O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR), do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligado à Secretaria de Agricultura paulista, encerrou maio com alta de 15,43%.
O maior responsável pela valorização foi o índice de produtos de origem vegetal, que subiu 23,45% por conta principalmente da cana-de-açúcar. O índice de produtos de origem animal caiu 4,50%.Segundo o IEA, quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo o IqPR cai 3,56% e o índice de vegetais recua 2,65%. No acumulado de 12 meses, o índice de preços agropecuários apresenta alta de 34,02%.
Os produtos que registraram as maiores altas em maio foram: cana (42,62%), tomate para mesa (38,78%), feijão (33,44%), leite C (5,74%) e o leite B (5,04%). Os que tiveram as maiores quedas foram algodão (26,12%), laranja para mesa (21,73%), ovos (11,61%), carne de frango (10,48%), carne suína (8,48%) e banana (6,25%).
terça-feira, 7 de junho de 2011
Lobão vê dificuldades no abastecimento de etanol
Governo não quer reduzir a mistura de etanol na gasolina, mas o fará se for necessário, disse o ministro Edison Lobão
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo está preocupado com o abastecimento de etanol na próxima entressafra, que começa em dezembro deste ano e se estende até abril do ano seguinte.
O ministro disse que o governo não quer reduzir a mistura de etanol (anidro) na gasolina, atualmente em 25%, mas se for preciso, a medida poderá ser tomada. Ele afirmou que as medidas para estocagem de etanol (warrantagem) devem ser anunciadas "em breve" e descartou o aumento dos preços da gasolina, apesar das altas internacionais do petróleo.
A oferta apertada de etanol é resultante da desaceleração dos investimentos em novas usinas no país, consequência da crise que abateu o setor em 2008. Segundo o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Marcos Jank, o nível de crescimento da moagem de cana caiu para 3,5% ao ano desde a safra 2008/09, ante o ritmo anual de 10,4% que ocorria desde 2003/04.
Por causa de demandas antigas, anteriores a 2010, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) conseguiu desembolsar R$ 7,6 bilhões ao setor no ano passado, um recorde. Desse total, segundo Luciano Coutinho, presidente do banco de fomento, quase R$ 4 bilhões foram direcionados à compra de máquinas e equipamentos. Para 2011, Coutinho afirma que a tendência é que o volume de desembolso se mantenha. Não foram fornecidos, porém, dados sobre as operações.
Ele afirma que o banco está se preparando para atender à grande demanda por financiamento que virá do setor nos próximos anos. A instituição estima desembolsar de 2011 a 2014 entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões ao setor.
Os recursos, explica, serão direcionados à expansão da capacidade produtiva e dos canaviais, integração da rede de gasodutos, melhoria da logística e desenvolvimento tecnológico. "Precisamos acelerar os investimentos, começando pela renovação dos canaviais", destacou Coutinho.
A própria Petrobras Biocombustível (PBIO) revisa seu plano de investimentos para os próximos anos em produção de etanol, segundo Miguel Rossetto, presidente da PBIO. A intenção, diz ele, é que o ritmo de aportes seja mais intenso do que foi até agora. "Entre 2010 e 2014 vamos aplicar US$ 1,9 bilhão no setor, parte já em andamento. A ideia é avançar", disse o executivo.
Também ontem, no Ethanol Summit, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que as usinas em São Paulo terão redução de 12% para zero de ICMS na aquisição de bens de capital utilizados em cogeração de energia elétrica com bagaço de cana.
O sonho de mover o mundo com algas marinhas
O empresário argentino Jorge Kaloustian faz o estereótipo do cientista maluco: fala pelos cotovelos, tem uma pequena mostra de suas descobertas na mesa de trabalho e alimenta projetos grandiosos. A atual obsessão dele, após dez anos de pesquisas, é viabilizar um investimento de US$ 60 milhões para produzir 200 mil toneladas por ano de biodiesel à base de algas marinhas. Kaloustian está à procura de sócios. "Tenho não menos de dez ofertas interessantes", jura.
Sua empresa, a Oil Fox, emprega um batalhão de biólogos e engenheiros. Ela tem uma planta industrial em San Nicolás, na Província de Buenos Aires, inaugurada em agosto de 2010 e que já tem essa capacidade instalada - mas, por enquanto, apenas 5% do total de biodiesel é feito com algas. O restante vem da soja e o custo de elaboração alcança US$ 1.050 por tonelada.
Com as algas marinhas, o empresário argentino garante ser possível produzir o mesmo volume por US$ 200, o que deixaria margens de lucro insuperáveis. Ele já investiu US$ 10 milhões, em capital próprio, para construir 60 piscinas artificiais onde as algas são cultivadas e na estrutura de apoio à produção do biocombustível. Sua meta é chegar a 500 piscinas até o fim do ano.
"Em 50 hectares de reservatórios com algas, vamos produzir o mesmo volume de biodiesel que poderíamos ter com 200 mil hectares de soja", entusiasma-se Kaloustian, munido de comparações, na sede da Oil Fox, no centro de Buenos Aires.
"O problema não é a viabilidade técnica, mas os custos", diz o empresário.
Para crescerem, as algas precisam de três insumos: muito dióxido de carbono (gastam-se US$ 4,8 mil por tonelada de alga), luz abundante de dia e de noite (são necessários 9 megawatts médios para abastecer o projeto da Oil Fox em San Nicolás) e nutrientes caros. Kaloustian diz ter resolvido esses três problemas: fez acordo com uma central térmica movida a carvão para capturar CO2 gratuitamente, por meio de um duto com cinco quilômetros de extensão, em troca dos créditos de carbono; instalou uma miniusina a biogás, que usa dejetos de animais como fonte, para garantir energia elétrica própria; e ainda aproveita o processo de biodigestão da usina para obter os fertilizantes usados na alimentação das algas.
Cada piscina artificial, com capacidade para 500 mil litros de água, é coberta por um plástico especial, com cristais microscópicos que refratam a luz e estimulam o crescimento das algas. São 500 quilos por dia de rendimento e o ciclo biológico delas se renova integralmente a cada 24 horas. "Posso dizer que tenho 365 colheitas por ano", diz ele.
Há pouco mais de dez anos, Kaloustian desistiu de outras fontes alternativas, como côco e pinhão manso. Primeiro, concentrou-se no uso das algas marinhas para elaborar suplementos alimentares ricos em proteínas. Até hoje os suplementos de sua marca são vendidos nas farmácias argentinas, mas agora ele sonha mesmo em mover o mundo com o biodiesel das algas.
Nos últimos meses, Kaloustian viajou por lugares como a China, a Califórnia e o Ceará - todos reúnem as condições adequadas para a produção em larga escala. Parece coisa de cientista doido, mas é bom levá-lo a sério, nem que seja por via das dúvidas: a Exxon Mobil já anunciou um investimento de US$ 600 milhões, em cinco anos, no desenvolvimento de biocombustível à base das mesmas algas. (DR)
Sua empresa, a Oil Fox, emprega um batalhão de biólogos e engenheiros. Ela tem uma planta industrial em San Nicolás, na Província de Buenos Aires, inaugurada em agosto de 2010 e que já tem essa capacidade instalada - mas, por enquanto, apenas 5% do total de biodiesel é feito com algas. O restante vem da soja e o custo de elaboração alcança US$ 1.050 por tonelada.
Com as algas marinhas, o empresário argentino garante ser possível produzir o mesmo volume por US$ 200, o que deixaria margens de lucro insuperáveis. Ele já investiu US$ 10 milhões, em capital próprio, para construir 60 piscinas artificiais onde as algas são cultivadas e na estrutura de apoio à produção do biocombustível. Sua meta é chegar a 500 piscinas até o fim do ano.
"Em 50 hectares de reservatórios com algas, vamos produzir o mesmo volume de biodiesel que poderíamos ter com 200 mil hectares de soja", entusiasma-se Kaloustian, munido de comparações, na sede da Oil Fox, no centro de Buenos Aires.
"O problema não é a viabilidade técnica, mas os custos", diz o empresário.
Para crescerem, as algas precisam de três insumos: muito dióxido de carbono (gastam-se US$ 4,8 mil por tonelada de alga), luz abundante de dia e de noite (são necessários 9 megawatts médios para abastecer o projeto da Oil Fox em San Nicolás) e nutrientes caros. Kaloustian diz ter resolvido esses três problemas: fez acordo com uma central térmica movida a carvão para capturar CO2 gratuitamente, por meio de um duto com cinco quilômetros de extensão, em troca dos créditos de carbono; instalou uma miniusina a biogás, que usa dejetos de animais como fonte, para garantir energia elétrica própria; e ainda aproveita o processo de biodigestão da usina para obter os fertilizantes usados na alimentação das algas.
Cada piscina artificial, com capacidade para 500 mil litros de água, é coberta por um plástico especial, com cristais microscópicos que refratam a luz e estimulam o crescimento das algas. São 500 quilos por dia de rendimento e o ciclo biológico delas se renova integralmente a cada 24 horas. "Posso dizer que tenho 365 colheitas por ano", diz ele.
Há pouco mais de dez anos, Kaloustian desistiu de outras fontes alternativas, como côco e pinhão manso. Primeiro, concentrou-se no uso das algas marinhas para elaborar suplementos alimentares ricos em proteínas. Até hoje os suplementos de sua marca são vendidos nas farmácias argentinas, mas agora ele sonha mesmo em mover o mundo com o biodiesel das algas.
Nos últimos meses, Kaloustian viajou por lugares como a China, a Califórnia e o Ceará - todos reúnem as condições adequadas para a produção em larga escala. Parece coisa de cientista doido, mas é bom levá-lo a sério, nem que seja por via das dúvidas: a Exxon Mobil já anunciou um investimento de US$ 600 milhões, em cinco anos, no desenvolvimento de biocombustível à base das mesmas algas. (DR)
Biodiesel atrai investimentos na Argentina
Agroenergia : Aportes somam US$ 900 milhões desde 2007 e produção deve alcançar 2,5 milhões de toneladas
Na contramão de sua indústria petrolífera, que registra os piores resultados em duas décadas, a Argentina vive uma febre de investimentos na produção de biodiesel. Saindo praticamente do zero, o país conquistou a posição de maior exportador mundial do produto. A nova estrela do setor é o mercado doméstico, cuja obrigatoriedade de misturar 5% de biocombustível no diesel comum foi implementada em janeiro do ano passado. A mistura subiu para 7% no segundo semestre e o governo conversa com produtores para levá-la a 10% no curto prazo.
Sem políticas sociais atreladas nem experimentos com matérias-primas alternativas, como a mamona no Brasil, quase toda a produção da Argentina é à base de soja e foi crescendo em ritmo geométrico. De 168 mil toneladas em 2007, aumentou para 1,2 milhão de toneladas em 2009 e deverá alcançar 2,5 milhões de toneladas neste ano.
Só os 12 maiores produtores do país, agrupados na Câmara Argentina de Biocombustíveis (Carbio), fizeram investimentos que somam US$ 900 milhões desde 2007. Um dos grandes projetos em andamento é o da americana Cargill, que pretende inaugurar em setembro uma planta com capacidade para processar 240 mil toneladas por ano, na Província de Santa Fé.
As perspectivas de crescimento do mercado interno, em que o diesel representa 65% do consumo de combustíveis, e os incentivos tributários explicam a explosão de investimentos. Depois da moagem do grão, os produtores argentinos têm duas opções: vender óleo de soja pagando 35% de retenções (imposto sobre os embarques ao exterior) ou transformá-lo em biodiesel por um pequeno custo adicional, mas ser taxado em apenas 2,5%. Além disso, ganham direito à depreciação acelerada de equipamentos e isenção no pagamento de imposto sobre lucro mínimo presumido.
Com a introdução do B5, no início de 2010, cerca de um terço da produção nacional passou a ser destinada para o mercado doméstico. Em abril, a China interrompeu suas compras de óleo de soja da Argentina, alegando descumprimento de certificação técnica. O governo argentino decidiu então aumentar a mistura para 7%, a fim de evitar prejuízo aos produtores com a perda de mercado, igualando o percentual adotado em países como a Alemanha. A medida foi bem avaliada e agora o planejamento é adotar a mistura de 10% até o fim de 2011. O Instituto de Tecnologia de Buenos Aires também faz testes com o uso da proporção de 20% de biodiesel em tratores e máquinas agrícolas.
Para a Carbio, não haverá problemas para atender a demanda do biocombustível. "A capacidade de resposta das indústrias é boa e ainda temos óleo de sobra", diz Castro. Nos cálculos da consultoria Abeceb.com, que divulgou um relatório sobre o assunto na semana passada, a capacidade instalada aumentará de 2,5 milhões para 3,2 milhões de toneladas por ano, em 2011, com os investimentos em curso.
O súbito crescimento da produção de biodiesel já o levou a integrar a lista dos dez maiores produtos de exportação da Argentina. No ano passado, rendeu mais de US$ 1,2 bilhão em divisas. É um contraste importante com o setor de combustíveis fósseis. Devido às importações crescentes de diesel comum e de gás natural, que atingiram quase US$ 3,5 bilhões em 2010, o país teve seu primeiro déficit comercial na balança de petróleo e derivados em 20 anos.
A União Europeia é o principal mercado para o biocombustível argentino. Para Castro, deve continuar sendo assim por um bom tempo, já que "eles têm um mandato para reduzir as emissões (de gases do efeito estufa) até 2020". Mas os primeiros sinais de protecionismo começam a aparecer. Em maio, a Espanha dificultou a entrada de biodiesel importado, gerando fortes protestos da chancelaria argentina.
Repasse do Tesouro ao BNDES pode ser adiado
Concessão do empréstimo de R$ 55 bi foi autorizado por MP em março, mas Fazenda que deixar liberação de parte desse dinheiro para 2012
BRASÍLIA - Ministério da Fazenda quer deixar para 2012 o repasse de boa parte dos R$ 55 bilhões de empréstimo do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A concessão do empréstimo foi autorizada pela Medida Provisória 526, enviada ao Congresso Nacional no início do ano, mas nenhum centavo do aporte anunciado pela equipe econômica chegou ao banco até agora.
A decisão de adiar o repasse está sendo negociada com o BNDES, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, mas esbarra na crise política causada pelas denúncias contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Com a articulação política do governo enfraquecida, aumentou o temor do BNDES e do governo de que a MP não seja aprovada ou que seja usada como barganha política para outros pedidos, como emendas de parlamentares.
Indicações nessa direção já foram detectadas pelas lideranças governistas. O relator da MP é o deputado Arthur Lira (PP-AL), que teve reuniões com o Ministério da Fazenda sobre as emendas apresentadas e prometeu trabalhar para agilizar a votação.
O problema maior para o governo é que a MP caduca no dia 1.º de julho. O prazo parece razoável, mas até lá, tem o feriado de Corpus Christi e as festas juninas, período em que tradicionalmente o Congresso fica esvaziado e não vota.
Apesar da intenção de não emitir os R$ 55 bilhões (o repasse do empréstimo é feito com títulos do Tesouro) este ano, o governo tem interesse em ver aprovada a MP. Assim, ele fica formalmente autorizado a fazer a operação, mas ganha liberdade para calibrar os aportes em parcelas de acordo com as condições econômicas.
Se a MP caducar, porém, os técnicos anteveem problemas. O governo não quer correr o risco de ter de enviar outra MP e transformar o aporte ao BNDES - um tema já polêmico que vem recebendo críticas de economistas e da oposição - num "cavalo de batalha" no Congresso.
A solução, diante do risco de a MP não ser votada a tempo, é correr para emitir os papéis. Mas, dessa forma, seria perdida a flexibilidade desejada pelo governo para administrar o aporte ao BNDES ao longo do tempo.
Inflação. O empréstimo de R$ 55 bilhões foi anunciado em março pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reforçar as linhas de financiamento do Programa de Sustentação do Investimento, criado para estimular a venda de bens de capital e a inovação no País. Segundo uma fonte do governo, como praticamente acabou o primeiro semestre e nenhum recurso foi transferido, o aporte do Tesouro nessa linha deve ser bem menor este ano.
Outra fonte admitiu que o governo vem discretamente colocando um pé no freio no crédito do banco oficial, cuja desaceleração dos desembolsos já repercutiu nos dados mensais de crédito divulgados pelo Banco Central. A Fazenda quer reduzir os aportes no BNDES que somaram R$ 205 bilhões em 2009 e 2010. Esse aporte ajudou a injetar crédito no mercado durante a crise financeira internacional.
Investimentos em energia vão superar R$ 1 trilhão, prevê EPE
Valor refere-se a 2011 a 2020, e segundo a Empresa de Pesquisa Energética quase a metade virá da Petrobrás
Os investimentos em energia devem bater a marca de R$ 1 trilhão entre 2011 e 2020, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), incluídas no Plano Decenal de Energia. Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, quase a metade deste total virá da Petrobrás. A estatal está concluindo seu Plano de Investimentos para o período 2011-2015 e ainda não divulgou suas próprias metas.
Segundo Tolmasquim, dos investimentos totais - da estatal e empresas privadas -, a maior parte, R$ 686 bilhões, serão destinados ao segmento de petróleo e gás natural; geração e transmissão de energia receberão R$ 236 bilhões, e R$ 97 bilhões deverão ser destinados à oferta de biocombustíveis.
A produção de etanol deverá ganhar destaque na década, segundo o estudo da EPE. Tolmasquim classifica como "extraordinário" o aumento da produção de etanol prevista para os próximos anos, que deverá ser puxado principalmente pela Petrobrás.
Segundo a EPE, a demanda de etanol deverá chegar a 73 bilhões de litros ao ano em 2020, um crescimento de 46% sobre a atual. O consumo deve ser estimulado pelo crescimento da frota de veículos, que deverá passar de 29,7 milhões para 50,3 milhões entre 2011 e 2020. Para atender a esse crescimento do consumo, a estimativa é de que a safra de cana passe dos atuais 625 milhões de toneladas para 1,126 bilhão de toneladas.
Elétrica. Para suprir a demanda nacional de eletricidade, segundo Tolmasquim, serão necessários novos empreendimentos ainda não licitados, que somem 19,383 mil megawatts (MW).
Entre estes novos empreendimentos estão sendo consideradas as hidrelétricas da Bacia do Tapajós e outras pequenas espalhadas entre as Regiões Nordeste e Norte, principalmente, e algumas no Sul e Sudeste.
Pré-sal. Segundo Tolmasquim, o pré-sal representou uma mudança significativa no planejamento energético. A expectativa da EPE é de uma sobra de gás de pelo menos 24 milhões de metros cúbicos diários em 2020.
Segundo Tolmasquim, dos investimentos totais - da estatal e empresas privadas -, a maior parte, R$ 686 bilhões, serão destinados ao segmento de petróleo e gás natural; geração e transmissão de energia receberão R$ 236 bilhões, e R$ 97 bilhões deverão ser destinados à oferta de biocombustíveis.
A produção de etanol deverá ganhar destaque na década, segundo o estudo da EPE. Tolmasquim classifica como "extraordinário" o aumento da produção de etanol prevista para os próximos anos, que deverá ser puxado principalmente pela Petrobrás.
Segundo a EPE, a demanda de etanol deverá chegar a 73 bilhões de litros ao ano em 2020, um crescimento de 46% sobre a atual. O consumo deve ser estimulado pelo crescimento da frota de veículos, que deverá passar de 29,7 milhões para 50,3 milhões entre 2011 e 2020. Para atender a esse crescimento do consumo, a estimativa é de que a safra de cana passe dos atuais 625 milhões de toneladas para 1,126 bilhão de toneladas.
Elétrica. Para suprir a demanda nacional de eletricidade, segundo Tolmasquim, serão necessários novos empreendimentos ainda não licitados, que somem 19,383 mil megawatts (MW).
Entre estes novos empreendimentos estão sendo consideradas as hidrelétricas da Bacia do Tapajós e outras pequenas espalhadas entre as Regiões Nordeste e Norte, principalmente, e algumas no Sul e Sudeste.
Pré-sal. Segundo Tolmasquim, o pré-sal representou uma mudança significativa no planejamento energético. A expectativa da EPE é de uma sobra de gás de pelo menos 24 milhões de metros cúbicos diários em 2020.
Governo não quer nova crise do etanol
Dilma pede que sejam levantados dados sobre o setor sucroalcooleiro para planejar investimentos e evitar falta do combustível
A paralisia nos investimentos do setor sucroalcooleiro e o medo de uma crise de abastecimento no País provocaram uma correria no governo federal para reverter o quadro. Além de financiamento específico para retomar a expansão da produção e a criação de uma política setorial, a presidente Dilma Rousseff pediu urgência na elaboração de um plano decenal para o setor.
Estudo. Técnicos do governo vão levantar os dados, diz Lobão
Ela quer saber qual a demanda para os próximos anos, expectativa de oferta, volume de investimentos e consumo. A notícia foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, durante o evento Ethanol Summit 2011, em São Paulo. "Os técnicos do governo já estão debruçados para levantar todos os dados e apresentar o estudo. Com isso, poderemos alcançar um ciclo virtuoso."
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues acredita que a decisão vai criar grandes oportunidades de investimentos no País. "Hoje não existe estratégia para o setor. Os americanos já sabem quanto vão consumir de combustível nos próximos 20 anos. Nós não sabemos qual será o consumo no ano que vem."
O apoio à retomada de investimentos para o setor também veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa do presidente da instituição, Luciano Coutinho, é financiar algo em torno de R$ 8 bilhões em projetos de renovação de canaviais e ampliação de usinas.
Nos próximos quatro anos (incluindo 2011), a previsão é liberar algo em torno de R$ 30 bilhões ou R$ 35 bilhões para o setor. "Essa é uma agenda viável e factível. Os investidores terão todo o apoio do governo."
As medidas também virão acompanhadas de um novo marco regulatório, que está sendo preparado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o presidente da agência, a primeira medida deverá entrar em audiência pública nos próximos 15 dias e vai tratar dos riscos de abastecimento.
Essa regulamentação, no entanto, tem causado arrepios nos usineiros, que temem a volta do controle do Estado. Lima não quis antecipar quais serão as medidas divulgadas.
O governo do Estado de São Paulo também deu sua contribuição ao setor. Ontem, durante o evento, o governador Geraldo Alckmin anunciou a desoneração de ICMS na compra de máquinas e equipamentos para geração de energia elétrica com biomassa. "São Paulo tem um potencial enorme de bioeletricidade e muitas usinas não estão preparadas para produzir energia. A medida pode ter reflexo também nos investimentos em expansão de etanol e açúcar, já que o retorno da energia elétrica vai melhorar o fluxo de caixa das empresas", avalia o presidente da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich. A expectativa é que a desoneração reduza entre 8% e 12% o custo de investimentos na área.
Apesar das iniciativas e da pressa do governo, o setor deve continuar com problemas de oferta no curto prazo. Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, esse início de safra já tem 2 milhões de toneladas a menos que o projetado.
"A seca entre abril e setembro do ano passado afetou a área plantada. A cana está subdesenvolvida e com ATR (quantidade de açúcar disponível na cana) aquém do previsto." Por causa da quantidade menor de açúcar, um volume maior de cana foi destinado para a produção de etanol. O problema é que a venda de carros flex está maior que o avanço da produção do combustível.
Demanda de etanol deve chegar a 73 bi de litros por ano em 2020
Segundo EPE, crescimento da produção nos próximos anos deverá ser puxado principalmente pela Petrobrás
RIO - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou nesta segunda-feira, 6, o "extraordinário" crescimento da produção de etanol no Brasil nos próximos anos, que deverá ser puxado principalmente pela Petrobrás. "A companhia deverá ter apenas destilarias, priorizando a destinação da cana para a fabricação de etanol. Isso, unido à nova regulamentação do setor, subordinado à Agência Nacional de Petróleo (ANP), deverá equilibrar o setor", comentou em entrevista coletiva na sede da EPE no Rio.
Segundo estudo da EPE que consta do Plano Decenal de Energia para o período 2011-2020, a demanda de etanol deverá chegar a 73 bilhões de litros ao ano em 2020, um crescimento de 46% sobre a demanda atual.
Este consumo deverá ser estimulado pelas expectativa de crescimento da frota de veículos que deverá passar de 29,7 milhões para 50,3 milhões de unidades entre 2011 e 2020.
Segundo a projeção da EPE, do total de demanda, o anidro deverá representar 7,2 bilhões de litros, uma queda de um bilhão de litros ante o volume consumido atualmente. O maior crescimento vai se dar no hidratado de 15,5 bilhões de litros para 55,9 bilhões de litros, puxado principalmente pelos veículos flex que devem passar a representar 78% da frota nacional em 2020, ante 49% atual. Ainda segundo a EPE, para atender a este crescimento da demanda por etanol no País, a estimativa é de que a safra de cana passe dos atuais 625 milhões de toneladas para 1,126 bilhão de toneladas. Porém, com a criação de um maior número de destilarias destinadas apenas para álcool, a projeção da EPE é de que mais cana seja destinada à fabricação de etanol do que para o açúcar.
Gráfico preparado pela EPE, com dados obtidos junto ao Ministério de Minas e Energia, apontam que a produção de cana destinada ao açúcar neste período deverá saltar de 9,89% de 283 milhões de toneladas para 311 milhões de toneladas. Já a produção de etanol deve ter um salto de 137,6% no período, de 343 milhões de toneladas para 815 milhões.
Investimento deve atingir 19% do PIB em 2011, diz Coutinho
No primeiro trimestre deste ano, índice alcançou 18,4% do PIB
SÃO PAULO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que os investimentos como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) devem alcançar 19% neste ano. Coutinho deu a declaração após participar do Ethanol Summit 2011, evento sobre o mercado de etanol, sediado em São Paulo. No primeiro trimestre deste ano, o índice alcançou 18,4% do PIB.
"O importante é a tendência de expansão dos investimentos ser mantida ao longo do tempo. Isso mantém um cenário favorável (para a Formação Bruta de Capital Fixo no País), que será essencial para atingir um nível de 23% do PIB em 2014", afirmou.
BNDES prevê investir até R$ 35 bilhões em etanol e açúcar até 2014
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou hoje (6) que o banco de fomento deve acelerar os investimentos em etanol e açúcar e liberar até R$ 35 bilhões para o setor até 2014, como parte dos esforços para dobrar a capacidade produtiva até 2020. De acordo com Coutinho, no ano passado foram investidos R$ 7,6 bilhões para o setor pelo BNDES.
“Temos um forte programa de investimentos do BNDEs para os próximos anos e esse programa pode consumir algo entre R$ 30 e R$ 35 bilhões nos próximos quatro anos, incluindo 2011”, afirmou Coutinho ao deixar a abertura do Ethanol Summit 2011, que acontece nesta segunda-feira (6) em um hotel da zona sul de São Paulo.
De acordo com o presidente do banco, o objetivo é acelerar os investimentos que foram retardados pela crise desde 2008, e garantir o abastecimento do mercado interno. Segundo Coutinho, o ponto de partida no curto prazo deve ser a renovação dos canaviais. A partir daí, o foco são aportes em projetos de infraestrutura, como a integração da rede de gasodutos.
“Precisamos acelerar os investimentos, a renovação dos investimentos precisa começar com a renovação dos canaviais, porque hoje temos mais capacidade de moagem do que cana para moer. Nos últimos anos a falta de investimento fez com que a idade media do canavial aumentasse e houvesse queda de produtividade”, avaliou.
Dentre as prioridades em infraestrutura, Coutinho destacou que é necessário “desengargalar e ampliar as usinas que podem ser ampliadas na capacidade de moagem, partir para projetos de novas usinas, desenvolver a rede de gasodutos, aumentar tancagem para ter estoque regulador”, disse.
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