terça-feira, 23 de agosto de 2011

ANP aumenta exigências para usina de álcool


A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou ontem o texto da minuta da resolução que estabelece a regulamentação da produção de etanol no país. Resultado da consulta pública realizada nos últimos meses, a minuta estabelece que para construir, ampliar capacidade, modificar e operar planta de etanol, as empresas devem solicitar autorização prévia da agência. A ANP terá até 60 dias, contados a partir da data do protocolo de toda documentação na ANP, para analisar o pedido de autorização para construção.
Após a conclusão das obras, a empresa deve solicitar à agência nova autorização, mas para operar a usina. Uma vistoria será feita pelo órgão que tem até 20 dias úteis para emitir um lado de vistoria e, se todas as exigências cumpridas, a autorização. Antes de a ANP assumir a regulamentação pela produção de etanol no país, conforme determinação do governo federal feita neste ano, as usinas precisavam apenas se cadastrarem no Ministério da Agricultura para começar a operar.
A minuta divulgada ontem pela agência também delega ao produtor de etanol a obrigatoriedade de ter espaço para armazenar um volume do biocombustível de, no mínimo, 120 dias de produção. Procurada, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) não comentou o assunto.
Outras resoluções regulamentando o segmento devem ser objetos de minuta da ANP. Entre os principais pontos está a resolução sobre os contratos de etanol anidro (que é misturado à gasolina) entre distribuidoras e usinas. O objetivo da agência é que as duas partes estabeleçam contratos de longo prazo. (FB)

Em alta em plena safra, etanol pode subir ainda mais

Mendes Vaz, do Sindicom: situação pede avaliação sobre mistura na gasolina


Diante dos sinais de que a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país poderá cair abaixo de 500 milhões de toneladas, o mercado começou a corrigir para cima suas projeções para os preços domésticos do etanol, que nas usinas de São Paulo já estão 44% mais altos do que em igual período de 2010.
Somente na semana passada, tanto as cotações do etanol anidro (misturado à gasolina) quanto as do hidratado (usado diretamente nos tanques) subiram 4,9% nas usinas paulistas, conforme os respectivos indicadores do Cepea/Esalq.
Segundo Alísio Mendes Vaz, presidente executivo do Sindicato Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom), a situação obriga a uma nova avaliação sobre uma eventual mudança no percentual de mistura do anidro na gasolina, atualmente em 25%. Ele afirma que o grupo de monitoramento dos estoques de etanol integrado por representantes dos segmento de distribuição e produção de etanol, além do governo, vai discutir o assunto agora em setembro.
Na média do Estado de São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o litro do etanol nos postos ainda está vantajoso em relação à gasolina. Equivale, em média, a 67,5% do preço do combustível fóssil, quando o "limite" é 70% A viabilidade se estende aos Estados de Goiás e Mato Grosso, com uma relação de 64,4% e 61,9%, respectivamente, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) referente à semana encerrada na última sexta-feira.
http://www.valor.com.br/sites/default/files/crop/imagecache/media_library_small_horizontal/0/14/556/364/sites/default/files/gn/11/08/arte23agr-202-etanol-b14.jpg
No entanto, diz Vaz, é provável que nos próximos dias distribuidoras e postos de combustíveis comecem a repassar essa alta recente dos preços do etanol ocorrida nas usinas nas últimas semanas. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado posto em Paulínia (SP) registrou alta de 0,75%, com o metro cúbico a R$ 1.284,50. Em agosto, o indicador acumula valorização de 8,67%.
Esse repasse é necessário para frear o consumo, que reagiu para cima em agosto. Ainda sem estatísticas oficiais, o Sindicom estima que as vendas semanais de etanol neste mês superaram em 10% a comercialização semanal registrada em julho. "Houve um aquecimento da demanda que deve ser estancada com o repasse de preços da usina para o consumidor", diz Vaz.
Assim, a tendência é que o etanol perca vantagem em relação à gasolina também no Estado de São Paulo. O presidente da maior comercializadora de etanol do país, a SCA Trading, Martinho Seiiti Ono, acredita que haja espaço para aumento nos preços nas bombas de até R$ 0,10 por litro. Se isso ocorrer, diz Seiiti Ono, há grandes chances de haver queda abrupta do consumo, sobretudo no Estado de São Paulo. A situação pode redundar até em nova queda dos preços do etanol na usina. As recentes altas, segundo ele, foram "precipitadas", uma vez que neste momento as usinas do Centro-Sul encontram-se na entressafra da cana.
Miriam Bacchi, a pesquisadora do Cepea e professora da Esalq, nota que, apesar de o preço do etanol hidratado no Estado de São Paulo estar próximo do limite competitivo de 70% do preço da gasolina, há várias razões que fazem com que o consumidor não adote de forma linear essa referência e não deixe o etanol de lado. "Alguns não fazem conta. Outros, têm veículos cujo rendimento do etanol é superior a 70% do rendimento da gasolina e chega a 75% ou 78%. Há aqueles, ainda, que estão conscientizados dos benefícios do etanol ao meio ambiente", resume a pesquisadora.
Para Tarcilo Rodrigues, diretor da comercializadora Bioagência, há poucas chances de os preços do etanol voltarem a recuar. "O movimento daqui em diante é de estabilização ou alta. É muito improvável que haja queda", diz.
Por enquanto, Rodrigues não identificou alteração na demanda por importação de etanol dos Estados Unidos. Desde abril até agora, segundo levantamento da Bioagência, 190 milhões de litros do biocombustível foram importados e entraram no país. Até março do ano que vem já estão contratados mais 600 milhões de litros do mercado externo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Petrobras e São Martinho investem em joint venture


A unidade deverá produzir 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a partir da safra de 2014/2015
Nova Fronteira, joint venture entre o Grupo São Martinho e a Petrobras Biocombustível, anuncia investimentos de R$ 520,7 milhões na ampliação da capacidade de moagem da Usina Boa Vista.
A unidade deverá produzir 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a partir da safra de 2014/2015.
O principal objetivo é atender a demanda de etanol já presente e não suficientemente atendida no momento. A demanda nacional hoje é de 32 bilhões de litros por ano.
"Queremos ajudar na troca de agenda", afirmou Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível. "Queremos colaborar na troca da agenda de crise da oferta pela agenda de fornecimento dela."
Desse total, R$ 430,5 milhões serão direcionados para aquisição de equipamentos industriais e outros R$ 90,2 milhões em aparelhagem agrícola. Com a expansão, 70% do total da produção da unidade terá origem na cana-de-açúcar nacional.
O maior montante deverá vir na safra de 2013/2014, quando serão investidos R$ 326,1 milhões para um salto de 100% na capacidade de moagem.
A safra 2010/2011 de cana-de-açúcar, classificada como muito ruim pelo executivo da Petrobras, deverá resultar em uma importação de 1,5 bilhão de litros de etanol.
"Uma questão estrutural como a desse ano não faz parte dos nossos cenários", avalia Fábio Venturelli, presidente da Nova Fronteira Bioenergia. Para ele, não é possível definir quando a oferta acompanhará a demanda.
Venturelli não espera nova alta no preço do açúcar. "O preço chegou onde podia chegar."
A produção da Nova Fronteira pode chegar a 700 mil litros de etanol por ano, no entanto, o presidente da empresa não pretende ampliar a exportação de combustível. "Nossa exportação é desprezível. Se formos exportar será o etanol fino, para bebida."
Segundo Venturelli, o açúcar foi a commodity menos impactada pela crise recente em termos de preço.

Petrobrás e MPX vencem leilão de energia


As duas companhias foram as únicas a terem seus projetos de usinas termoelétricas a gás natural contratadas na íntegra

Marcado por polêmicas desde que foi anunciado, o leilão A-3 (que prevê a contratação de energia a ser ofertada daqui a três anos) terminou ontem com a Petrobrás e a MPX como grandes vencedoras. Por serem produtoras de gás natural, as duas companhias conseguiram ser as únicas a terem seus projetos de usinas térmicas a gás natural contratados na íntegra. O leilão movimentou R$ 29 bilhões. Do total, R$ 6,5 bilhões são a parte da MPX.
A Petrobrás ainda levou vantagem por ter obtido o maior preço do leilão, a R$ 104,75 o MWh. O preço da MPX ficou em 101,90, ante o valor teto inicial de R$ 139 por MWh. Os 50 projetos leiloados preveem investimentos de R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão da MPX. A Petrobrás não divulgou a parte dela em investimentos e o valor total do contrato.
Para o presidente da MPX, Eduardo Karrer, o leilão A-3 deixou claro que "no futuro só terá espaço na disputa para ofertar energia térmica a gás quem tiver acesso ao próprio combustível".
"Foi um leilão extremamente competitivo, e só ficou mesmo até o fim quem tinha projetos diferenciados e acesso direto a matéria-prima", disse Karrer. Para ele, o preço final da energia ofertada pela MPX, de R$ 101,90, foi "adequado para manter a rentabilidade do projeto".
No total, o leilão negociou 2,7 mil MW, dos quais 1,068 mil em projetos de geração eólica, 1,029 mil nas usinas a gás e 198 MW em usinas de biomassa. O deságio médio para a energia dessas fontes foi de 26%. No mesmo leilão também foi contratada sem deságio a expansão de 450 MW da usina hidrelétrica de Jirau, no Complexo do Rio Madeira.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o "leilão foi muito equilibrado". "Existia uma dúvida se haveria uma fonte que dominaria tudo. E não houve isso. Houve uma distribuição entre a fontes. Gás e eólica repartiram mercado, uma com 39% e outra com 38% da capacidade instalada, houve empate entre as duas fontes."
Tolmasquim minimizou a polêmica envolvendo a participação de autoprodutoras de gás (MPX e Petrobrás), que teriam afastado outros investidores. "O que importa para o consumidor é que a energia gerada seja a mais barata. Onde está sendo comprado o gás, do ponto de vista do consumidor, não interessa."
Já o Ministério de Minas e Energia estuda a possibilidade de tomar medidas em relação às exigências de inflexibilidade em um próximo leilão de térmicas a gás natural para evitar novas polêmicas. Inflexibilidade se refere a quanto uma térmica se propõe a gerar ao longo do ano, fator que determina qual será o gasto com a compra de gás.
Como fornecedora, a Petrobrás exigiu que as usinas que compraram seu gás se comprometessem a gerar 30% ao ano no mínimo, pagando o correspondente ao volume, independentemente de serem acionadas pelo Operador Nacional do Sistema.
Na competição, no entanto, entrou com sua térmica Paracambi, no Rio, propondo inflexibilidade zero. A Secretaria de Defesa Econômica (SDE) decide nos próximos dias se vai ou não instaurar processo administrativo para avaliar a falta de isonomia na concorrência. 

Arauco prevê aumentar produção de celulose em 30% em 2011


SANTIAGO - A chilena Arauco, uma das maiores produtoras mundiais de celulose, disse nesta quarta-feira que espera que a sua produção cresça cerca de 30 por cento em 2011 em relação ao ano passado e que está olhando a possibilidade de expandir sua capacidade de produção no futuro.

A Arauco, unidade de celulose do conglomerado industrial chileno Copec, prevê que irá produzir 3 milhões de toneladas de celulose neste ano, contra 2,3 milhões de toneladas produzidas no ano passado.
"Estamos em processo de estudos... um projeto para modernizar e expandir a Arauco", disse o diretor corporativo da Arauco, Franco Bozzalla, aos repórteres nesta quarta-feira.
"Nós ainda estamos na fase preliminar", afirmou ele, acrescentando que detalhes adicionais podem estar disponíveis em abril.
A produtora de celulose, cujas unidades incluem cinco fábricas no Chile e uma na Argentina, também possui operações no Brasil e no Uruguai.
A Arauco e a sueco-finlandesa Stora Enso planejam investir 1,9 bilhão de dólares na criação de uma unidade produtora de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano no Uruguai, no maior investimento da história daquele país.
A fábrica já está em fase de construção e deve iniciar as operações no primeiro trimestre de 2013.
(Texto de Simon Gardner e Alexandra Ulmer) 

EUA querem parceria com Brasil para criar mercado global de etanol



Daniel Poneman: "Podemos encontrar mais mercados no mundo para o etanol e expandir a demanda"
Os Estados Unidos querem acelerar projetos de cooperação com o Brasil na área de biocombustíveis para explorar terceiros mercados e criar um mercado global de etanol. Apesar da recente crise de oferta no Brasil e das incertezas que ainda cercam a manutenção dos subsídios nos EUA, o governo americano buscará a transformação do etanol em commodity, assegura Daniel Poneman, número 2 do Departamento de Energia.
"É nosso objetivo ver a sua 'commoditização'. Podemos encontrar mais mercados no mundo e expandir a demanda", disse o secretário-adjunto de Energia, após reuniões com autoridades brasileiras, que encerraram visita de três dias ao país.
Poneman e o secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, lançaram um Diálogo Estratégico de Energia que engloba quatro áreas: biocombustíveis e energias renováveis; petróleo e gás natural; eficiência energética; e energia nuclear. Esse mecanismo aprofunda o memorando de entendimentos na área de etanol, assinado em 2007, que previa cooperação em pesquisa, padronização do produto e desenvolvimento de produção em terceiros mercados. Os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, no encontro que tiveram em março, prometeram dar novo impulso ao acordo.
Poneman diz que os dois países devem expandir, para outros países, a cooperação que já têm para desenvolver a produção de etanol na América Central e no Caribe. Também pediu ênfase na definição de padrões e normas técnicas. Sem isso, acredita, será difícil colocar biocombustíveis no mercado internacional. "Uma das questões importantes que devemos levar em conta é estabelecer normas e padrões para que, por exemplo, veículos flex fuel possam aceitar diferentes biocombustíveis", diz.
Para ele, dificuldades momentâneas em suprir a demanda - como a recente crise de oferta na entressafra brasileira - não devem ser vistas como impedimento para transformar o etanol em commodity negociada internacionalmente. Poneman destaca a importância de desenvolver formas mais competitivas de produção, especialmente com a nova geração de etanol, e estimular novas demandas, como a aplicação de biocombustíveis na aviação, alvo de parceria entre Embraer e Boeing.
De acordo com ele, os EUA acabaram de entrar na segunda rodada de aumento dos padrões de eficiência exigidos da indústria de veículos, que elevarão o gasto de combustível para cerca de 23 quilômetros por litro até 2025. Isso também pode gerar demanda adicional para biocombustíveis que possam ser misturados à gasolina.
Nesta semana, Obama anunciou a distribuição de subsídios no valor de US$ 510 milhões para estimular a produção de biocombustíveis que não sejam processados a partir do milho. Os recursos cobrirão os custos de construção e readequação de refinarias para os chamados biocombustíveis avançados, produzidos a partir de resíduos de animais, algas e outros materiais. O produto resultante poderá ser usado em aeronaves, navios e outros equipamentos.
Para Poneman, o Brasil será um "grande fornecedor" de petróleo dos EUA, com o desenvolvimento do pré-sal. Ele garante que as regras do setor agradam às petrolíferas americanas. "As empresas estão muito entusiasmadas com as oportunidades que veem aqui."

Petrobras e São Martinho abrem novo ciclo do etanol


Agroenergia: Empresas constroem maior planta de etanol do mundo


Estímulos à vista: Venturelli (esq.) e Rossetto apresentam projeto que vem com a promessa de ser o primeiro de um novo ciclo de novas usinas de etanol
Em linha com a estratégia do governo de ampliar a oferta de etanol no país, a Petrobras Biocombustíveis (PBio) anunciou ontem com o grupo paulista São Martinho, seu parceiro em projetos de bioenergia no Centro-Oeste, que investirá R$ 520,7 milhões para transformar uma usina de Goiás na maior produtora de etanol de cana-de-açúcar do mundo. Além da dimensão inédita, o projeto também tem a ambição de ser o primeiro de um novo ciclo de investimentos em usinas alcooleiras no país. Com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros estímulos oficiais ainda em fase de definição, a expectativa é que esse novo ciclo de fato ganhe força no curto prazo.
Pertencente à Nova Fronteira Bioenergia, joint venture criada em 2010 pelas duas companhias, a usina que será ampliada é a Boa Vista, localizada no município de Quirinópolis. A atual capacidade de moagem de cana da unidade é de 3 milhões de toneladas por safra - no ciclo atual (2011/12) serão processadas 2,3 milhões -, mas a partir dos aportes previstos deverá atingir 8 milhões de toneladas em 2014/15, destinadas exclusivamente à produção de etanol.
A pedra fundamental será lançada em setembro. A expectativa é que a Boa Vista seja a primeira indústria de etanol a receber do BNDES condições de financiamento ainda não disponíveis pelo segmento no país. "Vamos iniciar uma agenda específica com o banco para definir recursos e modelo do financiamento", afirma Fábio Venturelli, presidente da Nova Fronteira. O executivo reitera que a empresa não tem nada acertado com o BNDES até o momento.

O presidente da PBio, Miguel Rossetto, evita entrar na seara política quando é questionado sobre quais estímulos governamentais estão à caminho. Mas afirma que o anúncio da Boa Vista deixa evidente a confiança de que o etanol está na agenda definitiva do governo. "Nossa expectativa é de que a política pública que virá trará estímulo para que a oferta do biocombustível cresça substancialmente". A Boa Vista conta com incentivo fiscal de ICMS do governo de Goiás no valor total de R$ 3 bilhões.
Do previsto investimento de R$ 520 milhões (indústria e mecanização), R$ 400 milhões (76,9%) deverão ser financiados, basicamente pelo BNDES. Segundo Venturelli, que também é CEO da São Martinho, o restante (cerca de R$ 120 milhões) virá de capital próprio
"Esse dinheiro já está em caixa", afirma Rossetto. Até agora, a PBio já investiu na Nova Fronteira cerca de R$ 250 milhões. Até o fim do ano, aportará mais R$ 170 milhões para completar os R$ 420,8 milhões acordados no acordo que prevê que a estatal assuma 49% da joint venture.
Na última semana, a estatal divulgou que investirá entre 2011 e 2015 US$ 1,9 bilhão para crescer na produção do biocombustível, dos quais 70% em novas usinas. Rossetto deixa claro que "a maior parte" da expansão esperada - dos atuais 1,5 bilhão de litros de etanol para 5,6 bilhões de litros em quatro anos - virá da região Centro-Oeste, via Nova Fronteira.
Somente na Boa Vista, a produção de etanol crescerá de 210 milhões de litros neste ciclo para 700 milhões de litros em 2014, distribuídos igualmente entre anidro e hidratado. A cogeração de energia, atualmente em 220 mil Megawatt-hora (MWh), avançará para 600 mil MWh.
Além da Boa Vista, já em operação, a joint venture tem planos de construir outra indústria de etanol, mas em Bom Jesus de Goiás, vizinha à Quirinópolis, região que já está no trajeto do etanolduto e da infraestrutura multimodal (ferrovia e hidrovia) desenhada pela Logum, empresa de logística para biocombustíveis da qual a Petrobras tem 20% de participação. Segundo Rossetto, o projeto de Bom Jesus de Goiás pode, sim, participar do cronograma de investimentos 2011-2015 da estatal.
O projeto da Boa Vista, explica Venturelli, vem sendo classificado como "usina nova", pois o crescimento de 3 milhões para 8 milhões de toneladas não pode ser caracterizado como simples aumento de capacidade já existente. Mas, ainda assim, os investimentos, garante o executivo, serão bem menores do que o de uma usina nova e devem ficar próximos de US$ 70 por tonelada de capacidade de moagem instalada.
O aporte divulgado ontem não inclui a produção da cana-de-açúcar adicional que será moída na Boa Vista. O montante da parte agrícola ainda não foi dimensionado, porque se buscará parceria no fornecimento de cana com produtores de Goiás, diz o executivo.
Até agora, 100% dos 2,350 milhões de toneladas da matéria-prima processada em Quirinópolis são de cana própria da Nova Fronteira, que ontem também lançou sua nova marca. "Nosso plano agora é atingir 8 milhões de toneladas com equação final de 30% a 40% da cana sendo fornecida por produtores parceiros", afirma Venturelli.

A maior usina de etanol do mundo em GO


No que a Petrobras Biocombustíveis espera que seja o primeiro projeto de um novo ciclo de investimentos na produção de etanol no país, a empresa e o grupo São Martinho anunciaram que estão aplicando R$ 520 milhões para transformar a usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), na maior fábrica de álcool de cana-de-açúcar do mundo. A unidade pertence à Nova Fronteira Bioenergia, joint venture entre as duas empresas.

O investimento segue a estratégia da Petrobras de dar prioridade a projetos que se traduzam em novas linhas de produção de etanol e não só à compra de empresas. A estatal divulgou que investirá US$ 1,9 bilhão em etanol até 2015, dos quais 70% em novas usinas. Espera-se que a Boa Vista seja a primeira usina a receber crédito do BNDES em condições inéditas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Turbinada por efeito da Raízen, Cosan lucra R$ 2,29 bi


Além dos melhores preços de açúcar e etanol, ênfase para a alta de 80% nas vendas de etanol, atingindo R$ 643 milhões


A Cosan divulgou nesta terça-feira (16/8) um lucro líquido de R$ 2,29 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2012 – abril, maio e junho –, em reflexo da formação da Raízen.
O reconhecimento no balanço dos ativos e passivos, mais investimentos, contribuídos pela Cosan na Raízen permitiu à empresa apurar como receita o ágio na formação da joint venture. Isso contribuiu com R$ 2,2 bilhões para o lucro do trimestre.
Sem o ganho não recorrente, o lucro líquido teria sido R$ 167,5 milhões, ainda acima do resultado no anterior (R$ 400 mil).
Com a Raízen, fruto da fusão dos principais negócios do grupo sucroalcooleiro Cosan e da Shell no Brasil, a receita líquida da empresa passou de R$ 3,99 bilhões no ano anterior para R$ 5,188 bilhões.
Somente o segmento de açúcar e álcool, que passa a se chamar Raízen Energia, apurou receita líquida de R$ 1,63 bilhão, um avanço de 28,6% em relação ao mesmo período no ano passado.
Além dos melhores preços de açúcar e etanol, ênfase para a alta de 80% nas vendas de etanol, atingindo R$ 643 milhões.
No primeiro trimestre fiscal da Cosan, a geração operacional de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 3,75 bilhões, ante R$ 475 milhões em igual intervalo em 2010.
Sem o efeito da Raízen, o Ebtida no trimestre alcançou R$ 27 milhões - redução de 44%.
Com a operação unificada Raízen, a dívida líquida da empresa diminuiu em 47%, terminando o trimestre em R$ 2,74 bilhões.

Gabrielli: meta de ampliar participação em etanol é real


SÃO PAULO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, mandou hoje um recado aos fabricantes de etanol no Brasil. Questionado sobre o segmento, Gabrielli destacou que a estatal vai construir usinas e que a meta de ampliar a participação no mercado de etanol dos atuais 5,3% para 12% nos próximos cinco anos é real. "Quando a Petrobras decide fazer alguma coisa, ela faz", afirmou. O executivo destacou ainda que o setor de etanol "deve ser" muito atrativo, já que os usineiros o dominam há quatro séculos.

Perguntado sobre o preço da gasolina, Gabrielli voltou a dizer que o valor cobrado pela Petrobras é de R$ 1,05 por litro. A diferença para o valor pago pelos consumidores nos postos de combustíveis é resultado da incidência de impostos e das margens cobradas ao longo da cadeia, justificou ele durante o seminário Os novos desafios do pré-sal, realizado hoje pelo Grupo Estado.