terça-feira, 18 de outubro de 2011

Duas novas usinas consolidam sul baiano como polo sucroalcooleiro


INVESTIMENTOS VÃO GERAR MAIS DE 2 MIL VAGAS DE EMPREGO NOS MUNICÍPIOS DE LAJEDÃO E IBIRAPUÃ

Bahia_247 - A inauguração das usinas da União Industrial Açucareira Limitada (Unial) e da Infinity Bio-Energy (Ibirálcool), nos municípios de Lajedão e Ibirapuã, respectivamente, nesta segunda-feira (17), vai dar oportunidade de trabalho para cerca de 2 mil pessoas. Juntas, as duas unidades representam um investimento inicial de R$ 300 milhões e consolidam o sul da Bahia como polo sucroalcooleiro.
Presente na solenidade de inauguração das unidades, o governador Jaques Wagner disse que a região está se consolidando com a confiança dos empresários, que estão acreditando e apostando na atividade, com a qualidade da mão de obra e com apoio do governo estadual. "Com essas duas usinas nós vamos ampliar a produção de etanol, produto que hoje a Bahia ainda importa. Como eu quero trazer para cá também o plástico verde, nós vamos precisar muito do álcool para suprir o mercado baiano".
Segundo o diretor sócio-proprietário da Unial, Ângelo Calmon de Sá, está sendo superada a marca de 30 milhões de litros de álcool produzidos pela usina. A meta é até o final do ano chegar a 35 milhões de litros, e em 2012 e 2013, alcançarem uma produção anual de 60 milhões de litros. "Isso só está sendo possível com a intervenção direta do governo do Estado". 

Com informações da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado

Brasil pode ir à OMC contra taxa no etanol

Governo já tem estudos para pedir consulta, primeiro passo para a abertura de queixa contra tarifa americana

Embaixador na OMC, Roberto Azevedo diz que decisão depende do setor privado; tarifa é de R$ 0,245 por litro

LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON

O governo brasileiro tem material pronto para pedir consulta na OMC (Organização Mundial do Comércio) no início de 2012 a respeito da sobretaxa que os EUA cobram para importar etanol brasileiro. A medida seria o primeiro passo para a abertura de uma queixa contra os americanos.
"Temos estudos preliminares bem avançados já do que pode vir a ser uma queixa na OMC", disse à Folha o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, após reuniões em Washington no final da semana passada.
Segundo Azevedo, a decisão depende agora, em parte, do setor privado. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) considera que, até o fim do ano, é possível esperar uma decisão do Congresso americano.
Vencido esse prazo, entretanto, a opção da queixa na OMC será reavivada. "Sabemos que temos um caso, mas esperamos não precisar usá-lo", afirmou Leticia Phillips, representante da Unica em Washington e responsável por negociar com o Congresso americano.
A tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol brasileiro (ou R$ 0,245 por litro) está vinculada ao subsídio de US$ 0,45 por galão que o governo dos EUA paga aos produtores para misturar álcool ao combustível, independentemente de sua origem -o etanol americano é de milho.
O mecanismo termina no fim deste ano, daí a data-limite considerada pelo Brasil.
O subsídio tem sido contestado pelo governo de Barack Obama e por centros de estudo de direita e de esquerda ante a necessidade de ajuste fiscal do governo diante da crise econômica.
Mas 2012 é ano eleitoral nos EUA, e, com o intenso lobby da bancada ruralista e dos Estados produtores de milho, há temores entre os brasileiros de que, mesmo que os subsídios expirem, a sobretaxa seja ressuscitada sob outro mecanismo.
O pedido de consulta na OMC serviria como instrumento de pressão para o Brasil em uma negociação que se arrasta há anos e adiantaria o longo processo no organismo internacional.
Na balança da Unica, porém, pesa a possibilidade de avanço no mercado americano ante o custo político e econômico de um litígio.
A produção de milho nos EUA tem caído, e outras indústrias que utilizam o insumo no país passaram a pressionar contra o etanol local. Já no Brasil, o estoque de etanol cai e o preço sobe.

Dedini e Painco são acusadas de esquema com procurador

Grupos estão envolvidos em denúncia de superavaliação de bens oferecidos para pagar dívidas federais

18 de outubro de 2011 | 3h 04

FAUSTO MACEDO - O Estado de S.Paulo
O Ministério Público Federal em Piracicaba (SP) ingressou na Justiça com ações civis públicas contra o procurador da Fazenda Nacional Edson Feliciano da Silva, acusado de improbidade administrativa por manter suposto esquema milionário de adjudicações superavaliadas.
Adjudicação é o sistema pelo qual devedores de tributos realizam pagamento judicial de dívidas com oferecimento de bens. As ações revelam adjudicações envolvendo as empresas Painco Indústria e Comércio Ltda. e Dedini S.A. Equipamentos e Sistemas, que teriam causado prejuízos estimados em R$ 12,5 milhões à União. Segundo o MPF, pelos quatro anos em que foi procurador seccional da Procuradoria da Fazenda Nacional em Piracicaba, Edson Silva aceitou a adjudicação de R$ 29,8 milhões de várias empresas da região.
Também são citados cinco servidores federais que ocupavam cargos de chefia e gerência na Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda em São Paulo. Eles são acusados de aceitar a incorporação irregular dos bens ao patrimônio do ministério, "mesmo estando evidente que as adjudicações milionárias causavam prejuízo à União". O MPF pede a condenação de todos à perda do cargo.
Segundo a ação contra a Dedini, a empresa pagou boa parte de suas dívidas por meio da adjudicação de móveis e um imóvel superfaturado, que foram oferecidos, e aceitos sem avaliação oficial, por valores até oito vezes maiores que os praticados no mercado, o que causou prejuízo de R$ 8,2 milhões à União.
Entre 2005 e 2008 os valores adjudicados pela Dedini na Fazenda Nacional totalizaram R$ 13,78 milhões, atualizados até setembro de 2011. "Foram adjudicados móveis, o bem imóvel destinado para a sede da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Piracicaba, equipamentos de informática, veículos, aparelhos de ar-condicionado, obras de arte, além de objetos supérfluos e luxuosos", revela a procuradora da República Heloísa Maria Fontes Barreto.
As adjudicações eram realizadas seguindo um mesmo padrão, segundo o Ministério Público Federal. Executada judicialmente pelo não pagamento de dívidas, a Dedini oferecia penhora de um porcentual do faturamento e, posteriormente, apresentava bens para adjudicação em substituição à penhora, o que era aceito por Edson Silva sem exigir avaliação oficial dos bens.
De 2005 a 2008, a Painco ofereceu em adjudicação R$ 7,4 milhões. Avaliações da Controladoria Geral da União (CGU) revelam que esses pagamentos causaram prejuízo, em valores atualizados até setembro de 2011, de cerca de R$ 4,3 milhões à União. "Prejuízo exorbitante e escandaloso", diz a procuradoria.
Em alguns casos, para cada R$ 1 oferecido, houve abatimento da dívida de R$ 3,71. Em casos mais graves, a negociação permitiu um perdão de 73,05% da dívida. "Verificou-se que houve diferenças de 32% a 1.085% entre os valores adjudicados e os valores cotados", afirma auditoria da CGU. Por exemplo, uma estante dupla com cinco prateleiras reguláveis, que, na avaliação da CGU, custa no mercado R$ 426, foi adjudicada à Procuradoria da Fazenda de Piracicaba por R$ 3.612.
Em quase todas as operações, os bens eram previamente encomendados às empresas que tinham dívidas com a União. "É impressionante a quantidade de bens adjudicados por poucas empresas e o valor abatido da dívida ativa da União com as respectivas adjudicações", afirma a procuradora Heloísa Barreto.
As duas ações propostas até agora mostram que Edson Silva "exorbitou dos poderes atribuídos ao cargo de procurador da Fazenda Nacional" ao aceitar as adjudicações por valores superfaturados, quando havia outras formas de cobrar as dívidas.
"Se a União, pela Fazenda Nacional, abriu mão do recebimento de dinheiro - o que ocorreria com a penhora de faturamento, penhora de bens imóveis ou bens móveis que seriam levados a leilão -, no mínimo, deveria ter sido demonstrado o interesse da União e a adjudicação deveria ocorrer após avaliação judicial do bem", aponta a procuradora.
A Procuradoria da República afirma que em praticamente todas as adjudicações o procurador da Fazenda dispensou a avaliação judicial dos bens e não apresentou pesquisa de preços que demonstrasse que o valor indicado era compatível.
"Ele (Edson Silva) substituiu o Congresso Nacional, decidindo como o dinheiro da União deveria ser gasto, impediu que houvesse repartição de tributos a outros entes da federação do dinheiro que deveria ter entrado na Conta Única do Tesouro Nacional e, favorecendo escandalosamente a empresa ré, causou enorme prejuízo à União", acusa a procuradora da República.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Siemens demite chefe no Brasil. O motivo: roubo


CONTA DE 7 MILHÕES DE EUROS NA EUROPA FOI O ESTOPIM DA DEMISSÃO DE ADILSON PRIMO, O CHEFE DA MULTINACIONAL ALEMÃ NO BRASIL; EMPRESA É UMA DAS MAIS ATIVAS NOS LEILÕES DE HIDRELÉTRICAS E DO METRÔ; ESCÂNDALO PODE RESPINGAR NO SETOR PÚBLICO


247 – O maior escândalo corporativo do Brasil pode estar se desenhando. Nesta terça-feira, de surpresa, a multinacional alemã Siemens anunciou a demissão de seu presidente no Brasil. Trata-se do executivo Adilson Primo, que liderava uma empresa com receitas de mais de R$ 4 bilhões/ano no Brasil, com atuação em diversos setores, como equipamentos do setor elétrico, de automação industrial, de sistemas metroviários e também da área de saúde. Primo era ainda vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base, que participa ativamente da formulação dos principais projetos do PAC.
No comunicado, a Siemens anunciou que Primo foi substituído porque a empresa descobriu uma “grave contravenção das diretrizes da companhia”. Por grave contravenção, leia-se uma conta no exterior, abastecida com 7 milhões de euros, desviados da multinacional.
Ocorre que o escândalo pode extrapolar as fronteiras corporativas. Na Europa, tanto a Siemens como outra multinacional, a Alstom, foram investigadas por distribuir propinas de mais de US$ 850 milhões na última década, especialmente na América Latina. No caso da multinacional alemã, até o ex-CEO global, Heinrich von Pierer, chegou a ser afastado. E a Siemens brasileira cresceu escorada em grandes contratos do setor público, tanto no plano federal, com obras do setor elétrico, como no plano paulista, com obras de expansão do metrô.
Rede de suborno
Recentemente, a empresa alemã fechou acordo em investigações internacionais que a apontaram como protagonista da maior rede de suborno de todos os tempos. Por meio da contratação de consultores, a empresa era favorecida em licitações públicas. Em geral, esses consultores remuneravam agentes públicos responsáveis pela análise de propostas e abertura dos envelopes. Um dos personagens investigados, nessa trama internacional, foi Robson Marinho, ex-coordenador de campanha de Mario Covas e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Nas investigações internacionais, a Siemens admitiu-se culpada e concordou em pagar multas milionárias. Sabia-se que a companhia remunerava agentes públicos. O que não estava no script é que parte da propina pudesse ser desviada para os bolsos de executivos da própria multinacional alemã.
Caso a Polícia Federal e o Ministério Público Federal decidam rastrear os recursos da conta do ex-presidente da Siemens, talvez consigam chegar às licitações fraudulentas. Paulo Ricardo Stark foi nomeado para o lugar de Adilson Primo.

MP sobre financiamento para estocagem de álcool sai amanhã

DE BRASÍLIA - O governo deve publicar amanhã a medida provisória que prevê financiamento federal para estocagem de etanol. O texto da MP já está pronto e deve ser assinado pela presidente Dilma Rousseff. A regulamentação das regras será feita pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Produtores afirmam que a medida chegou tarde para evitar escalada do preço do álcool e tende a gerar impacto somente na próxima entressafra da cana-de-açúcar, de janeiro a abril. 

O objetivo da medida é suprir a demanda interna e, ao mesmo tempo, garantir um preço razoável do etanol na fase da entressafra. Preocupado em garantir o abastecimento de etanol, o governo já reduziu a mistura de álcool à gasolina de 25% para 20% e colocou sob responsabilidade da ANP (Agência Nacional de Petróleo) a fiscalização e a regulação do setor.

O preço do etanol está 5% mais alto nas usinas neste ano do que em 2010, quando a falta de cana já começava a afetar a produção. Nos postos de combustível de São Paulo, a alta é de 18,5% no mesmo período. Pesquisa feita pela Folha na semana passada detectou preço médio de R$ 1,92 do litro do álcool hidratado na cidade de São Paulo. 

Custos da produção de cana sobem 15% em área tradicional

"É preciso lembrar que o rendimento agrícola nesta safra está muito abaixo da média histórica", diz Pádua, da Unica


A atual safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil será encerrada em pouco mais de um mês com um saldo de custos altos. Em um ciclo de forte quebra agrícola, o custo da terra e as diferenças de ganho de escala ampliam a distância entre a realidade dos fornecedores de cana das regiões tradicionais, como São Paulo, e a dos que produzem nas novas fronteiras canavieiras, como Goiás.
Projeção feita por pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostra que os produtores das áreas tradicionais terão custo econômico de R$ 68,24 por tonelada de cana neste ciclo, 35% maior do que o custo de um fornecedor das novas áreas canavieiras, estimado em R$ 50,30. Na temporada anterior (2010/11), produzir cana em regiões tradicionais era 25% mais dispendioso do que nas de expansão.
A despesa com a terra ainda exerce grande impacto nessa comparação, diz o pesquisador Carlos Xavier, do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), grupo responsável pelo estudo.
O valor do arrendamento nas regiões de expansão, como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, está em torno de 12 toneladas de cana por hectare, enquanto que nas áreas tradicionais esse valor é 50% maior, atingindo 18 toneladas de cana.

Além disso, há o peso do ganho de escala, mais presente nas regiões canavieiras mais novas do que nas tradicionais, onde predominam produtores de pequeno porte, observa Xavier.
O resultado é que nessa temporada (2011/12), enquanto o custo da cana de fornecedores subiu 6,99% nas novas fronteiras (de R$ 47,01 para R$ 50,30 por tonelada), nas áreas mais antigas, essa alta deve alcançar 15% (de R$ 59,33 para R$ 68,24).
O estudo do Pecege - realizado desde a safra 2007/08 por um grupo de 15 pesquisadores e com participação de 101 usinas e 19 associações de fornecedores de cana - engloba também custo da indústria e abrange o Nordeste. Esse universo ainda não está contemplado nas projeções da safra 2011/12.
Os pesquisadores calcularam, ainda, a margem econômica da atividade, que considera custo operacional, depreciação e custo de oportunidade. No caso do fornecedor das áreas tradicionais, essa margem foi negativa em 6,9% na safra passada e tende a melhorar nesse ciclo para 0,5%, ainda em terreno negativo. "Isso não significa prejuízo, mas menor remuneração em comparação a outros investimentos", diz. Já para os fornecedores na área de expansão, essa margem, que foi de 10,1% em 2010/11, deve subir para 26,4% no atual.
Mas é preciso lembrar que os custos da safra em curso são "ponto fora da curva", pondera o diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues. Isso porque os níveis de rendimento dos canaviais estão muito abaixo da média histórica.
"Estamos encontrando 70 toneladas de cana por hectare, quando a média do setor é de 85 toneladas", diz Rodrigues. Ele lembra que se esse rendimento voltasse aos níveis de um canavial mais equilibrado, a região poderia produzir 110 milhões de toneladas de cana a mais na mesma área.
A entidade deve revisar nas próximas semanas os números da safra no Centro-Sul, que responde por 90% da produção brasileira. A estimativa preliminar, diz Pádua, é de que a quebra agrícola e de ATR (açúcar contido na cana) será de 15% no Centro-Sul e de 18,5% em São Paulo, Estado que lidera a produção nacional da matéria-prima. "Há regiões paulistas, como Araçatuba, Ribeirão Preto e Catanduva, que terão quebra acima da média estadual", avisa.
A última estimativa da entidade foi feita em agosto, na qual se previu moagem de 510 milhões de toneladas da matéria-prima, 8,39% menor do que na safra 2010/11. O executivo acredita que a realidade dos custos de produção no ano que vem vai depender das condições climáticas, que podem ser mais favoráveis ao desenvolvimento da cana. "Na atual temporada, os canaviais sofreram de todos os fatores negativos possíveis: excesso de chuva, excesso de seca, geadas etc", afirma Rodrigues.
Por conta dessa escassez de cana, muitas usinas estão concluindo a moagem antes da média dos últimos anos. Neste momento, segundo Rodrigues, há 20 usinas que já concluíram a safra, a maior parte deve terminar em novembro e poucas vão estender a moagem até dezembro.
Por conta disso, desde o começo da safra até 1º de outubro a fabricação de etanol total (anidro e hidratado) está 16,37% menor em 16,991 bilhões de litros. No caso do hidratado, que abastece diretamente os veículos, essa queda é mais acentuada e chega a 29%.
O consumo também recuou. Segundo o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis), entre maio e setembro, as vendas das associadas, que representam 60% do mercado de hidratado no país, foram de 2,3 bilhões de litros, 42% menor do que os 4 bilhões de litros registrados em igual intervalo do ano passado. "Essa queda está compatível com os níveis de preço do etanol", disse Alísio Mendes Vaz, presidente-executivo do Sindicom.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Alexandre Grendene negocia Usina da Mata com a Shree Renuka

A associação entre Alexandre Grendene e Jonas Barcelos no setor sucroalcooleiro está se evaporando no ar. Um dos maiores nomes da indústria calçadista no Brasil, Grendene quer pular fora do negócio. Inicialmente, tentou resolver a questão dentro de casa. Ofereceu sua participação de 50% na Usina da Mata, em Valparaíso (SP), ao próprio Barcelos, dono do restante das ações.

No entanto, o controlador da Brasif negou-se a ficar sozinho no negócio. Grendene, agora, busca no mercado um comprador para as suas ações. Recentemente, manteve conversações com a francesa Tereos, dona da Açúcar Guarani. No entanto, o candidato mais forte ao negócio vem da Ásia. 

Trata-se da indiana Shree Renuka, que já investiu no país mais de US$ 1 bilhão, a maior parte na compra das usinas do Grupo Equipav. Ressalte-se que a venda das ações de Grendene na Usina da Mata para a Shree Renuka depende de uma complexa operação triangular.
O futuro das negociações está nas mãos do fundo Olam International, com sede em Cingapura. O private equity, que mantém uma parceria com o grupo indiano, terá de financiar boa
parte, se não a totalidade do negócio. Caso contrário, no que depender exclusivamente do ímpeto dos indianos, dificilmente a operação será consumada.
Embora tenha captado cerca de US$ 800 milhões para novas aquisições no Brasil, a Shree Renuka está sofrendo uma crise de inapetência. No momento, suas atenções estão voltadas para o desafio de equacionar o elevado endividamento e a queda da
rentabilidade de suas usinas no Brasil.
 

Não por acaso, a Olam International quer aproveitar o momento de fragilidade do parceiro para avançar algumas casas. Aceita entrar com os recursos necessários para o desembarque do grupo indiano na Usina da Mata. No entanto, vincula o auxílio à aquisição de uma
participação de até 20% no capital da Shree Renuka no
Brasil.
 

Grendene assiste a tudo com inquietação. Neste momento, sua saída da Usina da Mata está condicionada a conversas sinuosas que se desenrolam no eixo Índia-Cingapura. A decisão de Alexandre Grendene de dar um ponto final à associação com Jonas
Barcelos não está necessariamente ligada ao desempenho
da Usina da Mata. 

Na verdade, o empresário decidiu dar meia-volta, volver no processo de diversificação de seus investimentos. Nos últimos
anos, entre outras operações a léguas de distância da indústria calçadista, Grendene firmou uma parceria com os Ermírio de Moraes na área siderúrgica. Agora decidiu que é melhor calçar os velhos e confortáveis sapatos
 

PETROBRAS BIOCOMBUSTíVEIS INVESTE EM ETANOL DE SEGUNDA GERAçãO E EM BIOQAV

Com o objetivo de aumentar o seu market-share de etanol, a Petrobras traça planos para alcançar 12% de representatividade no mercado até 2015. Para tal, a empresa planeja ampliar em 275% sua produção, que atualmente é de 1,5 bilhão de litros por ano.
 Acredita-se ser possível alcançar essa meta com um investimento de R$ 1,9 bilhão, dos quais 30% iriam para aquisições de usinas já existentes e os 70% restantes seriam destinados a projetos greenfield.

O projeto de ampliação consiste também em dominar novas rotas tecnológicas. Nesse sentido a Petrobras destinará R$ 300 milhões para pesquisa e desenvolvimento; recurso que será direcionado a tornar comercial a tecnologia de fabricação de etanol de segunda geração, no caso etanol celulósico fabricado a partir de bagaço de cana-de-açúcar. Feito isso, estima-se um aumento de 30% na produção de etanol sem que haja necessidade de ampliação de área plantada. Outra rota tecnológica que a empresa busca aprimoramentos para tornar mais viável em escala comercial é a de fabricação do BioQAV, o querosene de aviação biocombustível. Espera-se que em 5 anos se inicie a produção e a comercialização pela empresa, englobando mais este segmento a sua linha de combustíveis renováveis.

Visando acompanhar a crescente demanda, o governo brasileiro garante benefícios fiscais no projeto de ampliação da Petrobras, acreditando assim, estar colaborando para atingir a meta de dobrar a produção brasileira de etanol nos próximos 10 anos 

Taxação de exportação de açúcar é hipótese ainda em estudo, diz Lobão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que a taxação da exportação de açúcar para estimular a produção do etanol no país está inserida no rol de medidas que o governo poderá tomar para conter a alta dos preços. Entretanto, a escolha dessa alternativa, segundo o ministro, será evitada ao máximo.
Ele acredita que a taxação da exportação de açúcar, que tem o preço mais atrativo para o produtor de cana-de-açúcar, também não teria efeito significativo de curto prazo, considerado importante para ajudar a conter a pressão sobre a inflação. "Ainda é uma hipótese, mas essa será a última medida, que também não terá um efeito a curtíssimo prazo", disse.
Lobão considera que as decisões mais importantes para o setor de etanol já foram tomadas pelo governo. Ele citou o aumento do consumo de gasolina, importação de volume significativo do próprio etanol, oferta de incentivos à produção de etanol, crédito do BNDES aos produtores de cana-de-açúcar e transferência do papel de fiscalização para Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Governo ataca com MPs para baixar o preço do etanol

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que ontem teve reunião com a presidente Dilma: medidas em estudo


O governo prepara duas medidas provisórias para incentivar a estocagem e a produção de cana-de-açúcar para fabricação de etanol. A primeira dará melhores condições de juros e prazos aos financiamentos de "warrantagem" (estocagem) de etanol pelas usinas e autorizará a equalização das taxas da nova linha pelo Tesouro Nacional. O segundo texto incluirá a desoneração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) do etanol, o financiamento para renovação de canaviais próprios das usinas e crédito para projetos "greenfield" (construção) e "brownfield" (ampliação) de unidades produtoras de etanol.
A minuta da primeira MP já está pronta e deve ser enviada pelo Ministério das Minas e Energia à Casa Civil nos próximos dias. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) tem solicitado até R$ 3 bilhões para a "warrantagem". O governo busca garantir abastecimento interno e preço razoável do etanol durante o auge do período de entressafra, de dezembro a março.
O texto da segunda MP ainda está em negociação entre cinco ministérios. Parte do governo defende "zerar" a Cide do etanol, hoje em R$ 22,54 por metro cúbico. Outra parte quer reduzir o valor. Há também debate sobre nova redução da Cide da gasolina. Há duas semanas, o governo baixou esse valor de R$ 230 para R$ 192,60 por m3 para ajudar a compensar a diminuição, de 25% para 20%, da mistura do etanol na gasolina.
A determinação do governo para subsidiar as usinas partiu da própria presidente Dilma Rousseff, informou uma fonte do governo. Em junho de 2010, o governo criou uma linha de R$ 2,4 bilhões a juros de 9% para financiar a estocagem. Mas nada foi liberado até agosto, segundo dados do Ministério da Agricultura. Primeiro, faltou demanda, já que as usinas estão endividadas desde a crise financeira global de 2008. Os produtores fornecedores das usinas, que respondem por 30% da produção, também estão em dificuldades. E os bancos não têm muito interesse em operar nessa linha.
Em contrapartida ao seu "esforço", o governo vai cobrar "compromisso" com o abastecimento interno. E está descontente com a elevação das exportações de etanol. As usinas têm aproveitado a demanda nos Estados Unidos pelo chamado "etanol avançado", cujo "prêmio" compensaria amplamente a operação de compra e venda no exterior. A diferença chegaria, segundo uma trading, a US$ 180 por m3. No ano-safra, entre abril e setembro, foram exportados 938 milhões de litros de etanol de cana e importados 546 milhões de litros de etanol de milho dos Estados Unidos. O resultado "líquido", até aqui, seria de 392 milhões de litros - e deve aumentar a 500 milhões, segundo traders. As exportações chegariam, assim, a 1,5 bilhão de litros. Em boa parte, isso ocorre porque o governo de São Paulo isentou de ICMS, até março de 2012, as importações de etanol. De janeiro a setembro, o Ministério do Desenvolvimento informa um superávit de US$ 475 milhões nessas operações.
O governo identificou uma queda da produtividade das lavouras. Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, há um ritmo fraco na renovação dos canaviais e problemas com as condições climáticas. Os investimentos recuaram nos últimos três anos. "O setor foi afetado pela crise de 2008 e condições climáticas adversas. Com a falta de recursos, não houve renovação e, sem isso, a produtividade cai", diz o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, Ricardo Dornelles.
Na safra 2009/2010, as principais regiões produtoras tiveram uma safra bastante chuvosa, o que prejudicou a qualidade da matéria-prima e atrapalhou a colheita. No ciclo 2010/2011, ocorreu o inverso, com um período muito seco durante a colheita.
O ministério defende uma linha para renovação de canaviais. "O governo avalia as condições para estender uma linha atrativa para que a agroindústria tenha recursos mais baratos para renovar seus canaviais", diz Dornelles. Outra explicação para a falta de investimentos foi a aquisição de usinas de grupos nacionais por grandes grupos internacionais, que não resultaram em novos investimentos.