quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Petrobras e São Martinho investem em joint venture


A unidade deverá produzir 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a partir da safra de 2014/2015
Nova Fronteira, joint venture entre o Grupo São Martinho e a Petrobras Biocombustível, anuncia investimentos de R$ 520,7 milhões na ampliação da capacidade de moagem da Usina Boa Vista.
A unidade deverá produzir 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a partir da safra de 2014/2015.
O principal objetivo é atender a demanda de etanol já presente e não suficientemente atendida no momento. A demanda nacional hoje é de 32 bilhões de litros por ano.
"Queremos ajudar na troca de agenda", afirmou Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível. "Queremos colaborar na troca da agenda de crise da oferta pela agenda de fornecimento dela."
Desse total, R$ 430,5 milhões serão direcionados para aquisição de equipamentos industriais e outros R$ 90,2 milhões em aparelhagem agrícola. Com a expansão, 70% do total da produção da unidade terá origem na cana-de-açúcar nacional.
O maior montante deverá vir na safra de 2013/2014, quando serão investidos R$ 326,1 milhões para um salto de 100% na capacidade de moagem.
A safra 2010/2011 de cana-de-açúcar, classificada como muito ruim pelo executivo da Petrobras, deverá resultar em uma importação de 1,5 bilhão de litros de etanol.
"Uma questão estrutural como a desse ano não faz parte dos nossos cenários", avalia Fábio Venturelli, presidente da Nova Fronteira Bioenergia. Para ele, não é possível definir quando a oferta acompanhará a demanda.
Venturelli não espera nova alta no preço do açúcar. "O preço chegou onde podia chegar."
A produção da Nova Fronteira pode chegar a 700 mil litros de etanol por ano, no entanto, o presidente da empresa não pretende ampliar a exportação de combustível. "Nossa exportação é desprezível. Se formos exportar será o etanol fino, para bebida."
Segundo Venturelli, o açúcar foi a commodity menos impactada pela crise recente em termos de preço.

Petrobrás e MPX vencem leilão de energia


As duas companhias foram as únicas a terem seus projetos de usinas termoelétricas a gás natural contratadas na íntegra

Marcado por polêmicas desde que foi anunciado, o leilão A-3 (que prevê a contratação de energia a ser ofertada daqui a três anos) terminou ontem com a Petrobrás e a MPX como grandes vencedoras. Por serem produtoras de gás natural, as duas companhias conseguiram ser as únicas a terem seus projetos de usinas térmicas a gás natural contratados na íntegra. O leilão movimentou R$ 29 bilhões. Do total, R$ 6,5 bilhões são a parte da MPX.
A Petrobrás ainda levou vantagem por ter obtido o maior preço do leilão, a R$ 104,75 o MWh. O preço da MPX ficou em 101,90, ante o valor teto inicial de R$ 139 por MWh. Os 50 projetos leiloados preveem investimentos de R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão da MPX. A Petrobrás não divulgou a parte dela em investimentos e o valor total do contrato.
Para o presidente da MPX, Eduardo Karrer, o leilão A-3 deixou claro que "no futuro só terá espaço na disputa para ofertar energia térmica a gás quem tiver acesso ao próprio combustível".
"Foi um leilão extremamente competitivo, e só ficou mesmo até o fim quem tinha projetos diferenciados e acesso direto a matéria-prima", disse Karrer. Para ele, o preço final da energia ofertada pela MPX, de R$ 101,90, foi "adequado para manter a rentabilidade do projeto".
No total, o leilão negociou 2,7 mil MW, dos quais 1,068 mil em projetos de geração eólica, 1,029 mil nas usinas a gás e 198 MW em usinas de biomassa. O deságio médio para a energia dessas fontes foi de 26%. No mesmo leilão também foi contratada sem deságio a expansão de 450 MW da usina hidrelétrica de Jirau, no Complexo do Rio Madeira.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o "leilão foi muito equilibrado". "Existia uma dúvida se haveria uma fonte que dominaria tudo. E não houve isso. Houve uma distribuição entre a fontes. Gás e eólica repartiram mercado, uma com 39% e outra com 38% da capacidade instalada, houve empate entre as duas fontes."
Tolmasquim minimizou a polêmica envolvendo a participação de autoprodutoras de gás (MPX e Petrobrás), que teriam afastado outros investidores. "O que importa para o consumidor é que a energia gerada seja a mais barata. Onde está sendo comprado o gás, do ponto de vista do consumidor, não interessa."
Já o Ministério de Minas e Energia estuda a possibilidade de tomar medidas em relação às exigências de inflexibilidade em um próximo leilão de térmicas a gás natural para evitar novas polêmicas. Inflexibilidade se refere a quanto uma térmica se propõe a gerar ao longo do ano, fator que determina qual será o gasto com a compra de gás.
Como fornecedora, a Petrobrás exigiu que as usinas que compraram seu gás se comprometessem a gerar 30% ao ano no mínimo, pagando o correspondente ao volume, independentemente de serem acionadas pelo Operador Nacional do Sistema.
Na competição, no entanto, entrou com sua térmica Paracambi, no Rio, propondo inflexibilidade zero. A Secretaria de Defesa Econômica (SDE) decide nos próximos dias se vai ou não instaurar processo administrativo para avaliar a falta de isonomia na concorrência. 

Arauco prevê aumentar produção de celulose em 30% em 2011


SANTIAGO - A chilena Arauco, uma das maiores produtoras mundiais de celulose, disse nesta quarta-feira que espera que a sua produção cresça cerca de 30 por cento em 2011 em relação ao ano passado e que está olhando a possibilidade de expandir sua capacidade de produção no futuro.

A Arauco, unidade de celulose do conglomerado industrial chileno Copec, prevê que irá produzir 3 milhões de toneladas de celulose neste ano, contra 2,3 milhões de toneladas produzidas no ano passado.
"Estamos em processo de estudos... um projeto para modernizar e expandir a Arauco", disse o diretor corporativo da Arauco, Franco Bozzalla, aos repórteres nesta quarta-feira.
"Nós ainda estamos na fase preliminar", afirmou ele, acrescentando que detalhes adicionais podem estar disponíveis em abril.
A produtora de celulose, cujas unidades incluem cinco fábricas no Chile e uma na Argentina, também possui operações no Brasil e no Uruguai.
A Arauco e a sueco-finlandesa Stora Enso planejam investir 1,9 bilhão de dólares na criação de uma unidade produtora de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano no Uruguai, no maior investimento da história daquele país.
A fábrica já está em fase de construção e deve iniciar as operações no primeiro trimestre de 2013.
(Texto de Simon Gardner e Alexandra Ulmer) 

EUA querem parceria com Brasil para criar mercado global de etanol



Daniel Poneman: "Podemos encontrar mais mercados no mundo para o etanol e expandir a demanda"
Os Estados Unidos querem acelerar projetos de cooperação com o Brasil na área de biocombustíveis para explorar terceiros mercados e criar um mercado global de etanol. Apesar da recente crise de oferta no Brasil e das incertezas que ainda cercam a manutenção dos subsídios nos EUA, o governo americano buscará a transformação do etanol em commodity, assegura Daniel Poneman, número 2 do Departamento de Energia.
"É nosso objetivo ver a sua 'commoditização'. Podemos encontrar mais mercados no mundo e expandir a demanda", disse o secretário-adjunto de Energia, após reuniões com autoridades brasileiras, que encerraram visita de três dias ao país.
Poneman e o secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, lançaram um Diálogo Estratégico de Energia que engloba quatro áreas: biocombustíveis e energias renováveis; petróleo e gás natural; eficiência energética; e energia nuclear. Esse mecanismo aprofunda o memorando de entendimentos na área de etanol, assinado em 2007, que previa cooperação em pesquisa, padronização do produto e desenvolvimento de produção em terceiros mercados. Os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, no encontro que tiveram em março, prometeram dar novo impulso ao acordo.
Poneman diz que os dois países devem expandir, para outros países, a cooperação que já têm para desenvolver a produção de etanol na América Central e no Caribe. Também pediu ênfase na definição de padrões e normas técnicas. Sem isso, acredita, será difícil colocar biocombustíveis no mercado internacional. "Uma das questões importantes que devemos levar em conta é estabelecer normas e padrões para que, por exemplo, veículos flex fuel possam aceitar diferentes biocombustíveis", diz.
Para ele, dificuldades momentâneas em suprir a demanda - como a recente crise de oferta na entressafra brasileira - não devem ser vistas como impedimento para transformar o etanol em commodity negociada internacionalmente. Poneman destaca a importância de desenvolver formas mais competitivas de produção, especialmente com a nova geração de etanol, e estimular novas demandas, como a aplicação de biocombustíveis na aviação, alvo de parceria entre Embraer e Boeing.
De acordo com ele, os EUA acabaram de entrar na segunda rodada de aumento dos padrões de eficiência exigidos da indústria de veículos, que elevarão o gasto de combustível para cerca de 23 quilômetros por litro até 2025. Isso também pode gerar demanda adicional para biocombustíveis que possam ser misturados à gasolina.
Nesta semana, Obama anunciou a distribuição de subsídios no valor de US$ 510 milhões para estimular a produção de biocombustíveis que não sejam processados a partir do milho. Os recursos cobrirão os custos de construção e readequação de refinarias para os chamados biocombustíveis avançados, produzidos a partir de resíduos de animais, algas e outros materiais. O produto resultante poderá ser usado em aeronaves, navios e outros equipamentos.
Para Poneman, o Brasil será um "grande fornecedor" de petróleo dos EUA, com o desenvolvimento do pré-sal. Ele garante que as regras do setor agradam às petrolíferas americanas. "As empresas estão muito entusiasmadas com as oportunidades que veem aqui."

Petrobras e São Martinho abrem novo ciclo do etanol


Agroenergia: Empresas constroem maior planta de etanol do mundo


Estímulos à vista: Venturelli (esq.) e Rossetto apresentam projeto que vem com a promessa de ser o primeiro de um novo ciclo de novas usinas de etanol
Em linha com a estratégia do governo de ampliar a oferta de etanol no país, a Petrobras Biocombustíveis (PBio) anunciou ontem com o grupo paulista São Martinho, seu parceiro em projetos de bioenergia no Centro-Oeste, que investirá R$ 520,7 milhões para transformar uma usina de Goiás na maior produtora de etanol de cana-de-açúcar do mundo. Além da dimensão inédita, o projeto também tem a ambição de ser o primeiro de um novo ciclo de investimentos em usinas alcooleiras no país. Com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros estímulos oficiais ainda em fase de definição, a expectativa é que esse novo ciclo de fato ganhe força no curto prazo.
Pertencente à Nova Fronteira Bioenergia, joint venture criada em 2010 pelas duas companhias, a usina que será ampliada é a Boa Vista, localizada no município de Quirinópolis. A atual capacidade de moagem de cana da unidade é de 3 milhões de toneladas por safra - no ciclo atual (2011/12) serão processadas 2,3 milhões -, mas a partir dos aportes previstos deverá atingir 8 milhões de toneladas em 2014/15, destinadas exclusivamente à produção de etanol.
A pedra fundamental será lançada em setembro. A expectativa é que a Boa Vista seja a primeira indústria de etanol a receber do BNDES condições de financiamento ainda não disponíveis pelo segmento no país. "Vamos iniciar uma agenda específica com o banco para definir recursos e modelo do financiamento", afirma Fábio Venturelli, presidente da Nova Fronteira. O executivo reitera que a empresa não tem nada acertado com o BNDES até o momento.

O presidente da PBio, Miguel Rossetto, evita entrar na seara política quando é questionado sobre quais estímulos governamentais estão à caminho. Mas afirma que o anúncio da Boa Vista deixa evidente a confiança de que o etanol está na agenda definitiva do governo. "Nossa expectativa é de que a política pública que virá trará estímulo para que a oferta do biocombustível cresça substancialmente". A Boa Vista conta com incentivo fiscal de ICMS do governo de Goiás no valor total de R$ 3 bilhões.
Do previsto investimento de R$ 520 milhões (indústria e mecanização), R$ 400 milhões (76,9%) deverão ser financiados, basicamente pelo BNDES. Segundo Venturelli, que também é CEO da São Martinho, o restante (cerca de R$ 120 milhões) virá de capital próprio
"Esse dinheiro já está em caixa", afirma Rossetto. Até agora, a PBio já investiu na Nova Fronteira cerca de R$ 250 milhões. Até o fim do ano, aportará mais R$ 170 milhões para completar os R$ 420,8 milhões acordados no acordo que prevê que a estatal assuma 49% da joint venture.
Na última semana, a estatal divulgou que investirá entre 2011 e 2015 US$ 1,9 bilhão para crescer na produção do biocombustível, dos quais 70% em novas usinas. Rossetto deixa claro que "a maior parte" da expansão esperada - dos atuais 1,5 bilhão de litros de etanol para 5,6 bilhões de litros em quatro anos - virá da região Centro-Oeste, via Nova Fronteira.
Somente na Boa Vista, a produção de etanol crescerá de 210 milhões de litros neste ciclo para 700 milhões de litros em 2014, distribuídos igualmente entre anidro e hidratado. A cogeração de energia, atualmente em 220 mil Megawatt-hora (MWh), avançará para 600 mil MWh.
Além da Boa Vista, já em operação, a joint venture tem planos de construir outra indústria de etanol, mas em Bom Jesus de Goiás, vizinha à Quirinópolis, região que já está no trajeto do etanolduto e da infraestrutura multimodal (ferrovia e hidrovia) desenhada pela Logum, empresa de logística para biocombustíveis da qual a Petrobras tem 20% de participação. Segundo Rossetto, o projeto de Bom Jesus de Goiás pode, sim, participar do cronograma de investimentos 2011-2015 da estatal.
O projeto da Boa Vista, explica Venturelli, vem sendo classificado como "usina nova", pois o crescimento de 3 milhões para 8 milhões de toneladas não pode ser caracterizado como simples aumento de capacidade já existente. Mas, ainda assim, os investimentos, garante o executivo, serão bem menores do que o de uma usina nova e devem ficar próximos de US$ 70 por tonelada de capacidade de moagem instalada.
O aporte divulgado ontem não inclui a produção da cana-de-açúcar adicional que será moída na Boa Vista. O montante da parte agrícola ainda não foi dimensionado, porque se buscará parceria no fornecimento de cana com produtores de Goiás, diz o executivo.
Até agora, 100% dos 2,350 milhões de toneladas da matéria-prima processada em Quirinópolis são de cana própria da Nova Fronteira, que ontem também lançou sua nova marca. "Nosso plano agora é atingir 8 milhões de toneladas com equação final de 30% a 40% da cana sendo fornecida por produtores parceiros", afirma Venturelli.

A maior usina de etanol do mundo em GO


No que a Petrobras Biocombustíveis espera que seja o primeiro projeto de um novo ciclo de investimentos na produção de etanol no país, a empresa e o grupo São Martinho anunciaram que estão aplicando R$ 520 milhões para transformar a usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), na maior fábrica de álcool de cana-de-açúcar do mundo. A unidade pertence à Nova Fronteira Bioenergia, joint venture entre as duas empresas.

O investimento segue a estratégia da Petrobras de dar prioridade a projetos que se traduzam em novas linhas de produção de etanol e não só à compra de empresas. A estatal divulgou que investirá US$ 1,9 bilhão em etanol até 2015, dos quais 70% em novas usinas. Espera-se que a Boa Vista seja a primeira usina a receber crédito do BNDES em condições inéditas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Turbinada por efeito da Raízen, Cosan lucra R$ 2,29 bi


Além dos melhores preços de açúcar e etanol, ênfase para a alta de 80% nas vendas de etanol, atingindo R$ 643 milhões


A Cosan divulgou nesta terça-feira (16/8) um lucro líquido de R$ 2,29 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2012 – abril, maio e junho –, em reflexo da formação da Raízen.
O reconhecimento no balanço dos ativos e passivos, mais investimentos, contribuídos pela Cosan na Raízen permitiu à empresa apurar como receita o ágio na formação da joint venture. Isso contribuiu com R$ 2,2 bilhões para o lucro do trimestre.
Sem o ganho não recorrente, o lucro líquido teria sido R$ 167,5 milhões, ainda acima do resultado no anterior (R$ 400 mil).
Com a Raízen, fruto da fusão dos principais negócios do grupo sucroalcooleiro Cosan e da Shell no Brasil, a receita líquida da empresa passou de R$ 3,99 bilhões no ano anterior para R$ 5,188 bilhões.
Somente o segmento de açúcar e álcool, que passa a se chamar Raízen Energia, apurou receita líquida de R$ 1,63 bilhão, um avanço de 28,6% em relação ao mesmo período no ano passado.
Além dos melhores preços de açúcar e etanol, ênfase para a alta de 80% nas vendas de etanol, atingindo R$ 643 milhões.
No primeiro trimestre fiscal da Cosan, a geração operacional de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 3,75 bilhões, ante R$ 475 milhões em igual intervalo em 2010.
Sem o efeito da Raízen, o Ebtida no trimestre alcançou R$ 27 milhões - redução de 44%.
Com a operação unificada Raízen, a dívida líquida da empresa diminuiu em 47%, terminando o trimestre em R$ 2,74 bilhões.

Gabrielli: meta de ampliar participação em etanol é real


SÃO PAULO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, mandou hoje um recado aos fabricantes de etanol no Brasil. Questionado sobre o segmento, Gabrielli destacou que a estatal vai construir usinas e que a meta de ampliar a participação no mercado de etanol dos atuais 5,3% para 12% nos próximos cinco anos é real. "Quando a Petrobras decide fazer alguma coisa, ela faz", afirmou. O executivo destacou ainda que o setor de etanol "deve ser" muito atrativo, já que os usineiros o dominam há quatro séculos.

Perguntado sobre o preço da gasolina, Gabrielli voltou a dizer que o valor cobrado pela Petrobras é de R$ 1,05 por litro. A diferença para o valor pago pelos consumidores nos postos de combustíveis é resultado da incidência de impostos e das margens cobradas ao longo da cadeia, justificou ele durante o seminário Os novos desafios do pré-sal, realizado hoje pelo Grupo Estado.

Para EPE, preferência por fonte de energia prejudica competitividade



Maurício Tolmasquim: "Quando não há preferência por fonte, o mais razoável para o consumidor é que seja a fonte mais barata"
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, disse ontem que não vê razão para garantir cotas para o financiamento de certas fontes de produção para os leilões de compra de energia elétrica de novos empreendimentos (A-3) e de contratação de energia de reserva (leilão de reserva), que serão realizados nos dias 17 e 18. Ele rebateu críticas de alguns empresários, que reclamam da permissão para que todas as fontes (hídrica, eólica, biomassa e gás natural) participem do leilão A-3.
"Todo mundo está reclamando porque ninguém quer competição", disse no painel "Matriz Energética e Competitividade", no 12º Encontro Internacional de Energia, em São Paulo. A EPE habilitou 321 empreendimentos para os leilões. Juntos, somam capacidade instalada de 14.083 megawatts.
"Quando você não tem nenhuma preferência por fonte, o mais razoável para o consumidor é que seja a fonte mais barata. Sem nenhuma razão específica, acho melhor que haja competição entre todas as fontes e deixo o preço revelar quem é mais competitivo", disse Tolmasquim, em resposta a uma pergunta da plateia. Segundo ele, o fato de todas as fontes estarem participando do leilão de curto prazo não significa que nos próximos não possa haver a criação de cotas. "É lógico que quando isso acontecer a reclamação vai ser de que a cota de uma fonte foi maior que a da outra. Ai vai mudar a discussão: por que diacho o governo não deixa todas as fontes competirem entre si livremente? Por que o governo vai intervir no mercado?"
Durante sua apresentação, na qual apontou as perspectivas da EPE para a matriz energética brasileira até 2020, Tolmasquim citou que havia 582 projetos cadastrados para participar do A-3, e que, após análise da estatal, coincidentemente, foram mantidas as mesmas proporções de tipos de fontes inicialmente interessadas. "Foram eliminadas proporcionalmente empreendimentos de cada fonte, não houve fonte mais habilitada."
As usinas eólicas puxam a fila das habilitações, com 240 parques autorizados a participar dos leilões, totalizando 6.052 MW. A seguir estão as termelétricas à biomassa, com 43 empreendimentos e 2.750 MW de potência, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), com 27 projetos e 443 MW, as termelétricas a gás natural, com dez unidades habilitadas e 4.388 MW, e as hidrelétricas, com um projeto, para ampliar Jirau, com 450 MW.
Sobre a polêmica em torno da participação da Petrobras no leilão, tendo em vista que a estatal é detentora do gás natural - concorrentes alegam que ela poderia ter vantagem em relação a outros participantes -, Tomalsquim disse que não vê problemas, nos termos das regras do leilão.
Segundo o presidente da EPE, se o Brasil crescer a uma taxa de 5% ao ano será preciso instalar mais 61 mil megawatts na matriz energética brasileira, que atualmente conta com 115 mil MW. "Olhando assim, parece um baita desafio, mas não é tanto, porque desses 61 mil, 42 mil foram contratados e já estão em construção ou em vias de se iniciar", explicou. "O que não está equacionado são esses outros 19 mil megawatts, para os quais apontamos como prioridade fontes hidráulicas e alternativas", disse Tomalsquim, para quem o Brasil já é e continuará sendo exemplo mundial de matriz energética. "Se no mundo menos de 13% das fontes de energia são renováveis, no Brasil esse percentual é de 45% e deve se manter estável até 2020."
Tomalsquim disse que é preciso cuidado em se comparar o custo da energia industrial de outros países com o do Brasil em um cenário de câmbio valorizado. "Tenho visto se multiplicarem estudos por aí que convertem tudo para dólar e comparam: 'Olha, o Brasil é muito mais caro do que o outro. Quando há um real sobrevalorizado em 30%, no mínimo é preciso ter escrúpulo na conversão."

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sem cana, usineiros podem antecipar o fim da safra


Sem cana, usineiros podem antecipar o fim da safra 

Canaviais velhos e fatores climáticos reduzem produtividade e fazem os preços subirem.


As usinas de etanol e açúcar instaladas na região Centro-Sul do país poderão antecipar para o mês de outubro o fim da safra de cana-de-açúcar. Normalmente, em um ano de períodos estáveis, isso aconteceria no mês de dezembro. Após três anos colecionando problemas (nas safras 2009/2010 e 2010/11 foram a seca e as chuvas intensas que atrapalharam, e na atual safra (2011/2012) é a falta de investimentos em novas áreas e canaviais velhos que atrapalharam a produção, além da ocorrência de geadas.

Agora, quase sem cana, é possível que os usineiros antecipem o fim da temporada, o que naturalmente elevará ainda mais os preços do etanol e do açúcar ao consumidor.

A União das Indústrias da Cana-de-açúcar (Unica) ameniza o fato, mas admite que as usinas terão que reavaliar individualmente as suas produções e cronogramas anuais."Pode ser que uma ou outra usina antecipe o final da safra devido à menor oferta de cana por área plantada neste ano", explica Sérgio Prado, da Unica. As usinas mais afetadas estão localizadas no estado de São Paulo, Minas Gerais e norte do Paraná.

Até o momento, apenas o grupo Batatais, com usinas em Batatais e Lins, na região de Araçatuba, ambas no interior de São Paulo, anunciou oficialmente a atencipação do fim da moagem em uma das unidades. Segundo Bernardo Biagi, diretor-presidente do grupo, em Lins a safra será paralisada em outubro. "Na região, tivemos uma seca severa e a geada atingiu muitos canaviais no final do mês de junho", explicou. A unidade Batatais, porém, continuará a safra até dezembro.

Na região de Piracicaba, os canaviais não devem render mais que 36 milhões de toneladas, segundo estimativas da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo, Coplacana. José Coral, presidente da entidade, trabalhava com a expectativa de colher 37 milhões de toneladas na região e, segundo ele, se este volume menor for confirmado, as usinas da região não terão cana-de-açúcar para moer a partir de outubro.

Em Minas Gerais, a usina Paraíso, do grupo Infinity Bioenergia, suspendeu suas atividades por falta de cana. A unidade mantinha canaviais plantados em cerca de 400 mil hectares. A cana ainda disponível nestes canaviais e aptas a serem colhidas, estão sendi vendidas para outras unidades instaladas na região. Nas outras unidades industrias do grupo, porém, as atividades continuam normalmente.

Os canaviais da região oeste paulista, onde está a Usina Lins, foram os mais afetados pelas fortes geadas do fim de junho. A União dos Produtores de Bioenergia (Udop) estima que pelo menos 70 usinas na região tiveram seus canaviais atingidos pelas geadas. O presidente da entidade, Celso Torquato Junqueira Franco, explica que a geada contribui ainda mais para a redução da produtividade da planta. Ele diz que muitas usinas da região estão revendo seus cronogramas para evitar prejuízos ainda maiores e é possível que a safra deste ano termine antes do previsto.

Sem ATR, a cana não vale


Na região Centro-Sul, que produz a maior parte da cana no Brasil, os canaviais já vinham perdendo produtividade porque estão velhos (a renovação dos canaviais deve ser feita a cada seis ou sete anos) e as intensas frentes frias que atingiram a área este ano também provocaram um grave problema: o florescimento da cana. O processo faz a planta brotar na parte superior e crescer acima do nível médio, roubando os nutrientes da parte que está embaixo e que é usada para fazer etanol e açúcar.

Para tentar evitar o problema, as usinas precisam colher a planta antes do período planejado, normalmente de 12 meses. Na usina, porém, esta cana não apresenta quantidades suficientes de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por hectare, perde preço (que é calculado a partir da quantidade de ATR/tonelada) e tem baixo rendimento.

Sem ajuda, o preço sobe

O governo federal anunciou, em junho, linhas de crédito especiais para o setor sucroenergético. O produtor de cana-de-açúcar, através do Plano Safra, poderá obter financiamentos de até R$ 1 milhão por ano para investir em novas áreas plantadas com cana. O resultado disso, porém, só surgirá no final de 2012, já que o canavial leva, em média, de oito a nove meses para começar produzir. "Já sinaliza ajuda, mas o governo ainda tem que definir melhor quais os planos que tem para o etanol", avalia Jacyr Costa, diretor-presidente da Usina Guarani, de Olímpia, interior de São Paulo.

Segundo Costa, a falta de políticas agrícolas bem direcionadas para o setor provocam a instabilidade, principalmente nos preços do etanol. "Não há apoio", reclama. "O Brasil é o único país do mundo que permite ao seu consumidor escolher qual combustível quer comprar. Isto, porém, é um mérito da iniciativa privada, dos usineiros. Está na hora de o governo apoiar o setor".

A maré de preços altos para o etanol ainda deve permanecer em todo o país durante três ou quatro anos, se houver investimentos e, como defendem os usineiros, apoio governamental (Globo Rural, 14/8/11)