Mostrando postagens com marcador Valoronline 31/5/2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Valoronline 31/5/2011. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de maio de 2011

Areva continua a ver demanda para energia nuclear

A francesa Areva SA aposta numa retomada mundial da energia nuclear, mesmo com os efeitos da crise no Japão continuando a reverberar.
Ontem, a Alemanha se tornou o grande primeiro país industrializado a anunciar que vai desativar suas usinas nucleares, depois do desastre na usina japonesa Fukushima Daiichi. Uma decisão que pode prejudicar o principal negócio da Areva nos próximos anos.

Com os governos sob pressão para reconsiderar a energia nuclear, a presidente executiva da Areva, Anne Lauvergeon, está fazendo campanha para manter seu emprego e salvar a reputação do setor. "Depois de Fukushima, o mundo não está dizendo 'Não' para a energia nuclear", disse Lauvergeon ao Wall Street Journal. "Está só dizendo que a energia nuclear não é para todo mundo (...) e que isso terá um preço."

Os governos do mundo todo enfrentam um dilema: depender exclusivamente de combustíveis fósseis poluentes e energias renováveis, ou apoiar projetos para pagar mais por usinas nucleares mais seguras, que podem ter uma recepção negativa entre os eleitores. O resultado disso pode definir o sucesso da Areva, uma das maiores empresas de engenharia nuclear do mundo.

Na última década, a Areva, cujos negócios incluem minas de urânio e reciclagem de lixo nuclear, gastou bilhões de euros desenvolvendo o que a empresa descreve como reatores ultraseguros.

Lauvergeon diz, que apesar da crise nuclear do Japão, os governos, especialmente de países emergentes, não irão virar as costas para a energia nuclear. Ela espera que as empresas de eletricidade estejam dispostas a pagar mais por reatores com dispositivos adicionais de segurança. "O mundo pós-Fukushima não é o mesmo mundo pós-Chernobyl ou pós-Three Mile Island", diz. "Hoje vivemos num mundo em que os combustíveis fósseis estão mais caros e continuarão cada vez mais caros."

Muitos analistas e alguns clientes disseram que a última geração de reatores da Areva, que custam aproximadamente 6 bilhões de euros, ou cerca de US$ 8,5 bilhões cada, são muito caros para serem competitivos. "Estávamos num mundo maluco", onde alguns investidores não estavam preparados para pagar por mais segurança, diz Lauvergeon.

A reação ao desastre nuclear no Japão foi variada. Enquanto a Suíça e a Alemanha decidiram desativar usinas nucleares, países como Reino Unido e Polônia preferiram seguir com esse tipo de energia. "O futuro da indústria permanece relativamente saudável em mercados em crescimento", como China, Índia e Brasil, segundo um relatório publicado pelo analista de energia Will Pearson, do Eurasia Group.

Lauvergeon classificou a decisão da Alemanha como "política" e diz que o cenário pode mudar "de agora até 2022", quando a última usina alemã deve ser desativada. Em 2010, a Alemanha respondeu por cerca de 10% das vendas de 9,1 bilhões de euros da Areva. Ela acredita que os países emergentes com crescentes demandas por energia, em particular China, Índia e África do Sul, continuarão investindo em energia nuclear.

Lauvergeon, de 51 anos, pode não ficar tempo suficiente no cargo para ver sua estratégia dar frutos. O governo francês, que direta e indiretamente detém uma participação de 93% na Areva, vai decidir em junho se renova ou não o contrato dela. O aumento dos custos das obras em andamento, a perda de um contrato importante em Abu Dhabi e disputas com os principais executivos de elétricas francesas diminuíram as chances de que ela fique no cargo, segundo pessoas no setor.

BNDES desacelera ritmo em 2011, diz Coutinho

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o volume de desembolsos da instituição este ano poderia atingir R$ 170 bilhões caso não houvesse um freio, com a abertura de espaço para o mercado privado assumir parte da conta de empréstimos de longo prazo no país. De acordo com o executivo, o total desembolsado pelo BNDES este ano deverá girar em torno de R$ 145 bilhões, em linha com o que foi emprestado no ano passado.

"Temos estoque aprovado de projetos. Tínhamos no ano passado em torno de R$ 175 bilhões e está em torno de R$ 178 bilhões hoje. O estoque de projetos aprovado continua crescendo, mas obviamente nós reduzimos aquela parcela financiável pelo BNDES exatamente para abrir espaço para o mercado e para moderar o nosso desembolso neste ano de 2011", afirmou Coutinho, que participou do Rio Investors Day, no Rio de Janeiro. "Foi uma decisão tomada que está sendo implementada e, aparentemente, estamos conseguindo resultado", acrescentou.

Coutinho afirmou ainda que os investimentos ao longo dos próximos quatro anos na economia brasileira deverão totalizar R$ 3,2 trilhões, atingindo, ao final do período, em 2014, patamar próximo a 23% do Produto Interno Bruto (PIB).

"É um número para sustentar o crescimento de longo prazo sem pressão de inflação", disse Coutinho.

O executivo defendeu ainda um processo de desindexação da economia brasileira, de forma a acabar com um combustível que alimenta as taxas de inflação. Apesar da defesa, Coutinho ponderou que o processo deve ser feito de forma a não romper o respeito aos contratos. Ele lembrou que uma boa alternativa para as concessões de serviços públicos é mudar as regras de indexação na ocasião em que os contratos preveem a discussão das normas que regem as tarifas.

"Certamente algumas das regras de indexação podem e devem ser aperfeiçoadas e mitigadas", destacou Coutinho, lembrando que alguns índices como os IGPs "não são adequados" porque misturam índices híbridos. "Mas essa é uma matéria para discussão técnica e que terá que ser feitas consultando os vários interesses e respeitando as regras".

Também presente ao evento, o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, confirmou que todo o debate com o mercado em relação a uma possível indexação tem sido travado "no mais absoluto respeito aos contratos."

"O ideal é que a gente consiga, a médio prazo, sair de regimes de indexação que a gente tem hoje, à Selic, ao DI. Que no longo prazo a gente consiga estabelecer formas de atuar e não fazer nenhum tipo de violência e que se consiga migrar para lá a quatro mãos", frisou Mendes.