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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mercado Aberto

Gás... A ArcelorMittal Tubarão prevê obter neste ano receita de US$ 24 milhões (cerca de R$ 38 milhões) com a venda de 36 MW de seu excedente energético para a Tractebel e o mercado "spot" (à vista).

...e energia Localizada na cidade de Serra (ES), a empresa tem capacidade produtiva de 500 MW, o que representa 20% do consumo de todo o Estado do Espírito Santo. Autossuficiente desde 1998, 96% de todo o gás gerado em sua produção é convertido em energia e reaproveitado

terça-feira, 7 de junho de 2011

LDC é impedida de terceirizar colheita

Justiça proíbe Louis Dreyfus de utilizar mão de obra indireta na colheita mecanizada e no transporte de cana

Terceirização foi uma manobra para ter mão de obra barata, afirma liminar; empresa diz que recorreu da decisão

A Justiça do Trabalho impediu a empresa Louis Dreyfus Commodities Bioenergia S/A, de Jaboticabal, de terceirizar a mão de obra para a colheita mecanizada e o transporte da cana-de-açúcar.

A decisão liminar foi concedida numa ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho, que identificou a suposta fraude em esquemas de terceirização. A empresa afirma que já recorreu.

Segundo a decisão da Justiça, a partir da citação, a usina deve contratar diretamente a mão de obra destinada ao setor de colheita mecanizada e transporte. A usina confirmou ter sido citada.
Segundo as investigações da Procuradoria, a empresa transferiu todo o seu maquinário para empregados que manifestaram interesse em abrir empresa e manter contrato exclusivo com a empresa no corte e no transporte.
O contrato previa o repasse de parte dos lucros à usina como pagamento pelo maquinário. Porém, os trabalhadores que adquiriram o equipamento não dispunham de estrutura administrativa e condições financeiras para manter a equipe contratada.

A situação, de acordo com a Procuradoria, provocou o surgimento de diversas irregularidades trabalhistas.

Entre elas estão atrasos salariais, jornadas de trabalho excessivas -cerca de 14 horas por dia, sem folgas- e atos discriminatórios contra empregados que procuraram a Justiça.

De acordo com o texto da liminar, o processo de terceirização adotado pela empresa é "uma manobra ilegal para a contratação de mão de obra barata, com consequente fraude de direitos trabalhistas, tendo por finalidade a redução dos custos do empreendimento".

Em nota, a Louis Dreyfus informou que tomou as providências necessárias para o cumprimento da decisão logo após ser notificada, mas que no seu entendimento a contratação de prestadores de serviços agrícolas é lícita.

DISTRIBUIÇÃO METALIZADA

A CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), divisão da Votorantim Metais, inaugura na próxima semana seu novo centro de distribuição, em Jundiaí (SP).
O espaço, que terá 11 mil metros quadrados, armazenará até 6.000 toneladas de chapas, bobinas, folhas e perfis de alumínio.

"A localização do centro nos aproximará das principais empresas consumidoras e de importantes mercados como bens de consumo, construção civil, embalagens e transportes", diz João Bosco Silva, diretor-superintendente da Votorantim Metais.
O projeto receberá produtos da sede da empresa na cidade de Alumínio (SP).
A fábrica ampliará a sua produção anual de perfis de alumínio de 42 mil toneladas para 72 mil toneladas.

A CBA contará com investimentos de R$ 401 milhões até o final deste ano.

Álcool precisa de R$ 97 bilhões em investimentos em dez anos

Estimativa da Empresa de Pesquisa Energética considera aumento de 170% na demanda

BNDES prevê desembolso quase estável; setor quer etanol mais competitivo diante da gasolina

Os produtores de etanol terão de investir R$ 97 bilhões até 2020 para atender a um aumento de 170% na demanda nesse mesmo período, segundo estimativa divulgada ontem pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Somente na produção os investimentos devem somar R$ 90 bilhões. O restante deve ser destinado à estrutura dutoviária e portuária. O volume total projetado para os próximos dez anos é 50% maior do que o previsto para o período 2010-2019.
A revisão deve-se à maior demanda pelo combustível, puxada principalmente pelo aumento da frota de veículos flex fuel. A EPE calcula que o consumo de etanol chegue a 73 bilhões de litros em 2020. No ano passado, ele atingiu 27 bilhões de litros.
O setor, no entanto, continua esperando uma sinalização do governo para investir. A principal queixa envolve a competitividade do combustível em relação à gasolina, que tem seu preço inalterado nas refinarias desde 2009.

"Se conseguirmos fazer com que o etanol volte a ser competitivo ante a gasolina, teremos imensos investimentos", disse ontem Marcos Jank, presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), após o Ethanol Summit, evento do setor.
Segundo Jank, caso a competitividade seja restabelecida, os investimentos podem somar R$ 80 bilhões, resultando na produção adicional de 400 milhões de toneladas de cana e 150 novas usinas.

Mas o governo continua descartando reduzir o preço da gasolina. "Vamos tentar manter o preço da gasolina por bem mais tempo ainda", disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, presente no mesmo evento.

Prevendo problemas de oferta na próxima entressafra, Lobão afirmou que mantém conversas frequentes com usineiros e sinalizou que, se a oferta não for suficiente para atender à demanda, o governo voltará a reduzir a mistura de álcool à gasolina, hoje entre 18% e 25%.

INCENTIVOS
O cenário para liberação de crédito também não deve sofrer grandes mudanças. Apesar de prever "aceleração dos investimentos", o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que os desembolsos para o setor devem somar entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões nos próximos quatro anos.

Considerando o piso dessa faixa, seriam R$ 7,5 bilhões por ano, praticamente em linha com o liberado no ano passado pelo BNDES para o setor: R$ 7,6 bilhões.

Por meio de decreto, Alckmin desonerou a compra de máquinas e equipamentos destinados à geração de energia a partir do bagaço e palha da cana, pondo fim à alíquota de ICMS de 12%
Para as usinas de São Paulo, ontem o governador Geraldo Alckmin anunciou um incentivo à geração de energia a partir de biomassa.

FÁBRICA DE CELULOSE TERÁ R$ 2,7 BILHÕES

A Eldorado Celulose, que tem como sócios a J&F Participações, controladora do JBS, com 75% de participação, e a MCL Empreendimentos, de Mário Celso Lopes, com os 25%, terá sua primeira fábrica em Três Lagoas (MS). Os investimentos na nova unidade serão de R$ 5,1 bilhões, o que significa que o financiamento do BNDES equivale a 53% do total do empreendimento. A carteira do banco em papel e celulose totaliza R$ 12 bilhões

Freio no PIB reduz demanda pelo BNDES

Com procura menor, capitalização do banco pelo governo federal deverá ficar abaixo do previsto para 2011

Foi autorizada emissão de R$ 55 bi em títulos da dívida para repasse ao banco, mas nenhum papel já foi lançado

A expectativa de desaquecimento da economia e a diminuição na demanda por empréstimos farão com que a capitalização do do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pelo governo fique abaixo do previsto para 2011.


No início do ano, o governo editou medida provisória autorizando a emissão de R$ 55 bilhões em títulos da dívida federal que seriam repassados ao banco. Até agora, nenhum papel foi lançado.


O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse à Folha que o início da emissão de ações deverá ocorrer ainda neste semestre. O valor, no entanto, deverá ficar abaixo do autorizado.


"Minha projeção é que vai ser um pouco menos, mas não tem decisão. O valor preciso que vai ser necessário neste ano depende de vários fatores, do ritmo de empréstimo, da participação privada, do ritmo da economia."
A redução do ritmo de desembolsos do BNDES é vista por economistas como um dos primeiros sinais de retração econômica. O total emprestado no primeiro trimestre foi 2% menor que no mesmo período de 2010 -primeira queda em cinco anos.


Entre os setores que apresentaram maior recuo estão construção (30%) e alimentos e bebidas (29%).
Em 2010, o governo emitiu R$ 75 bilhões para capitalizar o BNDES. Outros R$ 5 bilhões foram lançados neste ano. Mais R$ 30 bilhões foram emitidos para participar da capitalização da Petrobras.

Para o economista da consultoria Tendências Felipe Salto, mesmo com a redução a capitalização do BNDES via emissão de títulos é prejudicial para a economia.
Isso ocorre, diz, porque, além de aumentar o endividamento público, a emissão pressiona a demanda e contribui para a alta da inflação. Assim, o Banco Central é levado a aumentar juros, impedindo maior participação do setor privado no crédito.

MUDANÇA GRADUAL
Segundo Augustin, o governo vem incentivando uma maior participação do setor privado no financiamento de grandes obras, mas isso será feito de forma gradual.
"A ideia é que o BNDES continue a financiar o crescimento do investimento, aumente a formação bruta de capital e, quanto mais isso puder ser feito também pela iniciativa privada, melhor. O quão rápido [será] depende de vários fatores", afirma.