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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Executivos de marketing ganham um novo status

Mercado: Mais disputados, profissionais se tornam estratégicos para o negócio e recebem aumento de até 30%.

Marco Lopes foi contratado pela Positivo Informática para assumir a recém-criada vice-presidência de marketing

O impacto da profissionalização do mercado e da escassez de talentos chegou aos departamentos de marketing das empresas. Relegado no passado a posições menos estratégicas dentro das organizações, o setor ganhou status e hoje enfrenta desafios como disputa por especialistas e salários alavancados. A demanda é generalizada e não se concentra apenas nas empresas de bens de consumo, tradicionais formadoras de profissionais de marketing e que sempre privilegiaram a área internamente.
"Companhias de todos os tamanhos e indústrias estão dando mais importância para a função. As movimentações nunca foram tão grandes como agora", afirma Amanda Oliveira, gerente da empresa de recrutamento Hays. Segundo ela, segmentos tradicionalmente pouco ativos em marketing como mineração, infraestrutura e serviços já se movimentam para atrair talentos.
A disputa tem gerado inflação salarial nos cargos executivos. De acordo com os especialistas, a remuneração cresceu, em média, 30% nos últimos dois anos - e ainda não há indícios de desaceleração. "Os profissionais estão mudando de emprego ganhando aumentos de 15% a 30% ", diz Marcelo Braga, sócio da consultoria Search.
Ele explica que grande parte das movimentações é motivada por boas oportunidades de carreira. "Muitos executivos são atraídos por empresas ou produtos com potencial de crescimento. Há uma visão de longo prazo que vai além da remuneração", afirma.
Contratado há três meses pela Anhanguera Educacional, o vice-presidente de marketing Roberto Valério é um exemplo. Ele ocupava o cargo de diretor de marketing para a América Latina da DirecTV em Nova York e não pensava em voltar para o Brasil, mas foi motivado pelo desafio de profissionalizar o grupo com 13 mil funcionários. "Fui seduzido pelo enorme potencial da marca e pelo ambiente econômico propício. Era uma oportunidade única", diz.
O cargo de vice-presidência foi criado junto com a chegada do executivo, que está reestruturando a área. Duas novas diretorias foram estabelecidas e houve promoções internas e contratações. O desafio neste momento, segundo Valério, tem sido o recrutamento. "Identificar bons profissionais no mercado não está sendo fácil. Também me surpreendi com a alta faixa salarial no Brasil, que em alguns casos chega a superar a americana."
De acordo com os headhunters, o salário de um gerente de marketing com pelo menos 5 anos de experiência na área varia de R$ 12 mil a R$ 18 mil, enquanto o de um diretor pode chegar a R$ 30 mil. Em indústrias onde o marketing está no centro da estratégia, contudo, a remuneração média atinge a faixa de R$ 40 mil a R$ 70 mil.
Oferecer pacotes atrativos, no entanto, tem sido cada vez mais difícil para as empresas, que passaram a recorrer às consultorias especializadas em busca de uma solução para a competitividade nesse mercado. "Orientamos os clientes a investir em formação interna de líderes. Enquanto o aquecimento não recuar para níveis mais normais, as melhores políticas são os planos de sucessão, retenção e desenvolvimento", diz Amanda, da Hays.
Esse é o caso da Rede d'Or de hospitais. O grupo adquiriu o Hospital e Maternidade São Luiz no fim do ano passado e promoveu Claudio Tonello, que respondia pela área comercial e de marketing da empresa comprada, a diretor corporativo de toda a rede. A mudança veio com uma reestruturação no time. "Buscamos gente de diferentes áreas. O mercado hospitalar precisa se relacionar com públicos diversos e estava carente de profissionais de marketing com outras vivências", diz Tonello.
A diversidade de experiências, inclusive, está mais valorizada pelo mercado. "A falta de profissionais qualificados faz com que as empresas abram oportunidades para outro tipo de currículo", afirma Amanda Oliveira. Executivos com passagens pelas indústrias de bens de consumo, telecomunicações e mercado financeiro, contudo, são as grandes estrelas desse mercado. "São setores que usam amplamente as ferramentas de marketing e desenvolvem bons profissionais. Depois de 'prontos', eles passam a ser assediados pelas empresas", afirma Marcelo Braga, da Search.
Com a carreira construída nas indústrias automobilística e de telecomunicações, Marco Lopes foi contratado, em abril, como vice-presidente de marketing da Positivo Informática. A área, que até então era uma diretoria, ganhou status com a chegada do executivo. "Fui atraído pela história da empresa, que é nacional e soube conquistar mercado muito rapidamente", conta.
A estratégia de crescimento da companhia a partir de agora, segundo ele, abrange grandes investimentos na área de marketing. "Em mercados muito competitivos e que passam por mudanças frequentes, as habilidades do passado não são mais suficientes. E isso torna mais difícil conseguir os profissionais certos", avalia.
Segundo Lopes, o perfil do executivo de marketing mudou nos últimos anos. "Éramos confundidos com vendas ou vistos como comunicação e publicidade", afirma. Hoje, a área se tornou mais integrada ao negócio. Valério, da Anhanguera Educacional, acredita que um sinal de que os tempos mudaram é o novo conjunto de competências exigidas do profissional. "Além do conhecimento técnico em comunicação, é preciso ter visão global de negócios, saber discutir orçamentos e ter capacidade analítica", afirma.
Tonello, da Rede d'Or, afirma que o executivo de marketing que trabalhava 'sob o ar-condicionado' ficou no passado. "É preciso sair do mundo das pesquisas e entrar no mundo real, ir para o campo ouvir o cliente."

Usinas já programam importação de etanol

Ministro Edison Lobão diz que preocupação do governo é com o abastecimento do mercado e que não faltará etanol

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que as usinas brasileiras já têm programada a importação de 200 milhões de litros de etanol. O número é resultado da avaliação quinzenal que vem sendo feita sobre oferta, demanda e estoques de etanol no país.
Segundo Lobão, que participou ontem de inauguração de usina da multinacional Bunge em Pedro Afonso (TO), até agora já entraram no país 400 milhões de litros de etanol. "A preocupação é de que o mercado de etanol permaneça abastecido. O desabastecimento não ocorrerá", garantiu o ministro.
As reuniões de monitoramento de estoques começaram já no pico de safra da cana-de-açúcar, quando o normal seria que ocorressem um pouco antes do início da entressafra. Ontem, técnicos do Ministério de Minas e Energia, representantes dos produtores e distribuidores de etanol realizaram mais um encontro para discutir o abastecimento.
O presidente da União da Indústria de Cana-de- Açúcar (Unica), Marcos Jank, encontrou-se com o ministro durante a inauguração da usina. Na conversa, Jank entregou um documento mostrando o aumento da produção de etanol anidro - que é misturado à gasolina - no Centro-Sul. Até 1º de julho, a produção de anidro subiu 11,7% frente a igual período de 2010, para 2,5 bilhões de litros. "Até 15 de julho, esse desempenho de produção continuou crescendo", disse o presidente da Unica.
A redução do percentual de mistura de etanol na gasolina, dos atuais 25% para até 18%, ainda é uma possibilidade que vem sendo considerada, segundo o ministro. Mas outras medidas para apoiar a produção de etanol vêm sendo tomadas, segundo ele. Entre elas, o financiamento da safra. "A linha de crédito do BNDES para formação de estoque de etanol também deve ser lançada em breve", disse Lobão.
No início do mês, a Unica revisou sua estimativa para a safra de cana no Centro-Sul para 533,5 milhões de toneladas, 6,16% abaixo de igual período do ciclo passado.
A usina inaugurada ontem pela Bunge, em Pedro Afonso, tem capacidade industrial para moer 2,5 milhões de toneladas de cana por ano, mas começará processando nesta safra 1,5 milhão de toneladas. A Bunge investiu R$ 600 milhões no projeto.