quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fundo vai subsidiar inovação no Centro-Oeste

A partir de hoje, os empresários da região Centro-Oeste que quiserem tomar um empréstimo para investimentos em inovação terão à disposição uma linha de crédito subsidiado, com juros de 5,7% a 8,5% ao ano, e cinco anos de carência. Trata-se do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que lança linha específica ao financiamento de investimentos, capital de giro e compra de insumos para ciência, tecnologia e inovação.
Com R$ 15 bilhões em carteira e metade do aporte de R$ 4,8 bilhões que o Tesouro fez no início deste ano à disposição, o FCO inicia, aos poucos, a transição para um modelo de financiamento que o governo Dilma Rousseff incumbiu aos operadores de crédito público no país, focado na inovação, especialmente à indústria.
Administrados pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e pelo Banco do Brasil (BB), os recursos do FCO serão disponíveis a qualquer empresa que apresentar um projeto de inovação, independentemente do setor. Para o microempresário que tomar empréstimos de até R$ 240 mil, os juros serão de 5,7% ao ano. Já os empréstimos que superarem R$ 35 milhões terão juros de 8,5% ao ano. Todas as modalidades terão a mesma carência - de cinco anos para crédito ao investimento e três anos para capital de giro - e o mesmo prazo, que vai de 15 a 20 anos, para o pagamento do principal.
A Sudeco estima que nos primeiros meses de operação, a demanda ficará entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. Mas, segundo Marcelo Dourado, diretor-superintendente da Sudeco, a crescente mobilização dos agentes de crédito e do governo federal como um todo em torno de inovação deve aumentar a demanda. "O governo está, em diferentes frentes, aumentando fortemente os esforços na consolidação de uma cultura de inovação nas empresas", diz Dourado, que acredita que "isso vai se impregnar no país nos próximos anos".
O principal foco da Sudeco, com a nova linha de financiamento é incentivar a criação de um parque tecnológico na região. "O Centro-Oeste não tem nenhum parque tecnológico implantado, enquanto apenas o Nordeste tem quatro, sendo dois muito recentes [Camaçari, na Bahia, e Suape, em Pernambuco]", afirma Dourado. "A área ao nordeste do Estado de Goiás é propícia a um parque de energia eólica, por exemplo", diz ele, para quem os recursos devem servir para "impulsionar as vantagens comparativas" da região.
O equivalente a 58% do total de recursos que são repassados anualmente pelo Tesouro ao FCO são divididos igualmente pelos Estados de Goiás e Mato Grosso, onde estão concentrados os maiores produtores da região. Outros 23% vão para os empresários do Mato Grosso do Sul e o restante para empresas do Distrito Federal.
Criado pela Constituição de 1988, o FCO viu seu orçamento saltar nos últimos anos - saiu de R$ 3,1 bilhões em 2009 para R$ 4,8 bilhões neste ano. Como, no entanto, não empresta todos os recursos que recebe dos cofres públicos, o FCO tem em caixa cerca de R$ 15 bilhões.

Mercado não regulado de CO2 avança

 

Marco Antônio Fujihara: entraves de Kyoto estão longe de significar o fracasso dos instrumento de controle

A falta de perspectiva de acordo com relação ao Tratado de Kyoto torna o cenário para o mercado regulado de créditos de carbono sombrio e tenebroso, nas palavras do consultor Marco Antônio Fujihara, diretor da consultoria Key Associados e do Instituto Totum. Por outro lado, é cada vez maior o mercado não regulado de créditos de carbono, garante Fujihara.
Segundo o especialista, no entanto, o impasse em Kyoto está longe de significar o fracasso desse instrumento de controle das emissões de poluentes. Para Fujihara, acordos entre governos e nações têm prosperado, criando as bases para a expansão desse mercado. "Temos acompanhado boas iniciativas como acordos do governo da Califórnia e do Japão para reduzir as emissões. Essas iniciativas podem ser promissoras", afirma.
Além dos acordos bilaterais, crescem no Brasil e no mundo as transações envolvendo créditos de carbono no chamado mercado não regulado. São empresas ou governos que, por conta própria, decidem compensar suas emissões por meio de projetos de redução de poluentes ou mesmo comprando créditos de outras empresas.
Segundo o estudo Bloomberg New Energy Finance, o mercado não regulado de créditos de carbono cresceu cerca de 30% em 2010 ante o ano anterior. Segundo o anuário, foram transacionados cerca de 131 milhões de toneladas métricas de carbono em 2010 contra 98 milhões de toneladas no ano anterior.
Especialista no assunto e consultor de projetos de crédito de carbono, Felipe Bittencourt, diretor comercial da Way Carbon, diz que o Brasil, entre os países em desenvolvimento, é o terceiro que mais promove mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), nos quais se enquadram os projetos de créditos de carbono. China e Índia são os líderes. Ele lembra ainda que o Brasil foi a origem do primeiro projeto de MDL no mundo, com o aterro sanitário Nova Gerar, no Rio de Janeiro.
"Há diversos projetos em andamento no Brasil. São empresas que promovem a troca de um combustível mais poluente por outro limpo e assim geram créditos de carbono ou outras que querem compensar as emissões de uma expansão comprando créditos de carbono", afirma.
Bittencourt afirma que tal cenário se explica pela maior importância dada por empresas e governos a questões ambientais. "Cada vez mais as empresas conscientizam-se de que precisam incluir em seus balanços aspectos ambientais. Sendo assim, muitas empresas estão comprando créditos de carbono como forma de compensar o impacto ambiental de suas operações."
Carlos Rossin, diretor da área de sustentabilidade da PricewaterhouseCoopers, corrobora essa visão. Segundo ele, a questão da valorização ambiental é um tema consolidado, e o mercado de carbono, com isso, só tende a crescer no Brasil e no mundo.
Para ele, novas normas contábeis que permitem às empresas contabilizar em balanço suas emissões torna quase obrigatório que essas companhias busquem no mercado créditos para compensar suas emissões.
Segundo o diretor da PwC, a crise global afetou as transações de carbono no mundo todo, inclusive no Brasil, mas para ele isso não significa o declínio do sistema de captura e comércio de carbono.
"Em pouco tempo esse sistema vai evoluir para outros ativos ambientais, como os resíduos e o uso da água. Aos poucos as pessoas vão começar a descobrir o custo de limpar a água e isso pode criar um mercado para a preservação da água limpa", afirma.
Outro ponto crítico para o Brasil, segundo Rossin, é o lixo. Com o crescimento do consumo, o país irá produzir mais lixo, cujo manejo pode ser alvo de ações de captura e venda de créditos. "Imagine um lixão. Se seu administrador tiver metas para redução de uso, ele poderia ter o estímulo de transformar isso em créditos e eventualmente vendê-los", afirma.
Para o diretor da empresa, o desafio principal do Brasil está na esfera legislativa. Aqui, afirma ele, a lei tende a criar punições, mas não estabelece prêmios para aqueles que cumprem determinados parâmetros, como eventualmente a concessão de créditos para aqueles que preservam o meio ambiente. Este é, em sua visão, o desafio do país nessa área. Criar leis criativas que estimulem a preservação ambiental sem se concentrar apenas em punições.
Um outro desafio para o mercado de carbono no Brasil e no mundo é o fim do Tratado de Kyoto, que expira em 2012. Caso não haja novo acordo, restará apenas o mercado não regulado de créditos de carbono.
Para Felipe Bittencourt, da Way Carbon, isso não será o fim dos projetos de crédito de carbono. Mas haverá uma diferença no preço. Enquanto uma tonelada de carbono equivalente é vendida hoje por € 8,9 no mercado regulado, no mercado não regulado essa mesma tonelada vale apenas € 2,3.
"Não é possível afirmar o que vai acontecer depois de 2012, mas o mercado não regulado tem crescido bastante no Brasil. Começa a surgir um mercado interno com a adoção de metas de redução de emissões por parte de governos como o de São Paulo", afirma ele.
Para Bittencourt, o mercado não regulado possui ainda um grande potencial de crescimento em razão da menor burocracia. "Para entrar no mercado regulado é preciso cumprir um procedimento longo e burocrático que pode levar até um ano. No mercado não regulado isso é mais simples e menos custoso".

DEDINI PREVÊ ´RECUPERAÇÃO MAIOR´ SÓ EM 2012

A Dedini Indústrias de Base S.A. prevê apenas para 2012 uma reação mais significativa das encomendas do setor sucroalcooleiro e do desempenho financeiro da companhia, ao contrário das perspectivas iniciais de que a retomada ocorreria em 2011.

"A expectativa é de que teremos um lucro ainda pequeno em 2011, pois o mercado reagiu muito pouco; a incerteza do setor e a queda produção da cana postergaram investimentos para 2012, quando, acredito, haverá uma recuperação maior no desempenho da companhia", disse à Agência Estado Sérgio Leme dos Santos, diretor presidente da Dedini, maior indústria de base do setor sucroalcooleiro do País.

Segundo ele, apesar de consultas e orçamentos solicitados, não há projetos greenfield (novas fábricas) definidos para o próximo ano, e as demandas do setor são apenas de brownfields, ou seja, da ampliação das unidades já existentes.

A Dedini divulgou hoje o balanço de 2010, no qual relatou prejuízo líquido consolidado de R$ 12,506 milhões, forte redução de 90,9% sobre o prejuízo líquido de R$ 137,09 milhões de 2009. Para Santos, a demora superior a nove meses para a publicação do balanço ocorreu porque a empresa se adaptou às demonstrações financeiras e à legislação internacional.

A melhora no desempenho financeiro da empresa, com a redução no prejuízo, ocorreu, segundo o executivo, após uma política de corte de custos e de melhoria de produtividade. "Apertamos o cinto em despesas, fizemos compras melhores e ainda eliminamos fatores não recorrentes, como a inadimplência de 2009, fruto da crise de 2008", disse Santos.

A Dedini obteve uma receita líquida consolidada de R$ 804,4 milhões em 2010, queda de 29,3% sobre o total de R$ 1,138 bilhão de 2009. O custo dos produtos e dos serviços prestados atingiu R$ 733,43 milhões, 36,61% menor que os R$ 1,157 bilhão do ano anterior. A companhia informou ainda que saiu de um prejuízo bruto de R$ 18,766 milhões em 2009 para um lucro bruto de R$ 70,98 milhões no ano passado.

A Dedini aposta na melhoria, ainda em 2011, nas encomendas de outros setores, principalmente o de petróleo e gás. "As encomendas desse setor normalmente ocorrem no segundo semestre e terão impacto em 2012", disse o executivo, que comemora também os anúncios previstos pela Petrobras no setor sucroalcooleiro. "Isso nos anima, porque há uma parceria e a Dedini é um fornecedor muito interessante da Petrobras", concluiu

(Agência Estado, 21/9/11)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SJC Bioenergia espera produzir 200 milhões de litros de etanol

ASJC espera que a produção em 2013/2014 chegue a 200 milhões de litros de etanol e 200.000 MW ano de energia elétrica
A Cargill e o Grupo USJ concluíram o processo de joint venture para constituição da SJC Bioenergia com capacidade de produção 5 milhões de toneladas de cana.
A SJC Bioenergia terá gestão compartilhada, com participação de 50% para cada um dos sócios.
A nova sociedade reúne os ativos industriais do Grupo USJ no estado de Goiás, representados pelas Usinas São Francisco e a Usina Cachoeira Dourada, ambas no município de Quirinópolis.
Além da produção de açúcar e etanol, a companhia vai gerar energia elétrica a partir de bagaço de cana, com capacidade para suprir sua própria demanda e ainda destinar uma parte ao sistema nacional de energia elétrica.
Atualmente, as duas usinas produzem 5 milhões de toneladas de cana, que resultam em 170 milhões de litros de etanol, 420 mil toneladas de açúcar a cada safra e 350.000 MW ano de energia.
Com a moagem de 7,5 milhões de toneladas de cana, a produção em 2013/2014 incrementará 200 milhões de litros de etanol e ainda 200.000 MW ano de energia elétrica.
"O projeto de expansão das usinas Cachoeira Dourada e São Francisco permitirá, nos anos seguintes, dobrar a capacidade de moagem, alcançando cerca de 15 milhões de toneladas de cana, adicionando módulos de 2,5 milhões de toneladas a cada dois anos, o que incluirá a SJC Bioenergia entre os maiores grupos produtores de açúcar e etanol no Brasil" , destaca Ingo Kalder, diretor responsável pela SJC.
Para Hermínio Ometto Neto, presidente do Grupo USJ, um dos fatores relevantes para a escolha da Cargill foi o alinhamento de valores organizacionais entre os dois grupos, adicionalmente à experiência técnica.
"O Grupo USJ tem conhecimento avançado no setor sucroenergético e suas usinas estão estrategicamente localizadas na região de expansão de cana mais promissora do país. A Cargill é uma das maiores empresas de alimentos e também uma das principais tradings de açúcar do mundo", diz.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BP pretende quadruplicar moagem de cana em 5 anos

Mário Lindenhayn: "Queremos nos consolidar entre os grandes produtores de biodiesel no Brasil"

Para empresa, parcela dos biocombustíveis no consumo mundial deve passar de 3% para 15% nos próximos anos.
Após anunciar investimentos de US$ 91 milhões no Brasil, a petrolífera britânica BP divulgou que pretende quadruplicar sua produção de cana-de-açúcar no país nos próximos cinco anos.
A empresa ampliar a capacidade de moagem, dos atuais 7,5 milhões de toneladas para 30 milhões de toneladas, chegando a obter capacidade para produzir 2,7 bilhões de litros de etanol.
O objetivo é conquistar uma participação relevante no mercado brasileiro. "Queremos nos consolidar entre os grandes produtores de biodiesel no Brasil", disse Mário Lindenhayn, presidente da BP Biocombustíveis Brasil.
A BP adquiriu a fatia da Tropical Bioenergia, das mãos da Brasil Ecodiesel e da Louis Dreyfus Commodities, por US$ 71 milhões em dinheiro, no total. Antes dona de 50% da usina, passa a deter 100% da unidade.
Adicionalmente, a empresa comprou uma participação adicional de 3% na Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), anteriormente nas mãos da Louis Dreyfus Commodities, por US$ 25 milhões. A BP passará a deter 99,97% da CNAA, cujas operações já controla desde abril deste ano.
Com isso, a BP passa a ser dona de três usinas de etanol no país, sendo duas da CNAA, e uma da Tropical. Juntas, as unidades proporcionam capacidade de moagem de 7,5 milhões de toneladas.
A BP entrou no mercado de etanol do Brasil há três anos, com a compra de 50% da Tropical. A aquisição deve permitir que a empresa aumente suas operações e administre as empresas sem dividir o controle com outros sócios.
"A aquisição da tropical traz consigo o plano de investimentos para expansão", disse Lindenhayn.
O projeto da empresa é dobrar a produção nas usinas existentes nos próximos anos, levando o grupo a uma produção de 15 milhões. Além disso, a empresa pretende criar mais três unidades, sendo que uma já está em construção.
"Assim que obtivermos as aprovações das autoridades regulatórias, iniciaremos os projetos de engenharia para a expansão", afirma. A aquisição precisa ser aprovada pela Agência Nacional Energia Elétrica (Aneel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
No entanto, o investimento não será realizado de uma só vez. A expansão das usinas vai depender da ampliação das áreas de plantio de cana-de-açúcar e, conforme a capacidade ociosa das unidades for se esgotando, novos investimentos serão feitos.
"Uma vez que a gente tenha cana disponível, buscaremos o investimento para mais capacidade", anunciou. No curto prazo, a empresa vai investir R$ 70 milhões em melhorias no plantio, visando aumentar o uso da capacidade.
A empresa afirmou que o etanol produzido deverá atender tanto ao mercado brasileiro quanto ao mercado externo.
A ampliação dos investimentos da empresa ocorre apesar das recentes quedas no preço do petróleo, o que reduz as perspectivas para o uso de biocombustíveis em substituição aos derivados a commodity.
Ainda assim, a empresa vê, no longo prazo, uma ampliação do mercado.
A empresa estima que hoje os biocombustíveis representem 3% do consumo no setor de transportes. A BP espera que esse consumo chegue a 15% nos próximos anos.
"O Brasil é quem tem a melhor competitividade para produzir esse etanol", afirma.


Empresa projeta alocar R$ 6 bi em parque eólico no Maranhão


A empresa Bioenergy está com projeto de R$ 6 bilhões para construir 50 parques eólicos no Maranhão. A implantação deles, no entanto, ainda depende dos leilões do governo federal.
Em um leilão que deve ocorrer em dezembro, a companhia pretende entrar com 20 projetos para o Estado, no total de R$ 2 bilhões. Os outros 30 parques ficarão para o período de 2013 a 2015.
Antes, a empresa planejava instalar alguns deles no Rio Grande do Norte. "Mas os ventos no Maranhão também são favoráveis. Além disso, o Rio Grande do Norte está com muitos parques em instalação e tem problemas com linhas de transmissão", diz o presidente da empresa, Sérgio Marques.
As linhas não são suficientes para escoar toda a produção. O RN tem hoje quatro parques prontos e 12 em construção. Desse total, dois concluídos e cinco em obras são da Bioenergy.
O presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Ricardo Simões, diz que outras empresas estudam construir suas usinas no Maranhão.
"O vento de lá atrai. As empresas passaram a pesquisar áreas menos óbvias [para produzir energia] e, hoje, a expectativa do mercado para a região é muito grande."
Atualmente, não há parques em construção nem em operação no Maranhão.
Minas Gerais e São Paulo também são Estados que vêm sendo observados pelos empresários, segundo Simões. Além da Bahia, que tem oito em construção e "terá um crescimento assustador".

BP detalha planos para etanol e açúcar no país


Presente há cerca de três anos em biocombustíveis no Brasil, mas sem firmar posição clara de suas metas em cana-de-açúcar, a petroleira BP (ex-British Petroleum) anunciou ontem seus planos para biocombustíveis no país. Conforme antecipou o Valor, a empresa comprou os 50% restantes na usina Tropical, de Edéia (GO), ampliou de 83% para 99,97% a participação na CNAA e anunciou que, em cinco anos, vai sair da moagem atual de 7,5 milhões de toneladas de cana para 30 milhões de toneladas.
Os estudos de engenharia e de custos estão em curso, mas a empresa adiantou que para atingir a meta vai ampliar suas três usinas já em operação, de 2,5 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas cada uma. Vai ainda construir outras três unidades (uma já em fase inicial) com moagem de 5 milhões de toneladas para completar os clusters, localizados nos Estados de Minas Gerais e Goiás.
A petroleira não descarta o açúcar de sua estratégia. Segundo o presidente da BP Biocombustíveis no Brasil, Mário Lindenhayn, as três unidades já em operação têm mix de 50% para açúcar e 50% para etanol e não há intenção de mudar essa flexibilidade ao longo da expansão para 30 milhões de toneladas. "Vamos sempre avaliar as condições do mercado e decidir o mix de produção", diz Lindenhayn.
A empresa já decidiu que investirá nos próximos meses R$ 170 milhões em melhorias nos canaviais das unidades já existentes. As três usinas juntas têm capacidade industrial para processar 7,5 milhões de toneladas de cana, mas devem processar neste ciclo apenas 6 milhões de toneladas.
Em torno de R$ 70 milhões serão aportados na usina Tropical, na qual a BP ficou com 100% do capital, após adquirir os 50% restantes das ex-sócias Maeda e LDC-SEV por US$ 71 milhões (cerca de R$ 120 milhões) mais assunção de dívidas de cerca de R$ 240 milhões, segundo estimativas do mercado.
Os outros R$ 100 milhões serão aplicados nas unidades da CNAA, localizadas nos Estados de Minas Gerais e Goiás. A petroleira elevou ontem sua participação nesse grupo de 83% para 99,97%, comprando os 3% da LDC-SEV no negócio e transformando dívida em capital.

Coppe testa o potencial das ondas


A Coppe/UFRJ vai instalar nas próximas semanas no litoral de Fortaleza (CE) a primeira planta do Projeto Usina de Ondas, tecnologia inovadora que gera energia elétrica a partir de ondulações no litoral brasileiro. O projeto vem sendo desenvolvido desde meados da última década como uma alternativa diante de uma iminente crise energética mundial. Na primeira fase envolveu testes no tanque marítimo do LabOceano, o laboratório de tecnologia oceânica da UFRJ. Segundo o diretor da Coppe, Luiz Pingueli Rosa, será testada a viabilidade econômica do projeto, que conta com a participação da belga Tracbel, concessionária de geração de energia.
"A Tracbel financiou a construção da usina e a Coppe vai operá-la. Não podemos divulgar datas, mas adianto que a usina será instalada em breve", diz Rosa.
Desde a sua concepção o projeto passa por mudanças tecnológicas. A ideia original previa a instalação de usinas para gerar energia a partir da correnteza dos rios, por meio de turbinas. Estas acionariam bombas hidráulicas para injetar água em uma câmara para produzir eletricidade. O projeto atual prevê a geração de energia a partir da movimentação das ondas do mar. A Usina de Fortaleza é composta de braços que ficam presos a flutuadores fixos na água. "Com o sobe e desce das ondas os braços acionam um êmbolo que leva a água até uma câmara de armazenamento; em seguida, este jorra grandes volumes de água para uma turbina, como se fosse uma hidroelétrica marítima", explica.

Potência dos ventos já atraiu R$ 30 bi em parque gerador


Laura Porto, da Iberdrola: "Não tenho dúvida que todas venderão projetos"
Os bons ventos e a forte disputa entre os fornecedores internacionais de equipamentos aceleram a implantação dos parques eólicos no Brasil. Com a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos dos EUA e Europa em energia eólica, o Brasil atraiu recursos financeiros consideráveis de praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração e dos produtores independentes de energia, o que proporcionou uma incrível redução dos custos de implantação e da energia gerada.
"De 2009 até hoje já foram investidos quase R$ 30 bilhões em geração de energia eólica no país", informa Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). "Considerando os cinco leilões realizados neste período, foram contratados 5.785 MW de potência instalada. Significa pouco menos de 1% da matriz de geração, mas até 2014 vamos atingir 5% da capacidade instalada de geração de energia no país. É uma participação ainda relativamente baixa, o que mostra que o setor tende a proporcionar muitas oportunidades de negócios para fabricantes e produtores independentes", diz Simões.
Segundo levantamento da ABEEólica, esse potencial vem ampliando a disputa do mercado, como mostra a participação da capacidade instalada de quase 6 GW prevista para 2013. São oito grandes fabricantes globais - Impsa (18,5%), Wobben/Enercon (18,1%), GE (15,4%), Vestas (14,9%), Suzlon (13,6%), Gamesa (5,6%), Alstom (4,7%), Siemens (3,1%) e outros 6% ainda sem contrato.
O número de produtores independentes que vão vender a energia para as concessionárias brasileiras também cresceu - são 27 grupos - e envolve desde grandes estatais, como Petrobras, Chesf, CPFL, Eletrosul e Furnas, a construtoras (Odebrecht, Queiroz Galvão), bancos (Santander) e consórcios de empresas nacionais e globais, como Renova e Iberdrola Renováveis/Neoenergia.
A expectativa é de bons negócios. Pelo menos é o que mostra a corrida de fabricantes de equipamentos para fechar contratos com as distribuidoras de energia. A Vestas Wind Systems, um dos maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, por exemplo, fechou contrato para entregar, até o primeiro semestre de 2012, dez turbinas V90-3 MW e 30 turbinas V100-2.0 MW para os projetos do consórcio criado pela Chesf, na Bahia.
A Light, associada da Cemig, anunciou a compra de 50% do capital da paulista Renova Energia, com vistas à construção de parques geradores de energia eólica, num total de 423 MW.
"A maioria das empresas que participaram dos leilões são robustas e possuem perfis diversificados. São geradoras, transmissoras, construtoras etc. Naturalmente, algumas exigem menor rentabilidade que outras. Muitas apostam no volume de negócio e na sinergia. Outras estão estreando e, portanto, são mais agressivas. Mas não tenho dúvidas que todas venderão seus projetos, porque são desenvolvedoras", comenta Laura Porto, diretora de novos negócios da Iberdrola Renováveis do Brasil.
A empresa apresentou no final de agosto, no Rio de Janeiro, durante a Conferência Brazil Windpower, a joint-venture Força Eólica Brasil, parceria com o grupo Neoenergia, que acumula investimentos no país de R$ 19,1 bilhões, desde 1997. Com potência instalada de 11.400 MW em diversos parques no mundo, o grupo Iberdrola já investiu em geração eólica no Parque Rio do Fogo (RN), com capacidade de geração de 49 MW, enquanto a Neoenergia tem capacidade instalada e em construção de 4 MW, também no Nordeste.
"O mercado eólico nacional já é o quarto no mundo em incremento anual de potência. Os últimos leilões levaram a fonte eólica a um novo patamar. Isso gera um ciclo virtuoso: compras anuais maiores que 2 GW levam à manutenção das fábricas no Brasil, o que proporciona redução dos preços. E isso provoca compras ainda maiores", afirma.
Furnas também aposta na possibilidade de mais lucratividade no campo de eólica. Já investiu mais de R$ 1 bilhão, segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de engenharia da empresa. No primeiro leilão, em 2009, Furnas participou em parceria com a JMalucelli/Eletronorte e conseguiu vender energia de três parques com um somatório de potência instalada de 150 MW. Os parques estão sendo construídos no Rio Grande, com aerogeradores de 1,6 MW e 100 metros de altura, fornecidos pela Alstom, e devem entrar em operação em meados de 2012.
No último leilão, Furnas participou em parceria com empresas do grupo BMG (Banco de Minas Gerais) e vendeu quatro parques - dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará -, que somam 85 MW instalados.
O destaque dos novos parques fica por conta da evolução tecnológica. A empresa contratou o fornecimento da tecnologia à empresa alemã Fuhrlander, que está instalando fábrica no Ceará para produzir aerogeradores mais potentes, de 2,5 MW, e com altura de 140 metros. "Isso vai permitir minimizar impactos de relevo dos terrenos onde os parques serão instalados", diz Semprine.

Hidrelétricas são destaque nas liberações do BNDES


O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou entre janeiro e julho R$ 64,9 bilhões. Desse montante, mais de 10% foram destinados a projetos de energia elétrica, num total de R$ 7,07 bilhões. Além disso, o banco já aprovou outros R$ 8,3 bilhões para o setor. Os grandes projetos em curso com o apoio do banco são principalmente as usinas do rio Madeira - Santo Antônio e Jirau -, além da termonuclear de Angra 3.
A hidrelétrica de Santo Antônio (3.450 MW) - primeira dos grandes projetos em curso a ser contratada - prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões. Desse total, o banco entra com R$ 6,1 bilhões. Os desembolsos vão ocorrendo ao longo do tempo, à medida que cada etapa da obra vai sendo cumprida.
A Santo Antônio Energia - parceria entre a Odebrecht, Andrade Gutierrez, FIP e Eletrobrás Furnas - prevê colocar a primeira unidade geradora da hidrelétrica em operação comercial ainda este ano. Em julho, a empresa iniciou o desvio do rio, operação que marca o início do enchimento gradual do reservatório da usina. Quando finalizada, Santo Antônio terá 44 turbinas e energia assegurada - quantidade de energia efetivamente gerada ao longo do ano - de 2.140 MW médios. A capacidade da usina foi ampliada em relação à previsão original de 3.150 MW.
Já a hidrelétrica de Jirau deve entrar em operação somente em setembro de 2012, segundo a Energia Sustentável do Brasil. A previsão inicial era de entrada em operação em março. O empreendimento sofreu atraso devido à paralisação das obras provocada por greves e tumultos entre os funcionários em março deste ano.
A Energia Sustentável do Brasil ampliou o projeto em relação ao originalmente previsto (3.300 MW). A empresa acrescentará seis turbinas, totalizando 3.750 MW em 50 unidades geradoras. A energia assegurada do empreendimento será de 2.184 MW médios, dos quais 73% já contratados.
No mês passado, o consórcio negociou 209 MW médios dessa ampliação com consumidores livres e ainda espera vender mais 90 MW médios. O nome das empresas compradoras é mantido em sigilo, por questões contratuais de confidencialidade. O investimento previsto é R$ 10,5 bilhões, dos quais o BNDES entra com R$ 7,2 bilhões.