrantagem". O governo busca garantir abastecimento interno e preço razoável do etanol durante o auge do período de entressafra, de dezembro a março.
O texto da segunda MP ainda está em negociação entre cinco ministérios. Parte do governo defende "zerar" a Cide do etanol, hoje em R$ 22,54 por metro cúbico. Outra parte quer reduzir o valor. Há também debate sobre nova redução da Cide da gasolina. Há duas semanas, o governo baixou esse valor de R$ 230 para R$ 192,60 por m3 para ajudar a compensar a diminuição, de 25% para 20%, da mistura do etanol na gasolina.
A determinação do governo para subsidiar as usinas partiu da própria presidente Dilma Rousseff, informou uma fonte do governo. Em junho de 2010, o governo criou uma linha de R$ 2,4 bilhões a juros de 9% para financiar a estocagem. Mas nada foi liberado até agosto, segundo dados do Ministério da Agricultura. Primeiro, faltou demanda, já que as usinas estão endividadas desde a crise financeira global de 2008. Os produtores fornecedores das usinas, que respondem por 30% da produção, também estão em dificuldades. E os bancos não têm muito interesse em operar nessa linha.
Em contrapartida ao seu "esforço", o governo vai cobrar "compromisso" com o abastecimento interno. E está descontente com a elevação das exportações de etanol. As usinas têm aproveitado a demanda nos Estados Unidos pelo chamado "etanol avançado", cujo "prêmio" compensaria amplamente a operação de compra e venda no exterior. A diferença chegaria, segundo uma trading, a US$ 180 por m3. No ano-safra, entre abril e setembro, foram exportados 938 milhões de litros de etanol de cana e importados 546 milhões de litros de etanol de milho dos Estados Unidos. O resultado "líquido", até aqui, seria de 392 milhões de litros - e deve aumentar a 500 milhões, segundo traders. As exportações chegariam, assim, a 1,5 bilhão de litros. Em boa parte, isso ocorre porque o governo de São Paulo isentou de ICMS, até março de 2012, as importações de etanol. De janeiro a setembro, o Ministério do Desenvolvimento informa um superávit de US$ 475 milhões nessas operações.
O governo identificou uma queda da produtividade das lavouras. Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, há um ritmo fraco na renovação dos canaviais e problemas com as condições climáticas. Os investimentos recuaram nos últimos três anos. "O setor foi afetado pela crise de 2008 e condições climáticas adversas. Com a falta de recursos, não houve renovação e, sem isso, a produtividade cai", diz o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, Ricardo Dornelles.
Na safra 2009/2010, as principais regiões produtoras tiveram uma safra bastante chuvosa, o que prejudicou a qualidade da matéria-prima e atrapalhou a colheita. No ciclo 2010/2011, ocorreu o inverso, com um período muito seco durante a colheita.
O ministério defende uma linha para renovação de canaviais. "O governo avalia as condições para estender uma linha atrativa para que a agroindústria tenha recursos mais baratos para renovar seus canaviais", diz Dornelles. Outra explicação para a falta de investimentos foi a aquisição de usinas de grupos nacionais por grandes grupos internacionais, que não resultaram em novos investimentos.

Total, ETH e Renuka disputam usina Clealco

Três companhias entraram na fase final de negociação para a compra do tradicional grupo sucroalcooleiro Clealco, principal integrante da comercializadora Copersucar. No páreo para levar a empresa estão a petroleira francesa Total; a brasileira ETH, do grupo Odebrecht; e a indiana Renuka, que tem parceria com a Olam, de Cingapura.

A transação envolve cifras bilionárias: em torno de US$ 1,3 bilhão pelas duas usinas do grupo (Clementina e Queiroz), com capacidade para moer 9 milhões de toneladas de cana de cana. O valor já tirou companhias de peso da disputa, que começou há cerca de cinco meses. Na primeira fase, o ativo foi cobiçado pela Guarani (da francesa Tereos e Petrobrás) e Raízen (Cosan).
A Clealco nasceu após a criação do Proálcool, na década de 70. Mas sua primeira unidade começou a operar apenas em 1983, no interior de São Paulo. Em 2006, inaugurou a segunda unidade. Na última safra, a companhia moeu 7,17 milhões de toneladas de cana, sendo a maioria destinada à produção de açúcar. O faturamento alcançou R$ 673 milhões e os empréstimos e financiamentos, R$ 437 milhões.
Pelo tamanho das usinas, qualquer uma das três companhias que fecharem a compra dará um grande salto na participação do mercado brasileiro. Para executivos do setor, que preferem não se identificar, a Total é considerada favorita para levar a Clealco. O grupo francês não respondeu ao pedido de entrevista da reportagem.
O negócio faz todo sentido para o plano estratégico da Total. Em julho do ano passado, o grupo anunciou a compra de 17% da Amyris Inc., que produz diesel de cana-de-açúcar. Mas, por enquanto, a Amyris não tem nenhuma usina no Brasil, apenas parcerias com produtores locais, a exemplo do acordo com a São Martinho e Cosan. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CPFL Renováveis começa a operar terceira térmica

SÃO PAULO - A CPFL Renováveis, uma associação entre a CPFL Energia e a Ersa, anunciou a entrada em operação comercial de sua terceira térmica movida a bagaço de cana-de-açúcar, a Bio Buriti. A nova usina, localizada no município de Buritizal, em São Paulo, tem capacidade instalada de 50 MW e já teve toda sua energia disponível de 21,2 MW médios vendida no mercado livre, em contrato de longo prazo. 

Até o final de 2014, a CPFL Renováveis deverá ter 400 MW gerados a partir do bagaço de cana, com a entrada em operação de outros Qua tro projetos em construção, de acordo com o presidente da empresa, Miguel Saad.
O executivo informou também que a CPFL Renováveis já assinou memorandos de entendimentos com mais duas usinas de cana, que teriam capacidade de geração de energia de 200 MW. Um dos projetos teria 70 MW e outro irá gerar 130 MW a partir da queima do bagaço da cana. A empresa desenvolveu um modelo de negócios pioneiro para essa fonte no Brasil, no qual se associa com usineiros para ter acesso ao bagaço da cana e vende o excedente de eletricidade gerado na produção de açúcar e álcool para as distribuidoras de energia nos leilões do governo ou para os consumidores livres.
Segundo Saad, a termelétrica a biomassa é construída ao lado da usina de açúcar e etanol, o que anula os custos logísticos de transporte de matéria-prima. "Nossa matéria-prima, o bagaço da cana, já está praticamente dentro da térmica", explica. A empresa aposta neste modelo fechado de geração de eletricidade através de biomassa para expandir os seus negócios, em paralelo ao desenvolvimento de projetos de energia eólica, que hoje são os mais competitivos para disputar os leilões do governo.
Nos sete empreendimentos já divulgados pela CPFL Renováveis na área de biomassa, os investimentos da empresa atingirão R$ 900 milhões.
A Bio Buriti é a segunda de três usinas que irão entrar em operação em 2011. No mês passado, a empresa já havia anunciado a entrada em operação da usina Bio Formosa, localizada no Rio Grande do Norte, com 40 MW.
Em agosto de 2010, a usina Baldin, no interior de São Paulo, iniciou a geração de energia, com 45 MW. Outra usina de biomassa de cana, a Ipê, deve entrar em operação nas próximas semanas, com capacidade instalada de 25 MW.
No primeiro semestre de 2012, entra em operação a usina da Pedra, em Serrana, SP, com capacidade instalada de 70 MW. As unidades Alvorada, localizada em Araporã, MG, com potência de 50 MW, e a Coopcana, em São Carlos do Ivaí, PR, também com capacidade de 50 MW, iniciam as atividades em 2013. 
Segundo a empresa, o portfólio da CPFL Renováveis em biomassa alcança 135 MW em operação e 195 MW em construção, além de 1,23 mil MW em preparação e desenvolvimento. "Além das duas usinas em que já estamos fechando o negócio, temos várias outras em várias fases de estudos", disse Saad.
O plano de investimentos total da companhia prevê aportes de R$ 5,4 bilhões em energia renovável no período de 2011 e 2015, incluindo neste valor também os investimentos em eólicas e em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A CPFL Renováveis já possui 677 MW em operação e outros 740 MW deverão entrar em atividade até o final de 2014. Os projetos em construção consumirão R$ 2,6 bilhões em investimentos e já estão com a energia vendida.
Além das usinas a biomassa, os planos de expansão da CPFL Renováveis incluem pesados investimentos em energia eólica. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Desoneração tributária tornará o etanol mais competitivo

Este ano tem se caracterizado por diversas intervenções do governo sobre o mercado de combustíveis. As mais recentes foram a redução, de 25% para 20%, do etanol anidro misturado à gasolina C e a redução da alíquota da Cide na importação e comercialização da gasolina A.
A justificativa para a mudança no percentual foi aliviar a oferta no mercado doméstico, uma vez que a quebra de safra tornará insuficiente a produção de etanol, causando elevação de preços.
No entanto, a economia com o anidro resultante da redução do percentual não é suficiente para compensar a perda da quebra de safra. Logo, a medida não será eficaz para evitar a alta dos preços internos do etanol.
Com a justificativa de evitar que o aumento de gasolina A na mistura acarrete alta no preço da C, o governo reduziu a Cide sobre a gasolina em R$ 0,04 por litro -de R$ 0,23 para R$ 0,19.
Do ponto de vista do mercado, as medidas propostas não resolvem o problema de competitividade do etanol diante dos demais combustíveis, em especial a gasolina.
Como a atual política de não reajustar os preços da gasolina permanece inalterada, seu custo não reflete corretamente as condições agregadas de oferta e demanda, incentivando seu consumo não eficiente.
No caso do etanol, a questão da competitividade se soma ao momento de quebra de safra e de maiores custos do setor -elevação do preço da terra, dos fertilizantes e da mão de obra, além dos custos dos investimentos em mecanização da produção.
Como a questão dos reajustes da gasolina não deve ser alterada no curto prazo, o caminho para promover a competitividade do etanol seria a desoneração tributária. No entanto, o tratamento tributário dado à gasolina é mais um fator que favorece esse combustível. Parte significativa dos tributos sobre a gasolina possui alíquotas fixas -casos da Cide e do PIS/Cofins. Assim, conforme o preço se eleva (tendência de longo prazo), a carga tributária efetiva se reduz, compensando, pelo menos em parte, o aumento do preço.
No caso do etanol, a estrutura tributária é de alíquotas percentuais, o que garante a manutenção da carga tributária efetiva. Além disso, poucas iniciativas foram tomadas no sentido de desoneração ou incentivo tributário para a produção de etanol, o que reflete a ausência de uma política para o setor sucroalcooleiro. Essa questão, de suma importância, merece ser analisada detalhadamente.


Santa Terezinha pode retomar usina em MS

O grupo paranaense Santa Terezinha, que faturou R$ 1,49 bilhão em 2010, estuda retomar a construção da usina Paraná, localizada no município de Eldorado (MS). A unidade, projetada para produzir apenas etanol, está com 70% das obras industriais concluídas e com parte dos canaviais implantados. O grupo calcula que serão necessários investimentos na indústria de cerca de R$ 100 milhões, além dos aportes na área agrícola.

O "greenfield" Paraná foi adquirido em 2009 junto com a usina Usaciga, localizada no Paraná. Ambas pertenciam à Agrocana Participações Ltda.
Na época, a usina sul-mato-grossense foi colocada à venda, pois estava fora da estratégia da Santa Terezinha que tem logística consolidada para operar no Paraná. No entanto, a empresa não encontrou um comprador que oferecesse um "valor justo" pelo ativo, conta Paulo Meneguetti, diretor da Santa Terezinha. "Por isso, estamos revendo a possibilidade de concluir o projeto", completa.

A decisão será tomada no primeiro bimestre de 2012, segundo ele. A unidade foi projetada para moer inicialmente 2,5 milhões de toneladas de cana, mas por enquanto, só tem 500 mil toneladas da matéria-prima disponíveis no campo. A expectativa do grupo é de que seja possível preencher essa capacidade a partir de 2014/15.
Neste momento, a Santa Terezinha toca o projeto de elevar a oferta de cana nas suas oito usinas já em operação, todas no Paraná. Em torno de R$ 200 milhões estão sendo aplicados neste ano para renovar 44 mil hectares e expandir outros 13 mil hectares. Esses aportes devem ajudar a empresa a alcançar moagem de 19 milhões de toneladas daqui a três anos.
As duas geadas deste segundo semestre contribuíram para que a moagem desta temporada nas oito usinas caísse para 15,1 milhões de toneladas, queda de 8% em relação às 16,5 milhões de toneladas previstas inicialmente. A produção de açúcar da companhia deve alcançar 1,4 milhão de toneladas, 100% para exportação. A fabricação de etanol deve variar entre 370 milhões e 380 milhões de litros.
O investimento no canavial vai ajudar a empresa a elevar a moagem para 16,5 milhões de toneladas no ciclo que vem, o 2012/13. A produção de açúcar deve alcançar no próximo ano 1,5 milhão de toneladas e a de etanol, de 450 milhões de litros, prevê Meneguetti.
Todo recurso investido no campo, diz o executivo, vem de capital próprio da empresa. "Ouvimos há meses que o governo lançará programa de renovação de canaviais, mas nada acontece", lamenta.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dólar não deve voltar mais para R$ 1,60, diz economista

        

A moeda americana não deve voltar a ficar na casa de R$ 1,60, como estava havia apenas um mês. Na melhor das hipóteses, pode ficar entre R$ 1,75 e R$ 1,80.Avesso a previsões, no entanto, ele avisa que acertar o comportamento da moeda é difícil, até mesmo para assuntos caseiros. "Noutro dia, a minha irmã me perguntou isso [se o dólar ia subir ou cair]. Eu não sei! Depende do que estiver ocorrendo nessa crise europeia-americana."Também é duro dizer como a crise econômica global pode abalar o país. "O Brasil não vai sofrer provavelmente um choque tão grave...", começou Belluzzo, para logo relativizar a avaliação. "É difícil fazer essa afirmação, porque, se a crise europeia se agravar demais, certamente vamos ter de tomar providências defensivas muito mais sérias e severas."
Entre essas medidas urgentes, num cenário de piora, Belluzzo destaca controle do câmbio e mudança nos juros. "Teríamos de baixar rapidamente os juros e tomar medidas para impedir que o câmbio se desvalorizasse abruptamente."
Um efeito concreto de um aprofundamento da crise na vida do brasileiro seria o aumento do desemprego. “A desaceleração da economia já está ocorrendo visivelmente”, afirma.
O economista critica a adesão total à ideia de câmbio flutuante, diz que o modelo não é uma panaceia [remédio para todos os males] e precisa ser adequado às necessidades do momento, como faz a China.
Belluzzo afirma que as autoridades europeias estão reagindo com “lentidão” à crise da dívida."Está faltando tratar a situação com medidas mais drásticas. Espero que não ocorra [o caos], mas se houver, o episódio será tão ou mais grave que a quebra do Lehman Brothers."
Leia a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva de Belluzzo para o UOL:
UOL - O sr. havia previsto, há alguns meses, em entrevistas e num artigo, que o dólar podia subir rapidamente, e que isso teria efeitos duros sobre importados e nas empresas, por causa de empréstimos  tomados no exterior. O cenário está ruim como previu?
Luiz Gonzaga Belluzzo - O cenário correspondeu mais ou menos ao que apontei. Há uma dificuldade de resposta por parte das autoridades europeias em como tratar a dívida soberana [dívida pública dos países]. E uma incerteza grande sobre qual direção os EUA vão tomar, se é que podem tomar alguma.
Nossa situação hoje é distinta. Temos condições melhores para enfrentar a crise. Temos US$ 360 bilhões em reservas e temos uma situação fiscal que é razoavelmente melhor, apesar das críticas feitas por economistas.
O Brasil não vai provavelmente sofrer um choque tão grave... É difícil fazer essa afirmação, porque se a crise europeia se agravar demais, certamente vamos ter de tomar providências defensivas muito mais sérias e severas.
Quais seriam essas medidas no pior cenário?
Vamos supor que ocorra um calote desorganizado da dívida grega. Isso vai afetar gravemente os mercados financeiros. Os bancos americanos também têm posições pesadas na Europa, de US$ 600 bilhões a US$ 700 bilhões. Além disso, há os seguros de crédito emitidos sobre essas dívidas. Essa combinação é muito perigosa, o que me deixa intrigado com a lentidão com que as autoridades europeias estão reagindo.
Está faltando tratar a situação com medidas mais drásticas. Espero que não ocorra [uma quebradeira geral], mas, se houver, o episódio será tão ou mais grave que a quebra do Lehman Brothers [banco americano que quebrou em setembro de 2008 e foi o marco da crise econômica global]. Estou muito temeroso, porque a inação e a incapacidade de definir quais as políticas adequadas, estão me parecendo um pouco assustadoras.
As medidas não são apenas lentas, mas também insuficientes?
Elas não vão ao cerne do problema. Esse aumento do fundo de estabilização [fundo de países europeus para socorrer nações com dívidas] é insuficiente para atender aquilo que é exigido pela situação. Nesse aspecto, o Fed [banco central dos EUA] agiu com muito mais presteza e de maneira muito mais acertada do que os europeus.
Há um problema de divergências políticas dos países a respeito das medidas.
O que aconteceria de pior para o Brasil no cenário mais pessimista, numa recessão mundial?
Como diria um filósofo do século 19, “tudo o que é sólido se desmancha no ar” [citação ao teórico comunista Karl Marx]. As commodities vendidas pelo Brasil já estão sofrendo queda no preço. Numa recessão, que você está antecipando, não eu, haveria uma queda bastante acentuada nos preços das commodities. Haveria também um deslocamento de capitais por causa da aversão ao risco. O Brasil precisaria tomar muito cuidado com o câmbio. Certamente nós teríamos uma espécie de exacerbação da concorrência. Os chineses seriam mais agressivos na colocação de seus produtos.
O Brasil é um dos países que mais tem condições de se defender. Mas, se ocorrer isso que você está falando, certamente iríamos ter de tomar medidas mais duras, sobretudo de controle de alguns elementos centrais, como é o caso do câmbio e da taxa de juros. Teríamos de baixar rapidamente os juros, e tomar medidas para impedir que o câmbio se desvalorizasse abruptamente.
Numa recessão mundial, o que impactaria na vida prática do brasileiro?
Vai ter uma redução da taxa de crescimento. Provavelmente essa taxa de desemprego não perduraria. Aumentaria um pouco o desemprego. Difícil dizer quanto. O Brasil hoje está praticamente no pleno emprego, com a taxa de desemprego de 6%. A desaceleração da economia já está ocorrendo visivelmente.
Se alguém do governo lhe perguntasse o que fazer para melhorar o câmbio, qual seria sua sugestão?
A volatilidade [altos e baixos do dólar] nas últimas semanas foi uma coisa impressionante. É terrível para quem tem de tomar a decisão de investir ou importar e exportar. Quando as pessoas falam em câmbio flutuante, parece que estão falando em uma panaceia. O câmbio flutuante não é uma panaceia.
Hoje está todo mundo preocupado com o câmbio. Os americanos ajudaram a botar lenha nessa fogueira ao fazer a expansão monetária quantitativa [quantitative easing]. Botaram dinheiro pelo ladrão nos bancos. Taxa de juros muito baixa, os mercados de commodities inflaram e por isso houve essa explosão nos preços das commodities. E as moedas dos países emergentes, sobretudo as dos exportadores de commodities , como Austrália e Brasil, tiveram as maiores valorizações. Com a crise europeia, ocorre uma desvalorização abrupta.
Então, não adianta manter a taxa de câmbio flutuante. Tem de manter, mas tem de “sujar” a flutuação, como fazem todos os países, como os chineses fazem. Eles têm um sistema de controle muito eficaz. A valorização do yuan nesse período foi de 0,07%. Eles não deixam a turbulência entrar lá.
O senhor sugere uma forma mista, então?
Eu sugiro que “suje” a flutuação bastante para impedir valorizações e desvalorizações que não têm nada a ver com os fundamentos. A taxa de câmbio flutuante foi proposta num período em que o fluxo de capital pelo mundo era quase insignificante. Hoje não é mais assim. O câmbio virou ativo, as pessoas especulam com o câmbio. Quando digo especular não é no sentido pejorativo. Esta economia é toda especulativa, você está sempre olhando para a frente. Apenas temos de criar mecanismos para que essa especulação não seja desestabilizadora.
Qualquer intervenção dos governos hoje em dia é vista como intromissão indevida na economia. O sr. citou a China, que é uma país fechado. Não haveria críticas à intervenção no câmbio?
O período de mais efervescência democrática foi o período em que os governos mais interferiram na economia. Foi o período pós-guerra, em que se criou o sistema de proteção social, o Estado intervinha para suavizar a flutuação das economias. Era consensual isso, mesmo nos EUA. Agora, isso virou anátema, é a ideia de que há uma relação mecânica entre a intervenção na economia e a perda de liberdades civis e políticas. Isso é uma simplificação absurda. A intervenção do Estado nessa crise foi brutal, para salvar os bancos. Não podia deixar soçobrar. Provocaria uma hecatombe social.
Então, a intervenção foi correta. O que não é correto é, depois de feita a intervenção, você não conseguir impor as novas regras de regulação. O Estado tem de tomar medidas mais duras de controle desse setor da economia, que é um setor fundamental.
O Brasil corre risco real de voltar a ter uma inflação perigosa mesmo?
Não creio que corramos o risco de ter perda de controle sobre a inflação. Vai haver queda no preço das commodities, e a desaceleração da economia vai também moderar um pouco o impacto no setor de serviços.
No aumento do IPI, o benefício para as montadoras instaladas aqui compensa o prejuízo para o consumidor?
Acho que o governo tomou a decisão que deveria tomar, exigindo dos produtores, claro, a contrapartida. O consumidor perdeu a capacidade de escolher entre vários modelos. O problema é que o Brasil não tem uma empresa automobilística nacional. Coreia e Japão, que são hoje os maiores competidores do mercado mundial, têm suas empresas automobilísticas nacionais.
O consumidor gosta de ter o dólar baixo, para comprar importados, viajar. Como conciliar essa vontade com a preservação da indústria nacional, dos empregos?
A gente não pode escapar dessa contradição. Dar prioridade para a industrialização significa preservar emprego de melhor qualidade. Seria um desastre se o Brasil não cuidasse de alentar sua indústria.
E dá para falar numa taxa de câmbio ideal de equilíbrio?
A taxa de câmbio de equilíbrio seria aquela que permitisse que não haja um deficit importante e ao mesmo tempo desse oportunidade para que a indústria se beneficiasse da demanda que é gerada internamente.
Não dá para prever se o dólar vai subir ou cair, mas poderia falar o que as pessoas devem fazer? Quem vai viajar para o exterior daqui a uma semana ou no fim do ano e nas férias de janeiro?O que o brasileiro deve fazer? Comprar dólares de uma vez? Aos poucos?
A minha irmã me perguntou isso outro dia. Eu não sei. Depende do que estiver ocorrendo nessa crise europeia-americana. Se houver um momento de maior desconfiança, certamente o dólar vai voltar a bater em R$ 1,90, vai tender a ir para R$ 2,00. Se a situação se acalmar, acho que não vai voltar a R$ 1,60 mais. Vai ficar entre R$ 1,75 e R$ 1,80, se as coisas andarem nesse marasmo que a economia mundial está indo.

IBGE: produção de bens de capital foi única a crescer

RIO - A produção industrial caiu 0,2% no País em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, houve predominância de taxas negativas entre as categorias de uso da produção.

A produção de bens de consumo duráveis recuou 2,9%, eliminando o crescimento de 2,6% registrado em julho. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis caíram 0,9%, e o de bens intermediários recuou 0,2%.
O setor produtor de bens de capital (máquinas e equipamentos) foi o único a registrar taxa positiva neste tipo de comparação, com expansão de 0,9%, após crescimento de 2,0% no mês anterior.
"Os bens de consumo duráveis mostram a perda mais importante nessa passagem de julho para agosto, caíram 2,9% após terem avançado em 2,6% em julho", ressaltou Andre Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. "Os bens intermediários foram afetados por uma maior presença de produtos importados, além de paradas para manutenção em alguns setores dentre essa atividade, e também por alguns setores estarem com nível de estoque acima do desejado", explicou.
Na comparação com agosto de 2010, a produção de bens de capital subiu 8,6%; a de bens intermediários teve expansão de 0,6%; a de bens de consumo duráveis aumentou 1,5%; e a de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 2,1%.
Revisão
O IBGE também informou hoje que revisou a produção industrial de julho ante junho, de 0,5% para 0,3%. Também houve revisão da produção em julho ante julho de 2010, o que acentuou a queda de 0,3% para queda de 0,7%. Em junho ante junho de 2010, a produção passou de 1,1% para 1,0%.
Em maio ante maio do ano anterior, o número passou de 2,6% para 2,5%; em abril ante abril de 2010, houve revisão de queda de 1,6% para queda de 1,7%; em fevereiro ante fevereiro do ano passado, o porcentual foi revisto de 7,5% para 7,4%; em janeiro ante janeiro de 2010, passou de 2,6% para 2,5%. 

BNDES libera R$ 297 milhões para cinco parques eólicos


RIO DE JANEIRO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou, por meio de um comunicado, a aprovação de crédito no valor de R$ 297 milhões para a instalação de cinco parques eólicos, no interior da Bahia. Segundo informe do banco, os empreendimentos fazem parte de um complexo de 14 centrais eólicas vencedoras do 2º Leilão de Energia de Reserva, em 2009, controladas pela Renova Energia S/A. Desse total, nove já haviam obtido financiamento do BNDES em 2010.
As novas usinas serão instaladas nos municípios de Igaporã e Guanambi, com potência total de 98,8 MW. O valor total das instalações é de R$ 423,3 milhões, ou seja, o apoio do BNDES responderá por 70% do empreendimento, com a criação de 1.468 empregos, diretos e indiretos, durante a fase de construção e operação do empreendimento, de acordo com cálculo do banco.
Os recursos serão concedidos a cinco Sociedades de Propósito Específico (SPEs), responsáveis pela operação de cada um dos parques.
Ao todo, o Grupo Renova está realizando investimentos que levarão à instalação de um total de 294,4 MW, com entrada em operação programada para julho de 2012 naquela região da Bahia, segundo o BNDES. Ainda segundo o banco, com os cinco novos parques baianos, o BNDES já aprovou projetos para 70 parques eólicos, no valor de R$ 4,5 bilhões e capacidade instalada de 1,5 mil MW, no total.