segunda-feira, 28 de março de 2011

Já falta até gasolina

Petrobras terá de importar 1,5 milhão de barris em abril, em função da demanda aquecida e do encarecimento do etanol
25 de Março de 2011 às 18:09
AE – A Petrobras vai importar no mês de abril algo próximo de 1,5 milhão de barris de gasolina, disse nesta sexta-feira o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. O volume equivale à metade do total importado em todo o ano passado. O primeiro carregamento de gasolina importada chega ao Brasil em 15 de abril, dia que marca o início da safra de cana-de-açúcar. A importação será necessária para atender ao aumento do consumo verificado especialmente no mês de março, por conta da migração do consumidor de etanol para a gasolina.
“Não sabemos ainda por quanto tempo os preços do etanol vão se manter altos e até mesmo quanto tempo vai levar para o etanol da nova safra chegar ao mercado. Por isso, é melhor prevenir, porque não pode haver falta de combustíveis”, afirmou Costa. Segundo ele, a gasolina será armazenada e utilizada em caso de necessidade. O diretor destacou que os produtores estão prometendo ao mercado que o etanol deve chegar no dia primeiro de maio ao mercado.
“Há uma volatilidade muito alta com relação ao mercado e não sabemos a que preço este etanol vai chegar e como o consumidor vai se comportar”, disse, admitindo a possibilidade de a estatal vir a importar novas cargas de gasolina ao longo dos próximos meses, caso seja necessário.
Segundo ele, o consumo de combustíveis aumentou, em média, 4,5% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período no ano passado. Ele não soube dizer o porcentual de elevação da demanda de gasolina, mas disse que está num ritmo bastante aquecido. O Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis já estima uma queda de 40% no consumo do etanol no período, porcentual que migrou para o consumo de gasolina.
Costa afirmou que o preço da gasolina negociada no mercado internacional "foi bastante razoável". "Os preços da gasolina não estão muito aquecidos e não divergiram muito em relação ao Brasil", disse Costa.
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, disse que a diferença entre o preço cobrado pela estatal no mercado interno e no internacional está na faixa de 15%, ou seja, o consumidor brasileiro estaria pagando 15% a menos pelo litro de gasolina do que o consumidor norte-americano, mercado em que o cálculo se baseia.

Ribeirão Preto segura Agrishow

Acordo a ser assinado na próxima edição, em maio, encerra novela de levar a feira para São Carlos
24 de Março de 2011 às 19:12
Do 247, com informações da AE – A edição deste ano da Agrishow será marcada pela definição da permanência da feira em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, pelos próximos 30 anos. O acordo de cessão da área do Estado aos organizadores da maior feira da América Latina será assinado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) durante a edição de 2011, que acontece entre 2 e 6 de maio.
O acordo encerra a novela, que incluiu a ameaça da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), acionista majoritária da Agrishow, de levar a feira para São Carlos. Havia obstáculos para ceder, à Agrishow, a área onde funciona o centro de pesquisas de cana do governo paulista. Com um novo plano diretor e a separação das áreas de pesquisa e de feira, um protocolo de entendimentos foi assinado no ano passado para a permanência por 30 anos da feira no local, acordo que será formalizado este ano.
A certeza do acordo é tanta que grandes fabricantes de tratores e máquinas, como a John Deere, já realizam obras de alvenaria em seus espaços reservados para estandes e áreas de exposição, no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste, na cidade paulista. “Acertamos os últimos detalhes e o governador virá formalizar a cessão do acordo”, disse José Danghesi, gerente geral da Agrishow Ribeirão Preto.
A edição de 2011 terá uma área de exposição 15% superior à de 2010, e saltará de 160 mil para 185 mil metros quadrados. Serão 765 expositores, de 50 países, ante 730 empresas no ano passado, com 38 novas empresas nacionais e 22 estrangeiras. “É claro que perdemos algumas empresas, por isso o número total não cresceu proporcionalmente ao das novas empresas”, disse Danghesi. Já o número de visitantes deve subir de 142 mil para 145 mil entre os períodos.
Os organizadores da Agrishow evitam falar em previsão de vendas, mas avaliam que o total de R$ 1,15 bilhão em negócios intermediados pelos bancos em 2010 deva ser superado neste ano. “O cenário é positivo para a agricultura e achamos que esse número será maior, mas é muito chute fazer qualquer previsão”, explicou o gerente do evento.
Durante a apresentação da feira deste ano, os organizadores da Agrishow divulgaram pesquisa feita no ano passado que apontou 85% dos expositores e 97% dos visitantes satisfeitos com o evento. O levantamento mostrou ainda que 71% dos visitantes participavam do processo de compras, o que reforça, de acordo com os organizadores, o caráter de feira de negócios da Agrishow.
Além da exposição, a feira terá 800 demonstrações de campo das máquinas, em uma área de 100 hectares. A área total da Agrishow é de 360 mil metros quadrados.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Os desafios para o crescimento do etanol

JOSÉ CARLOS GRUBISICH
ESPECIAL PARA A FOLHA
Depois de dobrar de tamanho em menos de uma década, o setor de bioenergia brasileiro tem perspectivas para os próximos anos que dividem opiniões e geram muitas expectativas.
A safra que começa em abril de 2011 evidenciará os benefícios das consolidações e investimentos ocorridos em 2010, mas trará também os desafios que o setor precisa superar para atender o crescimento consistente da demanda no curto, no médio e no longo prazos.

Desde 2009, o etanol é mais consumido que a gasolina nos carros flex brasileiros, consumo que deve ser impulsionado pelas motos flex, lançadas em 2010.

Mas na última safra notou-se, pelo segundo ano consecutivo, um forte equilíbrio entre oferta e demanda pelo biocombustível, gerando preocupações em relação ao abastecimento ao longo da entressafra e aumento de preço para o consumo regular nesse período.

Estima-se que o consumo de etanol no mercado doméstico brasileiro deva dobrar até o fim da década, ultrapassando os 60 bilhões de litros.

O setor de bioenergia também precisará responder aos sinais positivos dos mercados internacionais.
 A busca por fontes limpas de energia abrirá mercados e o Brasil deve liderar a internacionalização da produção.
Só nos Estados Unidos, o mandado federal do Padrão de Combustível Renovável (RFS-2) garante, até o final desta década, demanda anual de 80 bilhões de litros de combustíveis avançados, como o etanol brasileiro.

Os recentes movimentos de consolidação são importantes para o setor, melhoram a competitividade e o potencial de rentabilidade, mas não trarão soluções no que diz respeito ao aumento de produção.

É necessária a criação de um novo programa de investimentos para elevar rapidamente a capacidade produtiva brasileira.
Isso ocorrerá por meio da expansão da área plantada -o plantio de cana-de-açúcar ocupa apenas 1,5% das terras aráveis do país atualmente- e da implantação de novas unidades agroindustriais mais competitivas e sustentáveis, que reúnam escala e tecnologia, além do processo contínuo de expansão e modernização das unidades existentes.

Os investimentos para acompanhar o aumento da demanda estão na ordem de US$ 50 bilhões.
É importante a definição de uma política de longo prazo que assegure o adequado retorno sobre o capital investido, maior visibilidade sobre a definição de preços dos combustíveis líquidos no Brasil e o aumento da competitividade dos custos de produção do etanol.
As perspectivas futuras do setor são positivas.

O crescimento da demanda e as mudanças em andamento no modelo de negócios do setor exigirão mais dinamismo e capacidade de gestão.
Será necessário um grande volume de recursos e a mobilização dos agentes envolvidos para que a expansão da capacidade produtiva ocorra de forma acelerada.
Só assim o Brasil não perderá as oportunidades que se abriram a partir da consolidação do etanol como alternativa mais viável à matriz energética mundial.

JOSÉ CARLOS GRUBISICH é presidente da ETH Bioenergia

Por matéria-prima, Amyris vai ampliar aposta em parcerias

Agroenergia: Para assegurar seu suprimento de álcool, múlti poderá investir US$ 5 bi com parceiros até 2020
Melo: "Lidar com uma indústria que muda a produção de açúcar para energia, e vice-versa, será sempre um problema"

A Amyris, multinacional de biotecnologia com sede na Califórnia, planeja investir perto de US$ 5 bilhões no Brasil até 2020, junto com parceiros locais, como parte de uma estratégia para garantir o suprimento de matéria-prima num mercado que ora destina mais cana-de-açúcar para produzir álcool combustível, ora para açúcar, dependendo das condições de mercado.

"Lidar com uma indústria que muda a produção de açúcar para energia, e vice-versa, será sempre um problema", afirmou o presidente mundial da Amyris, John Melo, ao Valor. Esse é um desafios enfrentados por uma companhia de alta tecnologia que começa a construir no Brasil, a partir do zero, uma plataforma comercial para fabricar produtos como lubrificantes, combustíveis de aviação e insumos químicos para cosméticos e perfumes, entre outros.

Nas ultimas semanas, os preços do álcool combustível entraram em trajetória de alta em parte porque, em meses anteriores, usinas brasileiras decidiram priorizar a produção de açúcar, cujas cotações eram - e ainda são - muita atrativas. Para suprir a demanda interna, o Brasil chegou até a importar álcool dos Estados Unidos, e a associação que representa o segmento no país, a Unica, conclamou seus associados a produzirem mais combustível de cana.

"Precisamos construir uma indústria de energia de biomassa, algo que algumas companhias no Brasil já estão fazendo, para assegurar o acesso à cana-de-açúcar no longo prazo", afirmou Melo, da Amyris. "Vemos empresas como Cosan, São Martinho, Guarani e Coopersucar como 'amigos' com quem dividimos o interesse comum de criar o máximo valor da cana-de-açúcar."

A Amyris busca escala e baixos custos no Brasil numa aposta de que é viável usar cana-de-açúcar para substituir em escala comercial um maior número derivados de petróleo. A empresa foi fundada em 2003 por alguns professores da Universidade da Califórnia em Berkeley e, no ano passado, tornou-se uma das primeiras da geração de combustíveis alternativos a abrir o capital em bolsa nos Estados Unidos. A Amyris desenvolveu leveduras que, em vez de transformar cana em álcool, produzem hidrocarbonetos.

O modelo de negócio da Amyris é formar parcerias com empresas do segmento de álcool e açúcar, montando fábricas que produzem insumos químicos e biocombustíveis ao lado de usinas já existentes que hoje são dedicadas ao álcool e açúcar. A vantagem desse sistema, diz a Amyris, é cortar os custos dos investimentos. Segundo Melo, o conjunto de investimentos deverá chegar a valores entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões até 2020, incluindo dinheiro empregado pela Amyris e suas parceiras.

Em Pradópolis, interior de São Paulo, a empresa formou uma parceria com a usina São Martinho, com investimentos de US$ 50 milhões e início das operações previsto para 2012. Antes disso, a Amyris começa a produzir em Piracicaba, também em São Paulo, por meio de um contrato de produção assinado com a belga Biomin. Nesta semana, foi anunciado um acordo com a Paraíso Bioenergia para produzir em Brotas, outra cidade do interior paulista. A empresa também tem parcerias com Cosan, Bunge, Guarani e São Martinho para ter acesso a até 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar esmagada por ano.

Num primeiro momento, a Amyris está se dedicando a alguns segmentos mais rentáveis de produtos químicos, como os caros insumos usados na produção de cosméticos de alto luxo. Num passo seguinte, quando tiver mais escala e os custos de produção forem menores, a empresa vai entrar no mercado de biocombustíveis, como biodiesel e bioquerosene de avião, e de química geral.

Governo quer novos fundos para inovação

Empresas das áreas automobilística, financeira, de construção e de mineração terão de contribuir com parte do faturamento

Objetivo do governo é arrecadar R$ 1 bilhão; já há 16 fundos, hoje os maiores financiadores de pesquisa no país

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

O governo quer implementar ainda neste ano quatro fundos novos, com verba total na casa do R$ 1 bilhão, para impulsionar a inovação tecnológica no país. Para isso, terá de mexer na tributação de algumas empresas.


Segundo o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), os fundos contemplarão os setores automobilístico, financeiro, de construção e de mineração.

Eles se somarão aos 16 fundos setoriais já existentes, hoje os maiores financiadores de pesquisa e desenvolvimento do país, com R$ 2,7 bilhões em 2011. E poderão ajudar o MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) a recompor em parte o orçamento deste ano, que teve R$ 610 milhões retidos.


Criados no fim do governo FHC, os fundos setoriais colocaram a pesquisa e a inovação no Brasil em novo patamar de investimento.


Seus recursos vêm de diversas fontes, desde Cides (Contribuições de Intervenção sobre Domínio Econômico) -taxas aplicadas pelo governo para investimentos em determinado setor- até parcelas de royalties ou de receita de empresas que recebem incentivos fiscais da União.


As empresas de transmissão e distribuição de energia, por exemplo, contribuem com 0,3% a 0,4% do seu faturamento para um fundo. As de petróleo pagam o equivalente a 25% da parcela da União nos royalties.


Eles partem do princípio de que o dinheiro, se deixado na mão das empresas, nem sempre é investido em pesquisa e desenvolvimento.
Com os fundos setoriais, as empresas são estimuladas a fazer pesquisa. Outra parcela é usada para financiar ciência em universidades.


VAI E VOLTA
O dinheiro pago aos fundos acaba voltando para as empresas. Um dos editais do fundo setorial do petróleo bancou o desenvolvimento de empresas que produzem equipamentos para o setor.


"Não há reclamação das empresas. E elas entendem que têm retorno importante para o processo delas", disse o secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luís Antônio Elias.


Segundo Mercadante, um dos novos fundos em estudo, o da construção, foi solicitação do próprio setor ao MCT. Os outros são "prerrogativa de governo", diz Elias.


Os fundos poderão ser usados para desenvolver softwares, no caso do sistema financeiro, e para pesquisas em novos materiais e construção "verde". Ou, até mesmo, no caso da indústria automobilística, para a criação de uma marca nacional.
A Anfavea (associação das montadoras) disse que a inovação é uma de suas "bandeiras", mas não comentou a proposta do governo.


O pesquisador Luiz Eugênio Mello, diretor do Instituto Tecnológico Vale, diz que a criação de fundos setoriais pode ser positiva.

Percentual de álcool na gasolina deve ter redução

Objetivo do governo é minimizar os efeitos da alta do etanol na inflação

Fim da entressafra deve acontecer em abril; aumento da importação de combustível também está sendo estudado

O governo estuda reduzir o percentual de álcool combustível que é misturado à gasolina para tentar minimizar efeitos na inflação.


O preço do álcool subiu nos últimos meses e, como o produto é misturado à gasolina, encarece o derivado do petróleo, cujo preço é determinado pela Petrobras.
O objetivo da redução da mistura é evitar que a inflação saia da meta. Nos últimos 12 meses, a alta é de 6,01%. O centro da meta é de 4,50%, com uma banda variável de dois pontos percentuais.


A gasolina é o segundo subitem mais importante do índice oficial de inflação. No primeiro bimestre, o combustível ficou 1,13% mais caro, segundo o IBGE.
Em São Paulo, o litro da gasolina subiu 2,2% nas últimas quatro semanas, segundo a ANP. O álcool, 10%.


A gasolina vendida nos postos tem mistura de 25% do combustível renovável.


Há uma corrente dentro do governo que quer aguardar o fim da entressafra da produção de álcool, entre abril e maio, quando a tendência é que os preços comecem a cair. Essa posição vem prevalecendo, mas a disparada do preço ligou o sinal de alerta.


Não mexer no percentual de álcool evitaria que a Petrobras ampliasse a importação de gasolina. Comprar gasolina no exterior é mais caro e impactaria no resultado da estatal, mas não na inflação.


O governo já adotou a redução da mistura algumas vezes. A última foi no ano passado, quando a concentração de álcool na gasolina caiu de 25% para 20% durante quatro meses.


A alta do preço do álcool veio mais forte neste ano devido à quebra da safra de açúcar na Índia, principal fornecedor do produto.


Produtores passaram a direcionar a colheita da cana-de-açúcar para maior aproveitamento de açúcar, diminuindo a oferta de álcool.


Segundo Paulo Miranda, presidente da Fecombustíveis, a situação só deve se normalizar a partir da segunda quinzena de abril, quando cerca de 80% das usinas voltam a operar. Para ele, uma mudança na proporção de álcool na gasolina seria muito custosa para um período tão curto de tempo.


Em reunião na semana passada, usineiros chegaram a pedir apoio do governo para facilitar a importação de álcool anidro dos EUA.


"Ampliar a importação de gasolina é mais simples, há um grande mercado no mundo, mas isso deve pressionar o lucro da Petrobras", avalia Rafael Schechtman, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

Em falta nas usinas, etanol já custa R$ 2,28

Motoristas fazem fila à espera da liberação de álcool em frente às empresas Jardest e Vale do Rosário, na região

Unica diz que 30 fábricas já iniciaram a moagem da cana para para controlar os estoques até abril

Edson Silva/Folhapress

Caminhoneiros aguardam, em frente à usina Vale do Rosário, em Morro Agudo, a liberação de etanol para o transporte até distribuidoras de Paulínia

VENCESLAU BORLINA FILHO
EDSON SILVA
DE RIBEIRÃO PRETO

A escassez acentuada de etanol na entressafra da cana-de-açúcar tem gerado filas de caminhões nas usinas que ainda têm o produto para vender. Nos postos de combustíveis da região de Ribeirão -maior polo produtor do país-, o preço já chegou a R$ 2,28 o litro.
Após altas seguidas no valor do produto, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) divulgou ontem que 30 usinas da região centro-sul do país anteciparam a produção para controlar os estoques até o início da nova safra, no final de de abril.
Já nas usinas, o etanol é vendido às distrib
uidoras por até R$ 2,03 o litro -recorde das últimas semanas.
Apesar disso, o Sincopetro (sindicato que representa os postos) diz que o preço não deve subir mais. "Não acredito [nisso] porque o álcool acabou nas usinas", disse o presidente regional da entidade, Oswaldo Manaia.

Na fila de caminhões verificadas ontem em algumas usinas da região de Ribeirão, os motoristas aguardam abastecimento para transporte desde segunda-feira.

Numa delas, a Jardest, do grupo Louis Dreyfus, em Jardinópolis, ao menos 30 caminhões aguardavam o abastecimento ontem. Na Vale do Rosário, em Morro Agudo, do mesmo grupo, havia 50 caminhões à espera.

O supervisor da transportadora Transac, Marcelo Dalar, 25, disse que pelo menos seis motoristas estavam à espera de abastecimento na Jardest ontem -um deles desde segunda-feira.

Dalar transporta o combustível para Paulínia para a Ipiranga. De lá, o combustível é comercializado para os postos de combustíveis de boa parte do Estado.
O encarregado de operações da transportadora Veronese, Ricardo Jonas, 27, afirmou que na semana passada um caminhão da empresa permaneceu por 36 horas na Usina Colorado, em Guaíra, à espera de abastecimento.

Na São Francisco, do grupo Balbo, em Sertãozinho, a moagem só será iniciada em 2 de maio, segundo o diretor da unidade, Jairo Balbo.
Atualmente, a unidade dispõe de 1 milhão de litros de etanol hidratado, o que é pouco, segundo Balbo.

"O preço chegou onde chegou porque não há oferta e o governo não faz o que tem de fazer, que é a regulação no setor", disse.

O grupo Louis Dreyfus informou, por meio de sua assessoria, que as filas ocorrem por causa da concentração do combustível nas unidades e que será adotado três turnos (24 horas) para carregamento dos caminhões.

ETH expande iniciativas sociais em municípios carentes

ETH expande iniciativas sociais em municípios carentes

Carla Pires, responsável pelo programa na ETH: "Processo demora mais de um ano para dar resultado"

Collapse Estratégia de gigante do mercado sucroalcooleiro é expandir negócios para o Centro-Oeste e, ao mesmo tempo, incentivar programas socioambientais na região.

Boas perspectivas rondam municípios situados na região da tríplice divisa entre os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde está situado o quarto polo produtor de etanol e energia elétrica da ETH Bioenergia.

De olho na expansão dos seus negócios no mercado nacional e internacional, a ETH inaugura na região um projeto de desenvolvimento futuro cujo objetivo é dar sustentação a seus empreendimentos.

Pertencente à leva de empresas que fizeram forte aposta no segmento sucroalcooleiro, a ETH, empresa controlada pela Odebrecht, investe em tecnologia e capacitação de pessoas em municípios que demandam infraestrutura em quase tudo: saúde, educação, saneamento, qualidade de vida.

Com um aporte de R$ 3,5 milhões em colheita mecanizada e equipamentos modernos, ela não pode correr o risco de adotar a mesma prática das velhas usinas de açúcar que protagonizaram a história do Brasil no passado: utilizar mão de obra barata, sem especialização, sem raízes nas cidades isoladas. Daí a criação do programa Energia Social.

A empresa importou o programa de suas outras unidades, situadas no Pontal do Paranapanema. Em todos esses locais, ele é destinado a fortalecer os laços nas comunidades por meio de incentivo à participação das pessoas e das organizações em projetos que a própria sociedade considera importantes para o seu desenvolvimento.

Participação comunitária

O foco de atuação é aquele que as comunidades são mais carentes: educação, cultura, atividades produtivas e saúde, segurança e preservação ambiental. "Cada município desenvolve seus projetos de acordo com as necessidades", afirma Carla Pires, diretora responsável pela área de sustentabilidade da ETH.

É assim que são identificados problemas crônicos como a falta de perspectiva e emprego dos jovens, deficiência de saneamento e tratamento de resíduos, escolas adequadas, tratamento médico. "Nosso papel é identificar junto com a população as deficiências do local, fazer as escolhas para juntos construirmos alguma coisa que seja sustentável ao longo do tempo."

Na semana passada, a ETH inaugurou oficialmente o programa no município de Mineiros, onde desde agosto funciona a unidade de produção Morro Vermelho. Antes disso, porém, o Energia Social já havia entrado no município, que trocou as pastagens do passado pela agricultura da cana e necessita urgentemente de mão de obra capacitada.

Foram escolhidos o conselho comunitário e os grupos de trabalho responsáveis pela avaliação, seleção e proposição dos projetos. "É um processo que demora mais de um ano para dar resultado", afirma Carla Pires.

Ela explica que a empresa optou por criar uma parceria com o Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental 5 Elementos, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) com atuação em políticas públicas de pequenas comunidades destinadas a promover a cultura de sustentabilidade.

"A possibilidade de participar de projetos relacionados à questão da água, esgoto, lixo ainda não faz parte da cultura da população", afirma a coordenadora da 5 Elementos, Mônica Borba.

"Nós estamos invertendo a lógica, dando oportunidade para as pessoas se manifestarem para que elas mesmas busquem a solução para seus problemas."



quinta-feira, 24 de março de 2011

Alta do etanol derruba consumo em 40%

Álcool sobe 22% desde novembro; em São Paulo, principal centro produtor, alguns postos vendem o litro a R$ 2,30

Reação da demanda foi mais tardia neste ano; apesar da migração do consumo, preço só deve cair a partir de maio

TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO

O consumidor responde à disparada dos preços do álcool. Na semana passada, as vendas pelas distribuidoras caíram 40% no país, em relação à média semanal de janeiro e fevereiro, de cerca de 160 milhões de litros.
Os dados, referentes a 60% do mercado, são do Sindicom (sindicato dos distribuidores de combustíveis).
A menor demanda também chegou aos postos de combustíveis. Segundo o presidente do Sincopetro (sindicato dos postos de São Paulo), José Alberto Gouveia, entre 36% e 40% do consumo de etanol passou para a gasolina na última semana.
A retração em março ocorre após relativa estabilidade em fevereiro. Em janeiro, as vendas de etanol caíram 26% ante dezembro, mas o menor volume foi insuficiente para equilibrar o mercado.
Os preços continuaram a subir em março e o valor médio do litro atingiu R$ 2,07 na semana encerrada no último sábado, alta de 9% ante fevereiro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).
Do início da entressafra, em novembro, até a semana passada, os preços do álcool subiram 22% no país. Em São Paulo, berço do setor, o consumidor já encontra o litro a R$ 2,30 em alguns postos.
REAÇÃO TARDIANos períodos de entressafra, marcados por queda na oferta de álcool, a demanda historicamente cai. Neste ano, a reação foi mais tardia.
Para o consumidor, compensa abastecer com álcool se o seu preço for igual ou inferior a 70% do valor da gasolina. "Na maior parte dos Estados, essa relação foi ultrapassada e o consumo se manteve aquecido, o que surpreendeu", diz Alívio Vaz, presidente do Sindicom.
A Unica (associação dos produtores) afirma que o movimento atípico deve-se ao aumento do poder aquisitivo. "Todos erraram em planejamento de demanda. A economia está em outro patamar, e a reação à menor oferta foi, de fato, tardia", diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da associação.
Com a recente queda na demanda, a consultoria Datagro quase dobrou a sua estimativa para os estoques de etanol no prazo de um mês. Agora, a previsão é de 1 bilhão de litros, equivalentes a 20 dias de consumo.
No entanto, os preços devem continuar altos até maio. "Os preços só vão voltar com a combinação de redução da demanda e oferta da nova safra", diz Pádua. A partir da segunda quinzena de abril, segundo ele, cerca de 50% a 60% das usinas estarão em produção.
O fato é que desde a crise de 2008 houve poucos investimentos em aumento de capacidade e a oferta de álcool não acompanha o ritmo de crescimento da demanda.
Na última safra, a oferta aumentou 2,7 bilhões de litros. "Mas isso ficou muito aquém da demanda", diz Pádua. "Não conseguimos responder à velocidade da demanda com a mesma agilidade", completa o secretário de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone.

Consumo de carro flex é igual ao do movido a gasolina

Vale a pena abastecer o carro flex com álcool quando ele custa até 70% do preço da gasolina. Hoje, em todos os Estados, com exceção de Mato Grosso, o derivado do petróleo é mais favorável para o bolso.
Do ponto de vista técnico, essa migração não prejudica o rendimento do veículo. O consumo médio de gasolina de um carro flex é praticamente o mesmo de um automóvel que só roda com esse combustível, segundo especialistas.
"É até melhor no caso do flex, que tem uma taxa de compressão maior, o que melhora o rendimento do motor", afirma Renato Romio, diretor da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia.
Já Roberto Bortolussi, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da FEI, diz que o rendimento depende da forma de utilização do veículo. Nos primeiros dez minutos de uso, o motor flex trabalha frio e o sistema de injeção coloca muito mais combustível, afirma o especialista.