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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Governo deve reduzir mistura de etanol anidro à gasolina, diz Rossi

Seca do ano passado e baixa renovação dos canaviais impactaram na produtividade das lavouras e reduziram a produção de etanol e açúcar

01 de julho de 2011 | 17h 26

Gustavo Porto, da Agência Estado
RIBEIRÃO PRETO - O governo deve reduzir a mistura do etanol anidro à gasolina, hoje em 25%, para até o piso de 18%, devido à baixa oferta do combustível no início da safra e ao cenário de estagnação na produção. A decisão sobre o assunto será tomada na próxima semana em reuniões, do grupo interministerial que avalia o setor, e do governo com os usineiros.
"É muito provável, dentro da política de equilibrar o abastecimento, haver a redução da adição (do anidro à gasolina), mas não é uma decisão ainda tomada", disse à Agência Estado o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. "Uma decisão sairá provavelmente na próxima semana, em uma reunião do grupo do governo e também outra com o setor, na terça-feira ou quarta-feira", completou.
Segundo Rossi, após três meses de colheita da safra 2010/2011 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do País há "a constatação de que a produtividade da safra está aquém do desejado". A seca do ano passado e a baixa renovação dos canaviais impactaram na produtividade das lavouras e reduziram a produção de etanol e açúcar. "Está havendo desconforto em relação ao resultado, que está abaixo das expectativas", admitiu o ministro.
Ele evitou adiantar para quanto o governo reduziria a mistura. Em abril deste ano, a presidente Dilma Rousseff editou uma Medida Provisória (MP) que, entre outros pontos, reduzia de 20% para 18% o piso mínimo da mistura do anidro à gasolina, mas não utilizou ainda o instrumento para aumentar a oferta ou reduzir a demanda do etanol.
Dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgados nesta semana apontam que o processamento de cana do início de abril até a primeira quinzena de junho chegou a 134,576 milhões de toneladas, queda de 23% ante um total de 173,943 milhões de t de igual período da safra passada. A produção de etanol total caiu 25% se comparados os mesmos períodos, de 7,155 bilhões para 5,336 bilhões de litros.
A produção de anidro entre os períodos até cresceu 9%, de 1,776 bilhão para 1,938 bilhão de litros. Mas a demanda do etanol misturado à gasolina disparou 25% nos dois primeiros meses de atual safra, ante igual período da safra passada, de 1,246 bilhão para R$ 1,563 bilhão de litros. Com a redução na mistura, o governo conseguiria, assim, diminuir a demanda pelo anidro e até mesmo poderia incentivar a produção de etanol hidratado, utilizado nos veículos flex fuel, ou movidos exclusivamente a álcool.
Economia
Caso a mistura caia para 18% - e considerando um consumo mensal médio, nos últimos dois meses, de 650 milhões de litros de anidro com a mistura em 25% - a demanda pelo anidro poderia atingir 468 milhões de litros por mês. Com isso, haveria uma economia mensal de 182 milhões de litros de anidro. Se a mistura for reduzida para 20%, a economia mensal seria de 130 milhões de litros.
No entanto, a redução na fatia do anidro deve pressionar o preço da gasolina, já que o etanol voltou a ser mais barato que o combustível de petróleo. "Não é uma situação confortável, pois toda mudança tem consequência; por exemplo, se você usa mais gasolina, provavelmente isso terá efeito na formação do preço", concluiu Rossi.
O ministro da Agricultura preside o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), do qual integram ainda os titulares dos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Minas e Energia. Após a decisão pela redução na mistura, o CIMA irá ratificá-la.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ANP confirma estudos para maior regulação do etanol

Agência explicou, porém, que ainda não há decisão sobre o tema, mas ideia é estender tratamento dado ao setor de petróleo

BRASÍLIA - O governo e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estão estudando aumentar a regulação do setor de etanol, confirmou nessa quarta-feira à Reuters o diretor-geral da autarquia, Haroldo Lima.
Ele explicou que ainda não há decisão, mas a agência poderá passar a regular a produção e estabelecer metas. Uma definição deverá sair no curto prazo, ressaltou.
"Há uma decisão de que o assunto vai ser estudado para saber se é viável e a curto prazo", disse Lima ao sair de uma reunião no Ministério de Minas e Energia nesta quarta-feira, para a qual foi convocado na noite de terça-feira.
Ele explicou que a ideia do governo é estender ao etanol o mesmo tratamento dado ao setor de petróleo, o qual a ANP acompanha desde a produção até a distribuição.
"Regular a produção tem algo a ver com o que se faz nos campos de petróleo, onde se tem obrigações, fiscalização da produção e metas de desenvolvimento", disse Lima.
A ANP estabelece metas de produção com os concessionários dos blocos de petróleo adquiridos nos leilões da agência.
"No caso do petróleo e do gás regulamos todo o processo e no etanol a qualidade da produção, só isso", afirmou.
Nesta quarta-feira, o jornal Valor Econômico publicou reportagem sobre a intenção do governo de aumentar a regulamentação do setor de etanol - uma discussão recorrente durante a entressafra da cana - em meio a discussões sobre possíveis problemas de desabastecimento no país.
O alto nível de preço do etanol, devido à baixa disponibilidade do produto, é resultado de vários fatores.
Na última safra as usinas aumentaram a produção de açúcar, em detrimento do etanol, devido ao preço maior do adoçante no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, a safra e a capacidade de produção não estão crescendo no ritmo da demanda pelo etanol, que aumenta pelas elevadas vendas de veículos flex.

Cosan conclui acordo para associação com Shell

SÃO PAULO - A Cosan e a Cosan Limited informam hoje que concluíram as negociações para formar uma joint venture (associação) com a Shell e que assinaram um aditivo a este termo. Segundo a acordo entre as empresas, ficou definido que a Cosan ficará com a operação do segmento de varejo de açúcar. Também foi fixada a taxa de câmbio média para conversão da primeira parcela do caixa a ser recebido pela Shell.
Segundo o comunicado, a formalização da Raízen (a marca da joint venture), Raízen Energia e Raízen Combustíveis ocorrerá após a conclusão da reorganização societária da Shell Brasil Limitada, visando à separação dos ativos que não serão contribuídos à joint venture, prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2011, conforme anunciado anteriormente.
A Cosan informou ainda que a joint venture está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que não suspende a integração das companhias.
As empresas pretendem, em 5 anos, elevar a produção de cana de açúcar da associação de 62 milhões de toneladas para 100 milhões de toneladas. Dentro dessa estratégia, a produção de etanol deve passar dos atuais 2,2 bilhões de litros para 5 bilhões de litros. As 23 usinas incluídas na Raízen devem elevar a energia produzida por cogeração de 900 megawatts para 1300 megawatts. A produção de açúcar deve passar de 4 milhões de toneladas para 6 milhões de toneladas. Com isso, o faturamento anual da joint deverá ser de R$ 50 bilhões.