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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Oferta de etanol não sobe no curto prazo, dizem usineiros

O coordenador do Fórum Nacional Sucroenergético, Luiz Custódio Martins, que é o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Minas Gerais, afirmou que a possível taxação das exportações de açúcar e o controle da cadeia produtiva do etanol pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) não deverão ter efeito na oferta de etanol a curto prazo.

"O açúcar está vivendo o pico de mercado em 30 anos e as exportações continuarão ocorrendo, tenha essa taxa o tamanho que tiver", afirmou Martins, para quem "a intervenção será inútil, se não existir regulação que garanta a oferta".
O empresário disse que o setor vai entregar ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, uma proposta de regulação, antes da próxima entressafra. Segundo Martins, os usineiros vão sugerir medidas que garantam a formação de estoque regulador de álcool anidro pelas distribuidoras, com contratos de fornecimento de longo prazo e, destacada do âmbito de uma reforma tributária, a equalização das alíquotas do ICMS sobre o álcool combustível.

"É preciso que se reduza o poder discricionário do governo em relação ao setor, se queremos uma sinalização de que é do interesse do governo manter o álcool na matriz energética", disse.

Martins divulgou a estimativa de safra para Minas este ano. Deverão ser moídas 58 milhões de toneladas de cana, 6,36% a mais do que na safra passada. A produção de etanol deve avançar 2,26%, passando de 2,552 milhões para 2,610 milhões de metros cúbicos, e a produção de açúcar deve avançar 7,56%, atingindo 3,5 milhões de toneladas.

Governo quer cortar dinheiro para usinas

Pacote preparado por ministérios restringe financiamento oficial para quem produzir mais açúcar do que etanol

Ideia é taxar açúcar exportado, acabar com a Cide sobre a gasolina importada e aumentar papel da Petrobras

O governo quer restringir o financiamento de bancos oficiais como BNDES e Banco do Brasil para destilarias de cana que estejam produzindo mais açúcar que etanol e criando problemas na oferta do combustível.
A medida faz parte de pacote fechado pelas pastas da Fazenda e de Minas e Energia para segurar os preços do álcool, que pode ser anunciado por Dilma Rousseff na volta de sua viagem à China.
Outra determinação é para que a Petrobras eleve sua produção de etanol para funcionar como uma reguladora do mercado no país.
O governo quer ainda taxar a exportação de açúcar entre 4% e 5% e deixar de cobrar a Cide (contribuição sobre consumo de combustível usada para financiar a intervenção do governo no setor) da gasolina importada, visando baratear o produto.
Segundo a Folha apurou, a expectativa dos dois ministérios é que a presidente dê o aval final às medidas na volta de sua viagem oficial à China, entre os dias 11 e 15, liberando sua divulgação logo em seguida.
Assessores de Dilma disseram que a intenção do governo é evitar a repetição dos problemas de abastecimento de etanol durante a entressafra do produto, quando as destilarias optam por reduzir a produção do combustível e aumentam a de açúcar.
A ideia é dar mais estabilidade ao mercado e evitar desestímulo à produção de carros flex no país.


DISTORÇÃO
Pela proposta, a partir de agora os bancos oficiais vão financiar as destilarias que produzam só etanol. Nas palavras de um assessor, as destilarias estavam criando distorções no mercado com estímulos do próprio governo. Em 2010, o BNDES destinou R$ 7,58 bilhões ao setor sucroalcooleiro.
Do total de cana projetado para a safra 2011/2012, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima que 45,34% serão destinados a açúcar, e 54,66%, a etanol.
O governo quer que a proporção de álcool seja maior para evitar desabastecimento, mas o setor sucroalcooleiro tem preferido o açúcar, que remunera hoje de 30% a 40% mais que o etanol.
O açúcar foi o grande destaque das exportações do agronegócio brasileiro em 2010, com expansão de 52% das receitas. Com 18% das exportações do setor, o açúcar só ficou atrás da soja, que deteve 22% da vendas.
Fará parte ainda do conjunto de medidas a decisão de transformar oficialmente o etanol num combustível para ser fiscalizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) e a redução da mistura de álcool na gasolina. Essa última medida será temporária, até que o governo fique regulado com a entrada da safra de cana-de-açúcar.
O governo pretende ainda incentivar a construção de novas destilarias no país.

MERCADO ABERTO

Manutenção... Até 2012, a Ersa Energias Renováveis prevê investimentos em sustentabilidade de R$ 15 milhões para manutenção das 11 PCHs em operação e obras de quatro parques eólicos no RN.

... das pequenas A empresa também construirá uma PCH em Santa Catarina. Durante o período, outros projetos devem ser iniciados.