terça-feira, 6 de setembro de 2011

Laboratório móvel

Laboratório móvel

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), controlado por Copersucar e Raízen informou que apresentou oficialmente na sexta-feira "o único laboratório móvel do Brasil destinado a análises técnicas e científicas da produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol". O laboratório, que tem 14 metros de comprimento, foi criado pelo CTC, que tem sede em Piracicaba (SP), em parceria com a Finep, e poderá atender as empresas do segmento de todo o país. O investimento no projeto foi da ordem de R$ 1 milhão.

Etanol sobe 3,5% em São Paulo e perde competitividade

 

Os preços do etanol no Estado de São Paulo subiram, em média, 3,5% e já equivalem a 69,8% do preço da gasolina nos postos de combustíveis. Os dados, referentes à semana passada, são da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e mostram que abastecer com etanol no Estado está próximo de não ser mais vantajoso, condição que ocorre quando o litro do biocombustível passa a valer 70% do preço da gasolina.
Na semana anterior, esse percentual estava em 67,9% na média do Estado. Em todo o país, o Estado em que o etanol apresenta a maior vantagem é em Mato Grosso. Lá, o litro do etanol vale R$ 1,96, o equivalente a 67% do preço da gasolina (R$ 2,888), que também é um dos maiores do país.
Em algumas regiões paulistas a viabilidade já foi perdida. É o caso de Ribeirão Preto (SP), região tradicional na produção de cana-de-açúcar do Estado. Na última semana, o litro do etanol no município passou a custar R$ 1,952, equivalente a 73% do preço da gasolina, segundo a ANP. Especialistas afirmam que mercados menores que São Paulo, como Ribeirão Preto, têm menor concorrência entre postos de gasolina, que vinculam mais diretamente seus preços ao valor comprado das usinas. Como na média do Estado, na capital paulista o litro do etanol equivale a 69,74% do litro da gasolina.

Mas na prática, diz Tarcilo Rodrigues, da comercializadora de etanol Bioagência, a maior parte dos consumidores não compara preços diariamente, e só começa a fazer conta quando o etanol atinge 75% do preço da gasolina. "Com 80%, o consumidor começa a reagir, de fato", diz Rodrigues.
A elevação mais recente das cotações do etanol nos postos de combustíveis se deveu às altas ocorridas na usina a partir da segunda quinzena de agosto. O litro do hidratado saiu do patamar de R$ 1,15 em 12 de agosto e fechou o mês passado a R$ 1,2468, segundo o Cepea/Esalq, valorização de 8,4% em 15 dias. "Essa alta chegou ao consumidor final apenas na semana passada quando possivelmente houve uma queda no consumo", afirma Alísio Mendes Vaz, presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).
No Estado de Mato Grosso - onde o preço da gasolina também é um dos mais elevados do país - essa alta nos postos de combustíveis chegou a 14% na semana passada, segundo dados da ANP.
Mas com a redução da mistura do anidro na gasolina, os preços do etanol na usina voltaram a recuar e uma parcela dessa retração deve recair nas bombas de combustíveis, diz Vaz. Na semana passada os preços do hidratado na usina caíram 1,61% para R$ 1,22 o litro, segundo o Cepea/Esalq. Ontem, o indicador Paulínia Esalq/BM&F para o hidratado desvalorizou-se 0,47% fechando a R$ 1.268,50 o metro cúbico (m3).
Rodrigues que até o fim da entressafra as cotações vão subir mais na usina, mas provavelmente não de forma brusca, pois neste momento já estão altas para equilibrar o consumo com a oferta de etanol disponível.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Investimentos necessários para recuperação chegam a R$ 80 bi


 Para entidades do agronegócio, empresas e governo precisam discutir formas de retomar expansão do setor
 Para consultores, produtores e empresários ouvidos pela reportagem, a recuperação somente será possível com um novo ciclo de desenvolvimento semelhante ao da década passada, quando a produção e o número de unidades dobraram, mas foram insuficientes para atender à demanda. "Paraequilibrar a oferta e demanda nos mercados internos e externo, precisaremos moer 400 milhões de toneladas de cana em dez anos", diz Sérgio Prado, representante da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão Preto. Para isso, diz, serão necessários R$ 80 bilhões para serem investidos no campo, na renovação e no plantio de novas áreas de canaviais e na expansão e instalação de novas unidades industriais.

"Isso equivale à instalação de dez usinas com capacidade para moer 4 milhões de toneladas por ano", diz. Na safra 2011/2012, estava prevista ainstalação de cinco novas unidades. Três delas tiveram de ser transferidas para a próxima safra (2012/2013). Segundo o consultor Luiz Carlos CorrêaCarvalho, vice-presidente da Associação Brasileiro do Agronegócio, essa recuperação precisa começar com a imediata renovação dos canaviais, que demoram entre dois e três anos para produzir novamente e cuja área de envelhecimento ainda não é possível de ser calculada.
Para a pesquisadora Míriam Bacchi, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), "o momento é de repensar a política para o setor". Segundo ela, governo e iniciativa privada precisam estabelecer uma agenda para a retomada dos investimentosque dê segurança aos investidores e que haja investimentos em tecnologia para aumentar ganhos de produtividade e reduzir custos de produção.
"É preciso uma política eficiente de estoques, uma revisão da política tributária com desoneração do ICMS em alguns Estados, investimentos em novas unidades e expansão do plantio, com vistas a reduzir ao menor custo a produção do etanol. É preciso também uma política clara de combustível paradar segurança ao investidor e que as intervenções governamentais não se deem diretamente, como ocorreu este ano, quando o governo usou a BR Distribuidora para controlar preços", diz.
Diálogo. Mas, para chegar a um consenso, é necessário que as lideranças da cadeia se unam e tenham diálogo com o governo federal, o que não vem ocorrendo de forma satisfatória.
"É preciso que o setor encontre uma união, porque hoje ele está dividido por interesses individuais - não no caso de São Paulo, mas de outros Estados", diz Celso Junqueira, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), que reúne 70 unidades de seis Estados.
"Há necessidade de se estabelecer diálogo mais eficiente com o governo federal, que ainda julga o setor como sendo "do mal"", diz. "Um exemplo são essas revisões de safra, encaradas pelo governo como se o setor estivesse omitindo informações, o que não é verdade", diz. Outro problema, segundo Junqueira, está na falta de democratização dos financiamentos oficiais. "Apenas as grandes empresas tiveram acesso ao BNDES e Banco do Brasil, as mesmas que têm acesso aos financiamentos de outros outros bancos."

Produção do etanol tem pior momento em 11 anos

A quebra na safra ocorre, principalmente, por causa da crise de 2008, que diminuiu os recursos dos produtores para renovar o canavial



PIRACICABA - Mais que a queda de produção, as seguidas revisões para baixo da safra 2011/2012 revelam que a cadeia produtiva da cana-de-açúcar vive o pior momento dos últimos 11 anos. E a recuperação do setor para atender o descompasso entre demanda e oferta do mercado depende de um novo ciclo de desenvolvimento, semelhante ao ocorrido na década passada, ao custo de R$ 80 bilhões.
Ao contrário da crise de 1999/2000 - quando o setor enfrentava forte desregulamentação e o desafio era conter a oferta por causa da produção excedente e dos preços baixos - desta vez, o problema é oposto. A falta de matéria-prima eleva os preços dos produtos no Brasil e no exterior, colocando em dúvida a capacidade do setor de atender um mercado pressionado pela alta demanda de açúcar e de álcool combustível.
A possível quebra de 8% a 15% na safra de cana e de até 20% na produção de etanol na região Centro-Sul - responsável por 50% da cana e 60% do álcool produzido no País - embora atribuída diretamente ao envelhecimento do canavial, às adversidades climáticas e à queda de qualidade da matéria-prima, é fruto da conjuntura econômica pós-crise de 2008. "Vivemos hoje a soma de todos os males. Houve problemas de clima, de falta de investimento nas plantações e de falta de planejamento. A crise de 2008 não foi uma marola, mas uma onda gigante para surfistas profissionais, que surte até agora seus efeitos", afirma o vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho.
"Com a crise, os produtores e a indústria ficaram sem recursos para financiar a renovação do canavial", explica Carvalho, também sócio da Consultoria Canaplan, que recentemente divulgou revisão da safra com quebra de 14,38%. Ele lembra que o setor precisaria crescer de 7% a 8% ao ano e construir 15 novas usinas de médio porte por ano até 2020 para abastecer a frota de flex e o crescimento vegetativo 2% do consumo mundial de açúcar.
Representante da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão Preto, Sérgio Prado, diz que o setor vinha de um crescimento de 10% ao ano com a instalação de 90 indústrias entre 2003 e 2008, mas que, após a crise de 2008, os investimentos acabaram por falta de crédito. Mesmo assim, a quebra de safra não era esperada. "Ainda em 31 de março de 2011, estimávamos um crescimento de 2% na safra deste ano", diz.
Na sua última revisão, a Unica previu uma queda de safra de 8,4%, de 557 milhões de toneladas de cana da safra passada para 510 milhões para a safra atual. A entidade estima que a produção de álcool hidratado caia em 20% e a de açúcar em 8%. "O problema é que pela primeira vez na história a produtividade da região Centro-Sul será superada pela do Nordeste", diz Carvalho.
"Em 60 anos de atividade, poucas vezes passamos por uma fase tão ruim como essa. Os últimos três anos foram de sofrimento, de total falta de recursos. Com isso, os produtores não cumpriram com suas obrigações com a renovação dos canaviais e não fizeram o manejo adequado", diz o agricultor José Coral, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo, entidade que reúne 5 mil fornecedores independentes.
Para Coral, das 43 milhões de toneladas produzidas pelas 22 usinas e 5 mil produtores da região há três anos, a produção cairá, na safra atual, para 32 milhões de toneladas. "Isso demonstra que o desânimo e a falta de investimento no campo vêm caindo faz três safras", explica.
"O lado bom é que esta crise reajustou os preços da cana, melhorando a remuneração, o que dá um ânimo para que os produtores possam renovar os canaviais", diz. Segundo ele, o preço pago aos produtores, em torno de R$ 47,00 a tonelada na safra passada, deverá subir para R$ 65 a R$ 70 a tonelada na safra atual.

APORTES PARA CANA

As produções de açúcar e álcool são as que receberão maiores investimentos nos próximos dois anos, segundo estudo da SNA (Sociedade Nacional de Agricultura).
Os dois produtos são considerados prioridades para 14% dos entrevistados.
Em seguida aparecem a produção de grãos e a pecuária de corte, com 12,4% e 11,1%, respectivamente. No que se refere às divisões do processo industrial, a parte de logística receberá o maior volume de aportes, de acordo com 11% dos entrevistados da SNA.
As falhas de infraestrutura do país e os juros elevados são considerados os principais obstáculos ao investimento no agronegócio.

BNDESPar e BNDES: uma só missão



Não é correta a afirmação de que operações da BNDESPar usam recursos subsidiados, supostamente aplicados de modo indiscriminado



O período recente tem sido repleto de desafios para a economia brasileira. Ao mesmo tempo em que o país ainda assiste aos desdobramentos da maior crise econômica internacional desde a década de 1930, vive um momento de grandes oportunidades.
O país tem contado, tanto no enfrentamento dessa crise quanto no aproveitamento dessas oportunidades, com um instrumento de apoio às empresas e ao mercado de capitais. Apesar de sua importância, o papel da BNDESPar, braço de participações do BNDES, tem sido frequentemente mal compreendido, e o momento é oportuno para expor de maneira clara sua atuação.
A BNDESPar promove o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, pois incentiva e apoia a abertura de capital e a contínua melhoria dos padrões de governança, transparência e gestão das empresas em que participa.
Dá ao sistema BNDES mais flexibilidade para apoiar nossas empresas, já que, em muitas ocasiões, o meio mais adequado para dar suporte a essas companhias é a participação acionária, combinada ou não com créditos de renda fixa do BNDES.
A carteira da BNDESPar inclui participação direta em mais de cem empresas de todos os portes, além de 38 fundos de investimento (que, por sua vez, detêm participações em 127 companhias). Seus ativos totais ao final de junho deste ano eram de R$ 116 bilhões.
Uma diferença importante entre os investimentos da BNDESPar e os empréstimos do BNDES é que os primeiros aplicam exclusivamente recursos a custo de mercado, tendo como fontes o retorno de sua carteira de valores mobiliários e captações no mercado de capitais nacional.
Assim, não usam recursos captados por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) ou do Tesouro. Não é correta, portanto, a afirmação de que as operações da BNDESPar utilizam recursos subsidiados, supostamente aplicados de modo indiscriminado e com ônus ao contribuinte.
O que tem ocorrido, na realidade, não é ônus, mas benefício ao conjunto da sociedade. De acordo com seu último balanço, no primeiro semestre, a BNDESPar teve lucro de R$ 3 bilhões, ajudando o BNDES a obter o melhor resultado da história para um período de seis meses: R$ 5,3 bilhões.
Na média dos últimos cinco anos, a carteira de valores mobiliários, principal ativo da BNDESPar, representou entre 20 e 25% dos ativos totais do BNDES, tendo gerado em média 50% de seu lucro consolidado. No primeiro semestre de 2011, a carteira representou 21,1% do total dos ativos e gerou 56,6% do lucro do BNDES.
Os resultados positivos são revertidos para a sociedade. Como o retorno esperado da carteira da BNDESPar integra a equação que define o "spread" básico do BNDES, esse desempenho permite reduzir o custo aos tomadores de crédito no BNDES.

O "spread" básico médio nas operações do BNDES reduziu-se de 2% ao ano em 2005 para 1,08% ao ano em junho de 2011.
O BNDES, com a contribuição da BNDESPar, tem apresentado retornos sobre o patrimônio líquido acima de 20%, em linha com a indústria bancária, mesmo sendo um banco com foco exclusivo no desenvolvimento do Brasil.
A sociedade brasileira é a maior beneficiária, seja pela realização dos investimentos apoiados pelo BNDES, seja pelos dividendos repassados ao Tesouro, que somam R$ 34 bilhões no intervalo entre 2005 e 2010.

CAIO MELO é economista e superintendente da Área de Mercado de Capitais do BNDES.
FABIO SOTELINO DA ROCHA é engenheiro e superintendente da Área de Capital Empreendedor do BNDES.

Fiscalização mira cadeia produtiva do etanol


RECEITA FEDERAL ESTUDA ALTERAR A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA COMBATER O ELEVADO NÍVEL DE SONEGAÇÃO NO SETOR


Toda a cadeia produtiva e de distribuição do etanol entrou na mira da fiscalização da Receita Federal. O Fisco estuda alterar a legislação tributária para combater o elevado nível de sonegação no setor. Novas operações de fiscalização deverão ocorrer até o fim do ano.
Os auditores têm identificado, principalmente, problemas nas empresas de distribuição, intermediárias da venda do combustível entre as usinas e os postos. É nas distribuidoras que está concentrada a cobrança da maior parte dos impostos da cadeia produtiva do etanol por meio do regime de substituição tributária.
Esse modelo de cobrança acabou se transformando em terreno fértil para a proliferação de "laranjas", empresas de fachada e sem patrimônio, criadas especialmente para a sonegação do pagamento dos tributos devidos. "Estamos olhando todo o ciclo do etanol, porque tem muita sonegação", antecipou ao Grupo Estado o subsecretário de Fiscalização da Receita, Caio Cândido. O ciclo envolve a produção do etanol nas usinas, a distribuição, o transporte e a venda nos postos de combustíveis.
Segundo o subsecretário, esse é um setor prioritário para a fiscalização da Receita. Cândido explicou que, depois que os fiscais autuam as empresas, o governo não têm como cobrar os débitos devidos. "Elas declaram tudo certinho. Mas na hora que é feita a execução fiscal falta patrimônio, ele está esvaziado", disse.
A Receita está trabalhando com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e os fiscos estaduais.

BioEnergy recebe R$ 74,2 milhões do BNDES

O valor total de investimento para esses dois primeiros parques é de cerca de R$ 117 milhões

A Bioenergy, empresa de geração de energia eólica, financiou R$ 74,2 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de aerogeradores e equipamentos elétricos.
Os recursos serão destinados à compra dos primeiros 18 aerogeradores contratados com a GE, de um total de 90, sendo destinados aos dois primeiros parques eólicos localizados no estado do Rio Grande do Norte (Aratuá 1 e Miassaba 2).
O valor total de investimento para esses dois primeiros parques é de cerca de R$ 117 milhões e os recursos liberados correspondem a 63% do montante total do projeto.
Os 37% remanescentes são recursos oriundos da Bioenergy, por meio de emissões de debêntures no mercado de capitais.
Segundo a empresa, os campos deverão estar prontos até novembro, quando deverão gerar cerca de 116.000 megawatts hora ano (MW/h) de energia.
"O Brasil passa a contar com uma fonte competitiva e limpa na matriz energética, o que vai fazer a diferença em termos ambientais e de desenvolvimento responsável", explica Sérgio Marques, presidente da Bioenergy.
A operação e a transferência indireta de recursos foi intermediada pelo Banco Itaú BBA e pelo Banco Votorantim em partes iguais.

Inepar anuncia incorporação da subsidiária de energia

A Inepar pretende concluir a reorganização até o final de 2011

Dando continuidade ao processo de reestruturação organizacional, a Inepar Indústria e Construções (IIC) anuncia a incorporação da Inepar Energia (IE), uma vez que deixou de atuar no setor.
Considerando a volta ao foco central de atuação, com a saída do setor de distribuição e geração de energia elétrica, tendo em vista a fase final da venda da Centrais Elétricas Matogrossense (Cemat), a companhia afirma que "não persiste razão para a manutenção da IE".
Em comunicado, a empresa afirma que a operação de incorporação permitirá que os acionistas da IE participem da IIC. Para proceder com todas avaliações pertinentes ao negócio, a Inepar contratou a NHD Habilis Auditoria e Consultoria Empresarial e constituiu um comitê especial independente.
Quando encerradas as etapas de reorganização, a IIC pretende realizar aumento de capital, que será proposto após concluído o período para o exercício do direito de recesso pelos acionistas dissidentes de IE.
Isso porque o processo "poderá alterar os percentuais de participação detidos pelos acionistas, afetando a quantidade de ações a que cada acionista faria jus a subscrever no exercício da preferência."

A Inepar, que focará nas áreas de projetos e montagens, geração e fabricação de equipamentos pesados, hidromecânicos, metroferroviários, compensação reativa, equipamentos de processos, óleo e gás, petroquímica e geração térmica, pretende concluir a reorganização até o final de 2011.

Cana brasileira já não é a mais barata


Brasil perdeu a liderança no ranking de menor custo de produção do mundo para países como Austrália, África do Sul e Tailândia


A abundância de terra agricultável, o clima favorável e a vasta experiência do produtor já não são mais ingredientes suficientes para garantir a enorme competitividade que fez do Brasil o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Nos últimos três anos, a combinação entre alta dos custos internos, câmbio e a euforia dos investidores com o etanol acabaram tirando o País da liderança do ranking de menor custo de produção da cana.
Na frente do Brasil, já estão Austrália, África do Sul e Tailândia. Há quem diga que Colômbia e Guatemala também têm conseguido produzir açúcar a um custo menor, mas eles não constam nas estatísticas oficiais. Embora sejam países com pequena produção comparada ao Brasil, o resultado reflete o momento mais delicado da indústria nacional de cana-de-açúcar. A escalada dos preços do etanol, por exemplo, levou o governo a anunciar na semana passada a redução da mistura do combustível na gasolina - uma forma de ampliar a oferta de álcool hidratado na bomba.
No açúcar, embora os preços estejam elevados no mercado internacional, não há grandes problemas. Mas o aumento do custo do Brasil, que responde por quase 50% do mercado mundial, tem reanimado até mesmo a indústria de açúcar de beterraba na Europa, afirma o presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-sul do Brasil (Orplana), Ismael Perina. "Há sete anos, esse produto estava inviável. Agora voltou a ficar viável, o que é ruim para o País."
Segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), de 2005 para cá, os custos de produção cresceram cerca de 40% - de R$ 42 por tonelada de cana para R$ 60. Uma série de fatores explicam esse avanço. Alguns deles provocados pela extensa lista do chamado custo Brasil, como a valorização do real e a carga tributária elevada, que reduz a competitividade das empresas nacionais. Outros foram criados pela própria expansão do setor, como a falta da mão de obra.
O problema surgiu com o início da mecanização da colheita de cana, que deverá atingir 100% em 2014. Embora seja mais barato, o processo pegou o setor despreparado. Não havia frota suficiente para fazer a colheita e a mão de obra, antes acostumada a usar facões para cortar a cana, não sabia manusear tratores e colheitadeiras equipadas com alta tecnologia. Resultado disso foi o aumento no preço das máquinas e dos salários do setor.
"Além disso, o canavial não estava preparado para a colheita mecanizada, que exige um espaçamento diferente no plantio. Isso reduziu de forma significativa a produtividade", afirma o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. Até hoje, diz ele, não se encontrou uma solução econômica para a palha que é retirada durante a colheita. "Se for junto com a cana para a usina, isso aumenta o custo de transporte. Se ficar no canavial, pode trazer pragas."