Fabiana Batista | De São Paulo
14/10/2010
Ana Paula Paiva/Valor
Melcher, diretor-presidente da LDC-SEV: "Optamos por gerir os ativos por processo e não por unidade, como era antes"
Um ano após liderar a maior fusão estritamente sucroalcooleira da história do segmento no país, a subsidiária de bioenergia da multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC) começa a colher os frutos das sinergias obtidas a partir da integração com o grupo paulista Santelisa Vale e se prepara para uma nova fase de expansão.
A associação foi anunciada em 26 de outubro de 2009 e resultou na criação da LDC-SEV, com capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas de cana, faturamento potencial de R$ 3 bilhões por safra e sinergias calculadas em R$ 189,9 milhões. Segundo Bruno Melcher, diretor-presidente da LDC-SEV, o montante é resultado da integração de ativos, processos, sistemas, expertises e equipes que precede o dia em que as duas empresas bateram oficialmente o martelo.
Hoje, as 13 usinas de açúcar e álcool do grupo, assim como os ativos e operações que as circundam, estão sob controle de um único sistema. O gerenciamento das sete usinas que pertenciam à Santelisa, antes centralizado em cada unidade, também passou a ser agrupado em polos. São cinco polos no total, responsáveis por três ou quatro usinas cada.
Conforme Melcher, a estrutura cria condições para que os gestores dos polos se reúnam uma vez por mês para trocar informações sobre o desempenho das usinas sob suas responsabilidades. "Optamos por gerir os ativos por processo e não por unidade, como era antes. O gestor da área de plantio, por exemplo, cuida dessa área em todas as unidades do polo do qual é responsável", diz.
Mas, antes de chegar neste ponto, a primeira medida foi identificar rapidamente o que a empresa tinha de melhor e disseminar essas práticas. Esse processo começou antes mesmo do fechamento da operação. "Já estávamos em contato com o dia-a-dia da empresa meses antes de concluir a fusão", lembra Melcher. O passo seguinte foi unificar sob a mesma base todos os controles e a contabilidade da nova companhia.
"A Santelisa tinha o ano-safra como seu padrão contábil e a LDC, o ano civil. Foi um desafio uniformizar", conta Melcher, lembrando a experiência incorporada quando a múlti comprou, em 2007, as quatro usinas do grupo Tavares de Mello.
Com o negócio de 2007, a LDC dobrou pela primeira vez de tamanho no segmento sucroalcooleiro, mas as dimensões eram outras. De 5 milhões de toneladas, a capacidade de moagem foi para 10 milhões, volume que chegou a 20 milhões até a união com a Santelisa.
A fusão com o grupo paulista significou saltar de 20 milhões para 40 milhões de toneladas de capacidade de moagem, gerenciar ativos em cinco Estados, administrar 450 mil hectares de cana - cobertos por uma infraestrutura de 5,4 mil equipamentos agrícolas - e cuidar de uma produção de 2,75 milhões de toneladas de açúcar e 1,53 bilhão de litros de etanol por temporada.
Dos quase R$ 200 milhões alcançados por safra de ganhos com sinergias, mais da metade (R$ 113,1 milhões) veio da economia com suprimentos de uma forma geral. Basicamente, foram descontos típicos de ganhos de escala: na compra de insumos agrícolas e na contratação de serviços de manutenção de equipamentos industriais, além de melhores preços em serviços gerais.
Na área industrial, os ganhos de eficiência no uso dos equipamentos resultaram em R$ 37,5 milhões em sinergias. A mesma otimização na área agrícola, que gerou aumentos dos rendimentos de cana e de açúcar, redundou em ganhos de mais R$ 12 milhões.
Outro ganho expressivo veio dos efeitos da escala na comercialização de açúcar e álcool. "Com mais produto para vender, a empresa consegue planejar a logística com mais eficiência, firmando contratos de longo prazo com ferrovias e armazéns", detalha Melcher. A condição de carregar estoques, continua o executivo, permite também obter melhores preços médios de venda, na medida em que a comercialização passa a ser mais uniforme ao longo dos 12 meses do ano.
Na integração dos ativos, diz Melcher, ficou muito perceptível a importância da experiência da a Santelisa na área operacional e a da Dreyfus com padrões internacionais de gestão - governança, gestão de risco e financeiro.
Por isso, continua o executivo, praticamente todos os profissionais da Santelisa foram absorvidos na nova estrutura. "Não partimos para o desafio de integrar com preconceito ou com a ideia de que uma cultura tinha que prevalecer sobre a outra. Os diferenciais foram reconhecidos e muitos profissionais, promovidos ou passaram a liderar projetos estratégicos", conclui Melcher.
Fonte: Valor Econômico
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Fusões e aquisições no agronegócio aceleram
O ex-ministro Pratini de Moraes, hoje no JBS, diz que um dos motivadores da internacionalização do JBS foi a fuga do protecionismo agrícola dos países
A recuperação da economia acelerou o ritmo da consolidação no agronegócio brasileiro em 2010.
O número de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras do setor, principalmente de açúcar e álcool e de proteína animal, dobrou na comparação entre os períodos de janeiro a setembro de 2009 e de 2010, aponta um levantamento da KPMG realizado a pedido do Brasil Econômico. Foram 28 operações no acumulado de nove meses de 2010, ante 14 anunciadas no mesmo período do ano passado.
A perspectiva da KPMG para as fusões e aquisições no agronegócio é de um crescimento gradativo, mas dificilmente ocorrerá um fenômeno como o de 2010, quando o número de operações está dobrando.
"O crescimento é explicado pela base baixa de 2009 e pela recuperação da economia, que foi mais forte no Brasil", afirma o sócio da KPMG, André Castello Branco.
Neste ano, o segmento sucroalcooleiro tomou com folga a dianteira que o setor de proteínas animais detinha em 2009 em número de fusões e aquisições. De janeiro a setembro do ano passado foram nove negócios envolvendo as empresas de carnes e lácteos, e apenas três com usinas de cana-de-açúcar.
Já em 2010, os usineiros aceleraram os negócios e somaram 16 transações, contra nove dos frigoríficos.
Há cerca de 400 empresas na atividade sucroalcooleiroa e a maior delas, a Cosan, tem menos de 10% do mercado. "O setor é muito pulverizado, exige muito capital e há grandes empresas como Petrobras e Shell investindo, por isso não existe limite para o processo de concentração", diz Castello Branco.
O ano de 2010 foi marcado no segmento pelo início do que alguns agentes do mercado chamam de "era das petroleiras", com a forte entrada das companhias petrolíferas na produção de etanol.
A Petrobras comprou participações minoritárias relevantes na Açúcar Guarani, do grupo Tereos, e na Usina Boa Vista, do grupo São Martinho. Já a Shell fechou um acordo para criar uma joint venture de US$ 12,3 bilhões com a Cosan.
Outro grande negócio anunciado neste ano e que está avançando é a incorporação da Brenco pela ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht. A Brenco tinha quatro projetos de usinas em andamento, mas seu endividamento impediu a continuidade por conta da crise financeira internacional.
"No fim do mês entra em operação a usina Alto Taquari, a segunda da Brenco, e no terceiro trimestre de 2011 entram as outras duas", diz o presidente da ETH, José Carlos Grubisich. A primeira usina da Brenco, a Morro Vermelho, entrou em operação há cerca de um mês.
Com nove usinas em operação em 2012, a ETH superará as 40 milhões de toneladas de cana e os 3 bilhões de litros de etanol. "A incorporação da Brenco antecipou em três anos o nosso plano de negócios", afirma Grubisich.
Depois de colocar as usinas da Brenco em operação, a ETH estuda tocar outros projetos de novas unidades das duas empresas. "A consolidação atrasa o investimento em aumento de capacidade no Brasil, mas um novo ciclo virá", avalia. outras opções são fazer aquisições ou mesmo criar bases produtivas na América Latina e África.
Diversificação
No segmento de carnes, é a diversificação e a internacionalização das empresas brasileiras que fortalecem a tendência de consolidação. Nove das 27 fusões ou aquisições de 2010 ocorreram no setor.
"Um exemplo emblemático foi a compra da divisão de vegetais congelados da Arcor na Argentina pelo Marfrig", diz Castello Branco.
Na contra-mão dessa tendência aconteceu em setembro de 2009 a incorporação do Bertin pelo JBS, duas empresas brasileiras focadas em carne bovina.
"O Bertin foi mais uma oportunidade do que propriamente uma estratégia", afirma o presidente do comitê de estratégia empresarial do JBS, o ex-ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes.
Fonte: Brasil Econômico.
A recuperação da economia acelerou o ritmo da consolidação no agronegócio brasileiro em 2010.
O número de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras do setor, principalmente de açúcar e álcool e de proteína animal, dobrou na comparação entre os períodos de janeiro a setembro de 2009 e de 2010, aponta um levantamento da KPMG realizado a pedido do Brasil Econômico. Foram 28 operações no acumulado de nove meses de 2010, ante 14 anunciadas no mesmo período do ano passado.
A perspectiva da KPMG para as fusões e aquisições no agronegócio é de um crescimento gradativo, mas dificilmente ocorrerá um fenômeno como o de 2010, quando o número de operações está dobrando.
"O crescimento é explicado pela base baixa de 2009 e pela recuperação da economia, que foi mais forte no Brasil", afirma o sócio da KPMG, André Castello Branco.
Neste ano, o segmento sucroalcooleiro tomou com folga a dianteira que o setor de proteínas animais detinha em 2009 em número de fusões e aquisições. De janeiro a setembro do ano passado foram nove negócios envolvendo as empresas de carnes e lácteos, e apenas três com usinas de cana-de-açúcar.
Já em 2010, os usineiros aceleraram os negócios e somaram 16 transações, contra nove dos frigoríficos.
Há cerca de 400 empresas na atividade sucroalcooleiroa e a maior delas, a Cosan, tem menos de 10% do mercado. "O setor é muito pulverizado, exige muito capital e há grandes empresas como Petrobras e Shell investindo, por isso não existe limite para o processo de concentração", diz Castello Branco.
O ano de 2010 foi marcado no segmento pelo início do que alguns agentes do mercado chamam de "era das petroleiras", com a forte entrada das companhias petrolíferas na produção de etanol.
A Petrobras comprou participações minoritárias relevantes na Açúcar Guarani, do grupo Tereos, e na Usina Boa Vista, do grupo São Martinho. Já a Shell fechou um acordo para criar uma joint venture de US$ 12,3 bilhões com a Cosan.
Outro grande negócio anunciado neste ano e que está avançando é a incorporação da Brenco pela ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht. A Brenco tinha quatro projetos de usinas em andamento, mas seu endividamento impediu a continuidade por conta da crise financeira internacional.
"No fim do mês entra em operação a usina Alto Taquari, a segunda da Brenco, e no terceiro trimestre de 2011 entram as outras duas", diz o presidente da ETH, José Carlos Grubisich. A primeira usina da Brenco, a Morro Vermelho, entrou em operação há cerca de um mês.
Com nove usinas em operação em 2012, a ETH superará as 40 milhões de toneladas de cana e os 3 bilhões de litros de etanol. "A incorporação da Brenco antecipou em três anos o nosso plano de negócios", afirma Grubisich.
Depois de colocar as usinas da Brenco em operação, a ETH estuda tocar outros projetos de novas unidades das duas empresas. "A consolidação atrasa o investimento em aumento de capacidade no Brasil, mas um novo ciclo virá", avalia. outras opções são fazer aquisições ou mesmo criar bases produtivas na América Latina e África.
Diversificação
No segmento de carnes, é a diversificação e a internacionalização das empresas brasileiras que fortalecem a tendência de consolidação. Nove das 27 fusões ou aquisições de 2010 ocorreram no setor.
"Um exemplo emblemático foi a compra da divisão de vegetais congelados da Arcor na Argentina pelo Marfrig", diz Castello Branco.
Na contra-mão dessa tendência aconteceu em setembro de 2009 a incorporação do Bertin pelo JBS, duas empresas brasileiras focadas em carne bovina.
"O Bertin foi mais uma oportunidade do que propriamente uma estratégia", afirma o presidente do comitê de estratégia empresarial do JBS, o ex-ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes.
Google será sócio de projeto de energia eólica na costa americana
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - O Google anunciou ontem que será sócio de um projeto de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 8,3 bilhões) para construir linhas de transmissão submarinas que conduzirão energia de parques eólicos na costa do Atlântico, nos Estados Unidos.
O projeto, que tem a conclusão prevista para 2020, é uma parceria entre a empresa de tecnologia com companhias de energia americanas e japonesa.
A rede de cabos terá mais de 200 quilômetros de extensão e capacidade inicial para gerar 2.000 megawatts, o suficiente para abastecer cerca de 500 mil casas.
O Google terá 37,5% do projeto. Em maio, a empresa havia feito o primeiro investimento em energia limpa: injetou US$ 38,8 milhões em duas eólicas na Dakota do Norte.
Especialistas acreditam que o projeto ajudará a reduzir os custos iniciais para desenvolvimento de projetos eólicos afastados da costa e que pode servir de estímulo para a entrada de companhias europeias do setor aos Estados Unidos.
Apenas um projeto eólico fora da costa foi aprovado nos Estados Unidos até hoje. Uma série de projetos para a costa Leste, no entanto, aguarda aprovação.
O Departamento de Defesa americano, que tem a meta de alcançar 25% do seu consumo de energia de fontes renováveis até 2025, trabalha para evitar que o projeto afete rotas de navegação.
Fonte: Folha On Line
BNDESPar amplia influência do governo
Subsidiária do banco estatal tem atualmente participação em mais de 150 empresas, com carteira de ações avaliada em R$ 76 bilhões
11 de outubro de 2010 | 20h 41
Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a BNDESPar está se tornando instrumento cada vez mais útil ao governo para influenciar a economia. A subsidiária foi peça importante da operação que ampliou a participação estatal no capital da Petrobrás, mas também põe digitais do governo em pelo menos outras 150 empresas.
O valor de mercado da carteira de ações da BNDESPar ultrapassou R$ 76 bilhões este ano. Quase 80% dos papéis são de empresas que têm ações negociadas na bolsa. Além da Petrobrás, na qual sua porção avançou de 7,7% para 11,8%, a BNDESPar tem participações em várias outras empresas consideradas estratégicas pelo governo. O portfólio vai da estatal Eletrobrás (18,5%) e da tele Oi (16,89%) às gigantes Vale (9,79% da controladora) e Embraer (5,37%). Passa ainda por empresas em estruturação, como a LLX, de Eike Batista (6,02%), e promessas da tecnologia, como Totvs (4,35%) e Bematech (8,21%).
Constituída em 1982 como uma sociedade de controle integral do BNDES – que tem o Tesouro Nacional como único acionista –, a BNDESPar teve boa parte do portfólio formada a partir do seu papel auxiliar nas privatizações da década de 90. No governo Lula, a subsidiária tem sido convocada pelo banco para tirar do papel as diretrizes da chamada política industrial, que incentiva a consolidação e internacionalização em setores considerados prioritários.
Nesse período, ajudou a viabilizar fusões como sócia de empresas como Fibria Celulose (30,42%), união entre VCP e Aracruz; Brasil Foods (2,55%), formada por Perdigão e Sadia; e a petroquímica Braskem (5,55%), que absorveu a rival Quattor. Sem falar no incentivo ao crescimento da Oi, com o argumento de manter o controle nacional da companhia em meio à invasão estrangeira na economia.
Além da compra de ações, a subsidiária do BNDES tem capitalizado empresas com a aquisição de títulos de dívida de longo prazo. A carteira de debêntures da BNDESPar soma R$ 7,5 bilhões em papéis de empresas como Gerdau (R$ 1,3 bilhão), Vale (R$ 1,19 bilhão) e ALL Logística (R$ 258,1 milhões). Na semana passada, a BNDESPar se comprometeu a adquirir pouco mais de R$ 1 bilhão em debêntures da Hypermarcas para manter o seu apetite de aquisições no setor farmacêutico.
Um levantamento da corretora Itaú Securities mostrou que o setor público, diretamente ou por influência em fundos de pensão, é um dos cinco maiores acionistas em 80 companhias de capital aberto, 20% do total no País. Elas reúnem quase metade da receita e do valor de mercado total no País. Em 30 delas, o governo federal é um dos sócios principais, por meio da BNDESPar.
Como os critérios para as aplicações da BNDESPar são menos objetivos do que o das operações de crédito, o banco tem sido acusado de escolher "campeões", estabelecendo assimetrias entre concorrentes. A maior polêmica é a atuação no setor de carnes. A BNDESPar é sócia dos frigoríficos Marfrig ((13,89%) e JBS (17,02%). No início de 2010, a subsidiária ficou com 99,9% de um pacote de 2 milhões de debêntures da JBS no valor de R$ 3,48 bilhões, para ajudar a empresa a comprar uma unidade nos Estados Unidos.
Polêmica
O BNDES evita entrevistas sobre a BNDESPar. Costuma responder às críticas alegando que, diferentemente das linhas com juros subsidiados para investimentos, o apoio a empresas por meio da subsidiária é feito em condições de mercado. Além disso, diz só entrar em negócios considerados bons investimentos para o banco. Afinal, a subsidiária dá lucro.
No primeiro semestre deste ano, o resultado com participações societárias atingiu R$ 2 bilhões, 35% acima do mesmo período do ano passado, com a melhora das condições do mercado após a crise que permitiu ao banco vender R$ 889 milhões em papéis. Com a redução de taxas e spreads para incentivar o investimento, a rentabilidade da carteira da BNDESPar ganha cada vez mais importância no balanço diante da redução do retorno das operações de crédito.
Para Didi Aguiar, analista da corretora Novinvest, o lucro não é suficiente para dizer se o banco é bom investidor. "Com recursos do governo praticamente de graça para comprar e com prazo infinito para vender, não é difícil ter lucro. Há muita coisa na carteira deles que é muito ruim, mas isso não aparece porque podem esperar quanto tempo for preciso para vender."
Fonte: O Estado de S. Paulo
PDVSA não investe e pode ficar fora de refinaria em PE
Um ano após acordo fechado pelos presidentes Lula e Hugo Chávez, estatal venezuelana ainda não colocou nenhum centavo no projeto
13 de outubro de 2010 | 0h 00
Irany Tereza, Nicola Pamplona / RIO - O Estado de S.Paulo
A estatal venezuelana de petróleo PDVSA está praticamente fora da refinaria de Pernambuco, segundo fontes que acompanham o desenvolvimento do projeto. Este mês completa um ano desde que foi formalizado o acordo entre a Petrobrás e a estatal venezuelana, sem que a PDVSA tenha destinado nenhum centavo à obra.
Ed Ferreira/AE
Projeto congelado. Parceria acertada entre Chávez e Lula para nova refinaria não deu certo
Dois pedidos de financiamento feitos pela companhia ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já foram negados, por falta de garantias. Pode ser o fim melancólico das intenções de negócios comuns que constaram da Aliança Estratégica entre Brasil e Venezuela, estabelecida em fevereiro de 2005, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, contendo um total de 28 acordos.
Naquela época, a então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff presente à solenidade que reuniu em Caracas 11 ministros venezuelanos e sete brasileiros, assinou 18 protocolos de intenções.
Dos 15 relacionados à área de energia, 14 envolviam participação da Petrobrás e apenas um deles evoluiu: o da refinaria em Pernambuco, que empacou no estágio de desembolso de recursos entre os sócios.
Até agora, nada de concreto foi efetivado, a não ser a assinatura de contratos para a obra, apenas pela Petrobrás, no valor de R$ 9,8 bilhões, em dezembro do ano passado.
A estatal brasileira tomou emprestados os recursos no BNDES, como parte dos R$ 25 bilhões que o banco destinou a financiamentos à companhia.
Depois, ficou acertado que a PDVSA ficaria responsável por 40% do empréstimo, seguindo o critério de proporcionalidade dos sócios no empreendimento. A venezuelana tentou, mas não conseguiu aval do banco para sua inclusão no financiamento por falta de garantias compatíveis com as exigências técnicas.
Nem Petrobrás nem BNDES concordaram em falar sobre o assunto, alegando que as negociações seguem com cláusulas de confidencialidade.
Sem garantia. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, no entanto, no primeiro pedido, as garantias apresentadas foram os ativos da PDVSA no Brasil, sendo que a companhia tem apenas um escritório no País e uma pequena rede de distribuição no Estado do Pará.
Na segunda tentativa, foi incluída a participação de um banco venezuelano no negócio, garantia também recusada pelo banco de fomento brasileiro.
A Petrobrás toca sozinha a construção da refinaria, que tem previsão de entrar em operação em 2010, com capacidade de processamento de 220 mil barris de óleo por dia, metade provenientes do Campo de Carabobo, na Venezuela, e a outra metade do complexo de Marlin, na Bacia de Santos. Trata-se de dois tipos de petróleo muito diferentes, que exigem também distintos processos de refino.
Diante das incertezas com relação à parceria, a Petrobrás vem segurando a compra de uma unidade de tratamento de enxofre necessária ao refino do óleo venezuelano, que encareceria ainda mais o projeto.
Orçamento. A refinaria, batizada com o nome do herói bolivariano Abreu e Lima, estava inicialmente orçada em US$ 4,5 bilhões, quando o primeiro estudo foi feito pela petroleira brasileira, há cinco anos.
Sucessivas revisões, incluindo erros no cálculo de custos de terraplenagem, elevaram o orçamento a quase o triplo do previsto, para entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões.
A obra faz parte do plano de investimentos da Petrobrás. Parte dos recursos obtidos com a capitalização da estatal - feita durante o mês passado - será destinada para o desenvolvimento do projeto.
PARA LEMBRAR
Em dezembro de 2005, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez, lançaram a pedra fundamental da refinaria pernambucana Abreu e Lima. Na ocasião, os presidentes disseram que seriam investidos US$ 4,5 bilhões (depois o número foi revisado), sendo 60% da Petrobrás e 40% da PDVSA. Em março de 2009, surgiram divergências entre os países sobre a venda da produção da futura refinaria. Em outubro do ano passado, houve a formalização do acordo para a construção da central. A estatal venezuelana, no entanto, ainda não cumpriu sua parte no investimento.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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