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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Equipav e Bonsucro

A Equipav (SP), controlada pela Shree Renuka Sugars, obteve a certificação internacional Bonsucro de práticas sustentáveis. O volume de cana certificado é de 1,8 milhão de toneladas, o maior volume certificado de uma só usina.

Prêmio pago pelos EUA ao etanol de cana dobra na safra


A escassez de etanol no Brasil está elevando os prêmios pagos pelo produto brasileiro na exportação aos Estados Unidos. Desde o início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, em abril, o ágio pago pelo etanol de cana brasileiro dobrou, atingindo patamares superiores a US$ 1 por galão de 3,78 litros.
O resultado, diz Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, é que as usinas brasileiras que exportam estão recebendo, em média, US$ 3,70 por galão, mesmo descontada a tarifa de importação americana ainda vigente de US$ 0,54 por galão.
"Algumas usinas estão fazendo essa operação de exportar etanol aos Estados Unidos e importar o biocombustível de milho dos americanos e estão obtendo ganhos nessa operação", disse Nastari.
Isso porque, detalha ele, a importação de um galão de etanol americano vale, em média, US$ 2,80, o que significa um ganho médio para a usina de pelo menos US$ 0,90.
Diante desse quadro, a Datagro elevou a estimativa de importação de etanol pelo Brasil de 1,49 bilhão de litros, feita em agosto, para 1,66 bilhão de litros. A revisão foi feita mesmo diante da redução da mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 20%, que entra em vigor hoje.
O prêmio pago ao etanol de cana do Brasil se deve ao fato de ele ser considerado "avançado" (emite 50% menos gases de efeito estufa que a gasolina) pela agência de proteção ambiental americana (EPA, na sigla em inglês).
Em abril, esse ágio era de US$ 0,50 por galão. Oscilou ao longo dos meses seguintes, até atingir em 22 de agosto patamares entre US$ 1 e US$ 1,28. Desde então, vem se mantendo acima de US$ 1 e nesta semana variou de US$ 1,05 a US$ 1,10.
No mercado interno, os preços do etanol hidratado, que abastece diretamente os veículos, estão 30% mais altos do que em igual período do ano passado com tendência de alta. Em evento ontem em São Paulo (World Biofuels Markets Brazil) a consultoria Datagro previu que em dezembro o preço do hidratado na usina deve atingir o patamar de R$ 1,30 por litro, livre de impostos, o que significará alta de 9,79% em relação ao valor atual.
Com isso, o biocombustível vem perdendo espaço na preferência do motorista. Ontem, no Rio de Janeiro, o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, previu que o preço do etanol só voltará a ficar mais competitivo do que a gasolina em 2013. "Ainda assim é uma expectativa muito otimista", ressaltou Vaz.
Para que isso aconteça, ele destaca que será preciso mais incentivos para os produtores, como novas linhas de crédito e redução dos impostos. "O etanol já é menos tributado que a gasolina, mas é possível reduzir ainda mais", afirmou.

Energia solar: a nova fronteira do Brasil

O Brasil sempre foi reconhecido mundialmente por ser agraciado com uma enorme diversidade em recursos naturais: temos abundância em rios, florestas, minérios, petróleo, gás, e mais recentemente o vento.

Mas, estranhamente, pouco se fala sobre uma das maiores e mais limpas fontes de energia renovável: o sol.
Chegam ao planeta Terra 34 milhões de megawatts a cada segundo oriundos do sol. Isso é 10 mil vezes mais do que tudo aquilo que nós humanos consumimos hoje em energia. O Brasil é também um dos países mais privilegiados do mundo em insolação, sendo que em algumas regiões temos o mesmo número de dias de sol por ano que o deserto.
Nossa região com menos insolação, Santa Catarina, é 30% a 40% maior que a melhor região da Alemanha, um dos países líderes em produção de energia solar. A China, mesmo sem ter toda essa insolação, já descobriu o potencial dessa nova fonte de energia sendo hoje um dos maiores produtores de painéis fotovoltaicos no mundo.
Painéis fotovoltaicos instalados nos parques eólicos dariam mais retorno às linhas de transmissão instaladas
Por que o Brasil ainda não aproveita essa fonte de energia limpa, sem ruídos, gases, desmatamento e resíduos que nos chega todos os dias? A resposta não é tão simples.
O primeiro fator alegado, alguns anos atrás, era o preço, com alguma dose de razão. Hoje já não podemos mais dizer isso. Além de cair consistentemente nos últimos seis anos devido às novas tecnologias que vêm sendo adotadas na produção de painéis, a expectativa é que venha a cair mais ainda nos próximos anos, enquanto a expectativa da energia convencional é de subir ainda mais o preço. Em muitos Estados do país, se verificarmos os preços pagos pelos consumidores em suas contas de luz, a energia solar fotovoltaica já é mais barata hoje.
Além disso, a energia solar conta com uma vantagem adicional em relação às outras fontes: é gerada exatamente onde é consumida, ou seja, nos telhados das casas, comércios, depósitos, ou edifícios, não necessitando uso de linhas de transmissão, o que se convencionou chamar de geração distribuída.
Outro problema era escala competitiva, praticamente já superado. Só no ano de 2010 já se chegou a mais de 13 GW instalados no mundo, podendo chegar este ano a 25 GW, quase o dobro do ano passado.
Faltaria ainda a questão da regulamentação, também prestes a ser superada. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está neste momento com uma audiência pública em curso que, entre outras coisas, irá regulamentar até o final do ano a chamada "conexão no grid", ou seja, permitirá a um consumidor final de energia solar fotovoltaica até 1 MW que a energia por ele gerada durante o dia, por exemplo, seja descontada do seu consumo total ao final do mês. Isso facilitará em muito a ampliação do mercado consumidor de energias renováveis, entre elas a solar fotovoltaica. O próximo passo, aguardado pelo mercado com grande expectativa, seria a realização de um primeiro leilão de energia solar fotovoltaica no Brasil, atraindo com isso toda uma cadeia produtiva de alta tecnologia para nosso país.
Marcelo del Pozo/Reuters/Marcelo del Pozo/Reuters
Esses fatores somados abririam uma oportunidade histórica para um segmento de produção de energia que, além de totalmente sustentável, ajudaria no encaminhamento de problemas que vem se acumulando no setor energético.
O crescimento da energia hidráulica em grandes usinas está perto do seu limite, enfrentando problemas ambientais e exigindo pesados investimentos e longos prazos de maturação, além de demandar investimento em novas linhas de transmissão.
A região Norte do Brasil, chamada de sistema isolado pelo fato de não ser possível levar energia por meio de linhas de transmissão, é mantida com energia a diesel e carvão, sistema pago por todos nós graças a um adicional em nossas contas de luz. Ora, uma parte considerável desse consumo poderia ser substituída por energia solar.
A água potável de poços artesianos no interior de estados do Nordeste não pode ser bombeada pelo custo que demandaria levar uma rede elétrica até eles. Alguns poucos painéis solares resolveriam essa demanda. Foram levantados, somente em um estado, mais de 80 mil poços artesianos com água potável.
As grandes redes de supermercado, em especial no Nordeste, gastam recursos enormes para resfriar suas lojas, quando poderiam implantar em todas elas uma cobertura de painéis solares, que além de resfriá-la naturalmente estaria gerando energia. São milhões de metros quadrados de coberturas desperdiçadas ao longo de todo país.
Os próprios parques eólicos, que hoje estão transformando a paisagem de algumas regiões do país, poderão ser consumidores de painéis solares nas áreas em que estão instalados. São centenas de hectares de terrenos não aproveitados que poderiam estar gerando energia durante o dia, já que o vento normalmente sopra durante a noite, dando assim mais retorno à linha de transmissão já instalada. É o que poderíamos chamar de energia renovável "flex", sol durante o dia e vento durante a noite.
Como podemos ver, são imensas as oportunidades que se abrem neste imenso país banhado de sol por todos os lados. O governo está dando os primeiros passos, sinalizando que é o momento de arregaçarmos as mangas para transformar o Brasil em um player mundial no setor de energia solar fotovoltaica. As próximas gerações nos agradecerão por isso.
Emerson Kapaz é empresário, presidente da Ecosolar do Brasil S/A e sócio da Alek Consultoria Empresarial.