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sexta-feira, 1 de julho de 2011

O envolvimento do BNDES em um negócio duvidoso

A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na mais recente tacada do empresário Abílio Diniz é injustificável. Depois de negar durante várias semanas, Abílio Diniz teve de revelar finalmente que estava negociando a fusão da rede de supermercados Pão de Açúcar com a filial brasileira do grupo francês Carrefour.



A megafusão só pode se concretizar com a participação financeira do BNDES, que prometeu entrar com € 2 bilhões no negócio por meio da BNDES Participações (BNDESPar), o seu braço de participações acionárias. Não haverá financiamento a juros subsidiados. Se o negócio for concretizado, o BNDES vai ter 18% da nova empresa e vai entrar no ramo de venda de frutas e verduras.
O governo, por meio do BNDES, pode e deve apoiar a capitalização das empresas, quando isso for justificável, o que não parece ser o caso da criação do Novo Pão de Açúcar (NPA).


Em primeiro lugar porque a operação irá capitalizar uma empresa estrangeira, o Carrefour, em dificuldades, é verdade, mas que tem capacidade de obter recursos no mercado internacional. A BNDESPar participa do capital de cerca de 150 empresas, totalizando R$ 90 bilhões, mas elas são eminentemente de capital nacional.


O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu a participação do BNDES no negócio atacando os bancos brasileiros. "Tudo seria resolvido se o setor financeiro privado do Brasil fizesse o papel dele, que é financiar o capital brasileiro. Como ele não faz isso, o BNDES tem de atuar", afirmou.
A crítica não se justifica porque está na operação o banco brasileiro BTG Pactual, que se juntou às discussões há pelo menos um mês e deverá entrar com cerca de R$ 700 milhões, que lhe garantirá 3,2% do capital do NPA, além de acenar com mais R$ 1,1 bilhão em crédito.


Outro motivo que põe em dúvida a operação é a reação contrária do Casino, o que significa uma incerteza jurídica. Sócio do Pão de Açúcar desde 1999, o grupo francês Casino aumentou sua participação em 2005, quando selou um acordo de acionistas que lhe garantiu a possibilidade de exercer uma opção de compra que lhe daria o controle do negócio brasileiro em 2012. Se Diniz for bem-sucedido, além de não obter o controle, seu sócio francês será diluído. O Casino não deve jogar a toalha facilmente e até já contratou o advogado criminalista José Carlos Dias para reforçar o batalhão de especialistas jurídicos que duelam no caso, desde que os franceses descobriram a "traição", há cerca de um mês, e entraram na Justiça com um pedido de arbitragem.
Os argumentos apresentados pelo BNDES para entrar no negócio não são sustentáveis. A operação não cria uma multinacional verde-amarela, como argumentam os formuladores da operação. O controlador de fato do novo negócio será o Carrefour francês, embora a proposta preveja que a administração das duas redes de supermercados no Brasil ficará a cargo de pessoas indicadas pelo Novo Pão de Açúcar, a empresa que terá como principais acionistas Casino, BNDES, Abilio Diniz e BTG Pactual. As regras contábeis internacionais IFRS, usadas na Europa e no Brasil, determinam que uma empresa só pode consolidar os números de uma aquisição se controlar, de fato, a empresa. Na prática, o Carrefour francês deverá controlar o Pão de Açúcar, que, por sua vez, terá o Carrefour Brasil como subsidiária integral.
Possivelmente o principal motivo para o BNDES não apoiar essa operação é a concentração de mercado que ela proporcionará, com impacto negativo sobre a cadeia de fornecedores e consumidores e sobre a competição, sempre necessária no combate à inflação.


Se o negócio se concretizar, o Pão de Açúcar vai dominar 32,2% das vendas do mercado brasileiro de varejo, com ampla distância em relação ao segundo colocado, o Walmart, que tem 11,1% do mercado. Os demais participantes ficariam com 56,7%. Ao defender a fusão, os envolvidos argumentam que, em outros países, a concentração também é grande. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Walmart tem 32% do mercado; na França, o Carrefour domina 26%. Nada recomenda, porém, que se reproduzam no Brasil os mesmos índices, que aliás serão muito maiores em alguns Estados. Quanto maior for a concorrência no varejo, melhor para um país cujo histórico de hiperinflação exige extremo cuidado com essa matéria.

Oferta da Copersucar poderá movimentar R$ 2,7 bilhões

Depois de ver sua dívida líquida quintuplicar no período de um ano, a Copersucar vai recorrer ao mercado para melhorar sua estrutura de capital. A companhia, que comercializa açúcar e etanol no Brasil e exterior, poderá movimentar até R$ 2,7 bilhões na sua operação de estreia na bolsa, sendo R$ 2,16 bilhões na oferta primária de ações, em que os recursos vão para o caixa.



O endividamento líquido da Copersucar saltou de R$ 185 milhões, em 2010, para R$ 961 milhões, no ano passado. No mesmo período, o endividamento bruto subiu de R$ 318 milhões para R$ 1,4 bilhão. No prospecto preliminar da oferta, divulgado ontem, a companhia informa que pretende destinar cerca de 64% dos recursos captados para "fortalecimento da sua estrutura de capital".


O restante dos recursos deverá ser destinado à construção e reforma de terminais, além de obras de melhoria das suas instalações portuárias.
"Enquanto tais investimentos não forem realizados, no curso regular de nossos negócios, os recursos poderão ser investidos em aplicações financeiras dentro de nossa política de investimento", informa a companhia no prospecto.


Pessoas físicas poderão participar da oferta com investimentos a partir de R$ 3 mil. Os bancos Itaú BBA, Credit Suisse, Goldman Sachs e Bank of America Merrill Lynch, que coordenam a operação, já começaram a coletar as intenções de investimentos.
O período de reserva começa na próxima quinta-feira, dia 7 de julho, e termina no dia seguinte. O preço dos papéis será definido no dia 19 de julho. Conforme a faixa indicativa, o valor deve ficar entre R$ 14,50 e R$ 18,50 por ação.


Caso a operação seja bem-sucedida, as ações vão estrear na bolsa no dia 21 de julho.
A fabricante de autopeças Mahle fechou em R$ 41 o preço da ação na oferta secundária que marca a migração da companhia para o Novo Mercado, segmento com o maior nível de governança corporativa da BM&FBovespa.


Oferecendo desconto de 4,6% sobre a cotação dos papéis no pregão de ontem, a companhia conseguiu garantir venda integral dos papéis, incluindo o lote suplementar, que poderá ser exercido pelo Itaú BBA no prazo de um mês.


A petroleira Perenco deve definir hoje a que preço suas ações vão estrear no mercado.

Etanol puxa valorizações na BM&F em junho

Os preços futuros das commodities agropecuárias negociadas na BM&FBovespa oscilaram sem direção clara em junho, mas acumularam forte elevação no semestre. De acordo com cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos de segunda posição de entrega, três das cinco commodities negociadas na bolsa registraram ganhos. O etanol liderou as altas, acompanhado de longe por milho e soja, com variações mais modestas. Café e boi gordo amargaram perdas.



Após dois meses de baixa, reflexo do início da safra de cana-de açúcar, o etanol voltou a subir com força na bolsa, zerando as perdas do ano. Em junho, o preço da commodity avançou 13,68% sobre a média apurada em maio. Já a cotação média do semestre foi 47,44% maior do que a verificada em igual período do ano passado. "Fatores climáticos e a falta de investimentos nos canaviais reduziram a produtividade e a disponibilidade da cana-de-açúcar para a safra 2011/12. A produção de etanol hidratado deve vir abaixo das expectativas do mercado e poderá não ser suficiente para atender à demanda pelo produto", observa Rodrigo Fernandes, analista da Fator Corretora.

O preço médio do boi gordo ficou praticamente estável em junho, com baixa de 0,23% ante maio, mas acumulou alta de 2,08% nos primeiros seis meses do ano. Já o preço médio semestral foi 26,31% maior do que o apurado no mesmo período de 2010.
De acordo com Alex Lopes da Silva, analista da Scot Consultoria, junho ainda reflete o aumento da oferta de animais para abate decorrente do fim do período de chuvas e da piora na condição dos pastos. Ele observa, entretanto, uma tendência de recuperação nas últimas semanas. "Já se sente uma diminuição na escala de abates dos frigoríficos, o que revela um maior aperto na oferta. Estamos entrando na entressafra, e a tendência é trabalharmos com preços firmes nos próximos meses."
Pressionado por fatores externos sazonais, a cotação média do café arábica recuou 4,09% ante maio - a maior queda entre as commodities analisadas - mas ainda ostenta uma elevação de 27,13% sobre dezembro. Em relação ao mesmo período de 2010, a valorização observada no primeiro semestre é de 102,89%.


A proximidade da colheita brasileira, a chegada do verão no Hemisfério Norte e as turbulências financeiras provocadas pela crise na Grécia se abateram sobre o mercado nas primeiras semanas do junho, mas a preocupação com o clima no Brasil voltou a dar sustentação às cotações. A expectativa é de que os preços oscilem sem tendência definida até setembro, quando as lavouras florescem e dão os primeiros sinais sobre o potencial da próxima colheita brasileira.


Influenciados pelos preços em Chicago, os grãos tiveram valorização. O milho subiu 2,91% ante a média de maio e 20,52% sobre a de dezembro. Já a soja teve uma apreciação média de 1,07% no mês.