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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

IBGE: produção de bens de capital foi única a crescer

RIO - A produção industrial caiu 0,2% no País em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, houve predominância de taxas negativas entre as categorias de uso da produção.

A produção de bens de consumo duráveis recuou 2,9%, eliminando o crescimento de 2,6% registrado em julho. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis caíram 0,9%, e o de bens intermediários recuou 0,2%.
O setor produtor de bens de capital (máquinas e equipamentos) foi o único a registrar taxa positiva neste tipo de comparação, com expansão de 0,9%, após crescimento de 2,0% no mês anterior.
"Os bens de consumo duráveis mostram a perda mais importante nessa passagem de julho para agosto, caíram 2,9% após terem avançado em 2,6% em julho", ressaltou Andre Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. "Os bens intermediários foram afetados por uma maior presença de produtos importados, além de paradas para manutenção em alguns setores dentre essa atividade, e também por alguns setores estarem com nível de estoque acima do desejado", explicou.
Na comparação com agosto de 2010, a produção de bens de capital subiu 8,6%; a de bens intermediários teve expansão de 0,6%; a de bens de consumo duráveis aumentou 1,5%; e a de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 2,1%.
Revisão
O IBGE também informou hoje que revisou a produção industrial de julho ante junho, de 0,5% para 0,3%. Também houve revisão da produção em julho ante julho de 2010, o que acentuou a queda de 0,3% para queda de 0,7%. Em junho ante junho de 2010, a produção passou de 1,1% para 1,0%.
Em maio ante maio do ano anterior, o número passou de 2,6% para 2,5%; em abril ante abril de 2010, houve revisão de queda de 1,6% para queda de 1,7%; em fevereiro ante fevereiro do ano passado, o porcentual foi revisto de 7,5% para 7,4%; em janeiro ante janeiro de 2010, passou de 2,6% para 2,5%. 

BNDES libera R$ 297 milhões para cinco parques eólicos


RIO DE JANEIRO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou, por meio de um comunicado, a aprovação de crédito no valor de R$ 297 milhões para a instalação de cinco parques eólicos, no interior da Bahia. Segundo informe do banco, os empreendimentos fazem parte de um complexo de 14 centrais eólicas vencedoras do 2º Leilão de Energia de Reserva, em 2009, controladas pela Renova Energia S/A. Desse total, nove já haviam obtido financiamento do BNDES em 2010.
As novas usinas serão instaladas nos municípios de Igaporã e Guanambi, com potência total de 98,8 MW. O valor total das instalações é de R$ 423,3 milhões, ou seja, o apoio do BNDES responderá por 70% do empreendimento, com a criação de 1.468 empregos, diretos e indiretos, durante a fase de construção e operação do empreendimento, de acordo com cálculo do banco.
Os recursos serão concedidos a cinco Sociedades de Propósito Específico (SPEs), responsáveis pela operação de cada um dos parques.
Ao todo, o Grupo Renova está realizando investimentos que levarão à instalação de um total de 294,4 MW, com entrada em operação programada para julho de 2012 naquela região da Bahia, segundo o BNDES. Ainda segundo o banco, com os cinco novos parques baianos, o BNDES já aprovou projetos para 70 parques eólicos, no valor de R$ 4,5 bilhões e capacidade instalada de 1,5 mil MW, no total. 

A indústria nacional não suporta a carga tributária


SÃO PAULO - Se em julho a produção industrial parecia reagir em relação aos meses anteriores, com um crescimento de 0,3%, em agosto voltou a cair 0,2%, mantendo o acumulado do ano com saldo medíocre de 1,4% positivo.
A reação do governo, procurando estimular a indústria por meio do Programa Brasil Maior, infelizmente baseou-se mais no aumento do protecionismo do que na redução da carga tributária que torna a administração das empresas muito pesada, com sua complexidade e as mudanças.
O problema da indústria nacional está na incapacidade de enfrentar os produtos importados, seja por falta de uma tecnologia inovadora, seja em razão de preços muito superiores aos do exterior - e não só por causa de uma taxa cambial que o recente processo de desvalorização deveria minimizar.
Deste ponto de vista, cabe notar que a categoria com maior queda em agosto foi a de bens de consumo duráveis (2,9%), dentro da qual se verifica um recuo de 5,9%, para material eletrônico e equipamentos de comunicações, e de 3,2%, para aparelhos e materiais elétricos - bens que têm uma demanda muito importante e que foram importados.
Um ponto positivo é que a produção de bens de capital cresceu 0,9% - a produção de bens seriados cresceu 10,5% e a de bens não seriados, 9,8%. Isso indica que a indústria brasileira, malgrado uma performance medíocre, se aproveitou de uma taxa cambial atraente para se modernizar.
O Brasil continua sendo um produtor de veículos automotivos não desprezível: sua produção em agosto aumentou 1%. No entanto, não se pode esquecer de que nesta produção a parte dos componentes importados é significativa, mesmo o governo querendo limitá-la a, no máximo, 40%. Isso explica a redução de 0,2% dos bens intermediários.
Se a produção da indústria extrativa ficou estável (aumento de 0,1%), permitindo pensar que os minérios continuam a ter uma demanda significativa, registra-se um recuo dos produtos alimentícios básicos e elaborados, o que pode indicar menor exportação desses itens, embora o Brasil exporte essencialmente produtos brutos.
O fato é que os resultados da produção industrial não transmitem uma imagem de economia muito dinâmica. O Brasil está muito atrasado em termos de inovação e, em certa medida, o aumento do preço das commodities esconde as verdadeiras necessidades de uma indústria que não pode viver com a atual carga tributária.