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segunda-feira, 28 de março de 2011

UE anuncia nova cota para açúcar

Tendências:

A União Europeia anunciou na sexta-feira medidas preventivas para assegurar o abastecimento de açúcar em seus 27 países-membros em 2012. O pacote abre uma cota de importação de 400 mil toneladas, a partir de janeiro, destinadas ao setor industrial, basicamente para o segmento químico. Além disso, a UE, que tem autorização da OMC para exportar 1,3 milhão de toneladas, decidiu dar o sinal verde para apenas 650 mil toneladas de açúcar e outras 50 mil de isoglucose.

Essas medidas serão adotadas no ano fiscal que começa em outubro e ilustram a preocupação europeia com o abastecimento diante do aperto no mercado mundial da commoditity. "Com essas medias, os operadores receberam um forte sinal de que é atrativo produzir açúcar", afirmou a UE em comunicado.

Bruxelas nota que, no atual "marketing year", os preços mundiais de açúcar bruto e refinado atingiram níveis excepcionalmente altos, afetando o mercado europeu. Essa situação levou a UE a adotar "medidas excepcionais" para garantir o abastecimento também este ano, entre elas a abertura de uma cota de 300 mil toneladas livre de tarifas.

O bloco também liberou a venda no mercado interno de 500 mil toneladas do açúcar "fora da cota" - ou seja, a produção que excedeu os limites nacionais autorizados. Normalmente, esse excedente só podia ser exportado ou destinado a fins não alimentares, como produção de etanol ou uso na indústria química. No começo do ano, Bruxelas suspendeu a taxa de € 500 por tonelada sobre o açúcar fora da cota que poderá ser vendido para fins alimentares.

Esse suprimento adicional de 800 mil toneladas chegará ao mercado europeu nos próximos meses para atenuar as pressões altistas sobre o preço. Dependendo da situação, a UE diz que está pronta a considerar "medidas adicionais, incluindo o aumento da cota de importação". Em 2009/10, a UE importou de 2,5 milhões e 3 milhões de toneladas. O volume crescerá em 2011 e 2012.

O Comitê Europeu de Fabricantes de Açúcar (Cefs) acredita que as medidas terão pouco efeito, porque se há escassez de produto no mercado internacional, dificilmente os europeus poderão importar mais para atender suas necessidades. A entidade reitera que, no começo do ano, quando a UE sinalizou que facilitaria as importações, os preços internacionais subiram. Teoricamente, o Brasil deveria ser beneficiado pela necessidade europeia, se tivesse mais açúcar para vender. De qualquer forma, se os preços subirem, o país tende a ser favorecido.

Siemens vai dividir área industrial

Reestruturação:

A Siemens vai dividir em duas suas operações no setor industrial, para aproveitar a demanda por infraestrutura em expansão acelerado nas maiores cidades do mundo.
Numa reunião extraordinária do conselho supervisor, hoje, Peter Löscher, o executivo-chefe, deverá apresentar um plano para reorganizar parte de seus negócios industriais em um novo "setor de infraestrutura", segundo disseram duas pessoas a par da situação.

O quarto setor do grupo poderá incluir negócios que irão de trens urbanos a redes elétricas inteligentes, tecnologia de construção e soluções para carros elétricos. A iniciativa enfatiza o quanto as megacidades do mundo, que vêm crescendo rapidamente, se tornaram mais importantes para as companhias do setor industrial. Hoje, 600 das maiores cidades respondem por cerca de metade do PIB mundial, número que deverá crescer.

Ela representa outra grande reorganização após Löscher ter finalizado a estratégia de seu antecessor de moldar os negócios da Siemens em três setores: indústria, energia e cuidados com saúde.

O setor industrial emprega mais de metade dos 405 mil funcionários da Siemens, teve receita de € 34,87 bilhões (US$ 49,45 bilhões) no último exercício social e produz de tudo, de lâmpadas a trens de alta velocidade.

A reorganização está dentro de uma estratégia anunciada no fim do ano passado por Löscher, de acelerar o crescimento com produtos e serviços "verdes", além das receitas nos mercados emergentes e megacidades.

"Vemos essas cidades como um ponto focal especial para a expansão de nossos negócios", disse em janeiro o executivo-chefe austríaco. "É aí que a demanda por nossas inovações, ou expressando em termos gerais, a demanda por soluções de infraestrutura ecologicamente corretas está concentrada."

A reestruturação surge no momento em que o grupo considera a venda da unidade de iluminação Osram e a criação de uma divisão de serviços separada dentro do setor industrial.

CNI quer flexibilizar projeto que cria selo contra discriminação às mulheres

Iriny: "Precisamos do cadastro. Temos que superar a informalidade com que são tratados os dados. O projeto busca melhorar as informações sobre as empresas"

A Câmara dos Deputados vota em abril projeto de lei que pretende classificar as empresas brasileiras entre discriminadoras ou não das mulheres. O texto prevê a criação de um selo distintivo para as que se destacarem na aplicação de políticas de igualdade e um cadastro negativo de empregadores responsáveis por atos discriminatórios. Também torna obrigatório o oferecimento de creches, próprias ou conveniadas, aos filhos de funcionárias que estejam em idade pré-escolar.

A bancada dos empregadores da Casa, porém, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), atua para flexibilizar as medidas que a proposta implementa. Em linhas gerais, a instituição avalia que o projeto é inconstitucional, contém dispositivos baseados em acordo internacional não ratificado pelo Brasil e que, em vez de facilitar, impede o acesso e ascensão da mulher no mercado de trabalho.

O projeto, apoiado pelo governo e articulado pela bancada feminina da Câmara, cuja coordenadora é a deputada Janete Pietá (PT-SP), passou pelo colégio de líderes nas últimas duas semanas. Chegou a ser anunciado que entraria na pauta, mas houve oposição do PSDB, que redigiu um novo substitutivo e o encaminhou à liderança do governo para ser negociado.

Nele, o partido elimina a obrigatoriedade quanto às creches. "Esse artigo é desnecessário, visto que a CLT já prevê que estabelecimentos em que trabalharem pelo menos 30 mulheres são obrigados a ter local apropriado onde seja permitido guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação", escreveram os técnicos do PSDB na justificativa. Afirmam ainda que a norma, "da forma como está redigida, obriga todas as empresas, independente do número de empregados, a fornecer creches".

O PSDB também se posiciona contrário à criação, em cada empresa, de uma comissão interna de promoção da igualdade, conforme prevê o projeto da bancada feminina. A ideia é que esta comissão, composta por 50% de mulheres, faça um diagnóstico anual com informações sobre a política salarial e a composição feminina dos cargos de chefia da empresa. O resultado de seu trabalho servirá, inclusive, de parâmetro para a concessão do selo pelo governo. Seus integrantes gozariam de estabilidade, não podendo sofrer demissão arbitrária. Se ela ocorrer, está prevista a inversão do ônus da prova, no caso de uma eventual ação judicial na Justiça trabalhista.

"As empresas devem ter um órgão mediador para receber as queixas de descumprimento da lei, mas não com a estrutura proposta no substitutivo", diz a justificativa do PSDB. "O objetivo não é criar conflito, é apaziguar as relações, num trabalho de promoção da igualdade. Situações em que a comissão mediadora não alcançar sucesso, o empregado deve ir à Justiça do Trabalho", conclui.

O PSDB propõe ainda suprimir o trecho do projeto que trata do cadastro negativo. Avaliam que ele transformará a promoção da igualdade "em constante litígio". O posicionamento é semelhante ao da CNI, que avalia ser o cadastro "inconveniente e desnecessária". Argumenta que, "sem que a irregularidade apontada tenha sido objeto de devido processo legal, consiste em violação constitucional aos princípios gerais da atividade econômica".

Quanto ao selo distintivo, a instituição empresarial avalia que "melhor seria se iniciativas dessa natureza partissem das próprias empresas, como imposição decorrente da livre competição, sem qualquer intervenção estatal, para evitar-se que ele se transforme em veículo de discriminação de acesso ao mercado, bem como se torne obstáculo para a concessão de financiamento pelo Estado".

O projeto sofre também oposição de diversos representantes da bancada dos empresários distribuídos tanto em partidos da oposição, como DEM e PSDB, como da base governista, como PMDB, PR e PP.

Para a ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, o projeto é "extremamente importante" pois cria condições objetivas para as mulheres se colocarem e ascenderem no mercado de trabalho. "Precisamos do cadastro. Como você faz monitoramento se não tem cadastro? Temos que superar definitivamente essa informalidade com que são tratados os dados. O projeto busca melhorar, neste particular, as informações sobre as empresas", disse.

A ideia do selo, segundo ela, relaciona-se aos selos já existentes conferidos a empresas que investem em sustentabilidade. "É um selo equivalente, pois a maneira como a empresa é vista passa ser diferente. É bom para as empresas terem." Licenciada do posto de deputada federal pelo PT-ES, ela afirma que, se for necessário, serão feitas negociações para que ele possa ser aprovado.

"Não adianta fazer um projeto incisivo e não ter voto para aprovar. Aquela Casa é um espaço para negociar", disse. De acordo com ela, se o projeto for aprovado e sua secretaria considerar que não houve avanços, outras medidas serão apresentadas