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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Indicador do BC mostra economia acelerada no primeiro trimestre

Ritmo de crescimento é de 5,2%, o que pressionaria a inflação, mas técnicos do BC dizem que começam a surgir sinais de desaceleração

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou aceleração da economia brasileira no primeiro trimestre de 2011 e reforçou as preocupações do mercado financeiro com o impacto do aquecimento econômico sobre a inflação.
Criado para antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é divulgado pelo IBGE com maior defasagem, o IBC-Br registrou alta de 1,28% (descontados os efeitos sazonais) na média de janeiro a março em comparação com a média do quarto trimestre do ano passado.
Anualizando-se o resultado, o ritmo de crescimento econômico apontado pelo índice no primeiro trimestre foi de 5,2%, que estaria acima do que o mercado, em média, considera como potencial de expansão do País (4,5%). No quarto trimestre do ano passado, o IBC-Br teve alta de 1,03% ante os três meses anteriores, o que representou expansão anualizada de 4,2%.
Apesar da clara aceleração na margem, o BC defende, nos bastidores, outra leitura do seu índice, que mostraria um processo de perda de ritmo da economia. Segundo fonte da área técnica, uma análise comparando a evolução trimestral do IBC-Br contra igual período do ano anterior evidenciaria trajetória de desaceleração da economia que, na visão dessa fonte, deverá continuar nos próximos trimestres.
A fonte usou dados mostrando que, no primeiro trimestre de 2010, o indicador teve alta de 9,84% ante igual período de 2009; no segundo, alta de 9,49%; no terceiro, 7,22%; no quarto trimestre, 4,82%; e no primeiro trimestre de 2011, dado divulgado ontem, 4,4% de expansão.
Essa evolução, segundo a área técnica, estaria em linha com o cenário de desaceleração previsto pelo Banco Central.
Dúvida. Para o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, a comparação defendida pelo BC não faz muito sentido. Ele lembra que no primeiro trimestre do ano passado a base de comparação - o início de 2009 - era uma economia no fundo do poço, distorcendo a análise. Para ele, é inegável que houve aceleração da atividade neste início de ano, o que reforça o cenário de pelo menos mais duas altas da taxa de juros básica, embora o economista avalie que os juros deveriam subir mais.
"O governo uma hora analisa o dado na margem para dizer que está desacelerando, como fez em fevereiro, outra, como fez em março, usa o dado comparado com o ano passado para dizer que está desacelerando. O ponto é que a economia ainda esta aquecida", criticou o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, que aponta o consumo e o investimento como motores da expansão.
A área técnica do Banco Central avalia que, com a combinação de medidas macroprudenciais e o processo de alta de juros, a tendência é de a economia desaquecer ainda mais e rodar abaixo da capacidade (que o mercado estima na média em 4,5%) no segundo semestre.
A expansão abaixo do PIB potencial é considerada pelo Banco Central como condição necessária para que a inflação seja reduzida e recolocada na direção da meta de 4,5%, alvo a ser perseguido em 2012. "Há uma tendência de queda na atividade econômica, refletindo as medidas que têm sido adotadas. O PIB crescerá abaixo do potencial no segundo semestre", disse a fonte.

BNDES é fator de moderação do crédito, não de expansão, diz Coutinho

Presidente do BDNES classificou de 'ideia estúpida' a avaliação dos mercados de que o governo iria descuidar da inflação

Londres - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um fator de moderação do crédito no Brasil, e não de expansão, afirmou hoje o presidente do órgão, Luciano Coutinho. "Precisamos controlar a inflação", afirmou.
Ele classificou de "ideia estúpida" a avaliação dos mercados de que o governo iria descuidar da inflação, problema que reconhecidamente traria prejuízos ao País. "A inflação vai convergir para a meta em 2012, não há dúvida."
O nível de empréstimos do BNDES tem sido apontado como um dos motivos para o expressivo crescimento do crédito no Brasil. Coutinho rebate a avaliação ao dizer que, se o banco seguisse no mesmo ritmo de expansão verificado anteriormente, os desembolsos neste ano subiriam para R$ 175 bilhões.
Mas, numa estratégia coordenada com o ministério da Fazenda, os empréstimos devem ficar em R$ 145 bilhões, mesmo nível de 2010, excluída a capitalização da Petrobras (no total, o número ficou em R$ 170 bilhões).
Ele sinalizou, entretanto, que a projeção de desembolsos em 2011 não é fixa e pode ficar "um pouco acima ou abaixo" disso. "É uma questão de coordenação, não podemos deixar no piloto automático."
A desaceleração já foi vista no primeiro trimestre, quando os desembolsos recuaram 2% em relação ao ano anterior, para R$ 24,9 bilhões.
Coutinho defendeu a moderação da inflação e do consumo das famílias no Brasil. Mas, disse que é preciso elevar os investimentos, para garantir um crescimento econômico sustentável. Para ele, a taxa de investimentos precisa subir de 18,5% para 25% do PIB.
Por isso, o presidente do BNDES defendeu o atual patamar da taxa TJLP, praticada pelo banco, pois acredita que sua elevação afetaria negativamente as decisões de investimentos de longo prazo.
Ele afirmou que os gastos públicos já desaceleram em termos reais e que o Brasil caminha para registrar um dos menores déficits fiscais nominais do mundo.
Em Londres, Coutinho recebeu ontem à noite o prêmio Personalidade do Ano da Câmara Brasileira de Comércio no Reino Unido.

Petrobrás avalia investimento menor para plano 2011-2015

Segundo diretor da estatal, membros do conselho de administração requisitaram mais estudos sobre o plano, incluindo opções que reduzissem o valor total dos investimentos

RIO/SÃO PAULO - A Petrobrás avalia a alternativa de incluir um volume de investimento menor do que o projetado inicialmente em seu novo plano de negócios, para o período de 2011 a 2015, informou o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, nesta terça-feira, 17.
Segundo o executivo, membros do conselho de administração da petroleira requisitaram, na última sexta-feira, que fossem feitos mais estudos sobre o plano, incluindo opções que reduzissem o valor total dos investimentos inicialmente apresentados.
O plano de negócios da Petrobrás para o período de cinco anos foi apresentado ao conselho na última sexta-feira e a expectativa era de que fosse aprovado e anunciado no mesmo dia, mas a estatal informou depois que adiou a divulgação a pedido do conselho.
Segundo nota distribuída pela companhia ainda na sexta-feira, "foram solicitados estudos e análises adicionais que, uma vez realizados, serão submetidos (novamente) ao conselho de administração".
Em teleconferência com analistas e investidores nesta terça-feira, para comentar os resultados trimestrais, Barbassa acrescentou que alguns dos estudos solicitados se referem a reduções nos investimentos inicialmente planejados.
"O conselho me pediu para fazermos estudos de sensibilidade sobre o plano. Entre os estudos, há estudos que contemplam um capex menor", disse Barbassa.
O plano anterior, para o período 2010-2014, previa investimento de US$ 224 bilhões. Segundo fontes próximas ao assunto, o conselho de administração teria pedido um valor mais próximo ao plano em vigência.