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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Empresa projeta alocar R$ 6 bi em parque eólico no Maranhão


A empresa Bioenergy está com projeto de R$ 6 bilhões para construir 50 parques eólicos no Maranhão. A implantação deles, no entanto, ainda depende dos leilões do governo federal.
Em um leilão que deve ocorrer em dezembro, a companhia pretende entrar com 20 projetos para o Estado, no total de R$ 2 bilhões. Os outros 30 parques ficarão para o período de 2013 a 2015.
Antes, a empresa planejava instalar alguns deles no Rio Grande do Norte. "Mas os ventos no Maranhão também são favoráveis. Além disso, o Rio Grande do Norte está com muitos parques em instalação e tem problemas com linhas de transmissão", diz o presidente da empresa, Sérgio Marques.
As linhas não são suficientes para escoar toda a produção. O RN tem hoje quatro parques prontos e 12 em construção. Desse total, dois concluídos e cinco em obras são da Bioenergy.
O presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Ricardo Simões, diz que outras empresas estudam construir suas usinas no Maranhão.
"O vento de lá atrai. As empresas passaram a pesquisar áreas menos óbvias [para produzir energia] e, hoje, a expectativa do mercado para a região é muito grande."
Atualmente, não há parques em construção nem em operação no Maranhão.
Minas Gerais e São Paulo também são Estados que vêm sendo observados pelos empresários, segundo Simões. Além da Bahia, que tem oito em construção e "terá um crescimento assustador".

BP detalha planos para etanol e açúcar no país


Presente há cerca de três anos em biocombustíveis no Brasil, mas sem firmar posição clara de suas metas em cana-de-açúcar, a petroleira BP (ex-British Petroleum) anunciou ontem seus planos para biocombustíveis no país. Conforme antecipou o Valor, a empresa comprou os 50% restantes na usina Tropical, de Edéia (GO), ampliou de 83% para 99,97% a participação na CNAA e anunciou que, em cinco anos, vai sair da moagem atual de 7,5 milhões de toneladas de cana para 30 milhões de toneladas.
Os estudos de engenharia e de custos estão em curso, mas a empresa adiantou que para atingir a meta vai ampliar suas três usinas já em operação, de 2,5 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas cada uma. Vai ainda construir outras três unidades (uma já em fase inicial) com moagem de 5 milhões de toneladas para completar os clusters, localizados nos Estados de Minas Gerais e Goiás.
A petroleira não descarta o açúcar de sua estratégia. Segundo o presidente da BP Biocombustíveis no Brasil, Mário Lindenhayn, as três unidades já em operação têm mix de 50% para açúcar e 50% para etanol e não há intenção de mudar essa flexibilidade ao longo da expansão para 30 milhões de toneladas. "Vamos sempre avaliar as condições do mercado e decidir o mix de produção", diz Lindenhayn.
A empresa já decidiu que investirá nos próximos meses R$ 170 milhões em melhorias nos canaviais das unidades já existentes. As três usinas juntas têm capacidade industrial para processar 7,5 milhões de toneladas de cana, mas devem processar neste ciclo apenas 6 milhões de toneladas.
Em torno de R$ 70 milhões serão aportados na usina Tropical, na qual a BP ficou com 100% do capital, após adquirir os 50% restantes das ex-sócias Maeda e LDC-SEV por US$ 71 milhões (cerca de R$ 120 milhões) mais assunção de dívidas de cerca de R$ 240 milhões, segundo estimativas do mercado.
Os outros R$ 100 milhões serão aplicados nas unidades da CNAA, localizadas nos Estados de Minas Gerais e Goiás. A petroleira elevou ontem sua participação nesse grupo de 83% para 99,97%, comprando os 3% da LDC-SEV no negócio e transformando dívida em capital.

Coppe testa o potencial das ondas


A Coppe/UFRJ vai instalar nas próximas semanas no litoral de Fortaleza (CE) a primeira planta do Projeto Usina de Ondas, tecnologia inovadora que gera energia elétrica a partir de ondulações no litoral brasileiro. O projeto vem sendo desenvolvido desde meados da última década como uma alternativa diante de uma iminente crise energética mundial. Na primeira fase envolveu testes no tanque marítimo do LabOceano, o laboratório de tecnologia oceânica da UFRJ. Segundo o diretor da Coppe, Luiz Pingueli Rosa, será testada a viabilidade econômica do projeto, que conta com a participação da belga Tracbel, concessionária de geração de energia.
"A Tracbel financiou a construção da usina e a Coppe vai operá-la. Não podemos divulgar datas, mas adianto que a usina será instalada em breve", diz Rosa.
Desde a sua concepção o projeto passa por mudanças tecnológicas. A ideia original previa a instalação de usinas para gerar energia a partir da correnteza dos rios, por meio de turbinas. Estas acionariam bombas hidráulicas para injetar água em uma câmara para produzir eletricidade. O projeto atual prevê a geração de energia a partir da movimentação das ondas do mar. A Usina de Fortaleza é composta de braços que ficam presos a flutuadores fixos na água. "Com o sobe e desce das ondas os braços acionam um êmbolo que leva a água até uma câmara de armazenamento; em seguida, este jorra grandes volumes de água para uma turbina, como se fosse uma hidroelétrica marítima", explica.

Potência dos ventos já atraiu R$ 30 bi em parque gerador


Laura Porto, da Iberdrola: "Não tenho dúvida que todas venderão projetos"
Os bons ventos e a forte disputa entre os fornecedores internacionais de equipamentos aceleram a implantação dos parques eólicos no Brasil. Com a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos dos EUA e Europa em energia eólica, o Brasil atraiu recursos financeiros consideráveis de praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração e dos produtores independentes de energia, o que proporcionou uma incrível redução dos custos de implantação e da energia gerada.
"De 2009 até hoje já foram investidos quase R$ 30 bilhões em geração de energia eólica no país", informa Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). "Considerando os cinco leilões realizados neste período, foram contratados 5.785 MW de potência instalada. Significa pouco menos de 1% da matriz de geração, mas até 2014 vamos atingir 5% da capacidade instalada de geração de energia no país. É uma participação ainda relativamente baixa, o que mostra que o setor tende a proporcionar muitas oportunidades de negócios para fabricantes e produtores independentes", diz Simões.
Segundo levantamento da ABEEólica, esse potencial vem ampliando a disputa do mercado, como mostra a participação da capacidade instalada de quase 6 GW prevista para 2013. São oito grandes fabricantes globais - Impsa (18,5%), Wobben/Enercon (18,1%), GE (15,4%), Vestas (14,9%), Suzlon (13,6%), Gamesa (5,6%), Alstom (4,7%), Siemens (3,1%) e outros 6% ainda sem contrato.
O número de produtores independentes que vão vender a energia para as concessionárias brasileiras também cresceu - são 27 grupos - e envolve desde grandes estatais, como Petrobras, Chesf, CPFL, Eletrosul e Furnas, a construtoras (Odebrecht, Queiroz Galvão), bancos (Santander) e consórcios de empresas nacionais e globais, como Renova e Iberdrola Renováveis/Neoenergia.
A expectativa é de bons negócios. Pelo menos é o que mostra a corrida de fabricantes de equipamentos para fechar contratos com as distribuidoras de energia. A Vestas Wind Systems, um dos maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, por exemplo, fechou contrato para entregar, até o primeiro semestre de 2012, dez turbinas V90-3 MW e 30 turbinas V100-2.0 MW para os projetos do consórcio criado pela Chesf, na Bahia.
A Light, associada da Cemig, anunciou a compra de 50% do capital da paulista Renova Energia, com vistas à construção de parques geradores de energia eólica, num total de 423 MW.
"A maioria das empresas que participaram dos leilões são robustas e possuem perfis diversificados. São geradoras, transmissoras, construtoras etc. Naturalmente, algumas exigem menor rentabilidade que outras. Muitas apostam no volume de negócio e na sinergia. Outras estão estreando e, portanto, são mais agressivas. Mas não tenho dúvidas que todas venderão seus projetos, porque são desenvolvedoras", comenta Laura Porto, diretora de novos negócios da Iberdrola Renováveis do Brasil.
A empresa apresentou no final de agosto, no Rio de Janeiro, durante a Conferência Brazil Windpower, a joint-venture Força Eólica Brasil, parceria com o grupo Neoenergia, que acumula investimentos no país de R$ 19,1 bilhões, desde 1997. Com potência instalada de 11.400 MW em diversos parques no mundo, o grupo Iberdrola já investiu em geração eólica no Parque Rio do Fogo (RN), com capacidade de geração de 49 MW, enquanto a Neoenergia tem capacidade instalada e em construção de 4 MW, também no Nordeste.
"O mercado eólico nacional já é o quarto no mundo em incremento anual de potência. Os últimos leilões levaram a fonte eólica a um novo patamar. Isso gera um ciclo virtuoso: compras anuais maiores que 2 GW levam à manutenção das fábricas no Brasil, o que proporciona redução dos preços. E isso provoca compras ainda maiores", afirma.
Furnas também aposta na possibilidade de mais lucratividade no campo de eólica. Já investiu mais de R$ 1 bilhão, segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de engenharia da empresa. No primeiro leilão, em 2009, Furnas participou em parceria com a JMalucelli/Eletronorte e conseguiu vender energia de três parques com um somatório de potência instalada de 150 MW. Os parques estão sendo construídos no Rio Grande, com aerogeradores de 1,6 MW e 100 metros de altura, fornecidos pela Alstom, e devem entrar em operação em meados de 2012.
No último leilão, Furnas participou em parceria com empresas do grupo BMG (Banco de Minas Gerais) e vendeu quatro parques - dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará -, que somam 85 MW instalados.
O destaque dos novos parques fica por conta da evolução tecnológica. A empresa contratou o fornecimento da tecnologia à empresa alemã Fuhrlander, que está instalando fábrica no Ceará para produzir aerogeradores mais potentes, de 2,5 MW, e com altura de 140 metros. "Isso vai permitir minimizar impactos de relevo dos terrenos onde os parques serão instalados", diz Semprine.

Hidrelétricas são destaque nas liberações do BNDES


O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou entre janeiro e julho R$ 64,9 bilhões. Desse montante, mais de 10% foram destinados a projetos de energia elétrica, num total de R$ 7,07 bilhões. Além disso, o banco já aprovou outros R$ 8,3 bilhões para o setor. Os grandes projetos em curso com o apoio do banco são principalmente as usinas do rio Madeira - Santo Antônio e Jirau -, além da termonuclear de Angra 3.
A hidrelétrica de Santo Antônio (3.450 MW) - primeira dos grandes projetos em curso a ser contratada - prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões. Desse total, o banco entra com R$ 6,1 bilhões. Os desembolsos vão ocorrendo ao longo do tempo, à medida que cada etapa da obra vai sendo cumprida.
A Santo Antônio Energia - parceria entre a Odebrecht, Andrade Gutierrez, FIP e Eletrobrás Furnas - prevê colocar a primeira unidade geradora da hidrelétrica em operação comercial ainda este ano. Em julho, a empresa iniciou o desvio do rio, operação que marca o início do enchimento gradual do reservatório da usina. Quando finalizada, Santo Antônio terá 44 turbinas e energia assegurada - quantidade de energia efetivamente gerada ao longo do ano - de 2.140 MW médios. A capacidade da usina foi ampliada em relação à previsão original de 3.150 MW.
Já a hidrelétrica de Jirau deve entrar em operação somente em setembro de 2012, segundo a Energia Sustentável do Brasil. A previsão inicial era de entrada em operação em março. O empreendimento sofreu atraso devido à paralisação das obras provocada por greves e tumultos entre os funcionários em março deste ano.
A Energia Sustentável do Brasil ampliou o projeto em relação ao originalmente previsto (3.300 MW). A empresa acrescentará seis turbinas, totalizando 3.750 MW em 50 unidades geradoras. A energia assegurada do empreendimento será de 2.184 MW médios, dos quais 73% já contratados.
No mês passado, o consórcio negociou 209 MW médios dessa ampliação com consumidores livres e ainda espera vender mais 90 MW médios. O nome das empresas compradoras é mantido em sigilo, por questões contratuais de confidencialidade. O investimento previsto é R$ 10,5 bilhões, dos quais o BNDES entra com R$ 7,2 bilhões.

Distribuição investe na rede inteligente


Enquanto aguardam a definição das diretrizes governamentais para a adoção da rede inteligente (smart grid, em inglês) no país, fabricantes de sistemas e equipamentos, distribuidoras de energia e associações de classe ligadas ao setor elétrico aprofundam estudos, desenvolvem projetos pilotos e ampliam seus investimentos. O objetivo é introduzir novas tecnologias de informação e conceitos inovadores de gestão dos fluxos de energia elétrica que viabilizarão uma mudança radical no modelo de negócio das empresas. E na infraestrutura de atendimento de milhões de consumidores.
É um movimento ambicioso, avalia o economista Otávio Mielnik, que coordenou um recente estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre Energia Elétrica e Inovações Energéticas. Afinal, a rede elétrica brasileira é hoje um sistema integrado que articula 2.335 unidades de geração com uma capacidade de 113.55 MW. Elas estão conectadas a 97 mil quilômetros de linhas de transmissão e 2,35 milhões de linhas de distribuição. Tudo isso para atender a 47 milhões de unidades consumidoras. Na prática, o smart grid consiste em implantar medidores inteligentes que vão mesurar e informar com precisão dados de consumo da rede elétrica.
"A rede elétrica inteligente altera o padrão de concorrência entre sistemas de geração elétrica, que tem sido determinado por empreendimentos de grande escala. Além disso, torna mais acessível e competitiva a geração descentralizada de pequena escala, aliviando a carga das linhas de transmissão (reduzindo investimentos para sua ampliação) e valorizando a proximidade em relação a consumidor", afirma ele.
As oportunidades de negócio são amplamente favoráveis. Do lado da indústria, por exemplo, a Cooper Power Systems, divisão da multinacional America Cooper Industries, fabricante global de equipamentos elétricos com faturamento de US$ 5,1 bilhões em 2010, anuncia investimentos de R$ 40 milhões na transferência e expansão da sua produção (atualmente no bairro paulistano de Santo Amaro) para uma nova planta, que será construída na cidade de Porto Feliz, no interior paulista. Fornecedora de tecnologias de smart grid que melhoram o desempenho das redes elétricas, a nova fábrica vai aumentar a produção de religadores (considerados o coração do sistema de gestão das redes), iniciar a produção de capacitores e de reguladores de tensão, além de criar um centro de tecnologia de smart grid.
"A adoção intensiva de tecnologias de smart grid pode dobrar o volume do mercado brasileiro de equipamentos elétricos na área de média tensão, estimado atualmente em US$ 1 bilhão", confia Flávio Marqueti, vice-presidente da Cooper Power no Brasil.
A Alstom Grid, uma nova divisão do grupo francês Alstom, também está envolvida com projetos experimentais da tecnologia smart grid no Brasil, informa Sérgio Gomes, vice-presidente para a América Latina. "Nosso foco em smart grid está concentrado em sistemas de energia na área de geração, transmissão e distribuição. Já fornecemos para o Operador Nacional de Sistemas (OSN) software para o sistema central de controle. Também estamos instalando equipamentos na AES Eletropaulo e Light para monitorar e controlar as centrais de operação das redes", diz ele.
No campo das distribuidoras, não há previsões sobre o volume de investimentos que serão consumidos com a introdução das novas tecnologias. Na verdade, o setor espera até o final do ano o resultado dos estudos que estão sendo realizados com participação da indústria, distribuidoras e outros agentes, sob coordenação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para definição de como será feita a troca e implantação do parque dos medidores inteligentes.
De qualquer forma, os projetos pilotos estão em ritmo avançado. Só a CPFL tem um programa de investimentos da ordem de R$ 215 milhões para desenvolver projetos nas áreas de telemedição (smart meter), mobilidade e operação. Na área de telemedição do grupo A (clientes industriais e comerciais), a distribuidora pretende implantar 25 mil medidores inteligentes até meados de 2013. O projeto de mobilidade, de acordo com o executivo, tem por objetivo automatizar o fluxo de informações entre os centros de despacho de serviços com as equipes que executam as atividades em campo. "Atualmente temos em torno de mil equipes que são comandadas por meio de rádio. Com esse projeto, as informações serão enviadas aos eletricistas através de um palm top. Com essa nova ferramenta será possível melhorar a gestão das ordens de serviço e a produtividade das equipes, assim como melhorar a qualidade do serviço prestado", diz Paulo Bombassaro, diretor de engenharia e gestão da CPFL.
Já o projeto de operação prevê a instalação, até 2013, de cinco mil chaves e religadores inteligentes para dar mais flexibilidade e agilidade às centrais de telecomandos.
Segundo Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que elabora uma proposta de migração do sistema atual para a nova infraestrutura de redes inteligentes, os vários projetos pilotos em andamento - o da Eletrobrás em Parintins (AM), da Cemig (Cidade do Futuro) em Sete Lagoas (MG), e o da Copel em Curitiba (PR), entre outros -, pretendem avaliar os benefícios das inovações para indústria, fornecedores e usuários.
"É necessária uma definição clara das políticas públicas para o smart grid. Por exemplo: ainda é incerto como as concessionárias vão agregar valor às redes inteligentes. Isso vai depender do modelo regulatório, que definirá qual será a infraestrutura necessária e quem vai pagar a conta no futuro", afirma.

Laboratórios focam o biocombustível de segunda geração


Fernando Landgraf, do IPT: o processo permitirá dobrar a produção de biocombustíveis com menor área de plantio
Avançam no país os estudos para o desenvolvimento de novas técnicas para a produção de biocombustíveis de segunda geração, aqueles produzidos a partir de biomassa e não por meio da fermentação do açúcar da cana. Há duas rotas de desenvolvimento: os processos bioquímico e termoquímico. A mais avançada é a pesquisa de processos termoquímicos por meio da queima com pouco oxigênio do bagaço e da palha da cana.
Universidades e institutos de pesquisas, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Universidade de São Paulo (USP) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com apoio de empresas como Braskem, Oxiteno, Raizen (Shell e Cosan), Petrobras e Vale estão investindo em uma planta de gaseificação no campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba. O projeto exigirá investimentos de R$ 80 milhões - R$ 70 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Governo de São Paulo e R$ 10 milhões das empresas.
"Estamos negociando a propriedade intelectual com as empresas, um ponto fundamental para o BNDES, que pré-aprovou o projeto, liberar o financiamento", diz Fernando Landgraf, diretor de inovação do IPT. O processo permitirá dobrar a produção de biocombustíveis como o etanol em menor área de plantio por aproveitar o bagaço e a palha da cana, que representam dois terços da parte sólida do vegetal.
"Cada empresa que está apoiando o projeto tem um interesse específico", diz Landgraf. A Vale está de olho em todos os compostos que possam ser utilizados como fonte de energia, explica Ivo Fouto, diretor responsável pelos assuntos ligados a biocombustíveis na Vale e presidente da Biopalma. Esta vai atuar na produção de biodiesel a partir do óleo de dendê cultivado na região do Vale do Acará e Baixo Tocantins, abrangendo sete municípios no estado do Pará. Em janeiro, a Vale adquiriu participação de 70% do controle da Biopalma por US$ 173,5 milhões.
Segundo Fouto, a empresa já realizou a metade do plantio e a primeira das seis unidades de extração começa a operar no fim do ano. A planta de produção de biodiesel começa a funcionar em 2014. A expectativa é de atingir a produção anual de 500 mil toneladas em 2019, quando a lavoura atingir sua maturidade. O B20 (mistura de 20% de biodiesel e 80% de diesel comum) será utilizado para alimentar a frota de locomotivas, máquinas e os equipamentos de grande porte da Petrobras no Brasil. Esse biocombustível tem mais biodiesel que a mistura padrão brasileira, de 5%.
A mineradora também fomenta, por meio do Instituto Tecnológico, o desenvolvimento de novas técnicas que ainda estão em fase experimental. É o caso da produção de biocombustíveis de segunda geração pelo processo bioquímico enzimático e de síntese biológica.
Nessa área, uma das pesquisas mais avançadas é desenvolvida pela Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Universidade de Tingshua, na China, para a criação de um novo processo de utilização de enzimas na produção de biodiesel. A tecnologia será testada em usina piloto, a ser instalada no Instituto Internacional de Mudanças Globais (IVIG), e os pesquisadores da Coppe avaliarão os custos de produção de biodiesel com o uso dessa tecnologia, com base na realidade brasileira. Uma das vantagens é o melhor aproveitamento do óleo e seus resíduos. Segundo Luiz Pingueli Rosa, diretor da Coppe, a ideia é quebrar a hegemonia da soja na produção do biodiesel.
"A enzima permite processar uma variedade maior de insumos como o dendê que tem uma vantagem energética maior, com mais produtividade por hectare", observa Rosa. Outro projeto, na área de biocombustíveis, desenvolvido no Brasil pela Coppe, em parceria com o Instituto de Química da UFRJ, também já suscitou o interesse dos chineses. Trata-se da produção de etanol a partir do bagaço de cana, que vai permitir duplicar a produtividade do etanol sem ser necessário aumentar a área plantada ou competir com a produção do açúcar ou qualquer outro alimento.
Na Coppe, o projeto está sendo desenvolvido por pesquisadores do IVIG. Eles querem combinar seu conhecimento sobre biodiesel com o do Instituto de Química sobre hidrólise, um processo químico estudado por diferentes grupos de pesquisa no Brasil, devido a sua aplicação na produção de etanol.
O Instituto Nacional de Tecnologia também participa do projeto e integra um consórcio com uma empresa brasileira para disputar os recursos de uma chamada lançada pelo BNDES e a Finep no âmbito do Plano Conjunto BNDES/Finep de Apoio a Inovação Industrial dos setores sucroalcooleiro e sucroquímico (PAISS). Segundo Viridiana Santana Ferreira, pesquisadora do INT, o instituto estuda o uso do bagaço e da palha da cana para geração de biocombustivel por meio do processo de pré-tratamento e hidrólise enzimática. Esse processo vem sendo procurado por empresas estrangeiras interessadas nas pesquisas.
"Após os testes na planta piloto, que entrará em produção em 2012, a ideia é chegar na escala de demonstração que resultará na criação de uma mini usina de segunda geração. Ela será instalada ao lado de uma usina de primeira geração", adianta.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) é outro instituto que participa de consórcio para disputar os recursos do PAISS. Segundo Jaime Finguerut, gerente de desenvolvimento estratégico industrial, o CTC iniciou os estudos dos processos bioquímicos em 1997 em parceria com a Dedini. A linha adotada na época, baseada no uso de ácido como catalisador, não se mostrou economicamente viável.
Em 2007, os pesquisadores passaram a estudar o processo enzimático em parceira com a NovoZymes, fornecedora de enzimas. Pelo acordo, o CTC desenvolve o processo e a empresa, as enzimas adequadas. "O CTC já completou todo o processo em escala piloto. Agora, está trabalhando na engenharia da planta de demonstração que deverá ficar pronta em 2012. A expectativa é que o projeto trabalhe em escala industrial em 2014", explica Finguerut.

Usinas patinam na produção de etanol


A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) projeta para 2020 um total de 72 bilhões de litros de álcool combustível. O Brasil, com mais de 27,5 bilhões de litros no atual ano-safra, seria um candidato natural a abastecer a sede mundial por etanol, não tivesse tropeçado na falta de investimento dos últimos três anos.

Nas contas da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o país precisaria instalar em média 15 usinas novas por ano para dar conta da demanda interna e das exportações que o mercado projeta para 2020. Isso exigiria investimentos de R$ 80 bilhões em dez anos. Desde a crise de 2008, apenas uma dezena de projetos saíram do papel. "Tudo será recuperado", garante Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.
Ele acredita que até 2016 todos os projetos serão retomados. Até lá, o Brasil tem de tratar de usar a imensa capacidade ociosa de 150 mil toneladas/ano. Hoje o setor é capaz de esmagar 750 mil toneladas de cana anualmente, mas só tem 600 mil toneladas do produto para moer. Falta cana no mercado.
"A crise é estrutural porque não se investiu na expansão da cana", analisa Marcos Buckeridge, pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). Segundo ele, as metas do CTBE até 2016 preveem soluções técnicas para o aumento da oferta de álcool. Ele cita pesquisas sendo desenvolvidas para a produção de etanol a partir do sorgo no Rio Grande do Sul. O sorgo seria plantado em áreas de reforma de canavial.
"O Brasil deveria ter gastado mais para tornar a pesquisa mais atrativa", indica Jaime Finguerut, gerente de desenvolvimento estratégico do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Os ganhos de produtividade conseguidos pela pesquisa nacional hoje são residuais, porque o país já avançou muito na tecnologia. Necessário agora é uma quebra de paradigma. E ela está por vir com o desenvolvimento comercial do etanol de segunda geração, que pode elevar em 30% a produção sem aumentar a área plantada. (E.B.)

Biomassa de cana precisa brigar para manter espaço

A indústria sucroalcooleira foi pega no contrapé. Ao disputar os leilões de energia para entrega em três anos, o setor assistiu à derrubada dos preços em 30% vinda de uma concorrente inesperada: a geração eólica. "O custo de implantação de uma usina eólica caiu pela metade nos últimos três anos", pondera Emilio Rietmann, diretor executivo da Energias Renováveis do Brasil (ERB). "Para a biomassa de cana, o custo dobrou."

Nos níveis atuais, a biomassa da cana só é viável com preços entre R$ 130 e R$ 140 por megawatt, diz Rietmann. Ainda assim, só para quem trabalha com cogeração térmica e elétrica simultaneamente, o que torna o processo mais eficiente e barato. Em agosto as eólicas venderam energia entre R$ 99,54 e R$ 99,58, preços inferiores até aos das térmicas a gás natural da Petrobras (R$ 103,26). Para Rietmann, será muito difícil os preços voltarem a patamares de R$ 140 por megawatt, como em 2010. Isso deve conter mais os investimentos do setor, freados há três anos.
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Tradicionalmente cara devido aos custos elevados de instalação, a geração eólica ganhou uma aliada na crise financeira de 2008 que pôs a pique vários projetos na Europa. Com aerogeradores sobrando, a instalação dos novos projetos ficou mais atrativa no Brasil. Principalmente depois que o governo de São Paulo reduziu o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os equipamentos fabricados no Estado, em 2010.
As usinas sucroalcooleiras "foram surpreendidas pela melhoria da eficiência da energia eólica", afirma Renato Queiroz, pesquisador do grupo de economia de energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com isso, o governo ficou em situação mais confortável para optar por diferentes fontes de energia alternativa. Além da hidroeletricidade, que responde por 70% do abastecimento elétrico do país, a energia da biomassa vai ter que brigar em preço com as térmicas a gás e a eólica em condições desfavoráveis.
Se o cenário não mudar, os investimentos não vão voltar com força, decreta Rietmann. "É pouco provável que a situação mude nos próximos dois anos." Ele acredita que os preços tendem a subir um pouco depois que passar a onda de instalação de projetos eólicos com preços vantajosos, mas então serão os novos players quem vão determinar os novos níveis do mercado.
Para Rietmann, o setor de biomassa tem como alternativa a venda direta no mercado livre, incentivada pelo governo. Hoje tem sido possível fechar contratos a R$ 140 por megawatt nesse mercado, valor considerado bom para o gerador e interessante para o consumidor. "Esse vai ser o papel da biomassa", defende o diretor da ERB.
Para a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o problema para a geração por biomassa de cana está nas "condições desiguais" que o setor enfrenta em relação às fontes concorrentes. Segundo Zilmar José de Souza, gerente em bioeletricidade da Unica, a geração eólica tem condições de financiamento e isenção fiscal que o setor de biomassa não dispõe. A maior parte dos projetos de novos parques eólicos está no Nordeste. Portanto, encontram crédito a juro subsidiado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) com taxas que nem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece.

Fornecedores de máquinas comemoram


Carlos Roberto Hohl, da ABB: oportunidades de bons negócios em todos os segmentos do setor elétrico no Brasil
Ampliação das usinas existentes, instalação de novas unidades, nacionalização e diversificação de portfólios. A crescente demanda do setor elétrico por equipamentos tem motivado os fornecedores instalados no país a investirem na expansão de suas atividades, de forma a conquistar fatias do mercado e resistir às investidas de players estrangeiros.
"Estamos otimistas em relação ao futuro", afirma Carlos Roberto Hohl, diretor de desenvolvimento de negócios da ABB. Nem mesmo o assédio de fornecedores de outras regiões do planeta, como os chineses, mudam esse panorama. "Estamos no Brasil há muito tempo. Compreendemos o mercado e os clientes brasileiros e estamos aumentando nossa produção. Isso é uma vantagem competitiva", diz Hohl.
Segundo ele, o Brasil está entre os principais mercados do grupo, motivando o desenvolvimento de um plano de crescimento que deverá absorver investimentos de US$ 200 milhões até 2015. "Nosso objetivo é mais do que duplicar o volume de negócios e duplicar o número de funcionários", acrescenta. "Fechamos 2010 com 3.800 colaboradores e já estamos contratando gente", afirma o executivo, acrescentando que a empresa enfrenta o desafio de encontrar profissionais qualificados.
Como parte do plano de expansão, a ABB inaugurou fábricas. A de Guarulhos vai produzir painéis de baixa e média tensão e a de Blumenau, transformadores de distribuição a seco. A companhia também anunciou recentemente a aquisição de uma nova planta em Sorocaba para fabricar equipamentos de baixa tensão, além de motores, acionamentos e automação.
Para Hohl, todos os segmentos do setor elétrico deverão oferecer oportunidades. Os apagões registrados em São Paulo e as explosões de bueiros no Rio de Janeiro são indicadores da necessidades de investimentos das concessionárias em suas redes. A ABB está recebendo encomendas de projetos de transmissão de energia elétrica da nova fronteira do setor elétrico, que são as usinas localizadas no Norte do país, em plena Região Amazônica.
O grupo ABB adquiriu recentemente a Ventyx, empresa líder no fornecimento de software para energia global, concessionárias, comunicações, e outros negócios. A empresa produz soluções nas atividades de comercialização de energia e gerenciamento de riscos, operações e análises de energia, além de soluções de software para planejamento e previsão de necessidades de eletricidade, incluindo fontes renováveis. "Esses produtos nos permitem oferecer soluções para instalação das smart grids ou redes inteligentes, que aumentam o nível de automação e confiabilidade das redes elétricas, principalmente no que se refere a distribuição", diz o diretor da ABB.
Instalada no Brasil desde o início do século passado, a GE também está otimista em relação aos efeitos do crescimento econômico nos mercados nos quais atua. Em agosto, o presidente e CEO da GE América Latina, Reinaldo Garcia, anunciou que os investimentos de US$ 550 milhões, projetados para o período entre 2011 e 2013 no Brasil poderá ser ampliado, em virtude das oportunidades proporcionadas pelo crescimento econômico do país - as atividades da companhia no Brasil terão expansão de 30% em 2011.
"Em relação ao setor elétrico, mantemos uma expectativa altíssima", acrescenta Marcelo Prado, diretor de marketing para América Latina. Segundo ele, a companhia produz no país artigos destinados tanto para o segmento de geração de energia à base de combustíveis fósseis, como para o de fontes renováveis.
Uma das áreas em que a empresa está apostando é na de geração eólica. Segundo Prado, a companhia recebeu encomendas de cerca de 700 turbinas eólicas para os próximos anos - 60% dos equipamentos são produzidos no Brasil.
Prado acrescenta que a companhia também olha como oportunidade a possibilidade de projetos de novas usinas termelétricas a gás natural serem incluídos na matriz energética. Em agosto último, projetos de usinas a gás voltaram a ser leiloados pelo governo federal, depois de três anos sem a presença dessa fonte nos certames. Dos 2.744,6 MW comercializados, 38% foram projetos de geração térmica a gás natural.
"Acreditamos que o Brasil manterá essa rota de crescimento econômico e, por isso, temos ampliado a nossa produção", afirma Marcos Costa, vice-presidente para a América Latina do setor de energia da Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda. A empresa está ampliando unidades existentes e instalando novas plantas para atender ao crescimento das encomendas.
No início do ano passado, por exemplo, a Alstom, em parceria com a Bardella, inaugurou, em Porto Velho (RO), a Indústria Metalúrgica e Mecânica da Amazônia (IMMA), fábrica de equipamentos destinada a atender à demanda proporcionada pela usina Santo Antônio, em construção no rio Madeira. "A unidade permitirá o atendimento a outros projetos de geração da Região Amazônica, como as usinas de Belo Monte e Teles Pires", diz Costa. O vice-presidente da Alstom acrescenta que o posicionamento da fábrica permitirá o atendimento das necessidades de outros países, como o Peru e o Equador, que contam com projetos de geração hidrelétricas.
A Alstom também tem atuado no atendimento à crescente procura por equipamentos para geração eólica. Em junho, por exemplo, firmou contrato, no valor de € 200 milhões, com a empresa Brasventos visando o fornecimento de 86 turbinas para a construção de três parques eólicos no Rio Grande do Norte.

Siemens prevê ciclo fotovoltáico


Com a geração eólica já consolidada no Brasil e em vários outros países, a Siemens aposta que a geração solar deverá iniciar um ciclo de expansão semelhante ao verificado pela energia produzida a partir da força dos ventos. "No mundo todo, a energia solar está atrasada sete anos em relação à eólica. Mas agora, esta fonte está chegando fortemente", afirma Ronald Dauscha, diretor de tecnologia e inovação da Siemens.
De acordo com informações da empresa, a expectativa é de que a geração de energia a partir da fonte solar conquiste rapidamente espaços no mercado mundial nos próximos anos.
Em 2009, as usinas fotovoltáicas contavam com uma capacidade instalada ao redor do mundo de 23 mil MW, ao passo que as usinas eólicas detinham 158 MW de potência instalada. A previsão da Siemens é de que em 2015 as plantas fotovoltáicas deverão proporcionar uma capacidade conjunta de 140 mil MW, ante 400 mil MW projetados para a geração eólica para o mesmo ano.
O diretor da Siemens acrescenta que a expansão da geração eólica e fotovoltáica encaixam-se em um contexto mundial de aumento da participação das fontes renováveis nas matrizes energéticas. Segundo Dauscha, um dos focos nos esforços de inovação a serem empreendidos nos próximos anos será a busca por formas de armazenagem da energia gerada por essas duas fontes.
No Brasil, as plantas de geração fotovoltáica já estão ganhando escala. A MPX, uma das empresas do conglomerado do empresário Ike Batista, inaugurou em agosto uma usina fotovoltáica de 1 MW de capacidade instalada, energia suficiente para abastecer 1,5 mil famílias da região.
A usina, erguida em Tauá, no sertão do Estado do Ceará, representa um avanço nas características dos projetos de geração fotovoltáica implantados até o momento no Brasil. "Trata-se da primeira usina fotovoltáica integrada ao sistema elétrico interligado do país", diz Marcus Temke, diretor de implantação e operação da companhia.
O projeto da usina consumiu investimentos da ordem de R$ 10 milhões, sendo que US$ 700 mil desse total foram obtidos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os recursos foram utilizados para a construção de uma planta com 4,68 mil painéis fotovoltaicos.
Durante a inauguração, a empresa anunciou acordo com a GE com o objetivo de duplicar a capacidade instalada da planta. Com a expansão, serão instalados na usina mais 6,9 mil painéis, totalizando 11.580 módulos solares. "A MPX é pioneira em energia solar no Brasil e investiu por acreditar no desenvolvimento dessa fonte no médio e longo prazo. Com a GE, impulsionamos o nosso empreendimento, previsto para chegar a 50 MW", afirmou o presidente da MPX, Eduardo Karrer. "O projeto foi concebido para contar com uma capacidade total de 50 MW", acrescentou Marcus Temke.
A Eletrosul, geradora e transmissora de energia do Grupo Eletrobrás, também está aderindo à geração fotovoltáica, com o projeto Megawatt Solar, que se encontra em fase de licitação.
O projeto prevê a construção de uma usina fotovoltáica com 1 MW de capacidade instalada na própria sede da empresa, cujos telhados serão cobertos por cerca de 10 mil metros de painéis fotovoltáicos.
No fim de agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a implementação de projeto piloto da Coelba, concessionária que atua no Estado da Bahia, para geração solar fotovoltáica no estádio de futebol Governador Professor Roberto Santos (Pituaçu), na capital baiana, que será o primeiro estádio do Brasil a contar com esse tipo de iluminação. A estimativa de geração anual é de 630 megawatts/hora e a entrada em operação comercial da usina está prevista para dezembro. Como a geração prevista é aproximadamente 75% superior à carga do estádio, a energia excedente poderá ser utilizada para abater o consumo de outras unidades consumidoras previamente cadastradas para esse fim.

Especialista propõe migração para um regime de bacias hidrográficas


José Luiz Alquéres: "Migração seria muito melhor do que a extensão pura e simples das concessões por 20 anos"

Enquanto o governo federal não bate o martelo sobre a prorrogação ou a licitação dos ativos que começam a vencer a partir de 2015, algumas propostas começam a surgir. Para o ex-presidente da Light e da Eletrobrás, José Luiz Alquéres, uma ideia seria usar o vencimento das concessões das hidrelétricas para fazer a migração do sistema atual para um regime de concessão por bacia hidrográfica. A empresa não seria apenas responsável pela gestão da geração de energia elétrica, mas teria de gerenciar também a manutenção da qualidade da água e do meio ambiente na bacia, dentro de parâmetros e indicadores definidos previamente por órgãos reguladores. "A concessão seguiria uma visão muito mais ampla e que poderia ter grandes resultados sobre a melhoria do meio ambiente."
Para Alquéres, as concessões das diferentes usinas poderiam ser prorrogadas e alinhadas a uma mesma data. O segundo passo seria dado por uma lei que estabeleceria um prazo para que as concessionárias se adaptassem às novas responsabilidades. "Isso seria muito melhor do que a extensão pura e simples das concessões por 20 anos", afirma.
Em seus cálculos, a decisão também ampliaria os recursos investidos no meio ambiente. Em uma conta básica, se fossem investidos em gestão ambiental 20% do valor anual da energia gerada no potencial hidrelétrico nacional, mais de US$ 10 bilhões anuais poderiam ser aplicados em um amplo programa de gestão de recursos hídricos e melhorias ambientais.
O impasse no setor elétrico tem sido observado com atenção por concessionárias de ferrovias e operadoras de telefonia que participaram do processo de privatização na década de 1990. No caso delas, a renovação da concessão está presente no contrato, mas ainda assim existem indefinições. Os operadores de ferrovias reclamam da ausência de regras claras sobre como será feita essa renovação - como as compras de locomotivas e vagões são feitas em grandes quantidades e financiamentos de longo prazo, as incertezas afetam os negócios.
Na telefonia, quando o setor foi privatizado, em 1998, a internet engatinhava. Investimentos em banda larga e cabos de fibra ótica foram feitos anos depois e há interpretações jurídicas que colocam dúvidas se esses ativos deveriam voltar à União, qual seria o seu valor de reversão e se haveria algum mecanismo de compensação para os consumidores.
A solução que for dada para o vencimento dos contratos de concessão no setor elétrico servirá como uma espécie de jurisprudência para o momento em que for necessário discutir cláusulas e regras para reversão de ativos, renovar ou licitar novamente contratos de concessões em todos os outros setores de infraestrutura quando os prazos vencerem também. "Por isso, a solução, agora, precisa ser construída com agilidade e, ao mesmo tempo, consistência jurídica e mercadológica, para evitar conflitos judiciais. E precisa ser isonômica", afirma um advogado do setor de infraestrutura. (R.R.)

Próximos leilões já estão na agenda


O governo já prepara a licitação de novas usinas hidrelétricas. Neste semestre, deve ir a leilão a usina de São Manoel (MT), de 700 MW de capacidade. A expectativa é de que no fim de 2012 ou início de 2013 saia o leilão da hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós, no rio Tapajós (PA), com 6.133 MW, um dos maiores projetos do setor para os próximos anos. Para reduzir o impacto sobre o ambiente, sua construção deve utilizar um modelo inédito no setor: as usinas plataformas, conceito inspirado nas plataformas de petróleo, em que os operários são deslocados para longos turnos de trabalho em moradias temporárias.
As previsões também dão conta de um crescimento expressivo no mercado de gás natural. Segundo o Plano Decenal 2020, a oferta nacional deve sair do patamar atual de 58 milhões de m3 por dia para 142 milhões de m3 em 2020. Com as importações - 30 milhões de m3 de gás boliviano e 21 milhões de m3 diários de Gás Natural Liquefeito (GNL) -, a oferta total quase dobrará, passando de 109 milhões de m3 por dia em 2011 para 193 milhões de m3 diários em 2020. "O Brasil tem diversas fontes para continuar expandindo o sistema", assegura o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim.
O sistema de transmissão terá de acompanhar a expansão da geração. Como as grandes hidrelétricas - Jirau, Santo Antônio e Belo Monte - serão erguidas na região Norte, boa parte do crescimento será dada na interligação da Amazônia com o resto do país, aumentando a segurança do sistema. Estima-se que sejam construídos 42 mil quilômetros de linhas de transmissão, que deverão chegar a 142 mil quilômetros de extensão em 2020. Essa ampliação, que será realizada em dez anos, representa quase metade do sistema hoje existente. Estima-se que até 2020 sejam aplicados R$ 46,4 bilhões, dos quais R$ 30 bilhões em linhas de transmissão e R$ 16,4 bilhões em subestações, incluindo as instalações de fronteira.
O setor de distribuição também terá de investir, tanto no reforço da rede, quanto na implementação de novas tecnologias. As redes inteligentes, chamadas de "smart grids", terão impacto sobre a eficiência do uso de energia. (R.R.)

Ganhos de eficiência

 

Com uma matriz de energia elétrica baseada em fontes renováveis, com destaque para as hidrelétricas, que respondem por cerca de 80% da geração de energia no país, o Brasil terá de superar vários desafios ao longo desta década para expandir a capacidade do sistema e atender à crescente demanda prevista para os próximos anos. A média do consumo nacional é de 2.400 kWh por ano, abaixo do patamar médio mundial de 2.900 kWh, dos 3.300 kWh no Chile e Argentina e bem abaixo dos 12 mil kWh dos Estados Unidos. A tendência é que esse número cresça de forma paralela ao aumento de renda dos brasileiros.
Para atender à demanda e fazer com que a capacidade do sistema passe de 110 mil MW para 171 mil MW no fim década, serão investidos R$ 190 bilhões em projetos, dos quais boa parte já foi contratada por meio de leilões. O montante a ser investido em novas usinas - ainda não contratadas ou autorizadas - é de cerca de R$ 100 bilhões, sendo 55% em hidrelétricas e 45% no conjunto de outras fontes renováveis, de acordo com o Plano Decenal 2020. O documento ressalta que, se as licenças ambientais para esses projetos não forem obtidas a tempo, o governo terá de dar prioridade às usinas térmicas a gás.
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Nos últimos oito anos, mais de 30 milhões de pessoas ascenderam de classe social no Brasil. Essa migração fará com que, ao longo dos anos, muitos brasileiros deixem o guarda-chuva das tarifas subsidiadas e tenham de desembolsar mais pela conta de luz, o que coloca outro desafio: reduzir o peso de encargos e tributos, que respondem por metade da conta e também desestimulam a indústria. A ascensão social também expõe a necessidade cada vez maior de investimentos em racionalização de energia. "O Brasil terá de adotar políticas amplas de eficiência energética porque pode haver grande elevação do consumo de aparelhos mais baratos e menos eficientes", afirma o ex-presidente da Eletrobrás e da Light, José Luiz Alquéres.
A pressão de demanda não será sentida apenas nesta década. Segundo estimativas do diretor do Instituto de Eletrotécnica da Universidade de São Paulo (USP), Ildo Sauer, até a década de 2040, a população brasileira deve atingir 220 milhões de pessoas e o consumo per capita de energia chegará a 5 mil kWh por ano, mais que o dobro do patamar atual. Trata-se de um padrão comparável ao de Itália e Espanha. "O Brasil tem grande potencial hidrelétrico e eólico para atender a esse desafio e manter a matriz limpa", analisa Sauer.
O país tem cerca de 90% de sua matriz elétrica - que exclui petróleo e derivados e etanol - baseada em fontes renováveis, considerando hidrelétricas, usinas de biomassa e eólica. Nas estimativas da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), estatal responsável pelo planejamento do setor, entre 2011 e 2020, a demanda de energia elétrica deve ter alta de 4,8% ao ano, enquanto a capacidade de geração irá passar de 110 mil MW para 171 mil MW em 2020.
Até o fim da década, a participação das hidrelétricas cairá de 80% para 67% na matriz, mas a geração de fontes alternativas, como a de usinas eólicas, de térmicas à biomassa e de PCHs, vai dobrar em dez anos, de 8% para 16%. A geração eólica será destaque, aumentando de 1% para 7%. "Mesmo com o pré-sal, o Brasil continuará, tanto na matriz elétrica quanto energética, tendo grande participação das fontes renováveis, porque o etanol, as hidrelétricas, biomassa e eólicas continuarão tendo destaque", diz o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim.
Manter a matriz elétrica limpa exigirá conciliar interesses diversos. Hoje cerca de 70% do potencial hidrelétrico está na região Amazônica. Essa energia tem um dos mais baixos custos de produção do mundo, o que favoreceria seu uso, mas construir empreendimentos na região Norte implicará avançar em áreas florestais, o que tem deixado ambientalistas do mundo inteiro com o pé atrás.
O avanço das hidrelétricas na região Amazônica incorpora um outro conceito: o das usinas a fio d'água, que, por aproveitarem a vazão do rio, dispensam a construção de grandes reservatórios como se fazia antigamente, permitindo assim a diminuição da área alagada.
Mas reduzir o tamanho do reservatório significa também diminuir a energia armazenada, uma vez que no período de chuvas os grandes reservatórios acumulam água para geração posterior. Em períodos de estiagem, o trabalho é inverso, o que exige o acionamento de outras fontes para dar segurança ao sistema.
"Como o governo tem um planejamento hidrotérmico, essa escolha exige uma energia de segurança térmica, já que sem água essas hidrelétricas param de funcionar", afirmou Augusto Rodrigues, diretor de comunicação empresarial da CPFL Energia, em recente seminário. Em 2006 e 2007, por conta de atraso na obtenção de licenças ambientais para hidrelétricas, o governo federal fez leilões contratando térmicas a gás natural e a óleo diesel, mais caras e mais poluentes que os empreendimentos de fonte hídrica. "Houve um aumento da energia térmica, que em 2001 mal representava 4% da matriz e hoje responde por mais de 10%, por conta do atraso nas hidrelétricas", diz Alquéres.
Em paralelo, ampliar ainda mais o uso da energia eólica, que deve pular de 1 mil MW para 7 mil MW em 2015, também exigirá esforços. Boa parte dos empreendimentos fica no litoral da região Nordeste, que tem no turismo uma importante fonte de receita local. "Será que os prefeitos dessas cidades vão querer continuar expandindo e instalando centenas de usinas com estruturas grandes ao longo da costa, com ventiladores poluindo a visão da orla?", questiona um especialista.
Apesar dos muitos questionamentos, o balanço entre oferta e demanda no setor elétrico nos próximos quatro anos é de tranquilidade, segundo a EPE e as empresas. Nas contas de Tolmasquim, haverá uma folga de até 5.000 MW médios no período, sendo que 70% da expansão de capacidade até 2020 já está contratada. "Podemos crescer sem sobressaltos no setor elétrico", afirma. Para um executivo de uma distribuidora, com o recrudescimento da crise mundial, o excedente de energia elétrica deve superar 1% em 2011, uma folga pequena por conta dos atrasos da entrada em operação de algumas usinas térmicas a gás. Mas a entrada gradual das usinas do rio Madeira fará o excedente chegar a 4,5% em 2012 e a 8% em 2014, o que sinalizaria baixo risco de déficit no abastecimento à rede nesse período.
Um dos grandes desafios que se impõem diante de tantos novos projetos de energia elétrica, sem contar a exploração gradual do pré-sal, e que exige a gestão de uma ampla rede de fornecedores, está no financiamento. Para equacionar esse problema e aumentar os recursos disponíveis em infraestrutura, no fim de dezembro, o Ministério da Fazenda anunciou um conjunto de medidas para buscar aumentar a participação do mercado de capitais na infraestrutura. Hoje grande parte da carteira de crédito ao setor com vencimento superior a cinco anos está concentrada em três bancos: BNDES (60%), Caixa Econômica Federal (15%) e Banco do Brasil (12%).

Concorrência e retração no mundo derrubam preços dos equipamentos

Com a missão de prover a energia elétrica necessária para amparar o processo de crescimento sustentado da economia brasileira, o sistema elétrico está em franca expansão. A fronteira deslocou-se para o interior da Região Amazônica, desengavetando grandes e bilionários projetos de hidrelétricas, ao mesmo tempo em que fontes renováveis, como a geração eólica, ganharam impulso. Essas condições criaram um cenário auspicioso para a indústria de equipamentos, ampliando a competição.
Em 2010, o consumo de energia elétrica no país teve um crescimento de 7,8% na comparação com o ano anterior, refletindo o aumento do Produto Interno Bruto. O crescimento sustentado tem levado a uma expansão contínua do sistema elétrico, por meio de leilões de concessões de geração e transmissão de energia, além de investimentos das concessionárias de distribuição na ampliação e modernização das redes.
Estão em andamento projetos de geração de energia elétrica - usinas hidrelétricas, termelétricas, biomassa, eólicas e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) -, cuja operação deverá ocorrer até 2019, com uma capacidade conjunta de 51,6 mil MW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor elétrico. Trata-se do correspondente a 46% da capacidade instalada no final de 2010. Somente para o projeto de Belo Monte, no Sul do Pará, com a expectativa de ampliar em mais de 11 mil MW a capacidade instalada do parque brasileiro, a carteira de encomendas de equipamentos é estimada em torno de R$ 6 bilhões.
Para João Carlos de Oliveira Mello, presidente da empresa de consultoria Andrade & Canellas, o mercado de equipamentos para a geração hidráulica no Brasil tem, há muito tempo, players bem estabelecidos, com grande competência técnica. A Voith Brasil, por exemplo, no país desde a década de 1960, foi um dos fornecedores de turbinas para o projeto da hidrelétrica de Três Gargantas, na China, considerada a maior usina hidrelétrica do mundo, com 18,2 mil megawatts (MW) de potência.
O potencial do mercado brasileiro está atraindo fornecedores de equipamentos de outros países - como os chineses, acompanhados de linhas de financiamento. O quadro de retração econômica mundial está levando a uma redução dos preços dos equipamentos no Brasil. "O nosso sistema elétrico está se expandindo mediante custos marginais decrescentes", afirma Mário Menel, presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape). Segundo um especialista, com isso a energia a ser produzida pelos novos empreendimentos poderá ser oferecida pelos preços compromissados nos leilões, considerados muito baixos.
O projeto da hidrelétrica de Jirau despertou as atenções de fornecedores de turbinas chineses. Além de preços competitivos, eles também acenaram com linhas de financiamento. Com o projeto de Belo Monte, a competição com os players estrangeiros se acirrou ainda mais.
A presença de obras em rios da Região Amazônica está proporcionando desafios tecnológicos e logísticos para empreendedores e fornecedores de equipamentos. Para atender à demanda por equipamentos na hidrelétrica de Santo Antônio, localizado no Rio Madeira, a Alstom associou-se à Bardella na implantação de uma fábrica em Porto Velho, capital de Rondônia, próxima ao canteiro de obras. (E.M.)