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quarta-feira, 16 de março de 2011

O álcool de ressaca

Depois de um crescimento acelerado em 2010, a produção de biocombustíveis cairá este ano. Culpa dos preços dos commodities
15 de Março de 2011 às 17:15
Apesar do discurso global sobre sustentabilidade e a necessidade de redução no consumo de petróleo, a produção global de biocombustíveis deve desacelerar em 2011, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE). Uma série de fatores deve limitar o avanço da oferta pelo mundo, como a alta do preço dos alimentos, as políticas energéticas regionais, o excesso de capacidade produtiva e incertezas sobre a demanda. No ano passado, a produção de biocombustíveis teve alta de 250 mil barris por dia. Para 2011, a entidade estima aumento menor, de 160 mil, para 2 milhões de barris por dia.
No Brasil, a alta do açúcar puxou o preço do etanol para um valor acima do considerado competitivo na comparação com o preço da gasolina (de 70% do valor do derivado do petróleo). Com isso, a AIE avalia que os produtores irão priorizar a produção de açúcar no País, mantendo o mercado de etanol mais apertado - enquanto o consumo de gasolina cresce 5% na comparação anual.
Nos Estados Unidos, onde os preços do milho dispararam, os produtores ainda trabalham com "margens aceitáveis". No entanto, o Congresso continua discutindo limites ao crédito fiscal de US$ 0,45 por galão dado ao etanol, o que deixa nublada a perspectiva de novos investimentos, na avaliação da agência.
Na Alemanha, a tentativa de ampliar o uso dos biocombustíveis esbarra na resistência da população. O governo determinou a mistura de 10% à gasolina, mas os consumidores evitam aderir, pois temem que seus carros sejam danificados. O governo insiste que a introdução da mistura vai continuar e encoraja uma campanha informativa para aliviar as preocupações.
A AIE considera que a demanda na Ásia está enfraquecida em razão dos elevados preços do óleo de palma e das poucas determinações governamentais estipulando a necessidade de uso dos biocombustíveis. Dessa forma, o início da operação de uma nova usina em Cingapura, com capacidade de 15 mil barris por dia, deve piorar as margens dos produtores na região.



Mantega diz: País cresce 5% em 2011. Será?

O ministro reduz sua previsão para o crescimento e mantém a da inflação. Mas isso foi antes da tragédia no Japão
15 de Março de 2011 às 22:35
O Ministério da Fazenda manteve em 5% a projeção de crescimento da economia brasileira para 2011, segundo o documento Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado hoje. Na última versão do boletim, divulgada em outubro, a previsão era de expansão de 5 5% para a economia brasileira neste ano, mas o número já havia sido revisado para 5% no início deste ano, quando foi divulgado o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Fazenda também espera uma expansão maior da economia nos próximos anos: 5,5% para 2012 e 6,5% ao ano em 2013 e 2014, o que faria uma média próxima de 5,9% ao ano. “A trajetória recente demonstra que o nível de atividade encontra-se em patamar sustentável. As medidas macroprudenciais, em conjunto com a consolidação fiscal, devem possibilitar que a economia siga em crescimento sem descompasso entre oferta e demanda. Para o período 2011-2014, estima-se que a economia volte a crescer no patamar entre 5% e 6,5%”, diz a Fazenda, no boletim. Essas estimativas, coordenadas pelo ministro Guido Mantega, foram elaboradas, contudo, antes do terremoto no Japão, que, a cada dia, provoca mais pessimismo na economia mundial.
Segundo o documento, o crescimento de 2011 será puxado pela alta de 6,4% na demanda doméstica, índice bem mais moderado do que o crescimento de 10,3% verificado em 2010. A Fazenda espera uma contribuição negativa de 1,4% do PIB do setor externo neste ano, significativamente menor do que o “vazamento externo” de 2,8% do PIB registrado em 2010. “Os resultados negativos da demanda externa líquida (exportações menos importações), embora reduzam o crescimento do PIB, contribuem para a ampliação da capacidade instalada do País, visto que 22,6% do valor das importações são de bens de capital, com expansão de 38,0% entre 2009 e 2010”, afirma a Fazenda.
O governo manteve a previsão de que os investimentos fecharão 2011 representando 20,4% do PIB e chegarão a 24,1% do PIB em 2014. “Com as medidas de incentivo ao financiamento de longo prazo, o setor privado deverá exercer papel fundamental nesse segmento. Para o período 2010-2014, espera-se incremento de pelo menos 1% do PIB ao ano no total dos investimentos.”
Inflação
O Ministério da Fazenda manteve em 5% a perspectiva para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao fim de 2011, de acordo com o documento Economia Brasileira em Perspectiva. Para 2012, a estimativa também foi mantida, exatamente no centro da meta do governo, de 4,5%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia apresentado essas estimativas à presidente Dilma Rousseff, no dia 14 de janeiro deste ano. As perspectivas de inflação foram mantidas apesar de o mercado projetar um aumento de 5,8% no IPCA este ano, de acordo com o último boletim Focus, elaborado pelo Banco Central.
No documento divulgado hoje, o Ministério afirma que "a inflação tem subido proporcionalmente menos no Brasil do que na maioria dos outros países, mantendo-se dentro dos limites das metas estabelecidas para 2010 e 2011".
A Fazenda afirma ainda que após forte elevação no último trimestre de 2010 e nos dois primeiros meses de 2011, "o IPCA caminha para desaceleração em março e abril, em função da redução dos preços de vários alimentos e do término do efeito das tarifas de ônibus e das mensalidades escolares". Segundo o documento, as pressões que permanecem no setor de serviços devem reagir à desaceleração da economia e à redução anunciada de gastos do governo.
O Ministério também destaca que o mundo passa por um momento de instabilidade monetária, impulsionada pelo aumento dos preços de commodities e pela crise do Norte da África e do Oriente Médio. O documento não cita o terremoto ocorrido na semana passada no Japão.