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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Belga Solvay compra Rhodia por € 3,4 bi

Ações da Rhodia abriram em alta de 50% na bolsa de Paris

PARIS - A companhia belga de produtos químicos e plásticos Solvay vai comprar a Rhodia em um acordo que avalia a empresa francesa em 3,4 bilhões de euros (US$ 4,8 bilhões). Com o negócio, a Solvay expandirá sua presença em mercados emergentes de rápido crescimento.
A Solvay, que em 2009 vendeu seu negócio farmacêutico para a Abbott Laboratories por 4,5 bilhões de euros, está oferecendo 31,60 euros por ação em dinheiro - um prêmio de 50% sobre o preço de fechamento da Rhodia na sexta-feira, de 21,07 euros. O acordo foi recomendado pelo conselho de diretores da companhia francesa e deverá ser concluído em agosto deste ano.
As ações da Rhodia abriram em alta de 50% em Paris e, às 8h (de Brasília), subiam 48,50%, para 31,29 euros, enquanto as da Solvay avançavam 1,84% em Bruxelas. A nova companhia terá receita anual combinada de 12 bilhões de euros e vai obter 40% de suas vendas em mercados emergentes. As informações são da Dow Jones.

Ritmo do investimento volta a crescer no 1º bimestre

Conjuntura: Consumo de máquinas aumentou 15,8% em relação a 2010

Sérgio Vale, da MB Associados: investimento se reacelerou no começo do ano, indicando que a expansão da capacidade produtiva segue firme

O investimento voltou a crescer com força no começo de 2011, depois de dar sinais de perda de fôlego no fim do ano passado. No primeiro bimestre, a produção e a importação de bens de capital tiveram crescimento expressivo, assim como a fabricação de insumos típicos da construção civil. Segundo estimativas da MB Associados, em janeiro e fevereiro a formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação ao último bimestre de 2010, houve alta de 2,7%, feito o ajuste sazonal.

O resultado indica que a expansão da capacidade produtiva segue firme na economia, uma notícia muito positiva, que vai ajudar a reduzir pressões inflacionárias no médio e longo prazo, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Ele observa, porém, que no curto prazo é mais um fator a alimentar a demanda, num momento em que a inflação está elevada. "De qualquer maneira, é uma mudança importante numa trajetória que parecia ser de desaceleração", afirma Vale.

No quarto trimestre de 2010, a formação bruta de capital fixo (medida das contas nacionais do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) aumentou 0,7% sobre o trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. No terceiro trimestre, a alta tinha sido bem mais forte, de 3,1%.

Para Vale, a perda de fôlego do investimento no fim de 2010 destoava do quadro geral da economia, que continuava a mostrar bastante dinamismo. A reaceleração dos gastos em máquinas e na construção civil no começo do ano lhe parece mais condizente com o cenário econômico do país, no qual as perspectivas de crescimento se mantêm muito favoráveis.

Em janeiro e fevereiro, a produção de bens de capital cresceu 13,1% sobre igual período de 2010, enquanto a importação cresceu 30,7%. Com isso, o consumo interno de máquinas e equipamentos (soma da produção doméstica e das compras externas, excluindo as exportações) aumentou 15,8% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2010, enquanto a fabricação de insumos para a construção cresceu 9,1%.

Com base na evolução dos dois indicadores, Vale calculou o aumento da FBCF no primeiro bimestre em relação a igual intervalo de 2010, de 13,6%. É um número expressivo, superior à alta de 12,3% do quarto trimestre do ano passado, nessa base de comparação. Segundo Vale, o desempenho do começo do ano pode levá-lo a elevar a previsão para a alta do investimento em 2011, hoje de 9,1%.

Os cálculos da economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Marzola Zara, também apontam para uma expansão robusta do investimento no primeiro bimestre. Na comparação com janeiro e fevereiro, ela estima uma alta de 13,4%, semelhante a da MB. Já em relação ao último trimestre do ano passado, a aposta é de expansão de 1,1%, na série livre de influências sazonais. Para ela, os sinais de que a demanda continua forte, as condições atraentes dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as pesadas inversões da Petrobras ajudam a explicar o comportamento positivo da formação bruta de capital fixo.
Apesar disso, Thaís tem uma previsão mais modesta para o investimento no ano, apostando num crescimento de 6%. Parte da cautela se explica pela base de comparação mais forte - em 2010 ele avançou 21,8% - e pelo fato de que há várias medidas em curso destinadas a desacelerar a atividade econômica, como o aumento dos juros e o corte do orçamento de R$ 50 bilhões. Ela considera, prematuro revisar a projeção para o ano, preferindo esperar o resultado da produção industrial no primeiro trimestre fechado.

Como o carnaval caiu neste ano em março, algo pouco comum, o resultado de fevereiro pode ter sido um pouco inflado, porque essa mudança do feriado é difícil de ser captada pelos métodos de ajuste sazonal. Depois de vários meses de estagnação, a produção industrial teve alta de 1,9% sobre janeiro. A LCA Consultores estima que, sem o efeito do carnaval, o aumento teria sido de 1,4%. Para março, a expectativa preliminar dos analistas é de que parte da expansão de fevereiro foi devolvida - a LCA, por exemplo, projeta recuo de 0,5%.

Vale diz que de fato o número de fevereiro pode ter sido um pouco inflado pelo efeito-calendário, mas não acredita que o resultado de março vá mudar radicalmente o quadro para o investimento. Além da atuação da Petrobras e do investimento público, também ajudam as obras para a Copa de 2014 e as hidrelétricas. O aspecto negativo, diz ele, é a concentração dos investimentos em petróleo, mineração, agricultura e infraestrutura.