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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Copom ratifica apostas do mercado de redução moderada de juro

Banco Central trabalha com certa ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar muito a atividade econômica


BRASÍLIA - Exatamente como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou o juro em 0,50 ponto porcentual. A aposta prevalecia entre os economistas e foi consolidada no início do mês após indicação dada pelo próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Há duas semanas, o responsável pela taxa Selic defendeu que reduções "moderadas" do juro, como a realizada de agosto, são suficientes para levar a inflação ao centro da meta em 2012.

Após a surpresa generalizada com a diminuição da taxa em 0,50 ponto em agosto, economistas passaram por um gradual processo de compreensão do chamado "novo BC" capitaneado por Tombini. Ao longo dos últimos 49 dias, o mercado entendeu que a autoridade monetária do governo de Dilma Rousseff trabalha com certa ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar muito a atividade econômica. Por isso, o mercado acredita que os cortes continuarão até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2012.

Apoiado pelo Palácio do Planalto e Ministério da Fazenda, o BC também aposta que a inflação cairá pelo menos 2 pontos porcentuais nos próximos meses porque a economia vai crescer menos, o que reduzirá a demanda interna. A crise internacional também ajuda a inflação ao reduzir preços de commodities - produtos básicos como o petróleo, soja e milho.

Apesar de o mercado seguir preocupado com o IPCA que acumula alta de 7,31% nos últimos 12 meses - bem acima do teto da meta de 6,5% - cresce entre os analistas a percepção de que o Brasil já roda em velocidade mais baixa. Nas instituições financeiras, causou surpresa o indicador do próprio BC que aponta que a atividade econômica teve retração de 0,53% em agosto. O desempenho foi pior que a previsão de estabilidade da maioria dos economistas.

Outros fatos reforçaram o pessimismo: queda da confiança de empresários, o pior setembro para o emprego desde 2006 e o início de programas de demissão voluntária em algumas empresas.

Por tudo isso, cresce a expectativa no mercado de que o Brasil pode, inclusive, ter PIB negativo no terceiro trimestre. Se confirmada, essa hipótese poderia fazer com que o Copom acelere o ritmo dos cortes na reunião marcada para 29 e 30 de novembro. Para o HSBC, essas novas evidências já devem fazer com que o Copom reduza o juro em 0,75 ponto no próximo mês.

WEG adquire controle da Cestari e amplia áreas de atuação

A fabricante mundial de motores elétricos WEG anunciou ontem a aquisição do controle acionário da Cestari, fabricante brasileira de redutores e motorredutores com sede em Monte Alto, em São Paulo. O negócio envolveu a compra de 50% mais uma ação da empresa paulista, que tem previsão de encerrar 2011 com faturamento de R$ 70 milhões.
Os redutores são itens acoplados aos motores elétricos que ajustam a velocidade de rotação em relação a um determinado equipamento e garantem mais eficiência e economia de energia. O item pode ser agregado, por exemplo, junto ao motor que faz funcionar uma esteira de produtos. Segundo o presidente da WEG, Harry Schmelzer Jr, cerca de 20% das aplicações de motores elétricos em equipamentos exigem o uso de um redutor.
De acordo com Schmelzer, a Cestari mantém a segunda posição no mercado nacional de redutores, mas há potencial de crescimento. "Com a força de vendas da WEG iremos ampliar a participação de mercado", disse.
Com o negócio, a Cestari passa de cliente a controlada da WEG. Segundo Schmelzer, a fabricante de redutores comprava motores da companhia para entregar ao mercado os motorredutores.
A associação entre as duas empresas vai combinar as soluções em motores elétricos e sistemas de automação industrial da WEG aos redutores da Cestari em pacotes de soluções integradas. A fábrica em Monte Alto tem uma estrutura verticalizada de produção, com fundição em ferro, bronze e alumínio, além de usinagem em centros computadorizados.
A Cestari mantém além da unidade de redutores, uma unidade automotiva, que desenvolve, fabrica e comercializa peças para o setor, e de serviços de manutenção, reparo e consertos de redutores e motorredutores em geral.
Schmelzer explica que com a aquisição a empresa busca o complemento mecânico para a solução eletro-eletrônica desenvolvida pela WEG. Em negociações passadas, a companhia que tem sede em Jaraguá do Sul buscou parceiros com expertise na parte mecânica para os negócios de aerogeradores, com a associação ao grupo espanhol M. Torres Olvega Industrial (MTOI), e de turbinas hidráulicas, em que houve uma joint-venture com a Hidráulica Industrial (HISA), na qual a WEG detém 60%.
A aquisição se alinha à estratégia da WEG de complementar o mix de produtos por meio de aquisições ou associações com sinergia com a área que atua. No ano passado, a empresa avançou no segmento de automação com a aquisição da Equisul, especializada em sistemas de fornecimento ininterrupto de energia, e da Instrutech, brasileira fabricante de produtos e sistemas de automação industrial e comercial e de segurança homem/máquina.
No primeiro semestre, a WEG apurou um resultado líquido de vendas de R$ 2,4 bilhões, um crescimento de 23,6% sobre o mesmo período de 2010. A receita operacional bruta alcançada foi de R$ 2,8 bilhões, aumento de 21% sobre o ano anterior. A companhia divulga os resultados do terceiro trimestre deste ano na quarta-feira da próxima semana.

Política para a gasolina trava avanço do etanol'

Para executivo americano, política brasileira para a gasolina inibe novos investimentos no País, o que não ocorreu nos EUA

20 de outubro de 2011 | 3h 06

EDUARDO MAGOSSI - O Estado de S.Paulo
Em cinco anos, a produção de etanol nos Estados Unidos passou de 14,7 bilhões para 53,4 bilhões de litros. Nesse mesmo período, a produção brasileira ficou estagnada em torno de 30 bilhões de litros. Além disso, o etanol americano, feito de milho, ganhou competitividade e praticamente igualou os custos de produção com o brasileiro, feito de cana-de-açúcar. O resultado disso é que o Brasil, que durante anos lutou pela derrubada de subsídios americanos para poder exportar etanol para os EUA, agora importa o produto daquele país. Para o presidente da associação dos produtores dos EUA, Robert Dinneen, essa inversão é resultado da política para os combustíveis. Como o mercado é livre nos EUA, o aumento do preço do petróleo e, consequentemente, da gasolina, tornou o etanol mais competitivo, incentivando investimentos no setor. No Brasil, como o preço da gasolina é regulado, os produtores não tiveram tal incentivo, e os investimentos praticamente sumiram depois de 2008.
"Não se verá mais uma demanda adicional aparecendo, nem novos investimentos em etanol no Brasil", afirmou Dinneen, em entrevista por telefone à Agência Estado. Segundo ele, os Estados Unidos têm condições de suprir as necessidades de importação brasileira do produto. Executivos do setor no Brasil, no entanto, afirmam que a importação de etanol dos EUA será um processo pontual, já que as usinas brasileiras voltaram a investir no aumento da produção. A seguir, os principais trechos da entrevista de Dinneen:
Qual o custo de produção do etanol de milho hoje? Ele está competitivo em relação ao etanol de cana do Brasil?
O custo líquido de produção é de cerca de US$ 2,35 por galão, ou US$ 0,62 por litro (1 galão equivale a 3,79 litros). Com o dólar cotado a R$ 1,85, o custo do etanol de milho é semelhante ao do etanol de cana produzido no Centro-Sul do Brasil.
Em 2005, a produção de etanol de milho dos EUA era de 14,7 bilhões de litros, e chegou a 52 bilhões de litros em 2011, ultrapassando até o mandato obrigatório para este ano, de 47,75 bilhões de litros. Além disso, superou em pouco mais de 5 anos a produção brasileira (que deve atingir cerca de 30 bilhões de litros em 2011/12). O que levou a indústria de etanol de milho a crescer de forma tão expressiva? Não há dúvida que as metas de mistura estabelecidas pelo Renewable Fuels Standard (o Padrão de Combustíveis Renováveis dos EUA, que define metas de mistura de etanol na gasolina anualmente, conhecido pela sigla RFS) foi um grande incentivo para o aumento de produção. O RFS prevê meta de 12,6 bilhões de galões (47,75 bilhões de litros) para 2011 e de 15 bilhões de galões (57 bilhões de litros) para 2015. Mas a forte alta do petróleo foi certamente o principal ator dessa expansão, tornando o etanol de milho mais competitivo e elevando a demanda do combustível renovável. No Brasil, onde os preços da gasolina são controlados pelo governo, não haverá o aparecimento dessa demanda adicional.
Então o senhor acredita que os preços congelados da gasolina são um obstáculo para a indústria do etanol de cana do Brasil?
Certamente. Se não fosse o preço da gasolina, mantido artificialmente baixo no Brasil, os preços do etanol iriam variar de acordo com a demanda e encorajariam novos investimentos. Atualmente, o Brasil está precisando até importar etanol dos Estados Unidos...
E os Estados Unidos têm esse etanol extra para atender a essa demanda brasileira?
Sim, hoje temos uma produção acima da demanda obrigatória. Devemos exportar para o Brasil cerca de 945 milhões de litros em 2011, de um total de 3,4 bilhões de litros que vamos exportar também para outros destinos. Em relação ao Brasil, acredito que os EUA poderão sustentar esse nível de exportação nos próximos anos, se os preços forem atraentes. Hoje a Califórnia paga um prêmio para o etanol de cana do Brasil, o que pode criar um padrão regular de negócios, onde o etanol de milho americano é exportado para o Brasil para compensar os volumes de etanol de cana que serão exportados do Brasil para os Estados Unidos, para atender à demanda criada pelos Padrão de Combustível Renovável e do Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia. Esses mecanismos preveem a utilização de volumes crescentes de etanol avançado, que polui menos. E o etanol de cana atende as exigências desses mecanismos.
Além do Brasil, que outros países estão precisando de etanol no curto prazo?
A União Europeia continuará a ser o principal destino das exportações de etanol dos EUA, em função da Diretiva de Energia Renovável, que requer que um porcentual do combustível utilizado para transporte na UE seja renovável. O Canadá também tem um programa de combustíveis renováveis. Também estamos vendo demanda de lugares inesperados. Um exemplo são os Emirados Árabes, que estão importando etanol dos EUA pelos últimos dois anos para tender o programa nacional de gasolina oxigenada.
E os Estados Unidos devem investir para elevar a produção e atender a demanda exportadora, como a do Brasil?
Existem poucos projetos de expansão sendo realizados no momento, o crescimento em capacidade de produção é pequeno. Isso porque a capacidade de produção existente está muito próxima do "teto da mistura", ou seja, a produção atual está perto ou acima do nível máximo de etanol que pode ser misturada à gasolina nos Estados Unidos, que é 10% para todos os veículos convencionais. A agência de proteção ambiental do governo, a Epa, recentemente aprovou o uso de mistura de 15% de etanol (E15)em alguns veículos, mas várias questões regulatórias ainda devem ser feitas antes que se espere um uso generalizado do E15.
Os subsídios que o etanol de milho recebe também não foram importantes para a expansão da produção americana?
O subsídio existe para as refinarias que misturam o etanol de milho na gasolina, e não para os produtores de etanol. As refinarias recebem US$ 0,45 por galão. Anualmente, esse subsídio atinge US$ 6 bilhões por ano, mas não chega aos produtores de etanol de milho. De qualquer forma, esse subsídio expira em 31 de dezembro de 2011 e não será renovado. Mas os subsídios não foram os impulsionadores do aumento da demanda por etanol, e sim os preços elevados do petróleo. E foi a maior demanda que incentivou o aumento de produção.