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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Petrobrás e MPX vencem leilão de energia


As duas companhias foram as únicas a terem seus projetos de usinas termoelétricas a gás natural contratadas na íntegra

Marcado por polêmicas desde que foi anunciado, o leilão A-3 (que prevê a contratação de energia a ser ofertada daqui a três anos) terminou ontem com a Petrobrás e a MPX como grandes vencedoras. Por serem produtoras de gás natural, as duas companhias conseguiram ser as únicas a terem seus projetos de usinas térmicas a gás natural contratados na íntegra. O leilão movimentou R$ 29 bilhões. Do total, R$ 6,5 bilhões são a parte da MPX.
A Petrobrás ainda levou vantagem por ter obtido o maior preço do leilão, a R$ 104,75 o MWh. O preço da MPX ficou em 101,90, ante o valor teto inicial de R$ 139 por MWh. Os 50 projetos leiloados preveem investimentos de R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão da MPX. A Petrobrás não divulgou a parte dela em investimentos e o valor total do contrato.
Para o presidente da MPX, Eduardo Karrer, o leilão A-3 deixou claro que "no futuro só terá espaço na disputa para ofertar energia térmica a gás quem tiver acesso ao próprio combustível".
"Foi um leilão extremamente competitivo, e só ficou mesmo até o fim quem tinha projetos diferenciados e acesso direto a matéria-prima", disse Karrer. Para ele, o preço final da energia ofertada pela MPX, de R$ 101,90, foi "adequado para manter a rentabilidade do projeto".
No total, o leilão negociou 2,7 mil MW, dos quais 1,068 mil em projetos de geração eólica, 1,029 mil nas usinas a gás e 198 MW em usinas de biomassa. O deságio médio para a energia dessas fontes foi de 26%. No mesmo leilão também foi contratada sem deságio a expansão de 450 MW da usina hidrelétrica de Jirau, no Complexo do Rio Madeira.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o "leilão foi muito equilibrado". "Existia uma dúvida se haveria uma fonte que dominaria tudo. E não houve isso. Houve uma distribuição entre a fontes. Gás e eólica repartiram mercado, uma com 39% e outra com 38% da capacidade instalada, houve empate entre as duas fontes."
Tolmasquim minimizou a polêmica envolvendo a participação de autoprodutoras de gás (MPX e Petrobrás), que teriam afastado outros investidores. "O que importa para o consumidor é que a energia gerada seja a mais barata. Onde está sendo comprado o gás, do ponto de vista do consumidor, não interessa."
Já o Ministério de Minas e Energia estuda a possibilidade de tomar medidas em relação às exigências de inflexibilidade em um próximo leilão de térmicas a gás natural para evitar novas polêmicas. Inflexibilidade se refere a quanto uma térmica se propõe a gerar ao longo do ano, fator que determina qual será o gasto com a compra de gás.
Como fornecedora, a Petrobrás exigiu que as usinas que compraram seu gás se comprometessem a gerar 30% ao ano no mínimo, pagando o correspondente ao volume, independentemente de serem acionadas pelo Operador Nacional do Sistema.
Na competição, no entanto, entrou com sua térmica Paracambi, no Rio, propondo inflexibilidade zero. A Secretaria de Defesa Econômica (SDE) decide nos próximos dias se vai ou não instaurar processo administrativo para avaliar a falta de isonomia na concorrência. 

Arauco prevê aumentar produção de celulose em 30% em 2011


SANTIAGO - A chilena Arauco, uma das maiores produtoras mundiais de celulose, disse nesta quarta-feira que espera que a sua produção cresça cerca de 30 por cento em 2011 em relação ao ano passado e que está olhando a possibilidade de expandir sua capacidade de produção no futuro.

A Arauco, unidade de celulose do conglomerado industrial chileno Copec, prevê que irá produzir 3 milhões de toneladas de celulose neste ano, contra 2,3 milhões de toneladas produzidas no ano passado.
"Estamos em processo de estudos... um projeto para modernizar e expandir a Arauco", disse o diretor corporativo da Arauco, Franco Bozzalla, aos repórteres nesta quarta-feira.
"Nós ainda estamos na fase preliminar", afirmou ele, acrescentando que detalhes adicionais podem estar disponíveis em abril.
A produtora de celulose, cujas unidades incluem cinco fábricas no Chile e uma na Argentina, também possui operações no Brasil e no Uruguai.
A Arauco e a sueco-finlandesa Stora Enso planejam investir 1,9 bilhão de dólares na criação de uma unidade produtora de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano no Uruguai, no maior investimento da história daquele país.
A fábrica já está em fase de construção e deve iniciar as operações no primeiro trimestre de 2013.
(Texto de Simon Gardner e Alexandra Ulmer)