segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tereos foca aquisições para tentar avançar no setor sucroalcooleiro


Agroenergia: Controladora da Açúcar Guarani e sócia da Petrobras, empresa tem pouco espaço para novas usinas

"Vamos crescer também por aquisições, mas essas são oportunidades e não podemos prevê-las", diz Alexis Duval

Parceira da Petrobras Biocombustíveis (PBio) na produção de etanol no Estado de São Paulo, a Tereos Internacional, controladora da sucroalcooleira Guarani, tem dificuldades para estimar o quanto crescerá sua capacidade instalada de moagem de cana no longo prazo. Não por falta de planejamento, mas porque em São Paulo, maior produtor de cana do país, há poucos espaços livres para serem ocupados com novas usinas e os preços das terras são pouco convidativos.
Assim como já anunciado, a ampliação das unidades já existentes está na prioridade da Tereos, diz Alexis Duval, diretor-presidente da companhia, de origem francesa. No entanto, projetar o tamanho da operação de cana-de-açúcar no longo prazo seria atirar no escuro, diz o executivo. "São Paulo não é o Estado mais propício para 'greenfields'. Mas muitas usinas serão vendidas nos próximos anos e elas serão o foco do nosso crescimento, como já fizemos com as unidades Mandu e Vertente", diz Duval. "A questão é que fazer aquisições depende de oportunidades e essas não podemos prever", completa.
Apesar disso, até agora, a avaliação é de que o crescimento já vem sendo expressivo, diz Duval. "Desde a parceria com a Petrobras, avançamos em 50% nossa capacidade de moagem".
Com as aquisições e a ampliação das usinas já existentes, a empresa deve atingir em três a quatro anos 24,5 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana no Brasil, ante as 21 milhões de toneladas atuais.
Para esta temporada, 2011/12, a empresa revisou para 17,1 milhões de toneladas seu processamento de cana, devido aos problemas climáticos que vêm atingindo os canaviais da companhia e de todo o Centro-Sul. O número anterior era de 18,5 milhões de toneladas.
Na sexta-feira, a companhia também divulgou balanço do primeiro trimestre da safra 2011/12 no qual registrou um lucro líquido de R$ 63,2 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 58,8 milhões registrados em igual intervalo do ciclo passado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Petrobras Biocombustível focará investimentos em novas usinas


Plano prevê que 70% do US$ 1,94 bilhão orçado para ser investido em etanol seja direcionado para produção nova


O novo plano de negócios da Petrobras Biocombustível prevê que 70% de US$ 1,94 bilhão orçado para ser investido em etanol no período de 2011 a 2015 seja direcionado para produção nova, ou seja, para novos greenfields (usinas novas), destilarias e crescimento orgânico da oferta através dos parceiros Guarani, São Martinho e Total. "Um dos investimentos será o greenfield Usina Bom Jesus, em Goiás, através da Nova Fronteira", afirmou o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto. As aquisições de usinas já existentes não estarão no foco principal da empresa.
Segundo ele, o plano de negócios da Petrobras revela o compromisso da empresa no crescimento do etanol dentro do mercado energético brasileiro. "O novo plano indica um crescimento de 30% nos recursos investidos em etanol", disse Rossetto. O plano anterior, de 2010 a 2014, previa investimentos de US$ 1,94 bilhão, dos quais US$ 600 milhões foram investidos em 2010. O executivo explica que o novo plano 2011/2015 prevê investimentos também de US$ 1,94 bilhão no período. "Se considerarmos o período de 2010 a 2015, temos um valor previsto para etanol de US$ 2,3 bilhão, crescimento de 30%", disse.
A meta da Petrobras Biocombustível é de chegar em 2015 com produção de 5,6 bilhões de litros de etanol e participação de 12% do mercado total do combustível renovável. No final de 2010, a produção da empresa era de 1 bilhão de litros de etanol e uma participação de 3,3% do mercado. Rossetto explica que a Petrobras Biocombustível vai continuar a estratégia de investir em até 50% do controle em parcerias. "Para cada dólar que investirmos, nossos parceiros também investirão um dólar, o que implica que investiremos em conjunto até US$ 3,8 bilhões em etanol, sendo US$ 1,94 bilhão via Petrobrás Biocombustível", disse.
Biocombustíveis
No total, os investimentos previstos da Petrobras Biocombustível para o período de 2011/15 é de US$ 4,1 bilhões, dos quais US$ 2,8 bilhões serão investimentos diretos em produção e pesquisa. Destes US$ 2,8 bilhões, US$ 1,94 bilhão irá para etanol, US$ 600 milhões para biodiesel e US$ 300 milhões para pesquisa e desenvolvimento.
Os outros US$ 1,3 bilhão serão investidos em logística de distribuição, na Logum, empresa responsável pela construção do alcoolduto que ligará o interior da região Centro-Oeste ao litoral sudeste, onde a Petrobras Biocombustível tem participação. Em relação ao plano de negócios anterior, a participação da Petrobrás Biocombustível manteve-se estável em 2% do total. "Este é um sinal da importância que os biocombustíveis têm dentro da companhia", disse Rossetto.
Em biodiesel, Rossetto disse que os investimentos serão concentrados nos projetos da empresa no Pará, a partir do óleo de palma, com o produto sendo direcionado para abastecer o Norte e Nordeste e também a produção de greendiesel em Portugal.

Melhora da nota do Brasil indica solidez, avalia Tesouro



GOVERNO NÃO PERDE TEMPO EM COMEMORAR ELEVAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DO PAÍS

O Tesouro Nacional informou hoje que a elevação na nota de crédito soberano do Brasil pela agência de classificação de risco japonesa Rating and Investiment Information (R&I) num momento de extrema volatilidade dos mercados financeiros internacionais demonstra a solidez da gestão da política econômica brasileira.Segundo o texto, a agência japonesa menciona no relatório alguns aspectos que se mantêm como desafios para novos avanços na classificação brasileira. Entre esses desafios estão a necessidade de aumento da poupança doméstica para permitir o crescimento dos investimentos e a continuidade da mitigação de pressões inflacionárias.
A agência elevou a nota brasileira de BBB- para BBB, com perspectiva estável. Esse BBB é o segundo nível dos países considerados grau de investimento. A R&I destacou como pontos para a elevação o significativo aumento da classe média brasileira, para a formação de um robusto mercado interno, com alto poder de consumo, e a diminuição do risco da economia de sofrer impactos mais profundos devido a mudanças drásticas no ambiente externo.Também contribuiu para a melhoria da nota brasileira a reafirmação do compromisso fiscal pelo novo governo e a condução ativa da política monetária pelo Banco Central.
Outro fator considerado foi a rápida recuperação da crise internacional de 2008, com expansão considerável de 7,5% do PIB em 2010 e a perspectiva de convergência para o crescimento potencial de 4% em 2012.
O Brasil tem o segundo grau de investimento por quatro agências internacionais. Além da japonesa, também atribuem a nota ao Brasil a Fitch, a Moody's e a JCR. Já para a Standard & Poor's, o País está no primeiro grau de investimento, com perspectiva positiva.

Regra clara é essencial para mercados de açúcar e etanol


O Brasil não é mais o maior produtor de etanol, em termos absolutos. Em 2010, produziu 27,4 bilhões de litros, enquanto os Estados Unidos produziram 50,1 bilhões de litros, a partir do milho.
No entanto, o Brasil é, por larga margem, o país que conseguiu substituir o maior percentual de sua gasolina por etanol (44,5%), enquanto os EUA atingiram apenas 9,5%.
Por aqui, o consumo de etanol combustível ocorre na forma de etanol hidratado, usado pela frota flex, e na forma de etanol anidro, adicionado à gasolina na proporção de 25% em volume, usado pela frota flex e pela frota dedicada à gasolina
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Em 2020, quando a maior parte da frota de veículos leves for constituída por carros flex, um aumento de 10% na proporção da frota que usar etanol hidratado, ou gasolina contendo etanol anidro, aumentará o consumo em 7 bilhões de litros de etanol por ano, equivalentes a 11,3 milhões de toneladas de açúcar. Hoje, essa capacidade já existe, porém em escala menor.
O significado dessa conquista é enorme, trará grande vantagem ao Brasil e terá impacto importante no mercado mundial.
Em 2010, o Brasil representou 53% das exportações mundiais, com 28 milhões de toneladas de açúcar.
Portanto, em poucos anos o Brasil passará a ter capacidade inigualável de se adaptar a eventuais conjunturas adversas, através de ajustes no percentual da cana direcionado para a produção de açúcar ou de etanol.
A frota flex está se transformando em um verdadeiro sumidouro de sacarose (em inglês, um sugar sink), capaz de liberar ou absorver volumes significativos de sacarose de cana para um outro produto, à conveniência do preço relativo dos produtos.
Significa também que, no médio e no longo prazos, o açúcar tende a ficar cada vez mais dependente da dinâmica do mercado de combustíveis, que, por sua vez, não pode ficar sujeito a distorções, pelo menos não de forma prolongada.
Em 2011, a safra de cana no Brasil está sendo afetada, pelo terceiro ano consecutivo, por problemas climáticos.
Mas está também sofrendo o efeito da renovação dos canaviais abaixo dos níveis normais, pelo desestímulo que o preço da gasolina, mantido no mercado interno abaixo da cotação internacional, tem trazido aos produtores.
A manutenção da política atual, que privilegia a contenção do preço dos combustíveis nas bombas, sem oferecer um mecanismo de mercado que reconheça e premie a natureza renovável e limpa do etanol de cana em relação aos combustíveis de origem fóssil, pode trazer uma significativa perda de oportunidade para o país.
O risco é caminharmos na direção da anidrização do consumo de etanol, limitando o seu uso ao percentual adicionado à gasolina e abrindo mão da grande vantagem de arbitrar os mercados para garantir níveis de renda e investimento mais elevados.
O papel do governo deve ser o de estabelecer regras transparentes, estáveis e confiáveis. Somente assim o Brasil poderá continuar desfrutando de uma das maiores conquistas que conseguiu construir com o seu programa de energia renovável derivado da cana-de-açúcar.
O etanol de cana produzido no Brasil já substituiu um volume de gasolina que, avaliado a preços do mercado mundial, permitiu economia de US$ 261,4 bilhões entre 1975 e julho de 2011, equivalentes a 75% das atuais reservas internacionais.
O desafio é impedir que essa galinha dos ovos de ouro esmoreça.

PLINIO NASTARI é mestre e doutor em economia agrícola e presidente da Datagro Consultoria. 

Usinas programam importação recorde de etanol


O Brasil deve atingir neste ano um volume recorde de importação de etanol, chegando a 1,5 bilhão de litros.
Segundo o presidente da Pbio (Petrobras Biocombustíveis), Miguel Rossetto, o país já importou 400 milhões de litros e deverá continuar comprando lá fora, em pleno auge de colheita e moagem.
A maior parte da importação virá dos Estados Unidos -justamente o mercado que o Brasil, atual maior produtor de álcool do mundo, pretende conquistar.
A última vez que o país importou volume semelhante foi em 1995, quando 1,4 bilhão de litros foi adquirido no exterior
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De acordo com Rossetto, as usinas -inclusive a Petrobras- são responsáveis pela importação. O motivo das aquisições recordes é a quebra da safra.
Ele diz que o Brasil continua exportando parte do álcool que produz, apesar da falta de oferta no mercado interno, porque precisa cumprir contratos já fechados.
A tendência para o ano que vem, no entanto, é de uma importação menor de etanol.
A expectativa é que os preços do açúcar fiquem menos atrativos do que os do álcool, estimulando as usinas a produzir mais etanol.
Para assegurar maior oferta de etanol nos próximos anos, a Petrobras irá investir US$ 1,9 bilhão até 2015 no setor, sendo 70% desse valor em novos canaviais, e os 30% restantes, em aquisições de usinas.

Cana terá quebra de 8,39% nesta safra


Estimativa é da entidade que representa o setor; situação deve piorar o deficit de etanol para o mercado interno
Queda dos preços levou à redução de investimento, diz indústria; colheita deve ser antecipada


A safra de cana-de-açúcar deste ano no centro-sul do país terá quebra de 8,39% em relação à do ano passado.
Isso deverá antecipar o encerramento da colheita, aumentar a entressafra e desabastecer o mercado.
Serão 46,71 milhões de toneladas a menos para moer do que o esperado para esta safra, de acordo com a nova projeção da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), divulgada ontem.
A nova projeção indica uma safra de 510,24 milhões de toneladas, ante a previsão inicial de 556,95 milhões.
Segundo Maurilio Biagi Filho, conselheiro da Unica, as usinas do centro-sul, em especial as da região de Ribeirão Preto, vão antecipar o fim da colheita em até três meses. O usual é acabar no início de dezembro.
A última vez que algo assim aconteceu foi em 2000, quando houve quebra superior a 20% da produção -ou 60 milhões de toneladas à época.
"Houve uma queda de preços, refletindo na falta de investimentos em renovação da cana e, consequentemente, menos produto para moer", disse Biagi Filho.
Um estudo da USP de Ribeirão, divulgado em abril pela
 Folha, indicou a necessidade de 15 novas usinas por ano para cobrir a demanda por etanol.
Segundo o professor responsável pelo estudo, Marcos Fava Neves, o deficit anual de etanol no país é de 5 bilhões de litros. A quebra anunciada ontem piora ainda mais as perspectivas do setor.

O encerramento antecipado da colheita vai levar a entressafra de seis meses, pressionando a inflação.
O álcool ficará mais caro por falta do produto e consumidores de carros flex migrarão para a gasolina, que já está mais cara por conter álcool em sua composição, segundo Sergio Torquato, coordenador de cana do IEA (Instituto de Economia Agrícola).
Para Neves, haverá desabastecimento interno. "Teremos que importar gasolina e etanol dos EUA e haverá pressão nos preços."
Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), do Rio, considera que o governo deverá administrar o estoque de passagem da entressafra para minimizar o impacto.
"Os preços continuarão elevados nos próximos três anos", afirmou Pires.
Ele disse que será preciso avaliar o cenário mundial, que está entrando em uma crise econômica, e o aquecimento interno do consumo. "Se o preço do petróleo cair, pode ser mais vantajoso importar gasolina do que álcool", disse Pires.

PRODUTIVIDADE
A cana também está rendendo menos por hectare na safra atual. A produtividade no acumulado deste ano caiu 20%, se comparada ao mesmo período do ano anterior.

Nova estimativa de produção de cana é de 510 mi de toneladas


Total representa redução de 4,36% em relação à última revisão  e queda de 8,39% sobre o valor final da safra 2010/2011


A produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul da safra 2011/12 deve ficar em 510,24 milhões de toneladas, de acordo com a mais nova estimava da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), realizada em conjunto com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), e demais sindicatos e associações da região Centro-Sul do País. A redução é de 4,36% em relação à última revisão (533,50 milhões de toneladas), e queda de 8,39% sobre o valor final da safra 2010/2011 (556,95 milhões de toneladas). Em relação à estimativa inicial de 568,5 milhões de toneladas, a queda atinge 58,5 milhões de toneladas. O número da Única é menor também que a estimativa da Datagro divulgada na segunda-feira, de 517,36 milhões de toneladas.

O diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, explica que "os dados levantados em julho mostraram que a geada e o florescimento da cana impactaram a produtividade agrícola do canavial com maior intensidade do que havíamos inicialmente previsto." Esses fatores também promoveram uma alteração no cronograma de colheita das unidades, já que muitas precisaram antecipar este trabalho em áreas atingidas pela geada e pelo florescimento, o que agravou ainda mais a situação.

De acordo com dados apurados pelo CTC, a produtividade agrícola da área colhida em julho foi de 70,80 toneladas de cana por hectare, queda de 17,48% em relação ao valor observado em julho de 2010. No acumulado desde o início da safra, a produtividade agrícola ficou em 74,10 toneladas de cana por hectare, contra 92,80 observados em igual período no último ano (redução de 20,15%).

Moagem das usinas sócias poderá subir 28% até 2015


Atualmente com capacidade industrial para processar 115 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, as 48 unidades associadas da Copersucar tocam projetos - em fases diferentes, de planejamento a execução - para ampliar a capacidade de suas unidades já existentes em mais 32 milhões de toneladas até 2015.

Como se trata de ampliação de usinas já estabelecidas, os investimentos previstos são de US$ 80 por tonelada instalada, em torno de metade do custo de implantação de usina nova, explica Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar.
Os projetos, mapeados pela companhia, também contemplam a ampliação de canaviais para pôr fim à ociosidade do parque fabril que, na safra 2011/12 será de 15 milhões de toneladas de cana.
Já a entrada de novas sócias está suspensa, por enquanto, sem previsão de reabertura, diz Pogetti. A empresa pretende rever essa política, o que passará certamente por aumento do valor de entrada na sociedade. "A empresa adquiriu uma condição logística que agregou muito valor à companhia. O próprio valor que o mercado atribuiu à Copersucar neste processo de ida à bolsa de valores também tornou a associação mais cara", acrescenta.
A Copersucar foi fundada em 1959 e atualmente 60% de suas associadas são fundadoras. "Há uma relação consistente", afirma o executivo quando questionado sobre a garantia de oferta de açúcar e etanol no longo prazo. As outras entraram no negócio ao longo dos anos seguintes e, de acordo com ele, há baixa rotatividade.
As saídas mais significativas foram a do grupo São Martinho, em 2008, que abriu capital um ano antes e deu direcionamento próprio para sua estratégia de comercialização. Em 1999, saiu o grupo São João (USJ) e em 2004, a Santa Cruz. O trio, que soma capacidade para moer 23 milhões de toneladas de cana, criou em 2008 um consórcio de comercialização, a Allicom, que está em fase de extinção neste mês.
Por outro lado, desde 2008, quando deixou de ser uma cooperativa e se transformou em uma S.A., a Copersucar atraiu 16 novos grupos sucroalcooleiros para seu modelo e agregou produtos finais (açúcar e álcool) equivalentes à moagem de 45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Na época, a empresa tinha 33 usinas com moagem de 70 milhões de toneladas.
"Vínhamos crescendo a uma taxa média de 23% em termos de capacidade de moagem das sócias", diz o executivo. (FB)

Sem IPO, Copersucar mantém o plano 'B'


Estratégia: Maior trading de açúcar e etanol do país retoma o desafio de crescer com controle de sua dívida

"O plano continua. Mas não conseguiremos acelerá-lo e nem aproveitar novas oportunidades que já estávamos antevendo", diz Souza (dir.), ao lado de Pogetti
Frustrada a operação para captar pelo menos US$ 1 bilhão no mercado de capitais para financiar seu crescimento, a Copersucar, maior comercializadora de açúcar e álcool do país, mantém, resignada, seu plano "B" de investir com dívida e capital próprio. O programa vai demandar R$ 2 bilhões para projetos de infraestrutura e logística até 2015. Para os próximos 12 meses, o orçamento contempla investir R$ 300 milhões.
Entre os projetos está a construção de um etanolduto por meio da Logum, empresa da qual a Copersucar é sócia, a conclusão da primeira fase de expansão do terminal de açúcar do porto de Santos (SP), de 5 milhões para 8 milhões de toneladas, e a construção de um terminal de tancagem em Paulínia (SP) com capacidade para armazenar 400 milhões de litros de etanol, que será um ponto de recebimento e distribuição para os mercados interno e externo.
Em torno de 70% dos R$ 300 milhões serão financiados com linhas de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante, com dinheiro próprio. "Os planos continuam sem o IPO, mas com ele, poderíamos acelerar os já existentes e aproveitar outras oportunidades em logística para as quais já estamos com o radar ligado", lamenta Paulo Roberto de Souza, CEO da Copersucar.
Aumentar o endividamento também não é algo apreciado internamente na empresa. Atualmente, a relação entre dívida líquida (R$ 961 milhões) e Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (R$ 407 milhões) está em 2,36 vezes, em linha com que os grandes grupos do setor sucroalcooleiro vinham registrando antes de fazerem parcerias estratégicas.
Diante de um Ebitda que dobrará no próximo ano para R$ 800 milhões, prevê a empresa, essa relação com a dívida líquida vai subir para cerca de 2,7 vezes com o acréscimo de dívida de R$ 300 milhões, segundo Souza.
Ainda que em níveis técnicos aceitáveis, elevar endividamento não é algo desejado pelos acionistas da Copersucar, que são conservadores em sua política de riscos. Por isso, o mercado acredita que até 2015 a empresa deve buscar alternativa para financiar esse investimento total de R$ 2 bilhões.
Apesar da desistência do IPO, motivada pela conjuntura negativa do mercado, abrir capital não saiu do radar da companhia, diz Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar. Foram quatro meses de trabalhos e gastos de R$ 3 milhões com auditorias e advogados para explicar a mais de 200 investidores que aplicam recursos no agronegócio mundial um modelo de negócio incomum. A Copersucar é uma trading que tem como sócios seus fornecedores, ou seja, as usinas de açúcar e etanol.
Essas unidades são regidas por um contrato de duração de 10 anos que, a partir do quinto ano, é renovado automaticamente por mais cinco anos. Há uma cláusula que prevê o aviso antecipado de cinco anos para sua rescisão. Assim, a partir do sexto ano ele terá vigência até o 11º ano, e assim sucessivamente, caso não haja o pré-aviso. Em caso de descumprimento, há multa de 3% sobre a receita bruta, penalidade que tem que ser paga por ano durante todo o período em que vigoraria o contrato.
Nesse acordo, as usinas fornecem 100% da produção de açúcar e etanol. Para definir o preço, o volume total produzido é dividido por 12, para distribuí-lo ao longo do ano, e é aplicada mês a mês a cotação média Esalq. "Não negociamos preço com os sócios. Ele já é pré-definido", detalha Pogetti.
Mas as sócias não se mantêm presas pelo contrato, diz Souza. Há, na avaliação dele, vantagens que minimizam rotatividade de sócias. Além de dispensar investimentos e infraestrutura próprias de comercialização e logística, as sócias recebem ao fim da safra os dividendos resultantes dos ganhos de comercialização e logística.
Desde 2009, seu primeiro ano como S.A., a Copersucar distribui anualmente às usinas sócias dividendos equivalentes a um valor 7% acima do preço médio Esalq. Quando era uma cooperativa, esse percentual - no sistema cooperativo chamado de "sobras" - foi historicamente entre 4% e 5%.
Essas margens, esclarece Pogetti, não podem ser comparadas com as de usinas sucroalcooleiras, que ficam entre 25% e 30% (Ebitda). Mas também, continua o executivo, não demanda o mesmo volume de investimentos dessa indústria, tampouco sofre com riscos climáticos e oscilações de preços do açúcar e do etanol. "Se o preço está baixo é um prejuízo da usina, assim como se está alto, é um lucro dela. A margem da Copersucar vem da negociação acima do preço Esalq e da eficiência logística", explica Pogetti.
No entanto, pondera ele, para obter retorno de 25% de usinas com o porte que atingirão as sócias da Copersucar em 2015 (200 milhões de toneladas de cana), o investidor precisa aplicar em torno de US$ 30 bilhões. "Para ter o retorno de 7% no modelo Copersucar, esse valor cai para US$ 1,5 bilhão, que é o investimento projetado para atingirmos sócios com 200 milhões de toneladas de cana".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Gol do Brasil: agência de risco eleva nota do País



JAPONESA RATING AND INVESTIMENT INFORMATION SUBIU A CLASSIFICAÇÃO DE BBB- PARA BBB, PARA ALEGRIA DO MINISTRO GUIDO MANTEGA; BOATOS HOJE FALAM EM REBAIXAMENTO DA FRANÇA, O QUE JÁ ACONTECEU, DE FATO, COM OS EUA; PUJANÇA DO MERCADO INTERNO É O GRANDE TRUNFO BRASILEIRO

A agência de classificação de risco japonesa Rating and Investiment Information (R&I) elevou o rating (nota) do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável. O comunicado da empresa afirma que, com a emergência das famílias de renda média "um robusto mercado doméstico está sendo criado no Brasil". Segundo a R&I, o risco de que a economia brasileira sofra seriamente com as mudanças drásticas no cenário externo diminuiu.
"A inflação está cedendo e, graças ao estrito respeito à lei de responsabilidade fiscal, a posição fiscal do País continua favorável", diz a nota. Enquanto o cenário da economia global se tornou mais conturbado, a administração fiscal e econômica do Brasil tem maior estabilidade, prossegue a R&I.
Para que a qualidade de crédito do Brasil aumente novamente, o governo precisa eliminar os gargalos do lado da oferta para o crescimento econômico, aumentando investimentos e fazendo esforços para mitigar as pressões inflacionárias ainda mais, diz a agência japonesa. Isso requer o aumento da taxa doméstica de poupança, que está atualmente abaixo de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento na relação de investimento, de forma a não causar uma deterioração no balanço de conta corrente, acrescenta.
A agência afirma que o governo Dilma Rousseff "tem mantido firmemente a disciplina fiscal em linha com a lei de responsabilidade fiscal". Para 2012, a R&I aponta algumas preocupações, tais como as pressões de um aumento do salário do funcionalismo e das aposentadorias, num cenário de crescimento de dois dígitos do salário mínimo e da expansão dos gastos com construção de infraestrutura, como aeroportos, ferrovias e estádios para a Copa de 2014. "Mesmo assim, a R&I acredita que a possibilidade de que a disciplina fiscal do país sofra uma erosão séria é pequena."
A R&I havia elevado o Brasil a grau de investimento em abril de 2008. Na ocasião, a agência passou a nota brasileira de BB+ para BBB-.