Mostrando postagens com marcador Folhaonline 01/4/2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folhaonline 01/4/2011. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MERCADO LIVRE

Parceria Negócios entre a Costa Rica e o Brasil no setor de biocombustíveis foram tratados ontem entre o vice-presidente da Fiesp, João Ometto, e os ministros René Salazar (Relações Exteriores) e Laura Maykall (Política Econômica).

Governo prepara mudanças na área de etanol

Políticas: Objetivo é tentar amenizar fortes oscilações de preços e contornar a ameaça de desabastecimento

O ministro Rossi: descompasso entre a forte demanda e a oferta ajustada
O governo prepara "mudanças estruturais" no segmento de etanol para combater a forte alta de preços e dissipar a ameaça de desabastecimento do produto no mercado interno. É uma tentativa de organizar o setor a longo prazo, deixando de agir apenas em crises pontuais como a atual.

Os ministérios da Fazenda, das Minas e Energia e da Agricultura avaliam, em conversas reservadas, alterar o "status" dispensado ao etanol, que passaria a ter tratamento de combustível em vez de produto derivado da agricultura. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) terá mais poderes para fiscalizar e controlar de forma mais efetiva toda a cadeia produtiva do etanol, assim como faz hoje com a gasolina e o óleo diesel. Isso já foi avisado a produtores de cana-de-açúcar, usineiros e distribuidoras de combustíveis. Hoje, avalia o governo, o etanol vive uma "situação híbrida". É meio agrícola, meio combustível. A meta é tratá-lo no mesmo nível dos derivados do petróleo.

A contrapartida do governo ao setor será "financiamento adequado", por meio do BNDES, para construção e ampliação de novas usinas. Há, ainda, um esforço para desonerar as distribuidoras e os produtores rurais. O governo admite que as margens dos usineiros são apertadas - o momento atual é tratado como "exceção". O núcleo decisório avalia, internamente, que essas margens são "deprimidas" por dois motivos: os custos de produção têm crescido e o governo segura de "forma artificial" os preços da gasolina. Isso impede uma livre flutuação nos preços do etanol, quase sempre balizado pelo derivado de petróleo. Haveria uma perda de competitividade nessa relação. O preço alto do etanol desestimula a venda de carros "flex". E a indústria poderia ser obrigada a rever planos para esses motores.

As distribuidoras já foram avisadas sobre a urgência de reduzir suas margens para compensar a nova política. Há "forte incompatibilidade". O governo também sabe da opção dos usineiros pela produção de açúcar em detrimento do etanol. Hoje, a remuneração da commodity supera o etanol em uma média de 75%. Mas debita parte do problema à grave crise vivida pelo setor a partir de 2008.

Mesmo sem antecipar medidas, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, avalia que "há dificuldades na oferta" do etanol, mas que punições ao setor não ajudariam a solucionar o problema. "A crise de 2008 retardou os investimentos. Há um descompasso entre demanda firme pelos carros 'flex' e oferta ajustada", afirmou na quinta-feira ao Valor.

O ministro admite que, hoje, o setor é "incapaz" de gerar ofertas adicionais. E afirma que o "reposicionamento" das exportações, que recuaram drasticamente desde 2008 (de 5 bilhões para 1,9 bilhão em 2010), evitou um problema ainda maior. Reduzir a mistura de 25% de etanol na gasolina, segundo ele, não soluciona o drama. "Só a mistura não é eficiente. Sinaliza ao setor, mas não resolve. Punir não é o caso agora", afirma.

Nos bastidores, fontes do governo avaliam ter poucos mecanismos para intervir no mercado de etanol. Mexer na mistura não ajuda e as linhas para estocagem ("warrantagem"), por exemplo, só estimulam uma "autofagia" no setor. Grandes empresas contratam empréstimos subsidiados para comprar etanol de pequenas destilarias. Vendem na entressafra e geram mais desigualdades.

Os especialistas entendem que o atual desequilíbrio tem raízes na crise de 2008. Antes disso, os usineiros usavam capital de giro para investir em novas plantas. A crise financeira global derrubou o setor. As empresas ficaram sem dinheiro para pagar dívidas de curto prazo e foram vendidas. O setor passou por "desnacionalização" - estima-se que 35% das usinas estejam com estrangeiros. E o movimento teve outro efeito colateral: as múltis compraram as usinas, mas pouco investiram em novos projetos, o que ajudou a frear a oferta de etanol. "Só trocou de mãos. Não teve investimento", diz uma fonte do governo. Saíram de cena gigantes como Santelisa, NovAmérica, Vale do Rosário e Vale do Ivaí. Entraram os estrangeiros ADM, Louis Dreyfus, Bunge, Tereos, Abengoa, Shree Renuka. "E o governo não fez nada para impedir ou suavizar isso", avalia a fonte graduada.
Na base da cadeia produtiva, os produtores de cana estão preocupados com o cenário. Buscam reforçar o lobby no Congresso e temem uma queda brusca nos preços do açúcar, o que levaria a uma "quebradeira generalizada" no setor. Essa crise poderia gerar insegurança no consumidor.

Só 45% da frota flex terá álcool neste ano, dizem usinas

Crescimento da demanda acima da oferta deve piorar esse cenário nos próximos anos

A oferta de etanol hidratado aos consumidores será cada vez menor caso a produção da cana não acompanhe o aumento da demanda gerada pelo crescimento da frota de carros flex no Brasil.
O cenário foi traçado ontem pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).Neste ano, por exemplo, a previsão é que apenas 45% da frota flex tenha etanol disponível para os próximos 12 meses, considerando a produção de 632 milhões de toneladas de cana em todo o país, segundo a instituição.
Mantendo o ritmo de crescimento atual, a previsão para 2015 é que a produção alcance 778 milhões de toneladas, mas atenda só 44% da frota flex. Até dezembro, o Brasil tinha 12,2 milhões de carros bicombustíveis.
num cenário em 2020, a produção de cana estimada é de 974 milhões de toneladas, o que atenderia só 37% da frota de carros flex.
"Isso poderá acontecer porque a velocidade do crescimento da demanda é maior que a velocidade do incremento da oferta", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
Seguindo as projeções, a maior parte dos motoristas será obrigada a migrar para a gasolina, assim como ocorreu em março, quando os preços ficaram pouco competitivos devido à baixa oferta na entressafra da cana.
"A grande preocupação é o que pode acontecer nas montadoras, na política de manter ou não esse incremento de carros flex. Não queremos perder essa frota", afirmou.

Ele apontou como parte da solução a melhoria dos motores e a redução dos custos de produção do etanol e dos tributos que incidem sobre sua comercialização.

Produção brasileira de petróleo cai 2,8%

O Brasil produziu em fevereiro, diariamente, 2,062 milhões de barris de petróleo e 62 milhões de metros cúbicos de gás

A produção de gás natural foi de 62 milhões de metros cúbicos por dia, 3,8% superior à do mesmo mês em 2010 e 5,2% inferior ao volume de janeiro deste ano. A soma da produção de petróleo e gás natural ficou em torno de 2,457 milhões barris de óleo equivalente por dia.

Segundo a ANP, os principais motivos para as reduções em fevereiro foram as paradas programadas das plataformas P-25 e P-31, no campo de Albacora; o fechamento do FPSO (unidade produtora e de armazenamento) do campo de Polvo durante todo o mês; além da intervenção no gasoduto de Peroá no início de fevereiro.

No mês passado, 295 concessões, operadas por 23 empresas distintas, foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 72 são concessões marítimas e 223 são terrestres. Das 295 concessões, 11 encontram-se em atividades exploratórias e produziram através de testes de longa duração (TLD), e outras 10 são de campos licitados contendo acumulações marginais.

A produção do pré-sal em fevereiro foi de 62,8 mil barris diários de petróleo, e de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás, tanto nas áreas exploratórias de Jubarte e de Lula, como no teste de longa duração do bloco BM-S-9, na Bacia de Santos.

O volume de queima de gás natural chegou em fevereiro ao menor patamar desde 2008, segundo os dados da ANP. A queima de gás natural foi de 4,8 milhões de metros cúbicos por dia, uma queda de 42,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, e de 20,4% ante janeiro.

Do volume total de gás natural queimado em fevereiro, 84,9% são oriundos de campos na fase de produção, e 15,1% de testes de longa duração da fase de exploração. Considerando-se apenas as concessões na fase de produção, o índice de utilização de gás natural no mês foi de 93,4%.

Os preços do petróleo registraram altas expressivas ontem. Em Nova York, o WTI para entrega em maio fechou a US$ 106,72, com alta de US$ 2,45 já o vencimento de junho foi cotado a US$ 107,24, com avanço de US$ 2,40. Em Londres, o Brent de maio encerrou a US$ 117,36, com alta de US$ 2,23, enquanto o vencimento de junho subiu US$ 2,25, para US$ 117,20.