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terça-feira, 17 de maio de 2011

Grupo Jaraguá fará aporte de R$ 430 mi no Estado de Goiás

O Grupo Jaraguá(Bionsa e Onasa) investirá aproximadamente R$ 430 milhões, até 2014, na diversificação de seus negócios e instalação de um parque industrial no estado de Goiás. Uma das unidades, a Bionasa, produtora de biodiesel, foi inaugurada ontem. Ao mesmo tempo o grupo lançou a pedra fundamental da esmagadora de grãos Onasa, que deve ser concluída até 2014. O grupo espera faturar com as duas empresas algo em torno de R$ 1,5 bi.

Com atuação nos mercados de tabaco e energia limpa, o Grupo Jaraguá está confiante no lançamento de duas empresas do Grupo, a Bionasa, usina de biodiesel, que utilizará vegetais oleaginosos como soja, girassol, algodão para produzir o combustível. E a Onasa, esmagadora de grãos que estará no mesmo complexo industrial da co-irmã, em Porangatu, no norte de Goiás.

A Bionasa inaugurou ontem a sua unidade de produção, com investimentos na ordem de R$ 150 milhões. Esta unidade terá a capacidade de produzir 235 milhões de litros por ano de biodiesel, sendo que inicialmente as operações serão baseadas na soja. Segundo o presidente executivo da empresa e sócio do Grupo Jaraguá, Francisco Barreto, essa diversificação de negócios partiu do intuito de aproveitar as oportunidades do mercado brasileiro, que já demonstrou uma demanda crescente pelo combustível. "Nós não estamos mudando o foco do grupo, estamos apenas dando abertura para novos projetos. A área de tabaco continua ativa e vai bem, mas estamos diversificando nosso negócio dada a necessidade do mercado. Ou seja, nós temos um mercado que demanda mais e mais energia a cada dia. O Brasil está sendo importador de óleo diesel cada vez maior, então estamos aqui para fazer isso", contou ele com exclusividade ao DCI.

No início das atividades, a usina irá operar a 20% da sua capacidade total durante os três primeiros meses, 60% em mais três meses, e somente após nove meses ela poderá operar em sua capacidade máxima. "Quando se compra um carro novo você não sai dirigindo 50 mil quilômetros no mesmo dia, pois o motor não aguenta, e na usina é a mesma coisa, nós temos de colocá-la para funcionar gradualmente e após nove meses ela já pode operar 100%", disse.

Barreto acredita que depois de a usina atingir a sua capacidade máxima, em um ano o grupo deve faturar algo em torno de R$ 600 milhões, fato que deve acontecer em 2012. Além disso, o executivo afirmou que após 2014 a usina deve passar por um processo de ampliação. "O projeto da Bionasa foi o primeiro a surgir, e agora estamos inaugurando ela. Levamos três anos para construí-la. Ela possui uma capacidade de expansão de aproximadamente 30% da capacidade atual instalada. Em um segundo momento nós temos a intenção de expandi-la, acredito que a expansão ocorrerá logo após o término da Onasa, que deve acontecer em 2014."

O parque industrial está localizado entre a Rodovia Belém-Brasília, e o trecho ferroviário da Norte-Sul, que para o executivo foi a maior razão para a escolha da localidade. "O parque industrial está em Porangatu no norte de Goiás, na margem da Rodovia Belém-Brasília, e ao fundo passa a ferrovia Norte-Sul, que já está praticamente pronta naquela região. Com esta rodovia e a estação de transbordo da ferrovia temos uma logística muito privilegiada".

Com estímulo, empresas estão prontas para investir

Depois de praticamente três anos endividadas, as empresas do setor de açúcar e álcool estão prontas para investir, na avaliação do mercado financeiro. Alexandre Figliolino, diretor do Banco Itaú BBA, conta que dois terços das empresas do setor sucroalcooleiro estão suficientemente robustas para crescer.
"Basta ter o estímulo certo", avalia, referindo-se à sinalização do governo sobre políticas do setor. Segundo ele, investimentos em novas áreas de plantio chegam a US$ 150 por tonelada e, por isso, investidores exigem "grande segurança de retorno".
Para o presidente do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, o estímulo para novos investimentos seria o planejamento efetivo do plantio para que a oferta de cana possa se adequar à demanda. O executivo também acredita que deveria haver mais incentivos para que produção de etanol e açúcar se integrem com a logística existente.
Dessa forma, as áreas próximas do alcoolduto que está sendo construído pelo consórcio capitaneado pela Petrobrás produziriam etanol enquanto regiões próximas a linhas férreas produziriam mais açúcar.
O presidente da Renuka do Brasil, Humberto Farias, braço brasileiro da indiana Shree Renuka, também admite que o setor necessita de uma política de planejamento de longo prazo. Ele acredita, contudo, que as empresas mais capitalizadas já começaram a reinvestir na reforma dos canaviais. "A menor disponibilidade de cana na safra atual decorre também de muitas áreas que estão sendo renovadas e estarão disponíveis apenas em 2012."
Comercialização. Uma comercialização mais estruturada para o etanol também atrairia novos investimentos no setor, diz o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari. Segundo ele, o fato de as distribuidoras comprarem o etanol no mercado à vista tira a previsibilidade do setor.
Nastari espera que a ANP estenda ao etanol a política para a gasolina A, que prevê a compra do produto com meses de antecedência. "Se isso for feito, o setor já terá como planejar a produção, evitando tanta volatilidade de oferta e preço entre safra e entressafra." O executivo afirma que, sem contrato, em caso de baixa de preço, o produtor pode produzir açúcar ou mesmo outro produto mais rentável.
Interferência do governo afasta investimentos, diz empresário
Para presidente da ETH Bionergia, situação de oferta restrita e preços altos de etanol deve[br]continuar até 2015
15 de maio de 2011 | 0h 00

Eduardo Magossi e Gustavo Porto - O Estado de S.Paulo
A perspectiva de maior interferência do governo brasileiro no mercado de etanol pode afastar investimentos para atender à crescente demanda interna, criada pela frota de carros flex. O alerta de José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, braço sucroenergético da Odebrecht, resume o receio do setor. O executivo, à frente da ETH, foi responsável em 2010 por 60% do aumento na oferta de etanol do País.
Entre as medidas do governo, estão a recente redução do piso da mistura de etanol na gasolina de 20% para 18% e a manutenção do preço da gasolina há mais de 5 anos, enquanto o petróleo segue em alta e volátil no mercado internacional. Segundo Grubisich, não é possível comparar o preço do etanol, que é livre, com o da gasolina, regulado.
Sem investimentos, o cenário é de manutenção da oferta limitada de cana nos próximos anos, diz o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. Para ele, a situação de oferta restrita e preços altos deve continuar até 2015.
A falta de investimentos no setor não é recente e começou com o impacto forte da crise de 2008 sobre as empresas do setor, em um momento de expansão da capacidade produtiva com elevado endividamento. Essa situação provocou um forte processo de consolidação nos últimos três anos. Grandes empresas foram absorvidas e novos grupos surgiram, com participação de tradings internacionais, grupos indianos de açúcar e petroleiras.
A oferta de cana, com expansão em torno de 10% ao ano na última década até 2008, caiu para 3% ao ano nos anos seguintes. "A maior produção de açúcar fez com que o setor deixasse de produzir perto de 3 bilhões de litros de etanol", afirma Grubisich.
Preços. Para esta safra, o cenário esperado é diferente. A expectativa é de que os preços do etanol hidratado fiquem, no mínimo, em torno de R$ 0,90 por litro ao produtor, 20% acima dos R$ 0,75 da safra passada.
Segundo números da corretora de etanol Bioagência, a menor oferta de etanol e consequente alta nas cotações deve provocar uma queda de 4% no consumo do combustível em 2011 no Centro-Sul do País ante 2010.
A previsão é de uma demanda 24,839 bilhões de litros neste ano, ante os 25,895 bilhões de litros do ano passado, na primeira queda no consumo desde 2000, quando os veículos flex nem sequer existiam. Com a redução no etanol e o aumento da frota de carros flex, na avaliação da Bioagência, o consumo de gasolina em 2011 saltará 10,4%. Como a demanda de cana para o etanol, além da produção de açúcar, deve superar 1 bilhão de toneladas, só investimentos em novas usinas podem suprir a lacuna.