quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SJC Bioenergia espera produzir 200 milhões de litros de etanol

ASJC espera que a produção em 2013/2014 chegue a 200 milhões de litros de etanol e 200.000 MW ano de energia elétrica
A Cargill e o Grupo USJ concluíram o processo de joint venture para constituição da SJC Bioenergia com capacidade de produção 5 milhões de toneladas de cana.
A SJC Bioenergia terá gestão compartilhada, com participação de 50% para cada um dos sócios.
A nova sociedade reúne os ativos industriais do Grupo USJ no estado de Goiás, representados pelas Usinas São Francisco e a Usina Cachoeira Dourada, ambas no município de Quirinópolis.
Além da produção de açúcar e etanol, a companhia vai gerar energia elétrica a partir de bagaço de cana, com capacidade para suprir sua própria demanda e ainda destinar uma parte ao sistema nacional de energia elétrica.
Atualmente, as duas usinas produzem 5 milhões de toneladas de cana, que resultam em 170 milhões de litros de etanol, 420 mil toneladas de açúcar a cada safra e 350.000 MW ano de energia.
Com a moagem de 7,5 milhões de toneladas de cana, a produção em 2013/2014 incrementará 200 milhões de litros de etanol e ainda 200.000 MW ano de energia elétrica.
"O projeto de expansão das usinas Cachoeira Dourada e São Francisco permitirá, nos anos seguintes, dobrar a capacidade de moagem, alcançando cerca de 15 milhões de toneladas de cana, adicionando módulos de 2,5 milhões de toneladas a cada dois anos, o que incluirá a SJC Bioenergia entre os maiores grupos produtores de açúcar e etanol no Brasil" , destaca Ingo Kalder, diretor responsável pela SJC.
Para Hermínio Ometto Neto, presidente do Grupo USJ, um dos fatores relevantes para a escolha da Cargill foi o alinhamento de valores organizacionais entre os dois grupos, adicionalmente à experiência técnica.
"O Grupo USJ tem conhecimento avançado no setor sucroenergético e suas usinas estão estrategicamente localizadas na região de expansão de cana mais promissora do país. A Cargill é uma das maiores empresas de alimentos e também uma das principais tradings de açúcar do mundo", diz.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BP pretende quadruplicar moagem de cana em 5 anos

Mário Lindenhayn: "Queremos nos consolidar entre os grandes produtores de biodiesel no Brasil"

Para empresa, parcela dos biocombustíveis no consumo mundial deve passar de 3% para 15% nos próximos anos.
Após anunciar investimentos de US$ 91 milhões no Brasil, a petrolífera britânica BP divulgou que pretende quadruplicar sua produção de cana-de-açúcar no país nos próximos cinco anos.
A empresa ampliar a capacidade de moagem, dos atuais 7,5 milhões de toneladas para 30 milhões de toneladas, chegando a obter capacidade para produzir 2,7 bilhões de litros de etanol.
O objetivo é conquistar uma participação relevante no mercado brasileiro. "Queremos nos consolidar entre os grandes produtores de biodiesel no Brasil", disse Mário Lindenhayn, presidente da BP Biocombustíveis Brasil.
A BP adquiriu a fatia da Tropical Bioenergia, das mãos da Brasil Ecodiesel e da Louis Dreyfus Commodities, por US$ 71 milhões em dinheiro, no total. Antes dona de 50% da usina, passa a deter 100% da unidade.
Adicionalmente, a empresa comprou uma participação adicional de 3% na Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), anteriormente nas mãos da Louis Dreyfus Commodities, por US$ 25 milhões. A BP passará a deter 99,97% da CNAA, cujas operações já controla desde abril deste ano.
Com isso, a BP passa a ser dona de três usinas de etanol no país, sendo duas da CNAA, e uma da Tropical. Juntas, as unidades proporcionam capacidade de moagem de 7,5 milhões de toneladas.
A BP entrou no mercado de etanol do Brasil há três anos, com a compra de 50% da Tropical. A aquisição deve permitir que a empresa aumente suas operações e administre as empresas sem dividir o controle com outros sócios.
"A aquisição da tropical traz consigo o plano de investimentos para expansão", disse Lindenhayn.
O projeto da empresa é dobrar a produção nas usinas existentes nos próximos anos, levando o grupo a uma produção de 15 milhões. Além disso, a empresa pretende criar mais três unidades, sendo que uma já está em construção.
"Assim que obtivermos as aprovações das autoridades regulatórias, iniciaremos os projetos de engenharia para a expansão", afirma. A aquisição precisa ser aprovada pela Agência Nacional Energia Elétrica (Aneel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
No entanto, o investimento não será realizado de uma só vez. A expansão das usinas vai depender da ampliação das áreas de plantio de cana-de-açúcar e, conforme a capacidade ociosa das unidades for se esgotando, novos investimentos serão feitos.
"Uma vez que a gente tenha cana disponível, buscaremos o investimento para mais capacidade", anunciou. No curto prazo, a empresa vai investir R$ 70 milhões em melhorias no plantio, visando aumentar o uso da capacidade.
A empresa afirmou que o etanol produzido deverá atender tanto ao mercado brasileiro quanto ao mercado externo.
A ampliação dos investimentos da empresa ocorre apesar das recentes quedas no preço do petróleo, o que reduz as perspectivas para o uso de biocombustíveis em substituição aos derivados a commodity.
Ainda assim, a empresa vê, no longo prazo, uma ampliação do mercado.
A empresa estima que hoje os biocombustíveis representem 3% do consumo no setor de transportes. A BP espera que esse consumo chegue a 15% nos próximos anos.
"O Brasil é quem tem a melhor competitividade para produzir esse etanol", afirma.


Empresa projeta alocar R$ 6 bi em parque eólico no Maranhão


A empresa Bioenergy está com projeto de R$ 6 bilhões para construir 50 parques eólicos no Maranhão. A implantação deles, no entanto, ainda depende dos leilões do governo federal.
Em um leilão que deve ocorrer em dezembro, a companhia pretende entrar com 20 projetos para o Estado, no total de R$ 2 bilhões. Os outros 30 parques ficarão para o período de 2013 a 2015.
Antes, a empresa planejava instalar alguns deles no Rio Grande do Norte. "Mas os ventos no Maranhão também são favoráveis. Além disso, o Rio Grande do Norte está com muitos parques em instalação e tem problemas com linhas de transmissão", diz o presidente da empresa, Sérgio Marques.
As linhas não são suficientes para escoar toda a produção. O RN tem hoje quatro parques prontos e 12 em construção. Desse total, dois concluídos e cinco em obras são da Bioenergy.
O presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Ricardo Simões, diz que outras empresas estudam construir suas usinas no Maranhão.
"O vento de lá atrai. As empresas passaram a pesquisar áreas menos óbvias [para produzir energia] e, hoje, a expectativa do mercado para a região é muito grande."
Atualmente, não há parques em construção nem em operação no Maranhão.
Minas Gerais e São Paulo também são Estados que vêm sendo observados pelos empresários, segundo Simões. Além da Bahia, que tem oito em construção e "terá um crescimento assustador".

BP detalha planos para etanol e açúcar no país


Presente há cerca de três anos em biocombustíveis no Brasil, mas sem firmar posição clara de suas metas em cana-de-açúcar, a petroleira BP (ex-British Petroleum) anunciou ontem seus planos para biocombustíveis no país. Conforme antecipou o Valor, a empresa comprou os 50% restantes na usina Tropical, de Edéia (GO), ampliou de 83% para 99,97% a participação na CNAA e anunciou que, em cinco anos, vai sair da moagem atual de 7,5 milhões de toneladas de cana para 30 milhões de toneladas.
Os estudos de engenharia e de custos estão em curso, mas a empresa adiantou que para atingir a meta vai ampliar suas três usinas já em operação, de 2,5 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas cada uma. Vai ainda construir outras três unidades (uma já em fase inicial) com moagem de 5 milhões de toneladas para completar os clusters, localizados nos Estados de Minas Gerais e Goiás.
A petroleira não descarta o açúcar de sua estratégia. Segundo o presidente da BP Biocombustíveis no Brasil, Mário Lindenhayn, as três unidades já em operação têm mix de 50% para açúcar e 50% para etanol e não há intenção de mudar essa flexibilidade ao longo da expansão para 30 milhões de toneladas. "Vamos sempre avaliar as condições do mercado e decidir o mix de produção", diz Lindenhayn.
A empresa já decidiu que investirá nos próximos meses R$ 170 milhões em melhorias nos canaviais das unidades já existentes. As três usinas juntas têm capacidade industrial para processar 7,5 milhões de toneladas de cana, mas devem processar neste ciclo apenas 6 milhões de toneladas.
Em torno de R$ 70 milhões serão aportados na usina Tropical, na qual a BP ficou com 100% do capital, após adquirir os 50% restantes das ex-sócias Maeda e LDC-SEV por US$ 71 milhões (cerca de R$ 120 milhões) mais assunção de dívidas de cerca de R$ 240 milhões, segundo estimativas do mercado.
Os outros R$ 100 milhões serão aplicados nas unidades da CNAA, localizadas nos Estados de Minas Gerais e Goiás. A petroleira elevou ontem sua participação nesse grupo de 83% para 99,97%, comprando os 3% da LDC-SEV no negócio e transformando dívida em capital.

Coppe testa o potencial das ondas


A Coppe/UFRJ vai instalar nas próximas semanas no litoral de Fortaleza (CE) a primeira planta do Projeto Usina de Ondas, tecnologia inovadora que gera energia elétrica a partir de ondulações no litoral brasileiro. O projeto vem sendo desenvolvido desde meados da última década como uma alternativa diante de uma iminente crise energética mundial. Na primeira fase envolveu testes no tanque marítimo do LabOceano, o laboratório de tecnologia oceânica da UFRJ. Segundo o diretor da Coppe, Luiz Pingueli Rosa, será testada a viabilidade econômica do projeto, que conta com a participação da belga Tracbel, concessionária de geração de energia.
"A Tracbel financiou a construção da usina e a Coppe vai operá-la. Não podemos divulgar datas, mas adianto que a usina será instalada em breve", diz Rosa.
Desde a sua concepção o projeto passa por mudanças tecnológicas. A ideia original previa a instalação de usinas para gerar energia a partir da correnteza dos rios, por meio de turbinas. Estas acionariam bombas hidráulicas para injetar água em uma câmara para produzir eletricidade. O projeto atual prevê a geração de energia a partir da movimentação das ondas do mar. A Usina de Fortaleza é composta de braços que ficam presos a flutuadores fixos na água. "Com o sobe e desce das ondas os braços acionam um êmbolo que leva a água até uma câmara de armazenamento; em seguida, este jorra grandes volumes de água para uma turbina, como se fosse uma hidroelétrica marítima", explica.

Potência dos ventos já atraiu R$ 30 bi em parque gerador


Laura Porto, da Iberdrola: "Não tenho dúvida que todas venderão projetos"
Os bons ventos e a forte disputa entre os fornecedores internacionais de equipamentos aceleram a implantação dos parques eólicos no Brasil. Com a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos dos EUA e Europa em energia eólica, o Brasil atraiu recursos financeiros consideráveis de praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração e dos produtores independentes de energia, o que proporcionou uma incrível redução dos custos de implantação e da energia gerada.
"De 2009 até hoje já foram investidos quase R$ 30 bilhões em geração de energia eólica no país", informa Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). "Considerando os cinco leilões realizados neste período, foram contratados 5.785 MW de potência instalada. Significa pouco menos de 1% da matriz de geração, mas até 2014 vamos atingir 5% da capacidade instalada de geração de energia no país. É uma participação ainda relativamente baixa, o que mostra que o setor tende a proporcionar muitas oportunidades de negócios para fabricantes e produtores independentes", diz Simões.
Segundo levantamento da ABEEólica, esse potencial vem ampliando a disputa do mercado, como mostra a participação da capacidade instalada de quase 6 GW prevista para 2013. São oito grandes fabricantes globais - Impsa (18,5%), Wobben/Enercon (18,1%), GE (15,4%), Vestas (14,9%), Suzlon (13,6%), Gamesa (5,6%), Alstom (4,7%), Siemens (3,1%) e outros 6% ainda sem contrato.
O número de produtores independentes que vão vender a energia para as concessionárias brasileiras também cresceu - são 27 grupos - e envolve desde grandes estatais, como Petrobras, Chesf, CPFL, Eletrosul e Furnas, a construtoras (Odebrecht, Queiroz Galvão), bancos (Santander) e consórcios de empresas nacionais e globais, como Renova e Iberdrola Renováveis/Neoenergia.
A expectativa é de bons negócios. Pelo menos é o que mostra a corrida de fabricantes de equipamentos para fechar contratos com as distribuidoras de energia. A Vestas Wind Systems, um dos maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, por exemplo, fechou contrato para entregar, até o primeiro semestre de 2012, dez turbinas V90-3 MW e 30 turbinas V100-2.0 MW para os projetos do consórcio criado pela Chesf, na Bahia.
A Light, associada da Cemig, anunciou a compra de 50% do capital da paulista Renova Energia, com vistas à construção de parques geradores de energia eólica, num total de 423 MW.
"A maioria das empresas que participaram dos leilões são robustas e possuem perfis diversificados. São geradoras, transmissoras, construtoras etc. Naturalmente, algumas exigem menor rentabilidade que outras. Muitas apostam no volume de negócio e na sinergia. Outras estão estreando e, portanto, são mais agressivas. Mas não tenho dúvidas que todas venderão seus projetos, porque são desenvolvedoras", comenta Laura Porto, diretora de novos negócios da Iberdrola Renováveis do Brasil.
A empresa apresentou no final de agosto, no Rio de Janeiro, durante a Conferência Brazil Windpower, a joint-venture Força Eólica Brasil, parceria com o grupo Neoenergia, que acumula investimentos no país de R$ 19,1 bilhões, desde 1997. Com potência instalada de 11.400 MW em diversos parques no mundo, o grupo Iberdrola já investiu em geração eólica no Parque Rio do Fogo (RN), com capacidade de geração de 49 MW, enquanto a Neoenergia tem capacidade instalada e em construção de 4 MW, também no Nordeste.
"O mercado eólico nacional já é o quarto no mundo em incremento anual de potência. Os últimos leilões levaram a fonte eólica a um novo patamar. Isso gera um ciclo virtuoso: compras anuais maiores que 2 GW levam à manutenção das fábricas no Brasil, o que proporciona redução dos preços. E isso provoca compras ainda maiores", afirma.
Furnas também aposta na possibilidade de mais lucratividade no campo de eólica. Já investiu mais de R$ 1 bilhão, segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de engenharia da empresa. No primeiro leilão, em 2009, Furnas participou em parceria com a JMalucelli/Eletronorte e conseguiu vender energia de três parques com um somatório de potência instalada de 150 MW. Os parques estão sendo construídos no Rio Grande, com aerogeradores de 1,6 MW e 100 metros de altura, fornecidos pela Alstom, e devem entrar em operação em meados de 2012.
No último leilão, Furnas participou em parceria com empresas do grupo BMG (Banco de Minas Gerais) e vendeu quatro parques - dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará -, que somam 85 MW instalados.
O destaque dos novos parques fica por conta da evolução tecnológica. A empresa contratou o fornecimento da tecnologia à empresa alemã Fuhrlander, que está instalando fábrica no Ceará para produzir aerogeradores mais potentes, de 2,5 MW, e com altura de 140 metros. "Isso vai permitir minimizar impactos de relevo dos terrenos onde os parques serão instalados", diz Semprine.

Hidrelétricas são destaque nas liberações do BNDES


O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou entre janeiro e julho R$ 64,9 bilhões. Desse montante, mais de 10% foram destinados a projetos de energia elétrica, num total de R$ 7,07 bilhões. Além disso, o banco já aprovou outros R$ 8,3 bilhões para o setor. Os grandes projetos em curso com o apoio do banco são principalmente as usinas do rio Madeira - Santo Antônio e Jirau -, além da termonuclear de Angra 3.
A hidrelétrica de Santo Antônio (3.450 MW) - primeira dos grandes projetos em curso a ser contratada - prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões. Desse total, o banco entra com R$ 6,1 bilhões. Os desembolsos vão ocorrendo ao longo do tempo, à medida que cada etapa da obra vai sendo cumprida.
A Santo Antônio Energia - parceria entre a Odebrecht, Andrade Gutierrez, FIP e Eletrobrás Furnas - prevê colocar a primeira unidade geradora da hidrelétrica em operação comercial ainda este ano. Em julho, a empresa iniciou o desvio do rio, operação que marca o início do enchimento gradual do reservatório da usina. Quando finalizada, Santo Antônio terá 44 turbinas e energia assegurada - quantidade de energia efetivamente gerada ao longo do ano - de 2.140 MW médios. A capacidade da usina foi ampliada em relação à previsão original de 3.150 MW.
Já a hidrelétrica de Jirau deve entrar em operação somente em setembro de 2012, segundo a Energia Sustentável do Brasil. A previsão inicial era de entrada em operação em março. O empreendimento sofreu atraso devido à paralisação das obras provocada por greves e tumultos entre os funcionários em março deste ano.
A Energia Sustentável do Brasil ampliou o projeto em relação ao originalmente previsto (3.300 MW). A empresa acrescentará seis turbinas, totalizando 3.750 MW em 50 unidades geradoras. A energia assegurada do empreendimento será de 2.184 MW médios, dos quais 73% já contratados.
No mês passado, o consórcio negociou 209 MW médios dessa ampliação com consumidores livres e ainda espera vender mais 90 MW médios. O nome das empresas compradoras é mantido em sigilo, por questões contratuais de confidencialidade. O investimento previsto é R$ 10,5 bilhões, dos quais o BNDES entra com R$ 7,2 bilhões.

Distribuição investe na rede inteligente


Enquanto aguardam a definição das diretrizes governamentais para a adoção da rede inteligente (smart grid, em inglês) no país, fabricantes de sistemas e equipamentos, distribuidoras de energia e associações de classe ligadas ao setor elétrico aprofundam estudos, desenvolvem projetos pilotos e ampliam seus investimentos. O objetivo é introduzir novas tecnologias de informação e conceitos inovadores de gestão dos fluxos de energia elétrica que viabilizarão uma mudança radical no modelo de negócio das empresas. E na infraestrutura de atendimento de milhões de consumidores.
É um movimento ambicioso, avalia o economista Otávio Mielnik, que coordenou um recente estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre Energia Elétrica e Inovações Energéticas. Afinal, a rede elétrica brasileira é hoje um sistema integrado que articula 2.335 unidades de geração com uma capacidade de 113.55 MW. Elas estão conectadas a 97 mil quilômetros de linhas de transmissão e 2,35 milhões de linhas de distribuição. Tudo isso para atender a 47 milhões de unidades consumidoras. Na prática, o smart grid consiste em implantar medidores inteligentes que vão mesurar e informar com precisão dados de consumo da rede elétrica.
"A rede elétrica inteligente altera o padrão de concorrência entre sistemas de geração elétrica, que tem sido determinado por empreendimentos de grande escala. Além disso, torna mais acessível e competitiva a geração descentralizada de pequena escala, aliviando a carga das linhas de transmissão (reduzindo investimentos para sua ampliação) e valorizando a proximidade em relação a consumidor", afirma ele.
As oportunidades de negócio são amplamente favoráveis. Do lado da indústria, por exemplo, a Cooper Power Systems, divisão da multinacional America Cooper Industries, fabricante global de equipamentos elétricos com faturamento de US$ 5,1 bilhões em 2010, anuncia investimentos de R$ 40 milhões na transferência e expansão da sua produção (atualmente no bairro paulistano de Santo Amaro) para uma nova planta, que será construída na cidade de Porto Feliz, no interior paulista. Fornecedora de tecnologias de smart grid que melhoram o desempenho das redes elétricas, a nova fábrica vai aumentar a produção de religadores (considerados o coração do sistema de gestão das redes), iniciar a produção de capacitores e de reguladores de tensão, além de criar um centro de tecnologia de smart grid.
"A adoção intensiva de tecnologias de smart grid pode dobrar o volume do mercado brasileiro de equipamentos elétricos na área de média tensão, estimado atualmente em US$ 1 bilhão", confia Flávio Marqueti, vice-presidente da Cooper Power no Brasil.
A Alstom Grid, uma nova divisão do grupo francês Alstom, também está envolvida com projetos experimentais da tecnologia smart grid no Brasil, informa Sérgio Gomes, vice-presidente para a América Latina. "Nosso foco em smart grid está concentrado em sistemas de energia na área de geração, transmissão e distribuição. Já fornecemos para o Operador Nacional de Sistemas (OSN) software para o sistema central de controle. Também estamos instalando equipamentos na AES Eletropaulo e Light para monitorar e controlar as centrais de operação das redes", diz ele.
No campo das distribuidoras, não há previsões sobre o volume de investimentos que serão consumidos com a introdução das novas tecnologias. Na verdade, o setor espera até o final do ano o resultado dos estudos que estão sendo realizados com participação da indústria, distribuidoras e outros agentes, sob coordenação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para definição de como será feita a troca e implantação do parque dos medidores inteligentes.
De qualquer forma, os projetos pilotos estão em ritmo avançado. Só a CPFL tem um programa de investimentos da ordem de R$ 215 milhões para desenvolver projetos nas áreas de telemedição (smart meter), mobilidade e operação. Na área de telemedição do grupo A (clientes industriais e comerciais), a distribuidora pretende implantar 25 mil medidores inteligentes até meados de 2013. O projeto de mobilidade, de acordo com o executivo, tem por objetivo automatizar o fluxo de informações entre os centros de despacho de serviços com as equipes que executam as atividades em campo. "Atualmente temos em torno de mil equipes que são comandadas por meio de rádio. Com esse projeto, as informações serão enviadas aos eletricistas através de um palm top. Com essa nova ferramenta será possível melhorar a gestão das ordens de serviço e a produtividade das equipes, assim como melhorar a qualidade do serviço prestado", diz Paulo Bombassaro, diretor de engenharia e gestão da CPFL.
Já o projeto de operação prevê a instalação, até 2013, de cinco mil chaves e religadores inteligentes para dar mais flexibilidade e agilidade às centrais de telecomandos.
Segundo Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que elabora uma proposta de migração do sistema atual para a nova infraestrutura de redes inteligentes, os vários projetos pilotos em andamento - o da Eletrobrás em Parintins (AM), da Cemig (Cidade do Futuro) em Sete Lagoas (MG), e o da Copel em Curitiba (PR), entre outros -, pretendem avaliar os benefícios das inovações para indústria, fornecedores e usuários.
"É necessária uma definição clara das políticas públicas para o smart grid. Por exemplo: ainda é incerto como as concessionárias vão agregar valor às redes inteligentes. Isso vai depender do modelo regulatório, que definirá qual será a infraestrutura necessária e quem vai pagar a conta no futuro", afirma.

Laboratórios focam o biocombustível de segunda geração


Fernando Landgraf, do IPT: o processo permitirá dobrar a produção de biocombustíveis com menor área de plantio
Avançam no país os estudos para o desenvolvimento de novas técnicas para a produção de biocombustíveis de segunda geração, aqueles produzidos a partir de biomassa e não por meio da fermentação do açúcar da cana. Há duas rotas de desenvolvimento: os processos bioquímico e termoquímico. A mais avançada é a pesquisa de processos termoquímicos por meio da queima com pouco oxigênio do bagaço e da palha da cana.
Universidades e institutos de pesquisas, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Universidade de São Paulo (USP) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com apoio de empresas como Braskem, Oxiteno, Raizen (Shell e Cosan), Petrobras e Vale estão investindo em uma planta de gaseificação no campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba. O projeto exigirá investimentos de R$ 80 milhões - R$ 70 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Governo de São Paulo e R$ 10 milhões das empresas.
"Estamos negociando a propriedade intelectual com as empresas, um ponto fundamental para o BNDES, que pré-aprovou o projeto, liberar o financiamento", diz Fernando Landgraf, diretor de inovação do IPT. O processo permitirá dobrar a produção de biocombustíveis como o etanol em menor área de plantio por aproveitar o bagaço e a palha da cana, que representam dois terços da parte sólida do vegetal.
"Cada empresa que está apoiando o projeto tem um interesse específico", diz Landgraf. A Vale está de olho em todos os compostos que possam ser utilizados como fonte de energia, explica Ivo Fouto, diretor responsável pelos assuntos ligados a biocombustíveis na Vale e presidente da Biopalma. Esta vai atuar na produção de biodiesel a partir do óleo de dendê cultivado na região do Vale do Acará e Baixo Tocantins, abrangendo sete municípios no estado do Pará. Em janeiro, a Vale adquiriu participação de 70% do controle da Biopalma por US$ 173,5 milhões.
Segundo Fouto, a empresa já realizou a metade do plantio e a primeira das seis unidades de extração começa a operar no fim do ano. A planta de produção de biodiesel começa a funcionar em 2014. A expectativa é de atingir a produção anual de 500 mil toneladas em 2019, quando a lavoura atingir sua maturidade. O B20 (mistura de 20% de biodiesel e 80% de diesel comum) será utilizado para alimentar a frota de locomotivas, máquinas e os equipamentos de grande porte da Petrobras no Brasil. Esse biocombustível tem mais biodiesel que a mistura padrão brasileira, de 5%.
A mineradora também fomenta, por meio do Instituto Tecnológico, o desenvolvimento de novas técnicas que ainda estão em fase experimental. É o caso da produção de biocombustíveis de segunda geração pelo processo bioquímico enzimático e de síntese biológica.
Nessa área, uma das pesquisas mais avançadas é desenvolvida pela Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Universidade de Tingshua, na China, para a criação de um novo processo de utilização de enzimas na produção de biodiesel. A tecnologia será testada em usina piloto, a ser instalada no Instituto Internacional de Mudanças Globais (IVIG), e os pesquisadores da Coppe avaliarão os custos de produção de biodiesel com o uso dessa tecnologia, com base na realidade brasileira. Uma das vantagens é o melhor aproveitamento do óleo e seus resíduos. Segundo Luiz Pingueli Rosa, diretor da Coppe, a ideia é quebrar a hegemonia da soja na produção do biodiesel.
"A enzima permite processar uma variedade maior de insumos como o dendê que tem uma vantagem energética maior, com mais produtividade por hectare", observa Rosa. Outro projeto, na área de biocombustíveis, desenvolvido no Brasil pela Coppe, em parceria com o Instituto de Química da UFRJ, também já suscitou o interesse dos chineses. Trata-se da produção de etanol a partir do bagaço de cana, que vai permitir duplicar a produtividade do etanol sem ser necessário aumentar a área plantada ou competir com a produção do açúcar ou qualquer outro alimento.
Na Coppe, o projeto está sendo desenvolvido por pesquisadores do IVIG. Eles querem combinar seu conhecimento sobre biodiesel com o do Instituto de Química sobre hidrólise, um processo químico estudado por diferentes grupos de pesquisa no Brasil, devido a sua aplicação na produção de etanol.
O Instituto Nacional de Tecnologia também participa do projeto e integra um consórcio com uma empresa brasileira para disputar os recursos de uma chamada lançada pelo BNDES e a Finep no âmbito do Plano Conjunto BNDES/Finep de Apoio a Inovação Industrial dos setores sucroalcooleiro e sucroquímico (PAISS). Segundo Viridiana Santana Ferreira, pesquisadora do INT, o instituto estuda o uso do bagaço e da palha da cana para geração de biocombustivel por meio do processo de pré-tratamento e hidrólise enzimática. Esse processo vem sendo procurado por empresas estrangeiras interessadas nas pesquisas.
"Após os testes na planta piloto, que entrará em produção em 2012, a ideia é chegar na escala de demonstração que resultará na criação de uma mini usina de segunda geração. Ela será instalada ao lado de uma usina de primeira geração", adianta.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) é outro instituto que participa de consórcio para disputar os recursos do PAISS. Segundo Jaime Finguerut, gerente de desenvolvimento estratégico industrial, o CTC iniciou os estudos dos processos bioquímicos em 1997 em parceria com a Dedini. A linha adotada na época, baseada no uso de ácido como catalisador, não se mostrou economicamente viável.
Em 2007, os pesquisadores passaram a estudar o processo enzimático em parceira com a NovoZymes, fornecedora de enzimas. Pelo acordo, o CTC desenvolve o processo e a empresa, as enzimas adequadas. "O CTC já completou todo o processo em escala piloto. Agora, está trabalhando na engenharia da planta de demonstração que deverá ficar pronta em 2012. A expectativa é que o projeto trabalhe em escala industrial em 2014", explica Finguerut.

Usinas patinam na produção de etanol


A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) projeta para 2020 um total de 72 bilhões de litros de álcool combustível. O Brasil, com mais de 27,5 bilhões de litros no atual ano-safra, seria um candidato natural a abastecer a sede mundial por etanol, não tivesse tropeçado na falta de investimento dos últimos três anos.

Nas contas da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o país precisaria instalar em média 15 usinas novas por ano para dar conta da demanda interna e das exportações que o mercado projeta para 2020. Isso exigiria investimentos de R$ 80 bilhões em dez anos. Desde a crise de 2008, apenas uma dezena de projetos saíram do papel. "Tudo será recuperado", garante Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.
Ele acredita que até 2016 todos os projetos serão retomados. Até lá, o Brasil tem de tratar de usar a imensa capacidade ociosa de 150 mil toneladas/ano. Hoje o setor é capaz de esmagar 750 mil toneladas de cana anualmente, mas só tem 600 mil toneladas do produto para moer. Falta cana no mercado.
"A crise é estrutural porque não se investiu na expansão da cana", analisa Marcos Buckeridge, pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). Segundo ele, as metas do CTBE até 2016 preveem soluções técnicas para o aumento da oferta de álcool. Ele cita pesquisas sendo desenvolvidas para a produção de etanol a partir do sorgo no Rio Grande do Sul. O sorgo seria plantado em áreas de reforma de canavial.
"O Brasil deveria ter gastado mais para tornar a pesquisa mais atrativa", indica Jaime Finguerut, gerente de desenvolvimento estratégico do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Os ganhos de produtividade conseguidos pela pesquisa nacional hoje são residuais, porque o país já avançou muito na tecnologia. Necessário agora é uma quebra de paradigma. E ela está por vir com o desenvolvimento comercial do etanol de segunda geração, que pode elevar em 30% a produção sem aumentar a área plantada. (E.B.)