quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cerradinho prepara-se para nova onda de investimentos

Agroenergia: Com caixa após operação com Noble, empresa aposta em GO

Fabiana Batista | De São Paulo
22/12/2010
Sérgio Zacchi


João Nogueira Batista, conselheiro da Cerradinho, diz que plano é investir R$ 1,38 bilhão em horizonte de sete anos.
Após vender suas duas usinas paulistas para a trading asiática Noble Grouppor R$ 600 milhões mais repasse de R$ 1 bilhão em dívidas, a Cerradinho Holdingse prepara para retomar os investimentos iniciados antes da crise, entre 2006 e 2007, na produção de etanol e de energia em sua unidade no Centro-Oeste do Brasil.
Já em 2011, quando estará menos endividada e com dinheiro em caixa, a empresa pretende tirar da gaveta dois projetos estratégicos para a nova fronteira da cana e, com eles, retornar aos mesmos patamares de ativos anteriores à venda para a trading asiática.
O plano, explica João Nogueira Batista, conselheiro da Cerradinho Holding, é investir R$ 1,38 bilhão em um horizonte de sete anos. O primeiro passo é ampliar a capacidade da usina já em operação, a Unidade Porto das Águas, localizada na cidade goiana de Chapadão do Céu. O segundo, mais no médio prazo, é construir na mesma localidade uma nova usina a partir do zero.
"O 'business plan', que deve ser financiado em 60% com recursos de terceiros, inclui ainda aportes de R$ 230 milhões em manutenção da operação ao longo desses sete anos", acrescenta Nogueira. No plano final, o complexo goiano deverá atingir na safra 2017/18 uma capacidade de moagem de cana de 9,6 milhões de toneladas.
A ideia é dar início ao projeto já em 2011 com a expansão da Porto das Águas para 4,8 milhões de toneladas de capacidade, ante as atuais 3,3 milhões de toneladas. Inaugurada em 2009, essa usina deve receber investimentos de cerca de R$ 200 milhões para operar com capacidade total em 2014/15.
"São investimentos muito competitivos, pois aplica-se pouco recurso para o aumento de capacidade. O valor, que contempla os projetos industrial e agrícola, pode ainda ser reduzido se for usada cana-de-açúcar de terceiros", diz Nogueira.
O executivo, que liderou o processo de venda da Cerradinho nos últimos 12 meses - incluindo a virada nas negociações da BPpara a Noble - afirma que a segunda fase da expansão será a construção de uma outra unidade, que também estava na gaveta.
A futura planta, que já tem terreno próprio, deve demandar aportes de R$ 950 milhões para processar 4,8 milhões de toneladas de cana. O plano inicial é começar sua construção em 2015/16 e concluir em 2017/18. Os dois projetos contemplarão cogeração de energia com bagaço de cana. A usina Porto das Águas (GO) já tem capacidade para cogerar 70 megawatts hora (MWh)de energia e, com a ampliação vai para 120 MWh. O novo greenfield vai elevar essa produção para 240 MWh.
Nogueira explica que a ideia de investir no Centro-Oeste já existia por parte da Cerradinho, mas a condição para retomar esse projeto só foi criada agora. A empresa tinha três usinas sucroalcooleiras e uma dívida de R$ 1,3 bilhão. Após negociações de quase seis meses com a BP (ex-British Petroleum) para vender 50% das três unidades, a empresa resolveu, em três a quatro dias, fechar o negócio com a trading de Hong Kong, que praticamente dobrou sua participação em processamento de cana.
Além da usina Porto das Águas, também ficou de fora da operação com a Noble o terminal de transbordo ferroviário Porto das Águas.
Fonte: Valor OnLine.

Guaricanga aprova plano de recuperação


Mauro Zanatta | De Brasília
22/12/2010

A Destilaria Guaricanga, usina com sede em Presidente Alves (SP), conseguiu a aprovação dos principais credores ao seu plano de recuperação judicial.
A assembleia geral de credores, ocorrida na última sexta em Pirajuí, obteve um acordo global para renegociar R$ 61 milhões do passivo do grupo, controlado pela família do falecido deputado João Herrmann Neto. Desde agosto em recuperação judicial, a empresa estava com todas as ações de execução suspensas. A aprovação permitirá a venda de ativos da Guaricanga. Os sócios devem iniciar nesta semana as negociações com outras duas usinas, uma delas recém-saída da recuperação judicial, para a venda das instalações industriais e de parte das lavouras de cana.
"Vamos sentar para analisar as propostas pela empresa", diz o advogado Euclides Ribeiro Júnior, da ERS Consultoria. "A Guaricanga precisa de R$ 70 milhões em investimentos para voltar a produzir. Mas ela vale mais de R$ 110 milhões hoje". A aprovação dos credores prevê uma "cláusula de validade" até 15 de abril de 2012 para o caso de haver a venda da destilaria.
O acordo obteve a quase unanimidade dos credores. "Aprovamos com 99,8%. Foi algo inédito", segundo o advogado. Apenas um produtor deixou de avalizar o texto. A venda de uma fazenda será destinada a saldar os débitos trabalhistas (15%), industriais (35%) e dos produtores de cana (50%).
Pelo acordo, os produtores de cana devem receber em parcelas mensais ao longo cinco anos com um ano de carência. As distribuidoras de combustíveis deram um desconto de 33% na dívida para receber em três anos com um de carência. E parte dos 800 trabalhadores, cujo salário for limitado a R$ 2,7 mil, terão as dívidas quitadas em 40 dias após a homologação do resultado da assembleia.
A Guaricanga terá, segundo o acordo, seis meses para voltar a processar cana. Além disso, até 15 de dezembro de 2011, terá que comprovar a moagem mínima de 600 mil toneladas de cana.
Fonte: Valor On Line.

Amyris lança primeira usina de óleo verde


Fernando Teixeira | De São Paulo
22/12/2010
Claudio Belli/Valor

 
Fábio Venturelli, da São Martinho, e John Melo, da Amyris: joint venture para processar 2 milhões de toneladas de cana


A Amyris, empresa de biotecnologia com sede na Califórnia, deu início às obras da sua primeira unidade industrial no Brasil, uma usina de processamento de cana em Pradópolis (SP). Fruto de uma joint venture com o grupo nacional São Martinho, a usina terá capacidade para processar 2 milhões de toneladas de cana para fabricar farneceno, uma matéria prima que pode se transformar em plástico, borracha, detergente, querosene de aviação ou ser usada como diesel - entre outras aplicações.
Foram definidos também os planos da empresa americana para chegar a 2014 produzindo a 600 milhões de litros do derivado de cana - a maior parte em contratos de licenciamento para os grupos Cosan, Bungee Açúcar Guarani.
A joint venture entre São Martinho e Amyris foi anunciada no fim do ano passado, envolvendo um investimento de cerca de US$ 50 milhões na nova usina - que terá participação de meio a meio entre os dois grupos. A unidade deve começar a produzir no segundo trimestre de 2012 com capacidade para 20 milhões de litros, que irá subindo até atingir 100 milhões de litros em 2014 - quando então processará 2 milhões de toneladas de cana. A obra da usina foi contratada à Cnec WorleyParsons- antiga divisão de engenharia da Camargo Corrêa.
Segundo o CEO da Amyris, John Melo, pelos contratos de venda já assinados, a produção iniciada agora tem demanda garantida pelos próximos quatro anos. A Proctor & Gambledeve comprar farneceno para produzir sabões e detergentes, e aM&G, dona de uma fábrica de garrafas PET em Suape (PE), vai passar a usar a matéria-prima verde em parte da produção. A Shellestá interessada no diesel, e a petrolífera francesa Total, dona de 22% da Amyris, vai desenvolver uma linha de lubrificantes automotivos - além de ter interesse no próprio diesel.
Segundo John Melo, a demanda cresce à frente da produção, e o desafio é fazer a oferta atender a procura. Eles estão trabalhando no momento com a companhia aérea Azul e a General Eletric para produzir querosene de aviação no país. A sua previsão de longo prazo é de que o mundo pode chegar a 2020 com uma produção de químicos derivados de cana que consumirão o equivalente a 100 milhões de toneladas de cana - o que corresponderá, então, a 10% da produção da gramínea.
Segundo Fábio Venturelli, CEO da São Martinho, a sua empresa fornecerá à Amyres o caldo da cana, a matéria prima do farneceno, e ajudar a viabilizar a escala industrial da produção - a gestão da usina será compartilhada. A americana vai entrar com a tecnologia de fermentação e se responsabilizará pela comercialização .
De acordo com o CEO da Amyris, o foco inicial da produção será no farneceno para uso na indústria química, deixando a produção de combustível para uma segunda fase. Hoje, o preço de mercado do farneceno é de US$ 20 a US$ 25 o litro, mas a produção é muito pequena. Uma das poucas usinas que o fazem nos EUA o vende por US$ 50 o litro, diz o executivo. A ideia, contudo, não é vendê-lo a esse preço. Uma vez conquistada a escala, o valor tenderá a cair, abrindo espaço para sua produção para outros usos - como combustível.
Contratos de licenciamento assinados este ano devem levar duas usinas do mesmo tipo da São Martinho para a Cosan, duas para a Bunge e uma para a Guarani. A expectativa é inaugurar duas unidades por ano até 2014. 

Fonte: Valor on Line.

Um alerta sobre bolha no crédito


Alex Ribeiro | De Washington
22/12/2010


O crédito bancário cresce acima da média histórica no Brasil e isso exige que os bancos brasileiros tenham um colchão de capital maior para enfrentar incertezas e cobrir eventuais perdas quando a economia desacelerar. É o que recomenda o Comitê de Basileia em documento sobre regras prudenciais para evitar nova crise bancária mundial. O Comitê examinou o crédito nas 26 principais economias do mundo e concluiu que o Brasil é um dos países com maior aquecimento no mercado de crédito, junto com Coreia do Sul e Cingapura.
Se a recomendação do Comitê for obedecida ao pé da letra, o Brasil terá de impor uma exigência extra de capital aos bancos equivalente a 2,5% dos ativos ponderados pelo risco. Hoje, o padrão internacional é de 8% e, no Brasil, de 11%, valores que estão sendo revistos.
O documento adiciona mais um ingrediente ao debate sobre o eventual superaquecimento do mercado de crédito no Brasil, que poderia levar à criação de bolhas. Nos últimos cinco anos, o crédito bancário ao setor privado saltou de 26,6% do PIB para 45,3%.
Segundo o Comitê , cabe a cada país fazer um exame de sua realidade para determinar o volume de capital para lidar com riscos cíclicos, mas usando os cálculos do Comitê como ponto de partida. O Banco Central do Brasil entende que a metodologia do Comitê não é suficiente para analisar um mercado de crédito que passa por transformação estrutural, como o brasileiro.
O Comitê de Basileia é um organismo que cria regras para manter a solidez do sistema bancário mundial. Era um clube restrito aos países ricos até que a crise bancária levou à admissão de novos sócios, incluindo o Brasil. Nos últimos anos, a instituição discute novas regras para fortalecer o sistema bancário, conhecidas como Acordo de Basileia 3. Os acordos anteriores, Basileia 1 e Basileia 2, não foram suficientes para evitar que os bancos assumissem riscos excessivos que levaram à crise. Em geral, os bancos expandem muito o crédito quando as economias crescem e acabam negligenciando os riscos da desaceleração.
Na quinta-feira, o Comitê divulgou documento que aponta quanto o crédito em cada país está aquecido, para então determinar o capital extra que os países deverão manter para enfrentar o risco de recessão. No caso brasileiro, em 2009 o volume de crédito estava cerca de 14% do PIB acima do que era de se esperar se os empréstimos seguissem sua tendência histórica.
Fonte: Valor On Line.

Donos da Cerradinho vão receber R$ 600 milhões por usinas em SP


A venda de duas usinas do Grupo Cerradinho para a trading asiática Noble, por cerca de R$ 1,6 bilhão (US$ 950 milhões), selada no último dia 14, vai render à família Fernandes, proprietária da Cerradinho, cerca de R$ 600 milhões. 'O R$ 1 bilhão restante refere-se às dívidas destas unidades que serão assumidas pela Noble com a compra das duas usinas', informa João Nogueira, membro do Conselho de Administração da Cerradinho.
Da dívida total do Grupo Cerradinho, de R$ 1,3 bilhão, os R$ 300 milhões restantes são relativos a outros ativos não envolvidos na negociação com a Noble.
Os ativos comprados pela Noble são as duas usinas paulistas da Cerradinho - a Usina Catanduva e a Usina Potirendaba -, além da cana-de-açúcar plantada na área da usina. As terras onde a cana está plantada não entraram na negociação. As duas usinas possuem capacidade de moagem de 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A Cerradinho fica com a Usina Porto das Águas, localizada em Chapadão do Céu, em Goiás, e com a Cerradinho Floresta, responsável pela administração das terras e de outras atividades ligadas ao agronegócio.
A Noble pagou cerca de US$ 120 por tonelada de cana pelas duas usinas, um dos preços mais elevados desembolsados recentemente por ativos do setor sucroalcooleiro. As duas usinas produzem em conjunto 600 mil toneladas de açúcar e 300 milhões de litros de etanol por ano, além mais de 300 mil megawatt/hora de bioeletricidade com a queima do bagaço de cana. Segundo Nogueira, o maior preço deve-se à melhora das perspectivas de risco no médio prazo para o açúcar, que está com cotações elevadas, e também em função das sinergias esperadas pela Noble, que possui outras duas usinas a cerca de 75 quilômetros de distância das duas unidades adquiridas da Cerradinho, criando um cluster de produção.
Segundo o executivo, a dívida total do grupo já estava reestruturada com o Banco Santander para ser paga em até sete anos, com dois de carência. Agora, a Noble vai adaptar o fluxo da dívida ao seu próprio cronograma e ajustes podem ser feitos.
Busca por parceiro. Nogueira afirma que a ideia original era de encontrar um parceiro que ficasse com até 30% do grupo todo ou 50% da Usina Porto das Águas, em Goiás. 'A BP propôs uma estratégia de adquirir 50% do grupo, que levou a Cerradinho a mudar de ideia e pensar em novas formas de negociação', conta,
A negociação com a BP, no entanto, se encerrou em dezembro, com a negativa da família Fernandes. Segundo fontes do mercado, a BP teria alterado sua proposta final de compra depois de quatro meses de análises.
A negociação com a Noble aconteceu de 11 a 14 de dezembro. Como não houve tempo para a realização de uma due diligence (análise dos ativos) realizada pela Noble na Cerradinho, este processo será realizado a partir de agora, através de um 'due diligence confirmatório'. Após este período, que deve se encerrar em fevereiro próximo, o contrato final deve ser fechado. Nogueira, porém, afirma que a venda já está efetivada.
Fonte: O Estado de S. Paulo.

Sermatec Zanini lança Caldeira ZS - Zanini Sermatec® e comemora venda para exportação


A Sermatec Zanini®, tradicional fornecedora do setor sucroenergético, implantou desde junho de 2010, o departamento de engenharia  de caldeiras de alta e média pressão com profissionais altamente capacitados, liderada pelo engenheiro Guilherme Antoneli, profissional com experiência de 19 anos em geradores de vapor, responsável por mais de 150 projetos em operação. De acordo com Guilherme Antoneli os projetos das Caldeiras ZS – Zanini Sermatec® agregam as melhores concepções tecnológicas de caldeiras disponíveis no mercado.

A decisão estratégica da companhia de agregar engenharia própria  foi o fator essencial tornar a Sermatec Zanini® a única empresa da América Latina capaz de fornecer projetos chave-na-mão, ou seja, projeto (engenharia), fabricação, montagem, elétrica e automação, retrofit e repotenciamento, assistência técnica, comissionamento e posta em marcha, treinamento em operação e manutenção.
“A solução turn-key permite ao cliente maior segurança e agilidade, além  da confiabilidade e facilidade em administrar apenas um fornecedor”, pontua Antoneli.

          O lançamento das Caldeiras ZS – Zanini Sermatec®, durante a Fenasucro 2010 é resultado da união de forças de duas empresas, a Zanini - fundada há 60 anos e a Sermatec.


                                          Exportação e Vendas

          Após a feira a empresa comemora a venda da 537ª Caldeira ZS, um projeto inovador para exportação que permite a queima de dois tipos de combustíveis: bagaço da cana-de-açúcar e óleo diesel. No pacote estão inclusos serviços de partes elétricas, instrumentação e automação da caldeira.
Este fornecimento representa mais um marco na trajetória da Sermatec Zanini®, pois totaliza 50 projetos de caldeiras de média e alta pressão fornecidos para diversos países da América Central, América do Sul e África.

Outra novidade apresentada na feira foi o novo sistema de gestão praticado na empresa, o sistema de caixa por contrato, que permite ao cliente total transparência na aplicação de recursos dos contratos e têm demonstrado maior agilidade e prazos de entrega reduzidos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Noble compra por R$ 1,6 bi duas usinas da Cerradinho


Fabiana Batista | De São Paulo
16/12/2010

O Grupo Cerradinho, de Catanduva (SP), assinou na madrugada de terça-feira a venda de suas duas usinas em São Paulo para a trading Noble Group, de Hong Kong. O negócio foi considerado uma das mais surpreendentes e rápidas reviravoltas já vistas em fusões e aquisições no setor sucroalcooleiro. Pelas duas unidades - com capacidade conjunta para moer 7,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar -, a trading asiática pagou R$ 600 milhões e ainda assumiu dívida de R$ 1 bilhão.
Outros R$ 300 milhões em débitos do Grupo Cerradinho foram transferidos para a unidade industrial Porto das Águas, de Goiás, que ficará com os atuais acionistas da holding Cerradinho, a família Sanches.
A trading de Hong Kong entrou na negociação no sábado, um dia após ter acabado o prazo de exclusividade da BP. Segundo apurou o Valor, a petroleira foi descartada porque nos últimos momentos da negociação começou a pressionar por alterações nas condições já definidas em acordo.
A estrutura do negócio com a Noble começou a ser desenhada no sábado. A Cerradinho, que já não podia iniciar uma negociação da estaca zero, decidiu assumir no contrato com os asíáticos o risco de contingência passada, ou seja, a Noble realizará uma "due diligence" para confirmar a transação durante os próximos meses. Ontem, os executivos da Noble já começaram a assumir o controle da empresa e negociaram diretamente com credores da Cerradinho, durante reunião realizada em São Paulo.
Fonte: Valor On Line

Noble desbanca BP e leva Cerradinho em SP

Agroenergia: Com a aquisição, trading asiática desponta como um dos principais players do setor no Brasil

Fabiana Batista | De São Paulo
16/12/2010

O Grupo Cerradinho de açúcar e álcool, de Catanduva (SP), assinou na madrugada de segunda para terça-feira a venda de 100% de suas duas usinas de São Paulo para a trading Noble Group, de Hong Kong. O negócio significou uma das mais surpreendentes e rápidas reviravoltas já vistas em fusões e aquisições no segmento sucroalcooleiro, uma vez que até sexta-feira, dia 10, as negociações giravam exclusivamente em torno da BP (ex-British Petroleum). O Valorapurou que pelas duas unidades, a trading asiática pagou R$ 600 milhões mais assunção de dívidas de R$ 1 bilhão.
Outros R$ 300 milhões de débitos do grupo foram transferidos para a unidade industrial Porto das Águas (GO), que ficará com os atuais acionistas da holding Cerradinho, a família Sanches.
A negociação com a Noble foi uma das mais rápidas da história, segundo fontes presentes na reunião de credores realizada ontem em São Paulo. A trading de Hong Kong entrou na negociação no último sábado, um dia após ter acabado o prazo de exclusividade com a BP. Segundo apurou o Valor, a petroleira foi descartada porque nos últimos momentos da negociação começou a pressionar por alterações em condições já definidas.
A atual estrutura com a Noble começou a ser desenhada no fim de semana. A Cerradinho, que já não podia iniciar uma negociação do zero, decidiu assumir no contrato o risco de contingência passada, ou seja, a Noble ainda fará uma due diligence confirmativa nas próximas semanas. Por ter capital aberto em bolsa de valores (Cingapura), a Noble precisará aprovar formalmente a decisão no seu conselho de administração.
O negócio já foi respaldado no comitê executivo da companhia asiática. Ontem, os executivos da Noble já começaram a assumir o controle e negociaram diretamente na reunião de credores.
As três usinas do grupo somam capacidade para moer 10,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. As duas unidades paulistas que foram vendidas integralmente para a Noble têm juntas 7,6 milhões de toneladas de capacidade de cana - usina Catanduva com 4 milhões de toneladas e a Potirendaba, com 3,6 milhões de toneladas.
Com essa aquisição, a Noble desponta como um dos mais importantes players de açúcar e etanol do país. A trading já tem duas usinas em São Paulo a 75 quilômetros das usinas da Cerradinho: a Noroeste Paulista, em Sebastianópolis do Sul, e a usina Meridiano, em Votuporanga. As duas moeram juntas nesta safra cerca de 4 milhões de toneladas de cana, mas quando estiverem com capacidade plena, vão processar entre 9 e 10 milhões de toneladas.
A família Sanches, agora capitalizada com R$ 600 milhões, deve avançar em seu projeto em Goiás. A usina Porto das Águas, que fica com a família, tem capacidade para moer 3,3 milhões de toneladas.
Já a BP continua resumindo sua presença no setor à uma participação de 50% na usina Tropical, em Edea (GO), juntamente com a francesa Louis Dreyfuse o grupo Maeda(Arion Capital),.
O plano da BP era comprar 50% das três usinas da Cerradinho por R$ 800 milhões mais incorporação da dívida total, R$ 1,3 bilhão. A petroleira tinha assinado um memorando de entendimentos com o grupo paulista em agosto deste ano. Desde então, vinha sendo realizadas due diligences pela BP, processo que levou meses e o trabalho de mais de dez consultorias especializada em auditoria.
Mas a pressão por alterar condições na última hora fez a Cerradinho partir para o plano "B". Há ainda informações de que houve interferência permanente da cúpula da BP de Londres, o que teria causado também uma "perda de controle" por parte dos executivos no Brasil. Procurada, a BP informou por sua assessoria que não comenta especulações. O grupo Cerradinho e a Noble foram procurados, mas também não comentaram.

Fonte: Valor On Line

Venda de combustíveis deve bater recorde no ano


Juliana Ennes | Do Rio
16/12/2010

A venda de combustíveis no país deve bater recorde em 2010. De acordo com estimativa realizada pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o volume de combustíveis que saem de distribuidoras deve chegar a 108 bilhões de litros, um crescimento de 9,5% sobre o registrado no ano passado. Foi a primeira vez que as vendas passaram dos 100 bilhões de litros. A expectativa, no entanto, é de que no ano que vem as vendas não mantenham o mesmo ritmo de crescimento, de acordo com o vice-presidente do Sindicom, Alísio Vaz.
A maior parte dos 108 bilhões de litros vendidos foi de diesel, que teve recorde de vendas, representando 45,9% do total. O aumento do diesel em relação ao ano anterior foi de 12,2%.
A gasolina, cujas vendas também bateram recorde, representou 27,9% do total. Já o etanol hidratado, que já havia registrado recorde no ano passado, representou 13,7% do total de combustíveis. O GNV representou 1,9% do total, após queda das vendas de 4,2%.
Fonte: Valor On Line

Noble Group paga US$ 1 bilhão por usinas da Cerradinho em São Paulo


Grupo de Hong Kong disputou os ativos da Cerradinho com a britânica BP e a brasileira Cosan; aquisição marca mais um avanço das empresas estrangeiras no setor
15 de dezembro de 2010 | 23h 00


Melina Costa, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Foi fechado na madrugada de quarta-feira um acordo para a venda da operação de São Paulo da empresa de açúcar e álcool Cerradinho para o Noble Group, um dos maiores negociantes de commodities do mundo, com sede em Hong Kong. O valor do negócio, entre aporte de dinheiro e assunção de dívida, ficou em quase US$ 1 bilhão. Procuradas pelo Estado, as empresas não se manifestaram.
Oficialmente, o acordo ainda precisa passar pela aprovação dos conselhos de administração tanto da Noble como da Cerradinho, o que deve acontecer no início da próxima semana. A chance de o negócio não ser aprovado nessas reuniões, porém, é pequena. O conselho da Cerradinho é formado, basicamente, por integrantes da família Fernandes, os controladores da empresa que já assinaram o acordo com a Noble. No caso da companhia de Hong Kong, um dos comitês do conselho já deu sua aprovação preliminar. Na tarde de ontem, executivos da Cerradinho entraram em contato com os credores da empresa para comunicar o desfecho do negócio.
De acordo com o que foi acertado, o Noble Group ficará com duas usinas em São Paulo, nos municípios de Catanduva e Potirendaba. A capacidade de moagem conjunta é de 8 milhões de toneladas de cana de açúcar por ano. As unidades também utilizam o bagaço de cana em um processo de cogeração de energia.
A usina Porto das Águas, no município de Chapadão do Céu, em Goiás, com capacidade de moagem de 3,3 milhões de toneladas por ano, continuará sob o controle dos Fernandes. As terras onde estão as plantações de cana que abastecem as usinas de São Paulo também continuam como propriedade da família.
Histórico
A Cerradinho procura um sócio desde o início do ano. Durante os últimos quatro meses, a empresa negociou apenas com a British Petroleum (BP) na intenção de formar uma joint venture. Mas, na última sexta-feira, assim que o prazo de exclusividade se encerrou, novos competidores entraram na disputa. As conversas com a Cosan, líder no setor sucroalcooleiro, e com o Noble Group começaram já no final de semana.
Até a noite de quarta, a família Fernandes ainda analisava três possibilidades. A primeira era a venda de 50% do capital da Cerradinho para a BP, a segunda era a venda de 100% do capital para a Cosan e a terceira era a proposta de venda da operação do Estado de São Paulo para o Noble Group. Essa última alternativa foi a que mais agradou à matriarca dos Fernandes, já que a família mantém sua participação no setor sucroalcooleiro. E, ao contrário do que aconteceu com a BP, as negociações foram rápidas. O contrato vinculante de venda das usinas foi assinado perto da 1 hora da manhã.
Queda e ascensão
Depois de enfrentar problemas durante a crise financeira global, o setor sucroalcooleiro tem atraído uma série de investidores estrangeiros. No início do mês, a trading suíça Glencore adquiriu o controle da usina Rio Vermelho. A Bunge adquiriu a Moema e a Louis Dreyfus Commodities entrou na Santelisa Vale.
Além das tradings, os grupos de petróleo também aumentaram sua participação. A Shell criou uma gigante ao se associar com a Cosan, a BP tem uma participação da usina Tropical e a Petrobrás se associou à francesa Tereos (Guarani) e à São Martinho. Como parte do mesmo movimento, a indiana Shree Renuka Sugars, produtora de açúcar, comprou a Vale do Ivaí e parte da Equipav e agora negocia a compra da usina da Cooperativa Agroindustrial Corol, no Paraná.
Diversificação
Em 2007, 0 Noble Group escolheu o Brasil como destino prioritário de recursos. Com receita superior a US$ 30 bilhões, o grupo tem diversificado sua atuação no País por meio de investimentos nas áreas de combustíveis e logística. Em outubro, a companhia inaugurou um terminal de exportação de açúcar e grãos no Porto de Santos.
Entre seus investimentos no grupo no País estão usinas de álcool em São Paulo, uma processadora de café em Minas Gerais e armazéns nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul. A empresa atualmente constrói uma esmagadora de soja para produção de biodiesel em Mato Grosso, que deverá entrar em operação em 2012.
Fonte: O Estado de S. Paulo