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terça-feira, 21 de junho de 2011

BNDES lança fundo de R$ 150 milhões para inovação ambiental

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou ontem a criação de um fundo de investimento de R$ 150 milhões, voltado exclusivamente a empresas que desenvolvem projetos de tecnologias "limpas" e encontram-se em estágio nascente ou inicial de atividades.

De acordo com o banco, poderão receber os aportes do chamado Fundo de Inovação em Meio Ambiente companhias que "trabalham com a criação de ações voltadas à redução da emissão de carbono e outros resíduos ou que promovam o uso inteligente de recursos".

Para Cláudia Nessi, gerente do Departamento de Operações de Meio Ambiente do BNDES, o fundo deve preencher uma lacuna no mercado de fundos de partipação, que ainda não atende completamente empresas com essas características e que buscam volumes mais elevados de investimentos.

O diferencial que esse fundo pretende oferecer é atingir empresas que trabalham especificamente com inovação ambiental. A intenção é que essas companhias possam receber aportes de valor maior, segundo explicou Cláudia. De acordo com ela, os valores devem superar o R$ 1,5 milhão, que compreende o investimento recebido por empresas apoiadas pelo Criatec, programa de capital semente lançado pelo banco em 2007 e semelhante ao novo fundo.

Com limite de participação de 90% (R$ 135 milhões), o BNDES está em fase de seleção de gestores para o projeto, que deve ser finalizada em agosto. Após essa etapa, haverá a captação dos demais investidores, seguida da discussão entre gestores e acionistas para a definição de regras detalhadas para as empresas que poderão receber os recursos. O processo ainda será sujeito a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e então poderá receber propostas de investimentos.

A expectativa da gerente do BNDES é que o fundo possa começar a operar em seis meses, sendo lançado ainda em dezembro deste ano.

Importação de máquinas pesadas subiu 28% até maio, informa Abdib

Bens de capital:

A balança comercial do setor de bens de capital sob encomenda registrou baixa de US$ 558 milhões nos primeiros cinco meses do ano. O déficit foi maior que os US$ 354 milhões verificados de janeiro a maio de 2010.

Segundo sondagem divulgada ontem pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), as importações somaram US$ 2,3 bilhões, 28% superior ao mesmo período em 2010, quando as compras de equipamentos pesados estrangeiros atingiram US$ 1,8 bilhão.

Para o vice-presidente da Abdib, Ralph Terra, o volume de maquinário importado tem crescido a uma velocidade preocupante. "Caso o país não crie condições para que a indústria local possa competir internacionalmente, a Abdib prevê um cenário de curto e longo prazo complicado para os fabricantes nacionais", disse.

Entre os entraves relacionados à competitividade, ele aponta questões tributárias e a ausência de mão de obra qualificada na área.

Conforme a Abdib, até 2015 teriam de ser feitos no país investimentos da ordem dos R$ 922 bilhões, divididos entre os setores de energia elétrica (R$ 142 bilhões), petróleo e gás (R$ 424,5 bilhões), transporte e logística (R$ 172 bilhões), telecomunicações (R$ 98,5 bilhões) e saneamento básico (R$ 85 bilhões).

As importações vêm crescendo desde 2010, quando fecharam em alta de 29% ante 2009, segundo a analista setorial da Tendências Consultoria, Estefânia Grezzana. A perspectiva é que a demanda interna cresça 11% neste ano, impulsionada, principalmente, pelos setores de extração mineral, agricultura e construção civil.

É preciso elevar gasto com inovação, diz ministro

Para acelerar a taxa de inovação e ampliar a competitividade da indústria, o Brasil precisa atrair projetos que garantam como contrapartida investimentos em pesquisa e desenvolvimento. "Não dá para ceder incentivo fiscal sem esse retorno. Temos condições de exigir mais de quem quer investir no país", declarou Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, durante a cerimônia de abertura da 11ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que termina amanhã em Fortaleza.

A estratégia é fundamental para que o Brasil avance na produção de valor agregado, deixando de ser uma economia com forte base nas commodities. Entre os exemplos, Mercadante avalia a cadeia produtiva do petróleo e chama a exploração em águas profundas de "nosso sputnik", em alusão à declaração que presidente americano Barack Obama fez sobre a importância do programa espacial para a economia dos Estados Unidos.

No Brasil, o desafio está em criar uma cadeia produtiva capaz de atender às demandas tecnológicas do pré-sal. Quanto maior o índice de nacionalização, maiores serão os impactos da exploração em toda a economia, criando empregos e gerando riquezas para o país.

A decisão, segundo ele, é se agiremos como a Venezuela, que não deve deixar uma boa herança para o futuro, ou a Noruega, cuja estratégia para a exploração de petróleo e gás garantiu desenvolvimento econômico e social. "É a nossa poupança para o futuro".

O ministro comentou ainda suas preocupações em relação à proposta para a divisão dos royalties do pré-sal. Com o projeto que está em avaliação, o fundo setorial, que garante os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, perderá em torno de R$ 12 bilhões até 2020, nas contas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O cálculo tem base no potencial das reservas.

De acordo com Mercadante, o Brasil já possui 20 bilhões de barris certificados, com potencial de ultrapassar os 40 bilhões. A um preço médio de US$ 120 o barril, o total da produção alcançará o patamar de US$ 5 trilhões. "Parte dos lucros tem de ser investida em educação, ciência, tecnologia e inovação. Não temos o direito de repetir o erro de muitas nações petrolíferas", diz.

No encontro, organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o ministro conclamou os empresários a ampliar os aportes em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil investe cerca de 1,19% do PIB em atividades para criação de novos produtos e mais da metade desse orçamento vem do poder público. No Japão, o total alcança 3,44% do PIB, a maior parte com dinheiro da iniciativa privada. O mesmo se repete nos Estados Unidos e na Europa. "A meta é criar uma cultura empresarial inovadora, para que o salto tecnológico aconteça", afirma.

Para os representantes das empresas, o governo também precisa apostar mais, dividindo os riscos e criando instrumentos mais eficientes para financiar as atividades de pesquisa e desenvolvimento. "A política econômica tem de ser direcionada para a inovação. É preciso ousadia para avançar", afirma Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Anpei.

Para Calmanovici, nos encontramos diante de um cenário perigoso: muito à frente de países pouco desenvolvidos na questão da inovação, mas nos descolando de forma perigosa dos outros emergentes, como China e Índia. "Para sermos eficientes, temos de pensar em projetos que envolvam as cadeias produtivas, distribuindo a inovação e gerando conhecimento em todo o país."

Mesmo com um sofisticado sistema para fomento à inovação, o país ainda não consegue trazer competitividade para as cadeias produtivas. "Não dá para inovar sozinho. Mesmo que uma grande empresa aposte muito em pesquisa e desenvolvimento, vai esbarrar na falta de capacitação da cadeia produtiva", avalia Calmanovici.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) possui mais de 60 instrumentos de fomento à inovação, que se transformaram em verdadeiro labirinto burocrático para obtenção de crédito. Para dar mais agilidade ao sistema, o ministério quer transformar a Finep em uma espécie de banco. "A Finep será o grande agente da inovação no Brasil, com linhas diversas e que incluem até capital semente", conta Mercadante, afirmando que nos últimos três meses a entidade desembolsou R$ 1,4 bilhão para o financiamento de projetos.

Etanol EUA X Brasil

Os contratos futuros do etanol atingiram ontem a maior alta em um semana na bolsa de Chicago, puxados pela valorização do milho. De acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg, o milho subiu diante de sinais de que a demanda por exportação vai aumentar. O etanol para entrega em julho subiu 2,5 centavos de dólar, ou 0,9%, fechando a US$ $2.666 o galão. Neste ano, os futuros do biocombustível subiram 12% na bolsa americana. No Brasil, o indicador Esalq/BM&F para o hidratado em Paulínia subiu 0,08%, com o metro cúbico a R$ 1.199,00.

Etanol deixa milho 17% mais caro

Commodities:
 
Os subsídios do governo americano ao etanol já podem ter inflado em até 17%, de modo artificial, os preços do milho em 2011. A estimativa consta em um estudo que o Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD, na sigla em inglês) divulga nesta semana, dias após o Senado dos Estados Unidos aprovar uma emenda que extingue o incentivo de US$ 5 bilhões ao setor. Atualmente, os produtores que usam a mistura de gasolina com etanol recebem um crédito tributário de US$ 0,45 por galão.

O ICTSD, um "think tank" com sede em Genebra, avalia que os altos preços da gasolina estimularam o consumo de etanol, criando um cenário de aperto na oferta doméstica de milho. "Sob essas condições, o incentivo aos misturadores tem um impacto significativo sobre os preços do grão", afirma Bruce Babcock, professor da Universidade Estadual de Iowa e autor do estudo, em comunicado. Para ele, a política americana para o setor poderia ser mais flexível em períodos de escassez da matéria-prima.

O uso de milho para a fabricação de etanol mais do que triplicou desde 2004, de 36 milhões para quase 130 milhões de toneladas - o volume corresponde a praticamente toda a produção brasileira de soja e milho prevista para este ano. A oferta não acompanhou a demanda, e a participação do biocombustível na destinação da safra praticamente quadriplicou nesse período. De cada 10 sacas colhidas em solo americano, 3,8 vão abastecer alguma destilaria, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com isso, os americanos já usam mais milho para fabricar etanol do que ração para abastecer a produção de carnes.

Se a produção americana de etanol tivesse se mantido nos níveis de 2004, sugere o estudo do ICTSD, os preços do milho em 2009 seriam aproximadamente 21% inferiores aos registrados. No período, os preços da commodity mais do que triplicaram em meio ao crescimento não só dos biocombustíveis, mas da demanda por alimentos nos países em desenvolvimento. O enfraquecimento do dólar e os crescentes fluxos de capital especulativo para os mercados futuros de commodities também contribuíram para a guinada nas cotações.

Embora tenham caído quase 12% na última semana, os preços futuros do milho negociado na bolsa de Chicago dispararam cerca de 85% nos últimos 12 meses. No dia 9, alcançaram um dos maiores patamares da história depois que o USDA reduziu em 22% sua projeção para os estoques locais de passagem da safra 2011/12. O volume previsto é o menor em 15 anos.

O ajuste reflete o impacto das severas chuvas sobre as áreas de cultivo, especialmente no Estado de Ohio. Os estoques globais também foram reduzidos, em 13%, para o menor nível em cinco anos - em grande parte, resultado do aumento do consumo na China. No Brasil, a colheita da safra de inverno está atrasada, resultado do atraso no plantio. De acordo com boletim divulgado ontem pela consultoria Céleres, apenas 2,5% das lavouras foram colhidas até a última sexta-feira, ante 9,7% no mesmo período de 2010.

A preocupação com o nível e a volatilidade dos preços agrícolas deve dominar a pauta dos ministros de agricultura do G-20, que se reúnem em Paris a partir de quarta-feira (22).

Raízen recebe selo global de açúcar e álcool

Sustentabilidade: Certificação é uma das exigências para exportação desses produtos para a União Europeia


A Raízen, joint venture formada pela Cosan e Shell, anunciou ontem que recebeu a primeira certificação mundial exclusiva do setor de álcool e açúcar. Conhecido como Bonsucro, o selo é uma exigência da União Europeia para exportadores dessas commodities. Ele determina critérios ambientais, sociais e trabalhistas de produção.

De acordo com a empresa, foram certificadas 1,7 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, 130 mil toneladas de açúcar e 63 milhões de litros de etanol, todos produzidos na unidade Maracaí, no interior de São Paulo. O volume representa aproximadamente 50% da produção da unidade paulista.

"A meta é certificar 100% de suas 24 usinas no Brasil em cinco anos", disse ao Valor o vice-presidente de Sustentabilidade e Relações Exteriores da Raízen, Luiz Osório. A empresa deverá levar a certificação este ano a outras quatro unidades em São Paulo, onde está concentrada a produção sucroalcooleira.

Para chegar a esse objetivo, Osório conta com o suporte de US$ 350 milhões previstos para melhoramentos em saúde, ambiente e segurança das usinas até 2015.

No momento, a empresa realiza a análise de "gaps" - exigências não atendidas segundos os critérios para a certificação. São 48 indicadores e cinco princípios, que visam reduzir impactos ambientais e sociais na produção de açúcar, etanol e energia provenientes da cana. Eles vão desde a manutenção da biodiversidade até o aperfeiçoamento contínuo do setor.

O executivo explica que os principais "gaps" hoje estão nos chamados critérios não essenciais - redução de emissões de efluentes e manejo da terra, por exemplo.

Para obter a certificação Bonsucro é necessária a aprovação de 100% dos critérios essenciais (basicamente o cumprimento da legislação nacional) e de, no mínimo, 80% dos critérios não essenciais.

O selo é essencial para os planos de expansão dos negócios da empresa, tanto no mercado interno quanto externo. Joint venture formada em abril, a Raízen pretende atingir uma capacidade de moagem de cana-de-açúcar de 100 milhões de toneladas até 2015. Hoje, sua capacidade de moagem é de 65 milhões de toneladas de cana.

Na mesma linha, almeja uma expansão dos atuais 4,4 milhões de toneladas de açúcar para 6 milhões, enquanto a produção de etanol subiria de 2,2 bilhões de litros para 5 bilhões em cinco anos.

"Nós não vamos conseguir isso só com as usinas atuais. Optaremos pela expansão das atuais, a construção de novas ou aquisições", afirmou Osório, reiterando planos da empresa já anunciados. E as novas usinas terão a certificação? "Estudaremos caso a caso".

O selo deverá facilitar a entrada dos produtos brasileiros na União Europeia, que exige desde o início do ano diretivas ambientais para os biocombustíveis produzidos e importados pelo bloco. A Diretiva de Energias Renováveis (Red, na sigla em inglês), aprovada pela Comissão Europeia, estabelece a adoção de 10% de energia renovável no setor de transportes da região até 2020, entre outros pontos.

"E uma das maneiras de se conseguir isso é através de biocombustíveis certificados", explica Luiz Fernando Amaral, gerente de sustentabilidade da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Com alguma razão, os europeus passaram a exigir a certificação da produção brasileira de etanol em meio a questionamentos sobre a sustentabilidade do etanol. Na época, a principal crítica foi de que a expansão da cana forçaria as demais culturas a se deslocarem para áreas ainda preservadas, como a Amazônia e o Cerrado brasileiros.

Por esse motivo, a certificação Bonsucro (inicialmente chamado de Better Sugarcane Initiative) foi trabalhada em detalhes e submetida à apreciação europeia, de forma que não houvesse dúvidas de que atendesse às exigências do bloco.

Única certificação voltada exclusivamente para a cana-de-açúcar, o Bonsucro começou a ser elaborado há cinco anos e reúne grandes produtores e consumidores de açúcar e álcool, como Coca-Cola, Shell e BP, além de financiadores (IFC, afiliada do Banco Mundial) e organizações não governamentais (WWF entre elas).

Apesar de envolver o maior número de membros e do alcance internacional, há outros selos para biocombustíveis aceitos desde o início do ano pela União Europeia.