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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Unica divulga estimativa da safra de cana-de-açúcar na próxima semana

Nova projeção deve conter números menores do que a previsão anterior, de 568,5 milhões de toneladas, por causa das perdas provocadas pelo clima, que foram maiores do que o esperado

08 de julho de 2011 | 16h 23

Eduardo Magossi, da Agência Estado
SÃO PAULO - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) vai divulgar nova estimativa para a safra do Centro-Sul para 2011/12 na próxima semana, de acordo com o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues.
A entidade está encerrando suas pesquisas de campo para fechar a nova estimativa, que deve conter números menores que a previsão anterior, de 568,5 milhões de toneladas de cana, diante de perdas maiores que o esperado provocadas pelo clima. O mercado estima que a redução deve ficar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas, o que vai impactar a produção tanto de açúcar quanto de etanol.
Padua disse também que o setor tem dado prioridade à produção de etanol anidro, já prevendo que a competitividade do hidratado será menor nesta safra. Segundo ele, durante reunião realizada ontem em Brasília, foi decidido que o mercado de etanol continuará sendo monitorado e dentro de 15 dias um novo encontro está agendado com representantes do setor privado e do governo. "Até o momento, o andamento da safra está positivo, com a demanda do hidratado em equilíbrio com a oferta", disse ele. O executivo disse também que as importações de cerca de 400 milhões de litros de etanol realizadas no início da safra 2011/12 estão contribuindo de forma expressiva para o maior equilíbrio entre oferta e demanda do etanol.

Produção de açúcar e etanol ficará abaixo da safra passada-Unica

BRASÍLIA - A produção de açúcar e de etanol no centro-sul do Brasil na safra 2011/12 ficará abaixo dos volumes observados na safra anterior, devido ao rendimento industrial inferior que tem sido registrado no processamento da cana, informou nesta quinta-feira o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues.

Segundo ele, o volume de açúcar do centro-sul em 2011/12 deverá ficar aquém das 33,5 milhões de toneladas produzidas na safra passada, assim como a quantidade total de etanol não alcançará os 25,4 bilhões de litros de 2010/11.
Os canaviais estão apresentando uma média de quantidade de açúcar por tonelada de cana menor que o visto na temporada anterior, disse Pádua.
Um dos motivos é o clima, que foi excessivamente seco no ano passado, na época de desenvolvimento das lavouras, afetando o crescimento do canavial.
O diretor da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) também citou a questão da idade avançada dos campos no Brasil de uma maneira geral, já que as práticas de renovação ficaram um pouco esquecidas nos últimos anos em meio aos problemas financeiros que as empresas do setor enfrentaram.
O rendimento inferior observado até o momento deverá ter um impacto no mercado global de açúcar, que conta com uma safra abundante do Brasil para ajustar os estoques, e também no mercado local de combustíveis.
O Brasil sofreu com uma oferta insuficiente de etanol na última entressafra (entre meados de dezembro de 2010 a abril de 2011). Houve forte aumento dos preços do produto, o que também afetou o valor da gasolina, devido à adição de etanol anidro no produto.
Técnicos do governo federal e do setor produtivo participaram de uma reunião em Brasília nesta quinta-feira para discutir a situação do mercado de etanol, incluindo a possibilidade de alteração na mistura de 25 por cento de anidro na gasolina.
(Reportagem de Peter Murphy) 

Cemig investirá R$ 400 mi na Renova

Aporte será feito por meio da distribuidora Light, que ficará com 50% do controle 


Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por meio da distribuidora Light, aprovou nesta quinta-feira uma parceria com a Renova Energia, empresa negociada em bolsa e que investe em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas eólicas. Com o negócio, de cerca de R$ 400 milhões, a Light passará a deter 26% do capital total e 50% do bloco de controle da Renova.
A parceria, que vem sendo discutida desde o início do ano, vai reforçar a iniciativa da distribuidora fluminense de retomar projetos de produção de energia e atender o mercado livre. A ideia é ter mais geração própria para atender os clientes das comercializadoras do grupo (só a Cemig detém um terço do mercado livre). Hoje a empresa está investindo R$ 728 milhões em três novos projetos de geração, que vão ampliar em 27% a capacidade de fornecimento de energia até o ano que vem. Na Light, o negócio será votado em reunião marcada para hoje à tarde.
Os projetos tocados pela Light seguem a mesma linha dos empreendimentos da Renova, focados em energia limpa. A empresa foi criada em 2001 para desenvolver projetos de PCHs. No meio do caminho, quando a energia eólica ainda vivia sob forte descrença do mercado, a companhia decidiu iniciar estudos dos potenciais dos ventos no País. Em 2007, associou-se ao fundo de investimento InfraBrasil, que tem entre os sócios o banco Santander. Para se capitalizar e tirar do papel os empreendimentos, ela abriu o capital em 2009 e captou R$ 160 milhões.
Hoje a empresa tem três PCHs em operação, de 41,8 megawatts (MW). Mas o chamariz são os parques eólicos, que ela tem em carteira. Nos últimos leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Eólica (Aneel), a Renova foi uma das principais protagonistas. No total são 20 parques eólicos na Bahia, que somam 423 MW, todos em fase de construção e com contrato de venda de energia garantido.
Outro fator que chama atenção dos concorrentes são os projetos em estudo. Nos últimos anos, a Renova investiu no desenvolvimento de inúmeros projetos (alguns já entregues à Aneel), que somam 2.205 MW de energia eólica e 1.465 MW, de PCHs. Com a parceria com a Light, a empresa, que vale R$ 1,6 bilhão na bolsa, poderá acelerar os planos de crescimento.
A história da Renova com a Light faz parte de um forte movimento de fusões e aquisições que se instalou no setor elétrico nos últimos meses. Em abril, a CPFL Energia e a ERSA Energias Renováveis (que também tinha ações em bolsa) anunciaram a criação da CPFL Renováveis. O negócio surgiu a partir da associação dos ativos das duas empresas em PCHs, parques eólicos e usinas termelétricas movidas a biomassa. A fusão criou uma das maiores empresas da América Latina no segmento, com 648 MW de potência instalada em operação, 386 MW em construção e 3.341 MW em preparação para construção ou desenvolvimento. Juntas, Light e Renova serão uma concorrente de peso para a CPFL Renováveis.