sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A primeira ilusão de Dilma


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Presidente eleita quer barrar "guerra cambial" no G20,
mas nenhum país grande está a fim de acordo sério
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DILMA ROUSSEFF e Lula fizeram ontem um dueto contra a "guerra cambial". "Guerra cambial" é o nome que tem se dado às supostas tentativas de cada país de fazer com que sua moeda tenha tal ou qual valor, de modo a angariar vantagens econômicas ou de "evitar desequilíbrio econômico mundial".
Com a "guerra cambial" se procura obter vantagem comercial, em tese. Moedas desvalorizadas barateiam os produtos, tudo o mais constante; o país da moeda mais fraca exporta mais, importa menos. Mas a história é muito mais enrolada.
Dilma e Lula dizem que vão à reunião do G20 a fim de conseguir um acordo que atenue a "guerra cambial". Disseram tal coisa horas antes de os EUA reafirmarem a sua política econômica de crise, um dos epicentros da "guerra cambial".
O banco central dos EUA, o Fed, anunciou que vai "imprimir" mais US$ 600 bilhões entre este mês e junho de 2011. Na verdade, o Fed vai comprar títulos da dívida do governo norte-americano, de médio e longo prazos, ora no mercado. Inunda o mercado de dinheiro e, em tese, os juros baixam um tico, o que talvez reduza o custo de financiamento de casas e o de investir em novos negócios. O Fed faz tal coisa porque a "taxa básica" de juros de curto prazo, a mais importante em tempos "normais", está no zero.
Parte da dinheirama ficará nos bancos, por falta de interesse de emprestar ou de tomar emprestado: famílias estão quebradas, há desemprego. Parte do tutu vai procurar rentabilidade: ouro, commodities (comida, metais), ações e ativos de países emergentes, como o Brasil.
Tal excesso de dólares valoriza as moedas de emergentes que não conseguem conter o processo (por falta de poupança, por falta de meios ou vontade de "manipular" o câmbio). De qualquer modo, todos os emergentes compram dólares, na tentativa de evitar valorização excessiva.
O que fazem com esses dólares? Compram títulos emitidos pelo deficitário governo americano. Em suma, o Fed e os emergentes financiam o deficit do governo dos EUA, de resto baixando a taxa de juros em dólar: o Fed "imprime" dinheiro; os emergentes mandam sua poupança para os EUA, em parte poupança "forçada", feita com o objetivo de evitar a valorização de suas moedas. Alguns dos países, emergentes em especial, têm tais excedentes porque poupam muito (consomem pouco): a China é o exemplo maior.
O Brasil não tem excedente. Faz dívida para acumular reservas, para comprar dólares e evitar alta ainda maior do real. A diferença de juros entre mundo rico, EUA em especial, e emergentes, Brasil em particular, direciona ainda mais dólares para cá, o que dá ainda mais impulso à valorização do real.
Ninguém quer bulir com seus interesses. A China quer ainda poupar e investir muito. Anuncia uma transição para mais consumo e yuan mais forte, mas isso vai levar tempo. Os EUA vão despejar dinheiro no mundo até 2012, ao menos. A Alemanha diz que exporta muito porque poupa e é eficiente; não quer lições de países endividados. O Japão fica na moita da Alemanha, criticada pela França. O Brasil apanha devido às atitudes dos EUA e da China. A Índia não pode colaborar. O Leste da Ásia pega carona na China. A "guerra cambial" é, na verdade, um sistema de desequilíbrio. O Brasil vai ter de se virar sozinho nessa.


Fonte: Folha On Line

Setor de energia importa da China para fugir de preço alto


     Na busca por redução de custos para geração de energia, dada a queda do preço final do megawatt, cresce o número de empresas que estudam a importação de equipamentos da China.
Empresários do setor reclamam do preço cobrado por fabricantes nacionais.
A Itacá Energia, que gera e comercializa energia, além de fazer equipamentos de média tensão, tornou-se sócia de um empresário chinês e passou a importar máquinas daquele país.
"Sempre utilizei equipamentos nacionais, mas em setembro passado nacionalizei a primeira turbina hidráulica para geração de energia da China", conta Carlos Sampaio, sócio-diretor da Itacá Energia. "É a primeira turbina chinesa no Brasil", diz ele.
     De olho no mercado crescente, o engenheiro já encomendou outras 22 turbinas do fabricante chinês ao qual se associou.
     "Já são 37 as empresas que nos procuraram para cotar preços, interessadas em importar também", diz Sampaio. O valor das turbinas varia conforme o tamanho, de R$ 700 mil a R$ 12 milhões.
     A empresa importou também um conjunto gerador para eólicas que, segundo Sampaio, também é inédito no mercado brasileiro.
     "O custo da turbina chinesa é 170% menor que a nacional e o preço do conjunto eólico é 120% inferior ao similar nacional, sendo que a qualidade é muito superior. Isso viabiliza empreendimentos, mesmo com os preços dos últimos leilões", afirma.

Fonte: Folha On Line

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Opiniões do presidente da Sermatec na revista inglesa Emerging Markets.


BRAZILIAN COMPANIES IN AFRICA

BRAZIL STEPS UP THE PACE IN AFRICA
China has been boosting its economic presence in Africa for more than a decade and India has
not been far behind as an investor in the sub-continent. Now Brazil is the latest emerging economic
powerhouse to try and stamp its mark on Africa. However, in contrast with China, it is Brazil’s private
sector that is breaking ground mostly by itself in countries such as Sudan and Angola. The
expectation is that cultural affinities, technological ability and, hopefully, maybe a little push from
the government in form of favourable credit lines, will help Brazilian firms to carve themselves a
larger space in one of the fastest growing regions of the world. Rodrigo Amaral reports.

 
STRENGTHENING COMMERCIAL LINKS with Africa has been a diplomatic priority for the government of president Luiz Inacio Lula da Silva.
Trade with the region has been on the rise in the past two decades. Since Lula came to power, in 2003, exports to African nations increased fourfold to $10.2bn by the end of 2008. The global economic crisis made a dent in the country’s performance last year, but volumes look to be recovering again. In 1989, Brazilian exports to Africa, excluding Middle Eastern countries, amounted to less
than $1bn. In 2010 meantime, the same benchmark was breached in the first two months of the year. Trade in the other direction has increased even more steeply. In 1989, Brazil imported less than $600m of African products; last year, the volume was $8.5bn
Even if the raw numbers look impressive, there is a feeling among many Brazilian companies that much more can be done to take Advantage of the rapid development of Africa, as the share of Brazilian exports represented by sales to Africa still amounts to less than
6% of the country’s overseas sales. Big Brazilian multinationals like Petrobras (oil), Vale (mining) and Odebrecht (construction) have for some time added Africa to their range of international operations. Now however, even smaller companies are beginning to engage in their own African adventures.
 One sector where interest has been greatest is agribusiness. Brazil has transformed itself into a major agriculture power over the past two decades and companies have identified conditions in Africa to replicate some of their successful experiences at home. For instance, in April this year, Grupo Pinesso, a large agriculture conglomerate based in the farming state of Mato Grosso, announced it would begin producing soy beans and cotton in Sudan. The deal is based on a partnership with Agadi, a Sudanese company, and stipulates that the Brazilians will oversee the cultivation of 400 hectares of cotton and 100 hectares of soy beans, while providing technical expertise and the latest technologies.
 The end goal is more ambitious: to invest $200m over four years to spread cultivation over a total of 100,000 hectares. Net profits are to be shared between the two companies. Grupo Pinesso has announced plans to take part in a similar project in Ethiopia too.

Two facets of doing business

 The project reflects two facets of doing business in Africa. On the one hand, it is necessary to rebuild capacity lost over decades of mismanagement or war.
 On the other, there is the opportunity to find new areas of cultivation where African countries can excel. While Sudan, for instance, had a long history of cotton cultivation which degraded over the years through neglect and mismanagement, an opportunity now exists to change to soya cultivation, as production costs are projected to be only half those in Brazil. “The Sudanese had never planted soy beans before,” says Paulo Hegg, a foreign trade consultant based in São Paulo who helped to develop the contacts between the Brazilians and the Sudanese. Hegg thinks that Sudan could be producing the commodity with techniques similar to those that catapulted Brazil to the top league of agricultural producers.
 When he announced the Sudan deal, Grupo Pinesso highlighted not only the favourable production conditions of the land, but also its prime location for Brazilian companies to reach near markets such as India and China, which are geographically too far away from
Latin America.
There are also opportunities closer to home. Hegg points out that, being made in a poor African country, Sudan’s agricultural products enjoy very favourable conditions to enter European markets; something that Brazilian producers can only dream about. Setting up shop in a country such as Sudan could be a strategy to reach a protectionist market that is usually very hard for them to tackle. “We are taking a shortcut, albeit one that is longer than the actual road, to European markets,” he says.

He points out that Tirolez, a dairy company owned by his family, is itself thinking of creating a cheesemanufacturing plant in Sudan. “Sudan has the land and plenty of sun, and they are in a good geographic position to export to markets such as Europe and Saudi Arabia,” agrees Everardo Mantovani, the chief executive officer of Irriger, an engineering and consultancy firm that has been managing irrigation projects in the country. Companies like his represent another facet of Brazilian business with Africa, mainly the transfer of technologies that could help boost the local economy. Irriger, itself a small company, has been working in Sudan since 2008and already has four representatives living there. One of  the main attractions for the firm is the sheer size of projects that are demanded by a country where a lot of things still need to be put in place.
“There are irrigation projects in Sudan that we would not even dare thinking about in Brazil,” Mantovani says. “Here, a large projectinvolves some 5,000 hectares of land. In Sudan, they routinely talk about 10,000, 50,000 or 100,000 hectares for a project.” Brazilians are world-beaters in technology for agriculture, and the state-owned company Embrapa is a world-class reference of research in the area. This is another key that is opening doors for Brazilian entrepreneurs in the continent. Hegg says that during a meeting of the Brazilian government with 43 African Agricultural ministers in May, almost all of them asked whether it would be possible for Brazil to take Embrapa to their countries.

Sugar and ethanol

Sudan has also been favoured by a number of Brazilian companies that produce sugar and ethanol, and which have identified the country as a place where the production of sugar cane and its subsequent processing can be done at very reasonable costs. Some ethanol
projects are being developed with the participation of firms such as Irriger, and Kenana, a Sudanese firm, which purchased in 2009 a €15m plant in Brazil to begin producing ethanol there. Some might think that transferring prime technology in a nascent, strategic industry like ethanol to a possible future competitor could be a risky thing for Brazilian companies to do. However, market players say that this is exactly what Brazil should do to advance its long term interests in the sector.
“Today, nobody wants to be dependent on a single provider of fossil energy,” explains Antonio Carlos Christiano, the chief executive officer of Sermatec, a leading provider of equipments to sugar and ethanol plants. “In the same way, nobody will want in the future to rely on a single producer of ethanol. We need to consolidate an international market for ethanol, and helping Africa to produce it is a tool for it.” “We see Africa as a region with great potential to produce ethanol in a similar way that Brazil does,” Christiano remarks. “The weather, the land and the water sources are much alike the conditions we have in
Brazil. Therefore we at Sematec see Africa as a huge commercial opportunity.” His firm is involved in an initiative to create a large ethanol complex in Angola, another country that is firmly in the radar of Brazilian firms. The U$200m Biocom project has among its partners Odebrecht and Sonangol, the state-owned Angolan oil producer. Thanks to an oil bonanza and the efforts to rebuild the country after a long civil war, Angola is living an economic boom and, not only for technological reasons, but cultural ones too, is particularly welcoming to Brazilian companies, according to Mr Christiano. “The Angolans love Brazilians,” he says. “The shared language, the TV shows, and the
Brazilian football team, actually they are of great help to us there.” Other companies say that the favourable view of Brazil, which boasts the largest population of African origins outside Africa, is an asset for them elsewhere in the continent too. They claim that many Sudanese, for example, appreciate that Brazilians don’t subscribe uncritically to American-inspired views of the country, which have turned Sudan into a pariah with the West. "”Sudan is a very little known country,” says Mantovani, who has become a frequent visitor in the past two years. “No one denies the problems in Darfur, for instance. Behind the American embargo is the fact that the Americans have been left out of oil exploration there, to the benefit of the Chinese.”


Upside and downside

Not everything however is conducive to improving Brazil’s economic links to Africa. “Other companies are coming to Sudan,” says Mantovani. “It is a big movement, but a recent one too. The main hurdle right now is the lack of official credit lines to trade with Africa, and it is hard to compete with the Chinese and their costs.” There are also other problems. Christiano complains that, when he makes a sale to his Angolan clients, payments take three times longer than when he sells to a client in Argentina. The reason is all the financial engineering required to make a deal to happen. Hegg mentions the case of one particular of ethanol plant to be set up in Sudan that was fully designed in Brazil by local experts, but, when the time came to purchase equipment, the successful contractors turned out to be Indian. “Our ethanol technology is better than India’s; but they are very inexpensive and have access to official funding too,” he says.
BNDES, the development bank, which provides favourable credit lines for companies that trade with countries like Argentina and others of Brazil’s main commercial partners, is said to be studying the creation of such instruments. However, firms acknowledge that this is not an easy thing to do, due to the financial and political risks involved. However, if Brazil wants to fulfil its pledge to become a major player in Africa, as China has done, something of this sort will have to be arranged. “Brazil is expected to become the fifth largest economy in the world,” says Hegg. “We have to begin to think big as well.”

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vale vai investir US$ 24 bilhões em 2011

Segundo o presidente da empresa, programa de investimentos é o maior da história da mineração
28 de outubro de 2010 | 22h 30

Chiara Quintão, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Um dia depois de anunciar um lucro trimestral recorde de R$ 10,5 bilhões (US$ 6 bilhões), a Vale divulgou na quinta-feira um plano de investimentos também recorde. A mineradora projeta investir US$ 24 bilhões em 2011, quase o dobro dos US$ 12,9 bilhões programados para até o final deste ano.
Segundo o presidente da mineradora, Roger Agnelli, esse será o maior investimento da história da indústria de mineração. Ele afirmou ainda que os investimentos serão financiados "plenamente" pela geração de caixa da mineradora.
Do total de investimentos, de acordo com a empresa, 63,8% (US$ 15,3 bilhões) será aplicado no Brasil, onde se encontra a maioria dos ativos de minério de ferro, logística e fertilizantes da empresa. Para o Canadá, onde a companhia tem a maior parte de seus projetos de níquel, foi destinada uma verba de US$ 1,959 bilhão. Já a Argentina receberá US$ 1,393 bilhão, seguida pela China, com US$ 663 milhões, e a Austrália, com US$ 436 milhões. A empresa também vai investir na Indonésia, Omã, Malásia, Peru, Colômbia, Libéria e Zâmbia.
Os projetos de minério de ferro, pelotas, manganês e ferro-liga deverão receber US$ 8,5 bilhões, ou 35% do total de investimentos. A segunda área a receber mais verba será a de logística: o segmento ficará com US$ 5 bilhões, 21% do total. Já o setor de metais base receberá 18% dos investimentos planejados para 2011 (US$ 4,310 bilhões), seguido por fertilizantes, que ganha um papel de maior destaque ao ficar com US$ 2,505 bilhões, o que representa 10,4% do orçamento total.
Os investimentos em projetos de carvão somam US$ 1,588 bilhão (6,8%) em 2011, enquanto os de energia totalizam US$ 794 milhões (3,3%), os de siderurgia chegam a US$ 677 milhões (2,8%) e outros projetos somam US$ 590 milhões (2,5%).
Carajás
No caso do minério de ferro, o orçamento para 2011 está ancorado principalmente em projetos de expansão em Carajás, no Pará. A empresa explicou que os principais projetos nesse segmento envolvem um aumento de capacidade de 191 milhões de toneladas por ano, sendo que a maior parte dessa expansão virá de Carajás – 130 milhões de toneladas.
Com orçamento de US$ 1,172 bilhão para o ano que vem, o projeto Carajás Serra Sul é o maior da história da Vale e também da indústria mundial, com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas por ano. A conclusão do projeto está prevista para o segundo semestre de 2014. Já o projeto Serra Leste vai receber US$ 274 milhões e vai adicionar 10 milhões de toneladas a partir do primeiro semestre de 2012. O investimento engloba equipamentos de mina, usina de beneficiamento e em logística.
Segundo a Vale, Carajás e Simandou, na África, oferecem a "melhor plataforma" de crescimento de minério de ferro. "Minérios de alta qualidade apresentam menores custos operacionais e um valor em uso superior para a indústria siderúrgica, evidenciado pelo prêmio no preço dado pelo mercado", destaca a empresa. A Vale ressalta ainda que a demanda por minérios de alta qualidade é menos sensível a recessões econômicas.
De acordo com Roger Agnelli, a tendência para o preço do minério de ferro é oscilar em torno dos valores atuais da commodity no mercado à vista (spot) chinês. "Não se pode dizer hoje se a variação para o primeiro trimestre de 2011 vai ser positiva ou negativa", disse. Segundo o mercado, houve retração de 8% a 13% nos valores contratuais do minério fechados para o quarto trimestre.
Ao ser questionado sobre sua permanência à frente da mineradora após a eleição presidencial, Agnelli disse apenas que a empresa é importante para o Brasil em qualquer cenário. "Qualquer governo vai querer trabalhar de maneira próxima da Vale, e a Vale vai querer estar próxima de qualquer governo", disse. Ele informou que já houve um posicionamento (da Vale) em relação à questão, e completou: "Dispenso qualquer comentário". A Vale informou em comunicado esta semana que o tema de uma possível troca no comando da empresa "jamais foi tratado" pelos acionistas controladores.
Fonte. Estado de S. Paulo

Petrobrás definirá projeto de refinarias premium nas próximas semanas

Refinarias do Ceará e Maranhão serão feitas em conjunto
28 de outubro de 2010 | 17h 50

Kelly Lima, da Agência Estado
RIO - O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse nesta quinta-feira, 28, que está contratando para as refinarias premium do Ceará e Maranhão, que serão feitas em conjunto. Segundo ele, o contrato com a empresa que fará o projeto vai ser assinado nas próximas semanas.
A Refinaria do Ceará tem 70% do levantamento da terraplenagem concluído e seu cronograma está mantido para início das operações em 2017, com capacidade para processar 300 mil barris por dia.
Costa está participando neste momento de entrevista coletiva, junto com o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, e demais diretores da empresa.
Fonte: Estado de S.Paulo

Refinarias são as mais caras do mundo

Estudo mostra que as refinarias da Petrobrás em Pernambuco, Maranhão e Ceará vão custar mais que o dobro da média internacional
29 de outubro de 2010 | 0h 00

Kelly Lima / RIO - O Estado de S.Paulo
Polêmicas desde o anúncio do projeto, as novas refinarias da Petrobrás estão entre as mais caras do mundo, revela levantamento do banco Credit Suisse. A ampliação do parque de refino - necessária ante o aumento da produção nos próximos anos - voltou a ser criticada pelo mercado como um dos fatores que devem segurar a cotação das ações da estatal.
O argumento é que o refino, ao contrário da área de exploração, traz margens pequenas de ganho, enquanto exige um volume extraordinário de recursos. Os custos das unidades programadas e a sua localização são os principais alvos de críticas.
Estudo preparado pelo analista Emerson Leite, do Credit Suisse, aponta que as refinarias previstas para o Nordeste - Abreu e Lima (PE), Premiuns I (MA) e II (CE) - apresentam maior custo por barril, se comparadas a outras refinarias em construção no mundo no momento, especialmente na Índia e na China.
Infraestrutura. Enquanto a média de investimentos mundial gira em torno de US$ 18/barril, no Brasil a média é de US$ 40/barril. O investimento previsto na Abreu e Lima, por exemplo, deve exceder US$ 12 bilhões para produção de 230 mil barris por dia. Para uma unidade semelhante na China, a estatal CNOOC investiu US$ 3 bilhões, indica o relatório.
"A principal razão para o aumento dos custos, a nosso ver, é a falta de infraestrutura nos locais escolhidos pela Petrobrás para instalar suas refinarias, ou seja, os Estados de Pernambuco, Ceará e Maranhão. Os três localizados em uma área relativamente pouco desenvolvida, com um pequeno mercado de produtos petrolíferos em relação ao Sul e Sudeste, e praticamente sem produção de petróleo", considera o analista em seu relatório.
O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, sustenta que uma parte considerável dos custos de uma refinaria no Brasil refere-se a "fatores extramuros", ligados a questões de infraestrutura, o que dificulta comparações. E argumenta que isso ocorre independentemente de regiões, citando como exemplo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Região Sudeste.
"Além da refinaria propriamente dita, os projetos envolvem obras de porto, estradas, geração de energia. São fatores extramuros que não há como comparar, por exemplo, com um investimento no Texas, onde a infraestrutura é muito diferente." Segundo o diretor, mesmo a comparação com países menos desenvolvidos, como a Índia, fica prejudicada. "Temos avanços aqui dos quais não podemos abrir mão", disse ele, referindo-se ao tratamento dispensado à mão de obra no Brasil e outros países, como China e Índia.
Custos altos. O executivo também citou boletim da Cambridge Energy Research Associates (Cera), deste ano, que diz que os custos com a construção de novas refinarias aumentaram 1,5% em relação ao ano passado e já estão a apenas 6,5% do pico de 2008.
"As atividade de construção (de refinarias) continuam a avançar em países em desenvolvimento, como China, Índia e Oriente Médio, por causa das perspectivas de maior demanda de produtos refinados e das políticas governamentais de apoio que estes investimentos recebem do governo", diz.
Para Emerson Leite, outro ponto importante é que, apesar de estarem destinadas a produzir um diesel de melhor qualidade do que o de outras unidades de refino, a Petrobrás não poderá aumentar sua margem de ganho sobre este produto, pelo menos no mercado interno. Isso porque já cobra pelo diesel e pela gasolina um preço mais elevado do que o do mercado internacional.
Fonte: Estado de S. Paulo

Braskem investirá US$ 100 mi em fábrica de plástico verde

Nova unidade utilizará etanol de cana-de-açúcar como matéria-prima
por Agência EFE
 
A fábrica de eteno verde, com capacidade para produzir 200 mil toneladas de resinas plásticas, começou a funcionar no mês passado em Triunfo, no Rio Grande do Sul
A Braskem, fabricante de resinas da América Latina e que no mês passado inaugurou uma fábrica para produzir eteno a partir da cana-de-açúcar, anunciou nesta quinta-feira (28/10) a construção de uma unidade industrial de propeno verde, um dos plásticos de maior demanda no mundo.

Para construir a fábrica, com capacidade de produção de 30 mil toneladas anuais, a empresa deve investir US$ 100 milhões. Segundo informações da companhia, a etapa conceitual do projeto foi concluída e a previsão é de que em 2011 sejam finalizados os estudos de engenharia básica, aprovação e implantação da unidade para início de operação no segundo semestre de 2013.

A nova unidade também utilizará como matéria-prima etanol de cana-de-açúcar em vez de petróleo. De acordo com a Braskem, o propeno verde será fabricado graças a uma tecnologia já testada industrialmente e que permite obter um produto com as mesmas propriedades técnicas e o mesmo desempenho do plástico produzido a partir de petróleo.

Estudos preliminares de eficiência ecológica, realizados pela indústria, foram bem-sucedidos e mostraram que cada tonelada de propeno verde produzido permite capturar e fixar 2,3 toneladas de dióxido de carbono.
Fonte: Folha de S. Paulo

Brakem mira México em busca de expansão mundial

 
A Braskem vai iniciar em 2015 a produção de resina no norte do México. O plano da companhia é expandir suas atividades no exterior.
A projeção do consumo de demanda de resina no México em 2014 é de 2 milhões de toneladas, dos quais 1,6 milhão será produzido pela companhia.
Os investimentos da companhia poderão chegar em US$ 2,5 bilhões.
A importância da operação é geográfica e estratégica, de acordo com o presidente da empresa Bernardo Gradin.
"Com esse projeto, nós vamos posicionar a Braskem na América do Norte e na América do Sul", afirma o executivo.
"Visamos atender todo o mercado mexicano, começar a servir o americano e partir para novas fronteiras", diz Gradin.
"O México é um passo importante porque importa mais resina do que produz, a demanda do país é maior do que a capacidade que tem de fabricá-la."
Mesmo com o projeto, em cinco anos, a demanda mexicana vai continuar maior do que a produção, de acordo com as estimativas da Braskem.
No ano passado, a brasileira venceu em parceria com a mexicana Idesa um leilão promovido pela estatal Pemex Gás e Petroquímica Básica para compra, por 20 anos, de 66 mil barris diários de etanol.
O álcool será usado como matéria-prima no complexo petroquímico a ser construído em Coatzacoalcos, no Estado mexicano de Veracruz.

BIORREFINO
A Braskem constituiu um conselho de notáveis com 300 cientistas de diversas partes do mundo, que prestarão consultoria em pesquisa e desenvolvimento. A primeira reunião do grupo deve ocorrer em dezembro.
"Em quatro anos, teremos 600 cientistas. Poucas empresas no Brasil têm isso", diz. Um dos focos dos cientistas será o desenvolvimento de materiais especiais a partir do biorrefino.


Fonte: Folha On Line

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Petrolíferas avançam no setor de álcool

Segundo analistas, valor baixo de ativos e competitividade do combustível incentivam consolidação no mercado

Petrobras e Açúcar Guarani anunciaram anteontem contrato de R$ 2,1 bilhões para fornecimento de etanol

GRAZIELLE SCHNEIDER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A consolidação do mercado de álcool combustível brasileiro por meio de parcerias entre empresas petrolíferas e sucroalcooleiras é uma tendência, afirmam especialistas consultados pela Folha.
Anteontem, a Petrobras Distribuidora e a Petrobras Biocombustível, subsidiárias da Petrobras, anunciaram contrato com a Açúcar Guarani no valor de R$ 2,1 bilhões para fornecimento de até 2,2 bilhões de litros de etanol em quatro anos.
O contrato é parte da parceria estratégica firmada em abril entre a Tereos Internacional, da qual a Guarani é subsidiária, e a Petrobras Biocombustível.
À época, a Petrobras disse em comunicado que o objetivo da parceria era "acelerar seu crescimento na indústria brasileira de etanol, açúcar e bioenergia".
Em agosto, Shell e Cosan já haviam anunciado acordo vinculante para a formação de uma joint venture para a produção e a comercialização de etanol.

COMPETITIVIDADE
O movimento ocorre, para Plínio Nastari, presidente da consultoria de etanol e açúcar Datagro, porque o álcool de cana já é visto como competitivo ante o petróleo.
Além disso, ele destaca o valor baixo dos ativos de produção em relação aos do mercado de energia em geral, o que torna mais barata a entrada no setor.
Adriano Pires, consultor em energia e diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), ressalta ainda o que chama de "commoditização" do etanol, que se transformou em "um combustível que não é mais uma alternativa, e sim uma realidade".
"Não que vá virar o novo petróleo, ou que o Brasil vá virar a "Arábia Saudita verde", como o presidente Lula já afirmou. Mas o etanol vai ser importante para a mistura com a gasolina, para deixá-la mais limpa", diz.
Para Amarílis Romano, consultora em biocombustíveis da Tendências, as empresas estão buscando entrar no setor com o know-how de quem é grande no mercado.
"O mercado de energia é maior que só petróleo, e sempre cai bem uma participação em biocombustíveis."

DESNACIONALIZAÇÃO
Pires afirma que o combustível, historicamente "verde-amarelo", está sofrendo uma "desnacionalização" com a saída das famílias tradicionais do processo de solidificação e profissionalização das sucroalcooleiras.
"Talvez tirando a ETH [Bioenergia, da Odebrecht], que é uma empresa genuinamente brasileira, os grupos que estão consolidando o setor têm sempre a presença estrangeira", diz.
Análise divulgada no início deste ano pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e pelo Ministério de Minas e Energia aponta que a participação estrangeira na capacidade de moagem de cana passou de inexpressiva, na safra 2005/ 2006, para 40% na safra 2010/ 2011.
Fonte: Folha On Line

ADM avalia vender sua participação em usina no Brasil


Mônica Scaramuzzo | De São Paulo
27/10/2010
A multinacional americana Archer Daniel Midland (ADM), maior produtora de etanol de milho do mundo, avalia se desfazer de seu ativo alcooleiro no Brasil. Segundo apurou o Valor, a companhia deverá colocar à venda a participação de 49% que mantém na usina Limeira do Oeste, no Triângulo Mineiro. Os 51% restantes pertencem ao ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera.
A gigante americana, uma das quatro maiores tradings de grãos do planeta, tem até o direito de preferência para adquirir a fatia de Cabrera, mas já não demonstrou interesse em exercê-lo. Fontes próximas à parceria afirmam que foi o primeiro passo para pavimentar o caminho de saída da sociedade. Procurada, a ADM limitou-se a informar que "não comenta rumores e especulações". O ex-ministro, que estaria procurando outro sócio, também preferiu não conceder entrevista.
ADM e Cabrera também estão juntos em um projeto "greenfield" (construção a partir do zero) em Jataí (GO). Este ainda não saiu do papel, e o novo sócio estratégico será vital para que as obras de fato tenham início.
Os projetos de Limeira do Oeste e Jataí, anunciados em 2008, marcaram a estreia da ADM no segmento sucroalcooleiro brasileiro. Em Jataí ainda não houve investimentos, mas a unidade de Limeira do Oeste tem capacidade para processar 3 milhões de toneladas de cana por safra. Com base nessa capacidade e um valor de venda estimada em US$ 120 por tonelada de cana, a venda da participação da múlti poderá ser fechada por cerca de US$ 360 milhões.
Fontes da área afirmam que já há negociações em curso para a transferência da fatia americana, e que elas ganharam corpo nos últimos dias. Cinco grupos estão no páreo, entre os quais o belga Alco Group (Alcotra) e o Noble. Ambos também foram procurados pelo Valor e preferiram não se pronunciar a respeito. Nas conversações, Cabrera admitiu reduzir sua participação na usina do Triângulo Mineiro de 51% para 20%
No caso da unidade de Jataí, a que continua no papel, a capacidade de moagem foi projetada para processar 2 milhões de toneladas. Inicialmente o foco deverá estar na produção de etanol e na cogeração de energia a partir do bagaço de cana. Os investimentos previstos chegam a R$ 500 milhões.
No Brasil desde 1997, a ADM é a terceira maior processadora de soja e a segunda maior processadora de cacau do país. O grupo opera quatro fábricas de processamento de soja com refinarias, uma processadora de cacau e três misturadoras de fertilizantes. A múlti também é dona da maior planta de biodiesel do Brasil. Localizada em Rondonópolis (MT), a fábrica começou a rodar em escala industrial em janeiro de 2008. O grupo também produz farelo voltado para a produção ração animal e óleo destinado ao consumo humano. (Colaborou FB)
Fonte: Valor On Line