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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nova onda de investimentos chilenos rumo ao Brasil Fibria tem operações instaladas em Três Lagoas (MS)

América Latina

Fibria tem operações instaladas em Três Lagoas (MS)

Comunidade

A exemplo da gigante CMPC, que fincou pé no país pela compra de operações da Aracruz há dois anos, mais empresas do Chile estão reforçando operações no mercado brasileiro.
Além de firmar acordo com o governo do Parará para ampliar sua fábrica de MDF em Jaguariaíva (PR), com aporte de R$ 272 milhões, o grupo chileno Arauco também flerta com o governo do Mato Grosso do Sul para construir uma indústria de papel e celulose no estado.
Seria a terceira grande planta de celulose do estado, que já tem operações da Fibria e da International Paper, instaladas em Três Lagoas.
Aparecida do Taboado, Cassilândia e Paranaíba são os municípios sondados para receber o investimento. Os municípios de Água Clara e Santa Rita do Pardo também teriam chegado a ser cogitados.
Já a chilena BO Packaging pretende começar em agosto a produzir embalagens recicláveis - como refrigerantes e copos BO - em Ponta Grossa (PR). É investimento de R$ 112 milhões.
Com pressa, a empresa já iniciou o processo de seleção de trabalhadores para a unidade.

Bahia atrai multinacionais e vira polo de produção de energia eólica

Multinacionais da área de energia eólica têm desembarcado atrás dos bons ventos baianos e de incentivos para desenvolver a cadeia produtiva do setor.
A GE (General Electric) negocia a instalação de uma fábrica na Bahia.
"A GE está se preparando para ter uma nova planta de eólica no país e há uma grande tendência de que ela seja construída no Estado", afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica, Pedro Perrelli.
A empresa chegou a agendar reunião no dia 14 deste mês com o governador Jaques Wagner (PT) para bater o martelo na decisão de investir cerca de R$ 50 milhões, mas cancelou o encontro.
A companhia nega que esteja em "negociação concreta para construção de nova fábrica", mas afirma "observar atentamente as oportunidades para a expansão de seus negócios no Brasil".
A espanhola Gamesa inaugurou na sexta-feira passada suas instalações no Estado, enquanto a francesa Alstom estreia até o final deste ano uma planta para fazer turbinas eólicas na Bahia.
Segundo a secretaria baiana da Indústria, Comércio e Mineração, cinco empresas do setor negociam a instalação de unidades no Estado.
Com 18 projetos contratados em 2009 e 16 em 2010, a Bahia vai oferecer uma potência de 977,7 MW já nos próximos anos. Foram cadastrados mais de 2.000 MW para este ano.
"As empresas querem produzir equipamentos perto de onde se vai gerar energia eólica. Daí o interesse na Bahia, que é o maior PIB da região Nordeste", diz o secretário James Correia.

EFEITO LIMITADO
As recentes medidas do governo para tentar restringir a entrada de moeda estrangeira tiveram pouco efeito, segundo a Tendências Consultoria. A redução das entradas de capital pode ter sido só reflexo de uma antecipação no primeiro trimestre. Havia expectativa de colocação de barreiras no curto prazo, o que pode ter incentivado investidores a antecipar remessas ao país e levado à queda nas entradas. "Agora, com o dólar baixo, o governo voltou a cogitar medidas, mas não vemos grandes opções", diz o economista Silvio Campos Neto. "Soluções drásticas podem prejudicar a imagem do país." 

Após compra da Rhodia, Solvay foca em etanol

Química: Nova companhia começa a operar a partir de setembro

Clamadieu, presidente da Rhodia: "As indústrias químicas querem usar material renovável. E o etanol brasileiro é o melhor"

O novo lider mundial da quimica resultante da aquisição da francesa Rhodia pela belga Solvay vai focar na utilização bem maior do etanol brasileiro em sua cadeia de produção, quando começar a operar em setembro.
Jean-Pierre Clamadieu, presidente global de Rhodia, disse aoValor que a nova companhia identificou o etanol brasileiro como a matéria-prima renovável com o melhor nível de competitividade, como elemento de base para a cadeia petroquímica "e isso exigirá o desenvolvimento de nossa produção no Brasil".
Por isso, uma das prioridades da nova companhia será o de desenvolver o acesso a matérias-primas renováveis, com parceiras com produtores, de um lado, e expansão de fábricas para utilizar o produto. Implicará, em todo caso, em investimentos futuros de centenas de milhões de dólares no país.
Clamadieu mostra-se entusiasmado com as possibilidades no uso do etanol de cana-de-açúcar na cadeia petroquímica. "As indústrias químicas querem usar material renovável. E claramente, o etanol brasileiro é o melhor, pela sua intrinseca competitividade. A produção brasileira é muito eficiente, mais do que na Europa ou América do Norte."
O executivo diz que a Rhodia foi uma das primeiras a usar etanol para uso industrial. Ele vê competidores com mais projetos na mesma direção, mas estima que o novo grupo "pode fazer mais".
Para Clamadieu, a nova companhia pode ampliar a capacidade de produção tanto por aquisições como expandindo as fábricas existentes da Solvay e Rhodia. "Estamos sempre olhando oportunidades no Brasil e continuaremos a fazer isso, mesmo se hoje não há alvo evidente de dimensão significativa", afirmou o executivo.
Os preços de aquisição tem aumentado, mas o executivo nota que em 2010 comprou uma empresa na China com múltiplos razoáveis, de forma que quer continuar se expandindo assim.
Atualmente, um terço dos investimentos em crescimento ocorre no Brasil, valor só superado pelos aportes na China. O Brasil representa 17% do faturamento da Rhodia. Na nova companhia, a América do Sul representará 14%.
O executivo admite alguns obstáculos a serem superados para maior uso do etanol. Primeiro, a tecnologia para produzir mais produtos químicos a partir do etanol. Isso explica o motivo para investir mais em pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de obter do etanol um desempenho economicamente viável. O grupo gastará € 200 milhões por ano nos vinte centros de pesquisa e desenvolvimento, um quarto deles situados na Asia e no Brasil.
O segundo obstáculo é assegurar contratos de longo prazo com fornecedores do biocombustível no país, "o que não é fácil". Em todo caso, ao contrário de alguns competidores, não quer entrar no controle direto de fábricas de etanol.
Tereos, grande produtora de etanol no Brasil, reagiu positivamente aos planos de parceria. "Isso mostra a importância e o tamanho do potencial do etanol", afirmou Alex Duval, presidente da Tereos Internacional.
O terceiro desafio é a continua intervenção do governo no setor, de forma que acaba pesando sobre o preço da matéria-prima.
O executivo reclama, por outro lado, do preço do nafta no Brasil, semelhante ao da Europa. Considera que o governo brasileiro regula exageradamente o preço da matéria-prima, cuidando dos interesses da Petrobras e não ajudando na competitividade da industria.
O plano do grupo é aumentar a exportação a partir do Brasil, que é hoje limitada a 25% da produção. Mas admite que os desafios são grandes, tanto logísticos, como tributários, câmbio etc. "Mas estamos nos habituando ao real forte, temos que ser competitivos."
A expectativa é de que a integração Solvay-Rhodia resulte em sinergias de custos anuais de € 150 milhões em três anos. O nome do novo grupo globalmente será Solvay, mas no Brasil será preservado o nome Rhodia em razão da firme e longa presença da companhia francesa no mercado brasileiro.

Tragédia Anunciada na Cana: É Preciso Plano de Investimento

A produção de cana na safra 2011/12 está 30% menor que a da safra passada, que já foi insuficiente para as necessidades do país. Os anos de crise, que levaram à descapitalização dos produtores, trouxeram envelhecimento e redução nos tratos culturais dos canaviais.
O excesso das "águas de março" causou ataque do fungo curvularia em duas importantes variedades e atrasou o plantio, podendo comprometer o próximo ano. Além disso, o canavial foi atingido por geada em junho.
É provável uma quebra de mais de 10% em relação à safra passada. Paralelamente, as montadoras colocam mais três milhões de carros flex em 2011, e a China suga o açúcar brasileiro.
Está armado um cenário trágico para o fim do ano, com preços elevados (em plena safra, o preço do etanol é o mais alto dos últimos dez anos, e o açúcar também deve subir). Além disso, haverá a necessidade de importar gasolina e etanol dos EUA e a redução da mistura de anidro na gasolina para 18%, nociva ao meio ambiente e à produção renovável do Brasil.
Apesar da necessidade de pelo menos 60 novas usinas de 3 milhões de toneladas de cana (um investimento de US$ 26 bilhões) até a Copa, apenas para atender o mercado de hidratado (cenário conservador), importantes empresas do setor de bens de capital relataram que investimentos nos 'greenfields' estão absolutamente parados.
O país necessita de um projeto especial de investimentos baseado nas seguintes ações: a) definição de locais estratégicos para receber estas novas unidades, promovendo o desenvolvimento, o empreendedorismo e a diversificação regional (em áreas de pastagens degradadas); b) definir uma arquitetura financeira na qual a Petrobras, invista e possa ter de 20% a 30% do capital de cada unidade, o BNDES faça aportes e grupos privados nacionais e principalmente internacionais (tradings e petroleiras), motivados por essa arquitetura financeira, tragam investimentos e tenham controle acionário dessas unidades novas; c) encomendar imediatamente esse pacote de usinas ao setor de bens de capital em regime diferenciado de impostos, um real estímulo a um setor que sofre processo de desindustrialização devido à falta de políticas industriais que compensem o câmbio, os elevados juros e o aumento de custos; d) desenvolver e capacitar redes de fornecedores de cana nessas regiões, integrados a essas usinas. São ao menos dois anos para que entrem em funcionamento, e esse pacote trará retorno garantido.
O BNDES precisa aumentar seus aportes. Apenas como comparação, o contestado recurso oferecido na proposta de fusão de duas grandes redes de supermercados daria para financiar 50% de pelo menos 15 usinas de 3 milhões de toneladas, beneficiando a sociedade brasileira na geração de energia, renda, 6.000 empregos, impostos e interiorização de desenvolvimento.
A falta de cana representa hoje uma perda de renda de mais R$ 20 bilhões se os produtos aí estivessem para abastecer os mercados, colaborando para o controle da inflação e o saldo comercial. Será também um grande problema pela frente, uma tragédia amplamente anunciada.
MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento na FEA/USP no campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat