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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Exportação de açúcar dá sinais de esfriamento

As exportações de açúcar, que estão 7% menores do que no ciclo passado nesta safra, mostram perda de vigor. Ontem, os portos brasileiros tinham navios programados para embarcar metade do volume agendado há um ano. O mercado acredita que esse enfraquecimento não se limitará à atual safra. A próxima temporada também deve ser de produção e embarques mais fracos da commodity.

Havia ontem, nos portos do Centro-Sul e do Nordeste, programação para embarque de 1,19 milhão de toneladas nas próximas semanas, segundo levantamento feito pela SA Commodities. Em 4 de outubro do ano passado, estavam programadas exportações de 2,73 milhões de toneladas.
Dados da Secex/MDIC mostram que em setembro o volume embarcado foi 18% menor do que em igual mês de 2010. Foram 2,79 milhões de toneladas de açúcar, ante 3,3 milhões de toneladas registradas um ano antes.

No acumulado da atual temporada, a 2011/12, ou seja, entre maio e setembro, o Brasil embarcou 13 milhões de toneladas de açúcar, 7,1% menos do que as 14 milhões de toneladas exportadas no mesmo intervalo de 2010.
A quebra na safra de cana - causada por uma série de fatores, que vão desde falta de investimentos em canaviais nos últimos anos até ocorrência de geadas - é a principal razão para os menores embarques, segundo Mário Silveira, da FCStone.
Podem estar ocorrendo também, segundo ele, casos pontuais de usinas renegociando a colocação de açúcar de exportação no mercado interno, que paga atualmente 2% mais do que o produto de exportação, segundo cálculos do Cepea referente à semana de 26 a 30 de setembro. A conta considera US$ 100 por tonelada de custos de colocação no porto e prêmio de qualidade de US$ 90,00 por tonelada.
"Pela primeira vez em 17 anos, o Brasil não entregou açúcar na bolsa de Nova York no vencimento da tela de outubro. Isso é um sinal de que o mercado físico está mais aquecido", avalia Silveira.
De qualquer forma, não são esperadas grandes mudanças na oferta de cana no Brasil para 2012, afirma Plínio Nastari, presidente da Datagro. E com o aumento da produção do adoçante na Rússia, na União Europeia, na Índia e na Tailândia, é possível que a diferença de remuneração entre etanol e açúcar fique menor, estimulando uma safra mais alcooleira, diz Nastari.
Em 3 de outubro, quando o contrato 11 em Nova York fechou a 24,85 centavos de dólar por libra-peso, o açúcar de mercado interno, em São Paulo, teve preços equivalentes a 25,99 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o etanol anidro fechou com valor equivalente a 21,05 centavos de dólar por libra-peso e o hidratado, a 19,42 centavos de dólar por libra-peso, segundo a Datagro.
"Se essa diferença de remuneração diminuir, as usinas vão preferir produzir etanol, que têm mais liquidez", afirma Nastari.
No ciclo passado, o 2010/11, o país embarcou 25,51 milhões de toneladas de açúcar, sendo que o Centro-Sul representou 23,18 milhões de toneladas desse total, segundo a Datagro. O mercado estima para essa temporada embarques da ordem de 21,8 milhões de toneladas no Centro-Sul, queda de 6% em relação ao ciclo anterior.

Área de comunicação conquista relevância em decisões empresariais

Os departamentos de comunicação vêm assumindo um papel mais relevante e estratégico nas empresas. Essa nova realidade, no entanto, está trazendo desafios de adaptação para os profissionais da área, especialmente nas companhias brasileiras. Essa é o cenário traçado pelo 2º Mapa da Comunicação Brasileira, estudo conduzido pela agência de comunicação FSB para identificar as principais tendências do setor de comunicação organizacional no país.


Com base na edição 2010 da revista Valor 1000, a pesquisa entrevistou 100 gestores de comunicação, sendo 40 executivos de empresas privadas com capital predominantemente nacional, 30 de companhias de capital estrangeiro com operação no Brasil, e outros 30 responsáveis pela área de comunicação em órgãos públicos.
"O que eu tenho percebido no dia a dia é a necessidade do gestor de comunicação se expor mais à experimentação. Estamos construindo uma estrada e andando nela ao mesmo tempo", diz Humberto Andrade, diretor de marketing da Pirelli, um dos executivos que participaram da pesquisa.
Segundo Rachel Mello, diretora de pesquisas da FSB, os profissionais do setor estão sendo chamados para ocupar uma cadeira nas reuniões de tomada de decisão das empresas. "Antes, grande parte das áreas de comunicação lidava com o intangível e não tinha metas. Agora, esses profissionais precisam trazer um retorno efetivo e ajudar a pensar a empresa no longo prazo", explica ela.
Esse momento de transição, observa Rachel, tem sido impulsionado pela consolidação de um mercado mais complexo, com o crescimento do número de fusões, aquisições e aberturas de capital. Ela acrescenta que as novas tecnologias e a presença - voluntária ou não - das companhias nas redes sociais vêm acelerando essa transformação.
Para a executiva, a conjunção desses fatores aumenta o escopo de atuação e as responsabilidades dos gestores de comunicação, além de ampliar a necessidade de estabelecer um diálogo mais ágil e transparente com os diferentes públicos da empresa, incluindo fornecedores, acionistas, funcionários e consumidores.
A comunicação com os clientes é a ponta mais emblemática dessa mudança no perfil de atuação, observa Andrade. "O consumidor hoje tem mais voz ativa nesse processo e esse aspecto amplia a sensibilidade das empresas para o quanto a comunicação pode ser decisiva para o negócio", afirma o executivo.
Como parte desse novo status, os investimentos em comunicação cresceram em todos os segmentos da pesquisa. Entre as empresas estrangeiras, 59% dos participantes disseram que o orçamento destinado ao departamento cresceu desde a edição anterior do estudo, realizada em 2009. Nas companhias brasileiras o avanço foi registrado em 50% dos casos. Entre as empresas públicas, 40% dos executivos confirmaram o crescimento da verba de comunicação.
A pesquisa ressalta, porém, as diferenças na adoção de um planejamento efetivo de comunicação entre os segmentos. Enquanto 33% dos gestores de comunicação de órgãos públicos dizem cumprir nove ações básicas de planejamento, nas companhias privadas brasileiras esse número sobe para 58%. Nas empresas de capital estrangeiro, por sua vez, o índice é de 70%. "Isso reflete uma cultura absorvida a partir das matrizes no exterior", diz Rachel.
Essa distância também é destacada na avaliação dos resultados obtidos pelas ações de comunicação. Nos órgãos públicos, 53% dos gestores adotam técnicas para mensurar o alcance de objetivos. Entre as empresas brasileiras, 67% dos executivos seguem essa direção; nas companhias estrangeiras, o índice salta para 83%.

Aposta na inovação

De acordo com o novo presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho, inovação é um dos principais motores para expansão dos negócios do grupo globalmente. Por dia, o grupo de origem alemã registra 15 patentes, ritmo que garantiu à companhia a primeira posição no ranking de patentes da Alemanha e o terceiro lugar no ranking mundial, segundo a companhia.


Anualmente, afirmou Besaliel, o grupo aplica € 3,8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. No ano passado, o faturamento da Bosch totalizou € 47,3 bilhões, uma alta de mais de 20% na comparação com o verificado em 2009, ano influenciado pela crise iniciada em 2008. Em 2010, deve superar pela primeira vez a marca de € 50 bilhões e chegar à marca de 300 mil funcionários em todo o mundo.
"A Bosch é uma empresa muito fundamentada em inovação", disse o executivo brasileiro, já à frente da presidência da operação latino-americana.

Preço da geração eólica vai manter tendência de queda no próximo leilão


O diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Pedro Perrelli, prevê nova queda no preço médio cobrado pelos geradores eólicos no leilão A-5 (para entrega a partir de 2016), que será realizado em dezembro. Ele não espera redução tão acentuada quanto as registradas nas últimas disputas, mas acredita que pode chegar a R$ 1,50 por megawatt/hora (MWh), para valor médio em torno de R$ 98 o MWh.
Para Perrelli, a maior competitividade da eólica permitirá ao setor responder por 11% a 12% da matriz de geração elétrica do país em 2020, com parque instalado de 20 mil MW. Hoje, conforme a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o segmento tem pouco menos de 1,2 mil MW distribuídos em 60 usinas e representa 0,94% da potência instalada total de 124,1 mil MW. Em 2014, devido aos leilões desde 2009, esta fatia já chegará a 5,6%, com 7,2 mil MW instalados em 271 usinas, prevê a ABEEólica.
Nos leilões de reserva e A-3 de agosto, os preços médios da energia eólica fecharam em R$ 99,54 e R$ 99,58 por MWh, respectivamente, ante R$ 130,86 em agosto de 2010, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal. Segundo Perrelli, que fez palestra ontem na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), "a compressão do preço está chegando ao final", mas ainda assim a próxima disputa terá condição "favorável" para uma nova redução.
De acordo com o executivo, como o prazo de construção de um parque eólico é bem inferior aos cinco anos previstos para a entrega da energia ao Sistema Interligado Nacional, as vencedoras poderão antecipar a amortização dos investimentos com a venda no mercado livre até 2016. Dos 377 projetos cadastrados na EPE para o leilão de dezembro, 296 são eólicos, que representam 7,5 mil megawatts (MW), do total inscrito de quase 24,3 mil MW.
Até agora, segundo Perrelli, os preços da energia eólica vêm caindo devido ao maior interesse dos investidores no mercado brasileiro, causado pela interrupção de projetos na Europa e nos Estados Unidos e pela "ligeira redução" do ritmo de crescimento do setor na China. O câmbio e a confiança em relação ao cumprimento dos contratos de longo prazo no Brasil também contribuíram, disse o executivo. Segundo ele, na época do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), lançado em 2002, o MWh foi vendido em média a R$ 298.
Atraídas pela expansão do setor, multinacionais fabricantes de equipamentos para eólicas estão anunciando investimentos no país e ajudando a reduzir os preços, explicou Perrelli. A ABEEólica já conta com onze associadas com fábricas em operação, em construção ou em estudos. O grupo inclui Alstom, Clipper, Fuhrländer, Gamesa, GE, Impsa, Suzlon, Siemens, Vestas, WEG e Wobben /Enercon.
Conforme o executivo, o volume de contratações de energia eólica desde 2009 (sem contar o próximo leilão de dezembro), próximo dos 2 mil MW por ano, oferece demanda suficiente para a expansão da indústria de equipamentos.

Haztec investe em energia a partir da queima do lixo

Paulo Tupinambá, presidente da Haztec: R$ 440 milhões em usinas com capacidade de 48 MW no Estado do Rio


A gestora de resíduos urbanos Haztec começará a dar outro destino às 15 mil toneladas de resíduos depositadas em seus aterros diariamente. Vai investir R$ 440 milhões para construir duas unidades de geração de energia a partir do lixo. Comprada da holandesa Waterleau, a técnica de queimar resíduos - tanto de origem residencial como industrial - para a geração de eletricidade (batizada de Waste to Energy) ainda não é aplicada comercialmente no país.
As unidades funcionarão como uma geradora térmica (mas com o lixo como matéria-prima, em vez de petróleo e seus derivados). O lixo é queimado e o calor oriundo da combustão é usado para aquecer uma caldeira - cujo vapor movimenta uma turbina, que gera eletricidade. Os gases gerados na queima são filtrados antes de serem lançados no ambiente. A cinza e outros materiais resultantes são destinados a reservatórios. O processo faz com que dez caminhões de lixo sejam transformados em apenas um de resíduos provenientes da queima, segundo Paulo Tupinambá, presidente da Haztec. "Vamos substituir os aterros por unidades industriais", diz.
Segundo Tupinambá, o processo já é usado em 400 usinas pelo mundo, inclusive em países emergentes como China e Índia, e é diferente do usado em outras usinas de geração de energia que usam somente o gás dos resíduos - como o metano. "Queimar o lixo, em vez de usar somente os gases dele, é mais proveitoso. Pode-se gerar muito mais energia por tonelada".
Os dois projetos estão em fase "avançada" de estudos, segundo Tupinambá, e serão erguidos no Estado do Rio de Janeiro. O presidente não revela a localidade exata, mas diz que serão próximos de municípios em que a Haztec possui concessões de aterros. São eles: Nova Iguaçu, São Gonçalo, Barra Mansa, Seropédica, Belford Roxo e Magé. Além disso, a empresa tem uma unidade em Candeias, no Estado do Pernambuco.
Uma das usinas terá capacidade instalada de 18 MW e exigirá R$ 180 milhões de investimentos. O projeto conta com recursos provenientes de uma emissão de debêntures de R$ 250 milhões - que também serão usados em outras operações. A segunda terá 30 MW e custará R$ 260 milhões. As unidades devem começar a ser construídas até o fim do ano e devem entrar em operação até 2014. "Podemos vender a energia para clientes como a indústria ou simplesmente jogar no sistema de distribuição com remuneração."
Os investimentos ocorrem depois de a Haztec registrar prejuízo de R$ 20,1 milhões em 2010. Para Tupinambá, a fusão de oito empresas nos últimos anos - inclusive os ativos da Biogás, com atuação em geração de combustível e energia a partir de resíduos - influiu no resultado negativo. Nos próximos anos, no entanto, o objetivo é o crescimento orgânico. Tupinambá diz que a Haztec pretende criar outras usinas de "Waste to Energy" no Brasil. "Depois que as duas usinas estiverem prontas, ainda teremos 13 mil toneladas diárias de lixo para queimar. Então ainda há muito potencial nesse segmento".
Se para a Haztec o potencial do uso da tecnologia pode ser superior, para o país é bastante significativo. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o país perde R$ 8 bilhões por ano ao não aproveitar resíduos hoje destinados a aterros e lixões.

Um terço dos investimentos anunciados é da indústria


Os anúncios de investimento para o Brasil durante o primeiro semestre concentraram-se na indústria de transformação, para a qual foram divulgados projetos no valor total de US$ 55,1 bilhões, o que representa praticamente um terço do total de US$ 165,6 bilhões divulgados. O segundo setor com maior valor em anúncios de investimento foi a indústria extrativa, com US$ 36,5 bilhões.
Os dados são da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento (Mdic). Com o objetivo de refletir a intenção de investimentos, o relatório do Renai consolida dados de novos projetos anunciados no período em análise, mesmo que sejam executados ao longo de vários anos. O relatório reúne divulgações oficiais na mídia, além de dados fornecidos pelo Banco do Nordeste, por federações de indústrias e pelas Secretarias de Desenvolvimento e Indústria de todos os Estados e do Distrito Federal.
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Dos US$ 165,6 bilhões anunciados no primeiro semestre deste ano, 40% devem ser direcionados para projetos de expansão enquanto outros 40% são novos empreendimentos. Dentro da indústria de transformação, o setor que recebeu o maior volume de anúncios de investimento foi o eletroeletrônico, com US$ 13,7 bilhões, seguido por derivados de petróleo e biocombustíveis.
Atrelados à expectativa de aumento da demanda doméstica, os investimentos anunciados no setor de alimentos e bebidas ficaram como terceiro maior volume de recursos, com US$ 6,8 bilhões. Os segmentos de metalurgia e de máquinas e equipamentos devem receber, cada um, US$ 6 bilhões.
Entre os investimentos estrangeiros, o Reino Unido está no topo da lista levando em consideração a origem de recursos, com um total de US$ 32 bilhões em projetos divulgados no primeiro semestre. O segundo país mais representativo é a Espanha, com US$ 16,6 bilhões e Taiwan, com US$ 12 bilhões.
Há grande concentração de recursos nas faixas de maior valor nos projetos anunciados. De um total de 374 projetos divulgados, apenas 27 totalizam US$ 120,4 bilhões em investimentos.
Em número de anúncios por empresas de capital estrangeiro, os Estados Unidos lideram, com 41 projetos em segmentos diversos. "A diversidade de setores encontrada é reflexo da tradicional presença de empresas norte-americanas de diferentes segmentos econômicos no Brasil", diz Eduardo Celino, coordenador-geral da Renai. Entre os setores mais representativos estão máquinas e equipamentos, alojamento, armazenamento e eletroeletrônicos. Juntos, os quatro segmentos representam 64,2% do valor total anunciado pelos americanos no Brasil no primeiro semestre.
"O destaque para a indústria de máquinas e equipamentos reflete o interesse americano pelo dinâmico mercado de construção, pelas oportunidades no setor automotivo e no de petróleo e gás." Os investimentos americanos anunciados de janeiro a junho somam US$ 9,6 bilhões. O segmento de máquinas e equipamentos representa 28,6% desse valor.
Além dos Estados Unidos, a Alemanha também é importante origem de anúncios, com total de 13 projetos, nos quais os recursos projetados para setores intensivos em tecnologia, como máquinas e equipamentos, são importantes. Do US$ 1,6 bilhão anunciado em investimentos pelos alemães durante o primeiro semestre, cerca de US$ 1 bilhão está destinado para o segmento de máquinas e equipamentos, além de veículos, carrocerias e reboques.
A China é o terceiro país em número de investimentos anunciados, mas com perfil de interesse diverso do americano e do alemão, com nove projetos no valor total de US$ 4 bilhões. Desse valor, US$ 2,4 bilhões devem ser destinados a um projeto na Bahia, para esmagamento de soja e refino de óleo.
Para Celino, a nova crise global trouxe a percepção de que a economia doméstica tem crescido enquanto há desaceleração em outros mercados. Isso, acredita, continuará contribuindo de forma positiva até o fim de 2011 e deve levar a um novo recorde no investimento total anunciado no ano.
Os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo também estão dando sua contribuição na expectativa de aumento de demanda doméstica. Nesse caso, diz ele, esses eventos não contribuem somente com projetos de investimento para infraestrutura e logística, mas também com investimentos voltados para atender uma disponibilidade de renda direcionada a aumento de consumo de bens e serviços. O segmento de alojamento e alimentação, exemplifica, é o sétimo na classificação de investimentos anunciados por setor, com US$ 3,5 bilhões em projetos divulgados.

Renovação dos canaviais trará resultados só em 2015

RIBEIRÃO PRETO - A retomada da renovação dos canaviais num ritmo de 20% ao ano no Centro-Sul só deve trazer produtividade nos níveis de 2008 daqui a três anos. Até lá, a oferta de matéria-prima pode até cair, já que a área a ser renovada demorará a produzir. De acordo com representantes das usinas e destilarias, a necessária renovação das plantas depende de crédito e de um esforço de fornecedores de cana para aportarem novos investimentos na cultura. Nos últimos três anos, com as crises de liquidez e dos preços para açúcar e etanol, bem como os problemas climáticos, a renovação ficou abaixo do normal, o que trouxe o envelhecimento das lavouras e a perda de produtividade. 


Dados do setor apontam que 59% dos canaviais eram considerados jovens em 2008, ou seja, estavam até o terceiro ou quarto cortes, e tinham uma produtividade média de 90 toneladas de cana por hectare. Sem a renovação necessária, o porcentual de cana jovem caiu para 45%, com uma produtividade média de apenas 68 t/ha na atual 2011/2012 e deve chegar a 41% em 2012. 

"Se renovarmos, em média, 15% ao ano e houver uma expansão de 4%, voltaremos a ter, em 2015/2016, um índice de 44% de canavial jovem, com alta produtividade e uma média de 80 t/ha", avaliou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Canaplan Consultoria. "Isso vai depender de investimentos e de crédito. E esse crédito de plantio criado pelo governo terá uma importância absurda", completou. No Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, o governo criou uma linha de financiamento para a renovação ou expansão de canaviais de até R$ 1 milhão por produtor, com prazo de pagamento de cinco anos, com 18 meses de carência. O governo avalia ainda uma linha específica para as usinas renovarem suas lavouras próprias, que pode chegar a R$ 50 milhões por companhia.
Cassio Paggiaro, diretor de produção agrícola da Raízen, ainda tem dúvidas se realmente o ritmo de renovação será forte a partir de 2012. "É muito relativo se haverá uma recuperação rápida, pois essa é uma decisão individual e depende de dinheiro; por isso é preciso um plano adequado para que o governo nos ajude", disse o executivo. Segundo ele, a Raízen irá renovar 100 mil hectares de cana em 2012, ou 20% do total de sua área. "Vamos manter isso nos anos seguintes", explicou Paggiaro.
Fornecedores
Para Jaime Stupiello, diretor de produção agrícola da Guarani, a renovação depende das condições financeiras e da vontade dos fornecedores independentes. "Quando o preço está bom, o fornecedor não renova e, quando está ruim, não tem dinheiro", disse o diretor. Ele conta que a companhia irá renovar 15% dos canaviais em 2012, por já ter feito um processo de plantio anteriormente.

Eduardo Scandiuzzi, diretor de produção agrícola na região Sudeste do Grupo Carlos Lyra, avalia que mais de 60% do canavial utilizado pela companhia na região do Triângulo Mineiro está acima do quarto corte, ou seja, já em processo de perda de produtividade pelo envelhecimento. Segundo ele, por ter áreas de expansão para plantios novos, a empresa irá renovar apenas 10% de suas lavouras. Já para os fornecedores, a renovação deve ser mínima, segundo o executivo. "Fornecedor de cana vem de dívidas anteriores e não vai reformar na velocidade que deveria", disse.
Já o diretor de originação de matéria-prima da Louis Dreyfus Commodities, Walter Becker, afirma que o grupo sucroalcooleiro recebe de fornecedores cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra, ou seja, quase metade do processamento anual da companhia. "Conversamos com os fornecedores e parece que ninguém quer plantar", lamentou.
Grande fornecedor de cana nas regiões de Ribeirão Preto (SP) e em Minas Gerais, o produtor Paulo Rodrigues, executivo do Condomínio Santa Isabel, admite que a melhoria recente dos preços da cana faz com que a reforma prioritária não seja nas lavouras. "Agora estamos na perspectiva de reformar o caixa da empresa", disse.
Além da falta de renovação e dos problemas climáticos, Rodrigues cita ainda a introdução maciça do plantio e da colheita mecanizados de cana como outros fatores para a redução na produtividade. "O aprendizado traz um problema ambiental e a natureza cobra um pedágio para passar de um ponto para o outro, que é a redução da produtividade", disse, referindo-se ao fato de que até que haja o domínio completo do processo de mecanização há perdas de produtividade. 

Indústrias vão investir R$ 3,4 bi em energia eólica

 

As indústrias eletrointensivas pretendem investir aproximadamente de R$ 3,4 bilhões na construção de novos parques de energia eólica, com capacidade para gerar até 1.000 megawatts (MW). O interesse é especialmente grande entre seis empresas: Alcoa, Camargo Corrêa Cimentos, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), MPX, Vale e Votorantim. Todas já iniciaram estudos sobre o assunto.
Os investimentos devem ocorrer até 2020, segundo a Abiape, associação que representa os autoprodutores de energia. O planejamento das empresas que geram eletricidade para consumo próprio indica a intenção de ampliar a capacidade em 6 mil MW. Um sexto desse total seria gerado por meio de usinas eólicas, alternativa até então ignorada pelas grandes companhias da indústria pesada.
Se forem implementadas pequenas mudanças no marco regulatório, os autoprodutores estão dispostos a "avançar em seus planos", garante Mário Menel, presidente da Abiape. O barateamento da energia eólica já permite à indústria pensar em grandes investimentos no setor, "inclusive como alternativa às dificuldades ambientais para a implantação de usinas hidrelétricas".

Etanol sobe 28% em 12 meses e governo teme impacto sobre inflação

Nelson Barbosa, secretário-executivo da Fazenda: em busca de alternativas para a forte elevação do preço do etanol


O governo está preocupado com a alta do preço do etanol e seu impacto na inflação. O temor é que o etanol, cujo preço médio do litro na bomba subiu 28,09% nos 12 meses até 30 de setembro, pressione o IPCA neste fim de ano, levando ao estouro, pelo Banco Central (BC), do teto de tolerância da meta de inflação em 2011. O preço do etanol hidratado ao produtor subiu 60,28% de 26 de dezembro de 2008 até dia 30 do mês passado.
Pelo regime em vigor, a meta de IPCA perseguida pelo BC é 4,5% e o teto, 6,5%. No Relatório de Inflação (RI), divulgado na semana passada, o BC projetou inflação de 6,42% para este ano e admitiu que existe risco de 45% de o índice ficar acima do teto.
A presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência para a próxima segunda-feira, segundo apurou o Valor, com o objetivo de debater alternativas à forte elevação do preço do etanol em pleno auge da colheita da cana-de-açúcar. O tema está a cargo do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, como antecipou ontem o portal do Valor.
O governo está alarmado com a previsão de mais aumentos de preços e do impacto disso na cotação da gasolina vendida ao consumidor, que tem hoje 20% de etanol em sua composição. A solução, até o momento, tem sido importar etanol de milho dos Estados Unidos. A ameaça de taxar as exportações de açúcar ficaram na retórica. As iniciativas para estimular a produção de cana e a construção de novas usinas ainda patinam. E a transferência do controle da produção, do Ministério da Agricultura para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), surtiram pouquíssimos efeitos para domar a ameaça de inflação do etanol.

Diante do aperto no abastecimento interno, Petrobras, tradings e usinas já compraram no exterior cerca de 1 bilhão de litros de etanol neste ano. Esse volume é suficiente para atender o consumo doméstico de apenas um mês. O problema é que, nas últimas semanas, a disparada do dólar americano encareceu essas importações, o que significará pressão adicional sobre a cotação do etanol entre novembro deste ano e março de 2012. O preço da gasolina também deve sofrer com isso.
De 1º de setembro até ontem, o real sofreu desvalorização de 13% em relação ao dólar, provocada pelo recrudescimento da crise financeira global, que tem levado investidores internacionais a buscar ativos na moeda americana, e também por problemas de liquidez no mercado doméstico de câmbio.
A moeda brasileira, desde o início do estresse lá fora, já chegou a perder 18% de valor frente ao dólar. Nos últimos dias, o Banco Central fez intervenções e diminuiu a queda da moeda nacional, mas a tendência é que, no curto prazo, o real continue pressionado pela conjuntura internacional, encarecendo as importações.
Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que, no dia 30 de setembro deste ano, o preço médio do litro de etanol na bomba estava em R$ 2,006. Um ano antes, valia R$ 1,566 - em 30 de setembro de 2009, estava cotado em R$ 1,447.
A preocupação do governo é agravada pelos preços do etanol hidratado ao produtor. Antes e durante a crise de 2008, o preço do litro variou entre R$ 0,60 e R$ 0,80. Em 2009, ano de recessão no Brasil e no mundo, o preço ficou abaixo de R$ 0,60. No ano seguinte, porém, entrou em rota de alta com a recuperação da economia. No dia 25 de março deste ano, atingiu o pico, ao bater em R$ 1,63 por litro - mais do que o dobro de três anos antes.
http://www.valor.com.br/sites/default/files/crop/imagecache/media_library_small_horizontal/0/11/559/366/sites/default/files/gn/11/10/arte06bra-103-etanol-a3.jpg
O preço do litro de etanol ao produtor cedeu entre abril e maio, mas, desde então, tem subido e mantido tendência de alta. A safra será mais curta neste ano. E, segundo avaliação interna do governo, a oferta de cana para produzir etanol será apertada também em 2012.
O governo avalia, como uma solução paliativa, a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o etanol, hoje fixada em R$ 22,54 por metro cúbico. No fim de setembro, a Cide da gasolina foi reduzida, de R$ 230 para R$ 192,60 o m3, justamente para evitar impactos inflacionários.
O governo também avalia medidas de desoneração da cadeia produtiva. Mas esbarra no emaranhado de tributos, sobretudo os estaduais, como o ICMS.
Novas linhas de crédito do BNDES devem financiar a ampliação e construção de novas usinas, mas esses projetos vão demorar a produzir. A linha para plantio de cana por produtores independentes, lançada em junho, ainda patina. Apenas R$ 74 milhões foram desembolsados, informa o Ministério da Agricultura.
O drama no segmento começou com a crise global de 2008, quando as linhas externas de financiamento "secaram" e os grupos estrangeiros que adquiriram usinas nacionais deixaram de investir em novas unidades de produção de etanol.