terça-feira, 15 de março de 2011

Etanol perto de um choque de preços

O preço do álcool hidratado disparou, a demanda se retraiu em 26% desde dezembro e ainda assim crescem as preocupações com os níveis de estoques e o desabastecimento em casos pontuais. Em São Paulo, maior produtor nacional do etanol, donos de postos relatam que há racionamento na entrega do produto pelas distribuidoras.

A expectativa do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras) era que o consumo caísse mais de 40%, como ocorreu há um ano, diz Alísio Mendes Vaz, diretor. Mas a migração para a gasolina, possibilitada pelos carros flex, não foi até agora forte o suficiente para frear os preços e regular a demanda. Hoje, só é vantajoso abastecer o veículo com etanol no Estado do Mato Grosso.

Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, uma das maiores comercializadoras de etanol do país, afirma que, apesar disso, o repasse de preços ao consumidor não acompanhou a alta observada na indústria. Ele informa que, nas usinas, o etanol subiu 28% entre dezembro de 2010 e março deste ano, enquanto nas bombas o reajuste ficou ao redor de 8%. Vaz, do Sindicom, acredita que nos próximos dias as pesquisas da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostrarão um repasse maior. "Só com um choque de preços o consumidor vai mudar sua percepção", afirma.

Empresa vai modernizar refinaria de níquel cubana Ernesto Che Guevara

De São Paulo
15/03/2011
 
Fora do eixo tradicional de serviços no Brasil e exterior, a Progen foi escolhida para fazer a modernização de uma refinaria estatal de níquel de Cuba, chamada de Comandante Ernesto Che Guevara, um dos homens que comandou a revolução cubana em 1958/59 ao lado de Fidel Castro. A fase principal da obra tem investimento orçado em € 55 milhões e tem o Brasil, por meio do BNDES, como financiador.

O investimento será feito na forma de "project finance", ou seja, o fluxo de caixa da refinaria é a garantia para o financiamento. Para isso, foi firmado, por nove anos, um contrato de compra da produção de níquel e cobalto da Che Guevara com a Jinchuan Nonferrous Metals, uma das maiores produtoras de níquel, cobalto e platina da China.

O BNDES confirmou sua participação, informando que a operação já foi aprovada pela diretoria do banco e agora entra na fase de contratação. O Banco do Brasil é o mandatário da operação, que terá como garantia os recebíveis da venda de níquel a Jinchuan.
Segundo Eduardo Barella, presidente da Progen, a empresa foi escolhida para fazer a engenharia, compra de material e equipamentos e construção do projeto por ter realizado outro semelhante no Brasil anos atrás, da Votorantim Metais, em Niquelândia (GO).
"É um projeto com duração prevista de 18 a 24 meses que visa melhorar a eficiência operacional e reduzir o consumo de energia da planta industrial, além de elevar a produção em 20%", informa Barella. A empresa já atua no país desde 1999 e participou de outros projetos, caso do ferro-níquel na usina Las Camariocas.

Devido às dificuldades de Cuba, o projeto de modernização da Che Guevara, que tem tecnologia russa, já dura cerca de 10 anos. A expectativa, hoje, é que tudo esteja finalmente pronto até meio do ano. A obra consiste em trocar os principais equipamentos (48 turbo aereadores e 20 sedimentadores) por outros 20 e 8, respectivamente, com moderna tecnologia, além de outras instalações.

No momento, com financiamento à usina de um fundo de investimento internacional, a Progen já realiza a modernização de um dos sedimentadores, ao custo de € 7 milhões, diz Barella.
A refinaria, localizada na província de Holguin-Moa e detentora de uma jazida de minério de níquel na região, opera há 25 anos e tem uma capacidade de produção anual de 30 mil toneladas de metal refinado. Com a modernização, deve ir a 36 mil, e uma segunda fase está nos planos para chegar a 50 mil toneladas. Cuba detém cerca de 30% das reservas mundiais de níquel e atualmente conta com três unidades produtivas: Nicaro, Pedro Sotto e Che Guevara. (IR)

Progen planeja crescer com aquisições

Engenharia: Especializada em mineração e metalurgia, companhia mira os setores de infraestrutura e óleo e gás

Regis Filho/Valor

 
Barella, diretor-executivo: "Ou a Progen reagia para se fortalecer e não ser engolida ou acabaria sobrevivendo no setor como uma empresa de nicho"
 
Na onda do crescimento da economia do país, que puxa vários setores industriais, empresas de engenharia e projetos também se movimentam para ganhar musculatura e poder atender seus clientes, tanto no Brasil quanto no exterior. Da lista não fica de fora a Progen, companhia familiar paulista que está há 23 anos no mercado, atuando principalmente nos setores de mineração e metalurgia com engenharia consultiva, gerenciamento e implantação de projetos.
A empresa comandada por Eduardo Barella, que assumiu a gestão executiva em 2009 no lugar do pai, busca avançar em novos setores, como os de infraestrutura e de óleo e gás. Um caminho traçado é o de aquisições. Nessa estratégia, acaba de comprar 80% do capital da R. Peotta, do Rio de Janeiro, por R$ 7,5 milhões. A Peotta, fundada em 1994, é especializada em engenharia e projetos no ramo portuário.

Segundo a avaliação do executivo, o novo ativo traz ganhos importantes às operações da Progen. "Ter ao nosso lado Roberto Peotta, um dos maiores especialistas em obras portuárias do país, mostra a confiança depositada por ele em nosso projeto de expansão", afirma Barella. Com o negócio, que diz ser bancado por recursos próprios, monta sua primeira base no Rio de Janeiro. A incorporação da R. Peotta permitirá dobrar sua receita com serviços no setor portuário, para R$ 17 milhões neste ano.

O executivo não pretende parar por aí. Para Barella, "o momento desse mercado [engenharia e projetos] é de consolidação, pois há no Brasil um leque grande empresas de pequeno e médio porte tipicamente familiares, enquanto no exterior vemos grandes companhias com capacidade ociosa, ávidas para conquistar novos mercados".

O setor de engenharia e projetos no Brasil convive há alguns anos com uma onda de consolidação de ativos, com agressiva entrada de grupo estrangeiros gigantes, adquirindo empresas locais. Ele aponta três exemplos: a CNEC, que foi adquirida pela australiana WorleyParsons; a MinerConsult, pela francesa SNC/Levalin, e a Logos, pela Arcadis.
"Ou a Progen reagia para se fortalecer e não ser engolida - por se tratar de empresa média - ou acabaria sobrevivendo como uma empresa de nicho", afirma o empresário. Ele diz que a opção foi partir para o ataque, fazendo antes uma reorganização societária interna, com aquisição da parte do sócio e profissionalizando ainda mais a gestão. Seu sonho é criar uma grande empresa nacional de engenharia com presença nos quatro grandes setores desse mercado.

No ano passado, admite Barella, a empresa ensaiou alguns movimentos, sem sucesso. O foco era em ativos de peso. "Foi um ano de aprendizado. Analisei muitas empresas, mas não queria entrar em leilão com grupos estrangeiros nem tinha fôlego para disputa tão pesada". Por isso, alterou a estratégia para alvos de nicho, caso da R. Peotta.
Nesse caminho mais comedido, o empresário assegura ter hoje no alvo 30 ativos especializados em óleo e gás e em setores como químico-petroquímico, farmacêutico, cosmético, varejo, shoppings centers, hospitalar e arenas esportivas. "Apenas organicamente não vamos ganhar força, rapidamente, para competir com os players internacionais", afirma Barella.

A alta especialização da Progen, conforme o executivo, levou a empresa a ganhar um contrato de exclusividade mundial da Vale pelo período de cinco anos em obras de mineração, metais e de infraestrutura ferroviária e portuária. O acordo só não abrange projetos em Cuba.
Seu primeiro passo na gestão da Progen foi desenhar um plano estratégico de cinco anos, período no qual, com mais aquisições e expansão orgânica, pretende triplicar o faturamento da empresa. A empresa fechou 2010 com receita bruta de R$ 260 milhões. Para este ano projetou R$ 350 milhões - "ou R$ 400 milhões, com mais aquisições", acredita. A meta - ousada e ambiciosa - é alcançar R$ 800 milhões em 2013.
A mineração respondeu por 50% do faturamento da empresa no ano passado. Obras de portos e ferrovias ficaram com 20%, seguidas de perto por óleo e gás, com 18%. Diversos outros setores, como farmacêutico, petroquímico e varejo responderam por 12%. O empresário informa que começou este ano com uma carteira de encomendas de R$ 450 milhões.

O mercado de engenharia está aquecido e a maioria das empresas, além de mineração e metalurgia, buscam entrar no cobiçado setor de óleo e gás. Caso da Promon, que reforça o foco nessa área. A finlandesa Poyry busca ativos no país na sua volta ao setor de mineração e fertilizantes.

A empresa ajustou o foco, separando engenharia da atividade de gerenciamento de projetos e criou três grandes unidades de negócios: mineração, óleo e gás, e energia/indústrias. "Não queremos ficar dependentes de um ou dois setores; também buscamos expansão geográfica", diz o empresário de 30 anos, formado em administração de empresas. Foi levado para a Progen quando tinha 18 anos.

A empresa tem escritórios e bases de operações em vários Estados do país, como Minas, Pará, Maranhão e Espírito Santo e também na Argentina. Nesse país, em Neuquén, tem 80 pessoas envolvidas com o projeto da mina de potássio de Rio Colorado, da Vale. Acompanhando a empresa, também está em Omã e na Malásia.

Com dois terços do faturamento em projetos consultivos e um terço em gerenciamento de implantação de obras, a Progen tem atualmente 1972 funcionários. Quase 90% são especializados: técnicos e engenheiros. O restante forma o apoio administrativo.

Credor pede falência do grupo controlador da usina Floralco

Foi protocolado na Vara Única do Foro Distrital de Flórida Paulista (SP) o pedido de falência da Floralco Açúcar e Álcool e outras quarto empresas pertencentes ao mesmo grupo (Grupo Bertolo). Todas pediram recuperação judicial em junho de 2010. O pedido de falência foi feito pelos advogados André Toledo e Marc Magalhães Buckup que representam a credora quirografária, Maria Lucila de Barros Lahan.
De acordo com Toledo, o pedido, que ainda não foi julgado, foi feito porque se detectou que a empresa, representada pelos sócios Adhemar de Barros Neto, controlador da Nilza, e a Airex Trading - que é acusada de fraude na recuperação judicial da Nilza - estava fazendo acordos com credores fora do processo de recuperação judicial.

Toledo informou que foram encontrados na documentação da primeira assembleia, realizada em 20 de janeiro passado, procurações irregulares feitas entre a empresa e alguns credores com condições diferentes das existentes na proposta do plano, que prevê 55% de desconto para os quirografários, dois anos de carência e oito anos para pagar.

Entre as irregularidades, havia 494 procurações, com crédito de R$ 6,46 milhões, com pagamento integral do crédito, sem correção, até 31 de dezembro de 2011. Além disso, outras 45 procurações, que somam R$ 3,926 milhões, foram identificadas com pagamento integral, sem correções, em duas parcelas com quitação até dezembro de 2013.

Os proprietários da Floralco foram procurados, mas não foram encontrados. As duas usinas do grupo somam moagem de cerca de 3 milhões de toneladas de cana. (FB)

Recuo menor no consumo de etanol já afeta os estoques

Apesar do preço mais alto do etanol hidratado, o consumidor brasileiro não está migrando para a gasolina com a intensidade que o setor de combustíveis imaginava. As vendas caíram 26% em fevereiro na comparação com dezembro, mês referência por ser o de maior consumo. Mas, o Sindicom, que representa as distribuidoras de combustíveis do país, informa que esperava que essa queda fosse mais acentuada, entre 40% e 50%.

Com esse cenário, a preocupação do mercado é que os estoques de passagem de etanol - não divulgados - sejam suficientes para atender o consumo até o início da próxima safra de cana, a partir de abril. Postos de São Paulo, Estado maior produtor nacional do biocombustível, relatam que já há racionamento na entrega do produto pelas distribuidoras.


José Alberto Gouveia, presidente do sindicato que representa os postos de combustíveis de São Paulo (Sincopetro-SP), afirma que não se trata de falta de produto, mas de administração mais cautelosa dos estoques por parte das distribuidoras. Desde a última semana, essas empresas não estão entregando todo o volume solicitado pelos postos. "Se pedimos 18 mil litros, por exemplo, recebemos 10 mil litros. Acredito que seja para evitar que uma revenda fique com muito e outra com pouco".
Tudo isso porque o consumidor e seu carro flex não estão regulando o mercado. Esperava-se que quando os preços do etanol atingissem mais de 70% do valor da gasolina, o proprietário do carro fosse migrar para a gasolina, o que não vem ocorrendo na intensidade imaginada.

Desde janeiro, o consumo de etanol vem caindo menos do que o esperado e em fevereiro esse comportamento se repetiu. "Em março, os relatos também são de que o consumo não está recuando como esperado", diz Alisio Mendes Vaz, diretor do Sindicom, cujas associadas representam 60% do mercado de etanol hidratado do país.
O levantamento da entidade mostra que em fevereiro deste ano a venda de etanol foi de 650 milhões de litros, 26% mais baixa do que os em dezembro de 2010. No mesmo intervalo de um ano atrás, a demanda havia caído 55%.

O comportamento do consumidor neste ano é um mistério, pois só está compensando usar etanol em Mato Grosso. Além disso, em fevereiro deste ano, os preços na usina foram, em média, 7,3% maiores do que em fevereiro de 2010.

Gouveia, do Sincopetro do Estado de São Paulo, acredita que mais uma vez o motorista não está fazendo conta na hora de abastecer. Analistas acreditam também que a mídia de massa não tratou da alta do etanol na bomba com a mesma intensidade da realizada no ano passado.

Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, uma das maiores comercializadoras de etanol do país, avalia que o repasse de preços ao consumidor final não está chegando na mesma velocidade da alta na indústria. Ele argumenta que os preços do biocombustível na usina subiram 28% entre dezembro de 2010 e março deste ano, enquanto na bomba, esse reajuste ficou na casa dos 8%. "As usinas são apenas um elo da cadeia. Há ainda as distribuidoras e os postos, estes últimos, muitas vezes, com elevada concorrência entre si, o que pode ajudar a explicar o porquê da resistência em repassar preços", diz.

Vaz, do Sindicom, acredita que nos próximos dias as pesquisas da Agência Nacional de Petróleo (ANP) devem mostrar um repasse maior dos preços ao consumidor. "Essa demanda persistente preocupa, pois mantém pressão sobre os estoques. Somente com um choque de preços o consumidor vai mudar sua percepção", diz Vaz.

Procurada, a ANP não retornou para comentar o monitoramento dos estoques privados. A União da Indústria da Cana-de-açúcar afirmou em nota que não tem expectativa de problemas de abastecimento. Analistas ouvidos pelo Valor acreditam que distribuidoras que não têm contrato de compra, ou seja, estão no mercado spot, podem ter dificuldades pontuais para adquirir o produto até a entrada da nova safra. Mas que os volumes já contratados estão assegurados.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Petroleiras assumem 8,3% da moagem de cana

Agroenergia: Com a compra da CNAA, BP terá mais 4 milhões de toneladas, mas o objetivo é atingir 12 milhões

As companhias produtoras de petróleo continuam a avançar no segmento sucroalcooleiro do Brasil. Juntas, Shell, Petrobras e BP - que anunciou na sexta-feira a compra de 83% da CNAA (Companhia Nacional de Açúcar e Álcool) - já somam capacidade para moer cerca de 50 milhões de toneladas de cana, sem contar os planos de ampliação em curso.

O volume representa 8,3% do processamento de cana previsto para a temporada 2011/12, que deverá repetir as 600 milhões de toneladas da safra anterior - quando a participação das petroleiras ficou em torno de 7,5%, já considerando a entrada da Shell na Cosan, cujo acordo foi finalizado apenas em fevereiro deste ano.
A BP entrou efetivamente em biocombustíveis no Brasil em 2008 com a compra de 50% da usina Tropical, de Edeia (GO), atualmente com moagem de 2,5 milhões de toneladas de cana. A duplicação está em negociação com os outros sócios, a Brasil Ecodiesel e a Louis Dreyfus, cada uma com 25%.

O acordo de compra da CNAA vai elevar de imediato a participação da BP no segmento de 1,2 milhão de toneladas de cana para 5,2 milhões. O plano, segundo Mário Lindenhayn, presidente da BP Biofuels no Brasil, é elevar para 15 milhões de toneladas a capacidade de moagem das três usinas da CNAA, duas já em operação em Goiás e Minas Gerais e um greenfield. Isso sem contar a quarta área já adquirida pela CNAA no mesmo cluster e que é alvo de estudo para construção de mais uma usina.

Para comprar os 83% da CNAA, a BP vai desembolsar no total US$ 680 milhões a um pool de fundos de investimento, entre os principais o Riverstone e o Goldman Sachs. Parte desse montante virá como assunção de dívidas, que serão alongadas. Esse valor não foi informado, mas balanço da CNAA mostra que as dívidas com bancos estavam em R$ 611 milhões em 2009.

Em entrevista ao Valor, Lindenhayn não falou de metas ou investimentos futuros. Mas avisou que a empresa será um dos players mais relevantes do Brasil no setor. "Relevante significa algo superior a 50 milhões de toneladas", disse.

Mas, atualmente, quem segue à frente entre as petroleiras é mesmo a anglo-holandesa. Com 49% do negócio sucroalcooleiro da Cosan, o equivalente a uma capacidade de processamento de 30 milhões de toneladas de cana, a Shell e sua parceira na Raízen vem com dinheiro no bolso para sair dos 62 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana para 100 milhões de toneladas nos próximos anos, o que elevaria o domínio da Shell para algo próximo de 50 milhões de toneladas de capacidade.

A Petrobras tem três sócias diferentes vindas originalmente do setor. A usina Total, de Bambuí (MG), que está em fase de duplicação para 2 milhões a 3 milhões de toneladas de moagem. Também a Guarani, com cerca de 20 milhões de toneladas e da qual a estatal acordou a participação de 45% após um ciclo de investimentos em curso. E a Nova Fronteira, no Centro-Oeste, com o grupo São Martinho, projeto que tem apenas 2,5 milhões de toneladas de capacidade efetiva, mas com projeto para crescer, somente com a atual usina (Boa Vista), para 7 milhões de toneladas.

O apetite das petroleiras - e de outras multinacionais - pela bioenergia está dado e promete elevar as disputas por usinas nos próximos meses. O mercado estima que no final das contas, a compra da CNAA tenha saído por valores entre US$ 120 milhões e US$ 130 milhões por tonelada de cana de capacidade instalada. "Quem achar que o valor foi alto deve se surpreender, pois a tendência é que os preços dos ativos subam. As gigantes já passaram pela fase de digestão de ativos e virão de boca aberta para a briga", diz um especialista em fusões no setor.

Alta do petróleo deve render acordo entre Brasil e EUA

A crise no Oriente Médio poderá dar impulso aos entendimentos entre Brasil e Estados Unidos na área de energia. 'A tendência de alta do petróleo cria oportunidade para maior discussão sobre energias renováveis', avalia o diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes. Pela mesma razão, deverá crescer o interesse dos americanos na exploração do pré sal.
Energia é o tema de um dos painéis da reunião que será promovida pela CNI e pela Câmara de Comércio dos EUA no próximo sábado, durante visita do presidente dos EUA, Barack Obama, a Brasília. Também serão discutidas oportunidades de parceria na área de infraestrutura, principalmente na Copa do Mundo e na Olimpíada. Obama deverá fazer o discurso de encerramento dessa reunião, da qual deverão participar cerca de 500 pessoas.
Paralelamente, será realizado o Fórum de CEOs dos dois países. Esse, porém, é um encontro mais restrito, do qual participarão uma dezena de empresários de cada lado, além de representantes dos governos.
Caso do etanol. No campo das energias renováveis, a aliança entre Brasil e EUA em torno do etanol sofreu recentemente um revés. Havia expectativa, do lado brasileiro, que na virada do ano fosse eliminada a sobretaxa de US$ 0,54 por galão cobrada sobre o etanol que ingressa naquele país. A legislação previa que ela seria cobrada até o dia 31 de dezembro de 2010. No entanto, o Congresso americano renovou a penalidade aplicada sobre o produto importado.
Fernandes acredita que, com a crise no Oriente Médio, a discussão ganhará novo fôlego. 'Há oportunidade tanto na eliminação de tarifas quanto no aumento da participação do etanol em misturas', avalia.
Diante dos conflitos naquela região, o pré-sal também ganha nova importância estratégica, acredita. 'O Brasil passará a ser um dos maiores produtores do mundo e está numa região segura', diz. Nesse campo, os negócios entre os dois países vão de vento em popa, a ponto de já haver voo direto entre o Rio de Janeiro e a cidade de Houston, onde estão sediadas grandes empresas petrolíferas americanas.
Fernandes observou que a Petrobrás trabalha em rede, ou seja, utiliza um conjunto de empresas associadas para explorar petróleo. Ele acredita que os EUA terão interesse em manter contratos de longo prazo com a estatal brasileira.
O segundo painel da reunião tratará das oportunidades de investimento em infraestrutura, tendo em vista a realização da Copa e da Olimpíada. Fernandes observa que a GE e a IBM, por exemplo, já criaram centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, ambos no Rio de Janeiro. O objetivo é atuar na exploração de petróleo e gás, mineração, e na gestão de grandes eventos.
Bitributação. Empresários dos dois países deverão discutir ainda um tema que está há mais de uma década na agenda: a necessidade de um acordo para evitar a bitributação de empresas que atuem em ambos os países. Na avaliação de Fernandes, um desafio que se coloca a Obama e à presidente Dilma Rousseff é concordar com um método de discussão que leve à resolução do problema.
Empresários dos dois países também deverão discutir temas da agenda multilateral, como as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e as medidas para aumentar a segurança no mercado financeiro em discussão no G-20. 'Até pela mudança do papel do Brasil no mundo, o diálogo assume importância maior', comenta Fernandes.

Mercado volta a reduzir expectativa para o PIB

Focus

Hoje, as insitituições financeiras esperam um crescimento de 4,1% para o País
Instituições financeiras aumentam expectativas para a inflação e voltam a reduzir a perspectiva de crescimento da economia nacional para 2011, segundo Boletim Focus, do Banco Central.
Segundo o relatório divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas de cerca de instituições financeiras e agentes de mercados, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 5,82% para o ano. 
O número vem acima das perspectivas divulgadas na semana passada, quando o mercado apontou uma alta de 5,78% nos preços apurados pelo indicador.
A aposta do mercado para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) ficou em 6,97% dos 6,87% apontados na semana passada.
Para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) a projeção é de alta de 6,88%, face a 6,77% na semana passada.
PIB
Há quatro semanas, a estimativa para o crescimento da economia nacional estava em 4,5%. As revisões subsequentes trouxerem leituras mais pessimistas para 2011.
Hoje, as insitituições financeiras esperam um crescimento de 4,1%, frente a uma expectativa de 4,29% da última semana.
Selic
O mercado manteve a previsão para a taxa básica de juros do país (Selic) em 2011, em 12,5% ao ano. No próximo ano, a expectativa para a Selic é de 11,25%.
Câmbio
De acordo com o boletim Focus, a projeção para a taxa de câmbio foi para em R$ 1,68 ao fim deste ano, de R$ 1,69 do ano passado. A estimativa era de R$ 1,72 há quatro semanas. Para 2012, a projeção foi mantida a R$ 1,75.

Rede LinkedIn terá agregador de notícias

A ferramenta é uma forma de atrair os cerca de 90 milhões de usuários a fazer visitas diárias ao site. O sistema reunirá notícias lidas pelos contatos do usuário e pessoas do mesmo setor. "Queremos dar o que você precisa para que se torne melhor no que faz", disse o porta-voz da empresa.

sexta-feira, 11 de março de 2011

BP compra Companhia Nacional de Açúcar e Álcool por US$680 mi

LONDRES - A petrolífera BP vai comprar a produtora brasileira de etanol Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA) por 680 milhões de dólares, ampliando sua presença na indústria de biocombustíveis no país. A operação é considerada a maior já fechada pela área de energias alternativas do grupo britânico.
A BP, que passou os últimos meses reestruturando seu portfólio de ativos enquanto tenta deixar para trás o vazamento de petróleo no Golfo do México, informou nesta sexta-feira que vai comprar uma participação de 83 por cento na CNAA.
O acordo deve aumentar a capacidade produtiva da BP no Brasil para cerca de 1,4 bilhão de litros de etanol equivalente por ano, ante nível atual de 435 milhões de litros, informou a empresa, acrescentando que é a maior transação já realizada pela BP Alternartive Energy.
"Esta aquisição é um marco importante em nossa estratégia de construir uma posição de liderança em biocombustíveis sustentáveis", afirmou Philip New, vice-presidente da BP Biofuels.
(Por Sarah Young)