terça-feira, 27 de setembro de 2011

ANP avalia a redução do conteúdo local

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estuda mudanças nas regras que exigem conteúdo local nos equipamentos das empresas que participam das licitações do órgão. Já na próxima rodada de licitações poderá valer uma nova determinação, reduzindo a lista de itens para os quais vale a exigência de um mínimo de componentes fabricados no país. Além disso, a agência estuda a possibilidade de mudar o sistema de cobrança para empresas que não cumprirem as exigências, reduzindo as multas e criando um sistema de créditos que deverão ser investidos no fomento a setores industriais específicos, determinados pela ANP, mas geridos pelo setor privado.


ANP deve simplificar exigências de conteúdo local
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estuda aperfeiçoar as regras de conteúdo local para equipamentos utilizados na produção e exploração de petróleo no país. Algumas mudanças devem ocorrer antes da realização da próxima rodada de licitações. O órgão regulador planeja simplificar as exigências de produção nacional já para a 11ª rodada, reduzindo a lista de itens que devem seguir as diretrizes de componentes brasileiros. O objetivo é direcionar o desenvolvimento de setores da indústria considerados mais importantes.
Além disso, a agência estuda a possibilidade de reduzir a cobrança de multas para quem não cumprir os limites, com a implantação de um sistema de créditos, que deverão ser investidos no fomento a setores industriais específicos, apontados pela ANP, mas geridos pelas próprias empresas que deixarem de cumprir o conteúdo local. Essa mudança levará mais tempo para ser aprovada e não deverá ficar pronta a tempo da próxima rodada, no primeiro semestre de 2012.
As propostas para a 11ª rodada já foram entregues ao governo, que ainda não se manifestou, de acordo com o chefe da Coordenadoria de Conteúdo Local da ANP, Marcelo Mafra. Segundo ele, a tabela de exigências da ANP é "muito extensa", o que leva à necessidade de enxugamento para dar maior foco à indústria, evidenciando as áreas que espera desenvolver e concentrar os investimentos. Alguns itens hoje incluídos poderão ser agrupados.
"Estou dando foco, mostrando no primeiro momento o que é estratégico. Não vai ser o parafuso. Se tenho uma árvore de natal [conjunto de válvulas que controla a pressão e vazão de um poço] para olhar, por que vou olhar o parafuso? Parafuso a gente já produz, se não está vendendo é porque não é competitivo, ou porque está cobrando muito caro. Se a gente for abraçar o mundo com as pernas, não vai ter conteúdo local", disse.
Ele explicou que, pelas regras atuais, são 69 os itens incluídos na política de conteúdo local para os quais o operador de uma exploração de petróleo precisa indicar uma oferta mínima e o seu impacto no investimento.
"Esse exercício de preencher 69 linhas imaginando um projeto futuro que vai ser desenvolvido daqui a dez anos é muito complicado", disse. "A chance de essa distorção gerar uma multa de conteúdo local é grande."
Já as mudanças nas regras de conteúdo local, que deverão ficar prontas apenas para a realização da 12ª rodada de licitações, visam tornar mais ágil o desenvolvimento da indústria brasileira de fornecedores de petróleo, sem ficar presa à burocracia do governo. As multas por não cumprimento do limite mínimo de produção de componentes poderão ser transformadas em crédito para fomento à indústria. A ideia é que a empresa multada deposite o valor referente em uma conta de desenvolvimento da ANP, e apresente um projeto para o setor apontado pela agência.
"O dinheiro que a empresa paga diretamente com a GRU (guia de recolhimento da União) vai para a conta única da União. Até eu pegar esse recurso, jogar na conta da ANP para transformar em um projeto, já perdi alguns anos preciosos", disse Mafra.

Para Shell, etanol deve ganhar espaço, mas custos elevados ainda são entrave

"Ficou difícil justificar novas plantas de etanol dado o aumento de 40% no custo do etanol", disse Williams, da Shell


O etanol tende a ganhar fatia cada vez maior no mercado global de combustíveis, na visão da anglo-holandesa Shell, sócia da brasileira Cosan na Raízen. "Esperamos que a longo prazo a participação do etanol nos combustíveis cresça", disse ao Valor Mark Williams, vice-presidente mundial da área de distribuição da Shell. Segundo o executivo, o etanol equivale hoje a 3% da demanda mundial de gasolina, percentual que pode chegar a 10% nos próximos anos.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) elaborados pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) mostram que, em 2008, o consumo mundial de gasolina foi de 20,8 milhões de barris/dia. Os 3% de etanol corresponderiam a cerca de 600 mil barris/dia. E os 10% previstos por Williams equivaleriam a 2 milhões de barris por dia considerando os dados da IEA.
Williams disse que a Shell utilizará a Raízen como plataforma de crescimento para a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Segundo ele, há muitas oportunidades para investir em etanol no Brasil, mas é preciso ganhar eficiência na produção. Os ingredientes para aumentar a produção de etanol, incluindo a oferta de terras, estão disponíveis. Mas, para Williams, ficou difícil justificar o desenvolvimento de novas plantas dado um aumento de cerca de 40% no custo de produção do etanol.
A Raízen é a primeira experiência da Shell na produção de biocombustíveis. A joint venture planeja investir US$ 7 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. Cerca de US$ 5 bilhões serão para ampliar a produção de etanol, açúcar e energia elétrica cogerada. O restante dos recursos irá para a rede de postos de combustíveis - hoje a Raízen tem uma rede de 4,5 mil postos, entre Shell e Esso - e operações de logística.
A perspectiva da Raízen, que começou a operar de forma integrada em 1º de junho, é sair de uma capacidade atual de moagem de cana de 65 milhões de toneladas para 100 milhões de toneladas em cinco anos. No período, vai mais do que dobrar a produção de etanol, saindo de uma capacidade atual de 2,2 bilhões de litros para 5 bilhões de litros por ano.
Williams admitiu que a meta, num prazo curto, é ambiciosa. Disse que a Shell está "feliz" em ter a Cosan como sócia e que não há um compromisso, mas pode haver uma oportunidade de comprar a participação do sócio na Raízen no futuro. Mas não há qualquer decisão tomada na Shell sobre esse assunto.
Segundo o executivo, há três formas para ampliar a capacidade de produção de etanol. Uma é comprar plantas existentes e áreas plantadas. Outro caminho é a expansão de usinas já existentes. A terceira opção é construir novas unidades. "A Raízen considera as três alternativas." Na safra 2011/12, espera-se que a Raízen tenha um volume de cana de açúcar moída entre 53 milhões e 56 milhões de toneladas.
Ele disse não temer a concorrência da Petrobras no setor. "Há muito espaço no mercado de etanol para Raízen e Petrobras. O setor de produção de biocombustíveis é fragmentado no Brasil. E há oportunidade para players fortes trazerem tecnologia e eficiência, que sempre são bem-vindas no mercado", avaliou. A Raízen deve atingir 1,4 milhão de hectares plantados com cana de açúcar na safra 2016/17.
A estratégia da Shell para o setor prevê ainda pesquisa e desenvolvimento relacionada à segunda geração de biocombustíveis, disse Williams. Segundo o executivo, a empresa é hoje a maior compradora mundial de etanol, com um volume que chegou a 9,5 bilhões de litros em 2010. É também a empresa que mais mistura álcool à gasolina por força de legislações que obrigam à adição de etanol ao combustível fóssil em cerca de 50 países, incluindo EUA e Brasil. No primeiro, a adição de etanol à gasolina é de 10% de etanol à gasolina. No Brasil, o governo reduziu o percentual de mistura de 25% para 20% a partir de 1º de outubro.
Para Mark Williams, existem incertezas para o uso futuro do etanol na Europa, mas é possível ver o continente avançar para percentuais de mistura na gasolina entre 5% e 7%. A China, observou, está entusiasmada com o desenvolvimento de tecnologias de biocombustíveis enquanto a Índia, que tem um setor agrícola robusto, tem interesse no setor.

Eficiência depende de avanço tecnológico

Os custos de produção de etanol, em curva crescente, tornam urgente um avanço significativo da tecnologia usada para fabricar o biocombustível. Para especialistas, disso depende também a viabilidade futura do produto feito de cana-de-açúcar, que perdeu competitividade neste ano até em relação ao etanol de milho americano.
Há 30 anos, lembra Arthur Yabe, gerente setorial do Departamento de Biocombustíveis do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com uma tonelada de cana se produzia 3 mil litros de etanol. Ao longo dos anos, as tecnologias foram evoluindo a ponto de esse desempenho estar hoje em 7 mil litros.
Mas já há esgotamento dos ganhos de produtividade no sistema atual, diz Yabe. "Adicionar ganhos a esses patamares está cada vez mais difícil". O banco de fomento, em parceria com a Finep, vai destinar pelo menos R$ 1 bilhão este ano para pesquisas que busquem tecnologias para agregar palha e bagaço ao processo de produção de etanol e outros produtos energéticos, a exemplo de estudos para tornar economicamente viável o etanol celulósico.
Especialistas também acreditam serem necessárias mudanças no modelo de negócio existente hoje. O diretor de Finanças Corporativos da Czarnikow Group, Tiago Medeiros, defende que o setor precisa deixar de ser "superintegrado", ou seja, de concentrar todos os investimentos do processo.
"É preciso que outros investidores participem mais da cadeia de valor. Isso inclui mais terceirização do plantio de canaviais, de mecanização e de cogeração de energia", exemplifica Medeiros.
Atualmente, em torno de dois terços da cana é produzida ou gerenciada pelas próprias usinas. O resto, por fornecedores, informa Marcos Fava Neves, professor de Estratégia da USP. Mas esse cenário deve mudar, avalia. "Entram no setor empresas do ramo petroleiro, tradings, etc, que terão menos incentivo para gerir as áreas agrícolas", completa.
Além disso, afirma ele, os custos de produção de cana vêm se elevando consideravelmente, bem como o preço das terras. "O imobilizado para as usinas pode diminuir bastante, facilitando e financiando a expansão industrial"
Fábio Venturelli, CEO do grupo São Martinho, considerada uma das companhias de maior eficiência operacional por especialistas do setor, acredita que com a terceirização é possível dividir investimento, mas também significa dividir valor. Além disso, diz ele, a produção da cana é regida por legislação - ambiental e trabalhista - que impacta de "forma brutal" no modelo do fornecedor. "Trata-se de uma sofisticação incrível que traz ônus muito grande para os fornecedores menores", diz.
O CEO da São Martinho não acredita que um modelo de consolidação em oferta de cana-de-açúcar vá funcionar. "Quando esse grande fornecedor de cana existir, ele vai querer construir uma usina pois já vai ter 80% do custo da produção, que é a cana", avalia Venturelli. Ele vê vantagem na terceirização de atividades que não sejam "essenciais" da usina. Entre elas, a de transporte de vinhaça, por exemplo.
Para o executivo, o que pode de fato fazer diferença no crescimento do segmento é o adequado financiamento da lavoura de cana. Além de uma equação bem definida que envolva aquisição de maquinário, plantio e renovação de canavial, são necessárias linhas de crédito para plantio que considerem a cana como ativo, na opinião de Venturelli. "O crédito rural tem um ano de carência, mas o ciclo da cana é de cinco anos". (FB)

Incertezas desestimulam novas usinas

Carlos Eduardo Cavalcanti, do BNDES, considera natural que grupos queiram otimizar suas usinas já existentes


Após a onda de investimentos sucroalcooleiros da década passada, frustrada pela crise mundial a partir de 2008, pairam incertezas sobre o fôlego do novo ciclo de crescimento do setor. Neste ano, os grandes players anunciaram aportes de mais de R$ 4,5 bilhões, mas a maior parte desse montante é para ampliar usinas já existentes. Estas necessitam de menos capital por tonelada de capacidade instalada do que usinas novas, cuja implantação ainda esbarra em custos altos de etanol, margens apertadas e políticas públicas ainda turvas.
Mesmo entre os grandes grupos ainda é baixo o interesse na construção de unidades a partir do zero. A instituição financeira que mais vem financiando o setor nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem hoje em carteira apenas dois projetos enquadrados para construção de usinas novas. Outros dois estão em perspectiva de serem enquadrados.
A maior parte do montante do anunciado este ano será aplicado pela multinacional americana Bunge. Serão US$ 2,5 bilhões entre 2012 e 2016 para elevar a capacidade de moagem de suas oito usinas no país, de 21 milhões para 30 milhões de toneladas por safra. A Nova Fronteira Bioenergia (Petrobras e São Martinho) informou também aporte de R$ 520,7 milhões para elevar de 3 milhões para 8 milhões de toneladas a capacidade da usina Boa Vista, em Goiás.

Sem informar valores, a BP (ex-British Petroleum) anunciou este mês a expansão da capacidade de suas usinas já existentes. Esse investimento não está incluído nos R$ 4,5 bilhões. A petroleira também garantiu que construirá outras três unidades até 2020, apesar de ainda não ter mencionado quanto aplicará nos chamados "greenfields". Cargill e o grupo USJ também anunciaram ampliação nas usinas de Goiás, sem, porém, informar recursos.
A maior empresa do segmento, a Raízen (Cosan / Shell) promete anunciar nos próximos meses como vai elevar de 60 milhões para 100 milhões de toneladas sua capacidade de moagem de cana. Mas, por enquanto, também toca seu projeto de ampliação das unidades já existentes.
Enquanto os investimentos ainda avançam em ritmos de "recuperação", multiplicam-se as projeções sobre a necessidade de expansão nas próximas décadas para atender à demanda. Uma das consultorias internacionais mais importantes do setor, a Czarnikow Group projetou que até 2030 o Brasil precisará, em um cenário conservador, de investimentos da ordem US$ 338 bilhões para atingir processamento de cana de 1,4 bilhão de toneladas - atualmente são 600 milhões de toneladas.
Em um horizonte mais curto, de dez anos, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) prevê ser necessário investir US$ 80 bilhões na construção de mais de uma centena de usinas no país, que juntas agregariam mais 400 milhões de toneladas à capacidade atual.
Mas o que será possível realizar e a que tempo, ainda são questões sem resposta. Marcos Jank, presidente da Unica, volta a bater na tecla do preço estável da gasolina no Brasil, que limita a remuneração aos produtores de etanol. Se for resolvida essa questão, diz Jank, um novo ciclo de crescimento tem grandes chances de deslanchar. "Há vigor financeiro. Em cinco anos o país construiu mais de 100 usinas", lembra Jank.
Ele se refere ao período entre 2005 e 2010 quando o Centro-Sul recebeu cerca de US$ 50 bilhões (investimentos industriais) para construção de 112 indústrias de açúcar e etanol. Na época, a capacidade fabril de moagem dobrou para 600 milhões de toneladas.
Nesse mesmo intervalo, entre 2005 e 2010, só o BNDES participou com desembolso de R$ 27,1 bilhões ao setor. Nos nove meses deste ano (até 19 de setembro), R$ 3,88 bilhões foram liberados para projetos sucroalcooleiros, 50% do registrado em todos os 12 meses de 2010 (R$ 7,5 bilhões).
É natural que neste momento os grupos busquem otimizar o canavial e a indústria já existentes antes de partir para novos projetos, avalia Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES.
A instituição está confiante de que a "musculatura" do segmento para investir está mais forte. "Quando começou o boom, a partir de 2005, o setor não tinha grandes grupos como Petrobras, BP, Cargill e Bunge, e ainda assim investiu muito. Agora, será possível fazer mais", diz Cavalcanti, referindo-se ao perfil de dívida mais estruturado dessas companhias.
Mas mesmo para elas, o avanço dos custos de produção de etanol segue pressionando margens e o ânimo para investir em usinas novas. Segundo a Czarnikow Group, o custo operacional do hidratado, descontados impostos, foi de R$ 0,43 por litro na safra 2000/01, metade dos R$ 0,89 do ciclo 2010/11. Para a safra em curso, a 2011/12, esse valor está em R$ 0,95 por litro. "Como os preços do etanol têm limites para subir [gasolina], o custo alto significa um hidratado cada vez menos competitivo", diz Tiago Medeiros, diretor de finanças corporativas da Czarnikow.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

COMPETITIVIDADE

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, inicia nesta semana seu terceiro mandato na Fiesp e seu segundo no Ciesp, que vai até 2015. 

Metade da diretoria que toma posse hoje mudou. Dos vice-presidentes, permanecem Benjamin Steinbruch (CSN) e João Guilherme Sabino Ometto (S. Martinho). Josué Gomes da Silva (Coteminas) entra no lugar de Paulo Setubal (Duratex). 
"A palavra na nova gestão será competitividade", diz Skaf. "Pensando no país, precisa cortar imposto, em vez de aumentar, reduzir o custo da energia, melhorar a logística, que é cara, a educação, que é falha..."
 

Nos próximos dois anos, Skaf, que também comanda o Sesi (Serviço Social da Indústria de SP), planeja concluir a construção de cem escolas e reforma da rede, que passou a oferecer o ensino médio, em tempo integral, um investimento de cerca de R$ 3 bilhões. 

Em 2011, são 200 mil matrículas no Sesi e 1 milhão no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Recorde bilionário

Com um cenário que não prevê o agravamento da crise internacional, a indústria de mineração projeta investimentos recordes no Brasil entre 2011 e 2015. Apoiada na crescente urbanização das economias emergentes, como China e Índia, o setor prevê aplicações de US$ 68,5 bilhões em projetos para ampliar a produção de metais. O carro-chefe será o minério de ferro, que deverá receber dois terços dos recursos, para mais que dobrar sua produção para 771,5 milhões de toneladas em 2015.


No médio prazo, o horizonte também é otimista: de acordo com o Plano Nacional de Mineração, divulgado em fevereiro, os investimentos em pesquisa mineral, mineração e transformação mineral somarão US$ 270 bilhões até 2030, podendo chegar a US$ 350 bilhões se forem acrescidos os desembolsos em infraestrutura e logística. Mas, para o país ganhar mais espaço na concorrência com a América Latina, África, Ásia e Oceania, será preciso superar obstáculos, como a elevada carga tributária sobre a produção, altos preços da energia elétrica, a deficiente infraestrutura de transportes e a necessidade de maior conhecimento geológico.
Em 2009, metade da população mundial se concentrou em cidades e a outra, no campo. Até 2050, a relação mudará: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), dois terços do planeta habitarão a zona urbana. Um exemplo dessas transformações é a China: nos próximos 25 anos, 800 milhões de chineses irão para as cidades. A expansão chegará às ruas: hoje, o país tem uma média de 34 carros por mil habitantes. Em 2020, essa relação chegará a 100 carros para mil chineses. O país asiático, que vem construindo 7 milhões de moradias por ano, terá 25 cidades com mais de 20 milhões de habitantes. "A urbanização dos emergentes impulsionará a demanda", diz Paulo Camilo Vargas Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), para quem o balanço entre oferta e demanda ficará apertado até 2015.
Os novos investimentos poderão reforçar o peso do setor na balança comercial verde-amarela. Em 2006, as exportações do setor mineral somaram US$ 11 bilhões, com importações de US$ 4,5 bilhões, resultando em um saldo de US$ 6,5 bilhões. Em 2010, os embarques chegaram ao recorde histórico de US$ 35,3 bilhões (17,5% dos US$ 202 bilhões exportados pelo país no ano passado), com importações de US$ 7,7 bilhões, saldo de US$ 27,6 bilhões. Para este ano, projeta-se superávit de US$ 33 bilhões, com exportações de US$ 43 bilhões, novo recorde.
"A demanda permanecerá aquecida enquanto países emergentes mantiverem altos seus níveis de consumo o que elevará o nível dos preços internacionais das commodities minerais. Esses países têm uma árdua tarefa: aumentar a renda per capita e o padrão de vida dos habitantes, além de urbanizar as populações. Isso demandará grandes quantidades de minerais", afirma Sérgio Augusto Dâmaso de Sousa, diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
"O país passa por um momento único de desenvolvimento que pode ser verificado pela maior demanda de bens minerais, pelos investimentos em infraestrutura necessários para a realização de eventos a serem realizados no país, como a Copa do Mundo de 2014", diz o diretor do DNPM. Cenário tão promissor será discutido no 14º Congresso Brasileiro de Mineração, que se inicia hoje em Belo Horizonte (MG) e se prolonga até o dia 29.
Novas fronteiras, como fertilizantes e terras raras, têm despertado a atenção dos investidores. O aumento da população mundial e a restrição à existência de novas fronteiras agrícolas exigem o uso de fertilizantes para elevar a produtividade.
Um dos maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil também é um dos maiores importadores de potássio e fosfato, usados na indústria de fertilizantes. "O Brasil terá de ter maior produtividade, evitando maior desmatamento, o que poderia fazer surgir barreiras não-alfandegárias, o que mostra a importância dos produtos", diz Penna. Assim, cresce o interesse das mineradoras pelos minerais agrícolas.
Outro foco de atenção são as terras raras, usadas em informática, ótica eletrônica, telecomunicações, motores híbridos e outros. "Fomos pioneiros na exploração e exportação na década de 1940, depois perdemos tradição", diz Ronaldo Luiz Santos, coordenador de processos metalúrgicos e ambientais do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. "Com o pré-sal, que exigirá o uso de novos materiais, um novo nicho se abre", diz o pesquisador. Hoje, o beneficiamento de óxidos de terra rara de elevada pureza é feito fora do país. "É preciso uma política específica para o segmento", defende Santos.
Se o cenário é otimista, há preocupações no horizonte. Uma delas se refere ao cenário macroeconômico internacional. "O momento é complexo, com EUA e Europa em crise, os emergentes preocupados com a inflação, o que pode fazer a China reduzir o crescimento com alta dos juros, e questões políticas no Oriente Médio e no Norte da África", diz Ronaldo Valiño, líder de mineração e siderurgia da PwC Brasil.
Apesar da turbulência, Valiño não acredita em um cenário semelhante ao de 2008, quando a crise derrubou os preços das commodities e postergou projetos. "A despeito dos riscos, as informações coletadas na cadeia produtiva apontam que a China tem investido mais do que o previsto nessa década e há expectativa de a Índia aumentar a demanda."
O peso da China é considerável. Com a maior produção siderúrgica do mundo, responde por cerca de 50% do mercado transatlântico de minério de ferro, além de importar outros metais. "É pouco provável que a crise no Atlântico Norte seja suficientemente intensa para prejudicar os investimentos na mineração de ferro brasileira, que visam a atender principalmente o crescente mercado asiático", afirma o professor Germano Mendes, da Universidade Federal de Uberlândia.
Segundo ele, na crise de 2008, a ociosidade da siderurgia mundial cresceu de 11% em junho para 21% em setembro do mesmo ano. "Agora, passou de 18% em abril de 2011 para 20% em julho, o que mostra a menor intensidade da crise e ajuda a explicar a relativa robustez dos preços spot do minério de ferro", diz Mendes. Para analistas, os preços do minério devem oscilar entre US$ 140 a US$ 180 no início de 2012.
Há outros entraves no segmento: a elevada carga tributária, que pode ser aumentada ainda mais com a nova taxação dos royalties, e as deficiências de infraestrutura, como a logística.
Pela proximidade com a China, a Austrália tem um custo de frete dois terços mais baixo que o do Brasil. Em paralelo, a alta do preço da energia elétrica é outro fator preocupante para as empresas mineradoras.
"As companhias têm uma lista de projetos muito relevante para o país, mas é preciso avançar na agenda de custos, porque o Brasil está no pódio quando se comparam os impostos sobre a produção de metais", afirma Penna, do Instituto Brasileiro de Mineração.
Outra dificuldade é que, apesar do rico subsolo, o Brasil ainda tem um baixo conhecimento de suas reservas, com um conhecimento geológico de cerca de 20% de sua extensão.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Biomassa tende a elevar participação na oferta de energia

A atual oferta mundial primária de energia gira em torno de 500 exajoules, tendo como principais protagonistas o carvão, o petróleo e o gás natural.
A biomassa participa com cerca de 10% do total, mas 80% da oferta advinda de biomassa é não comercial. São principalmente a lenha e a madeira usadas na cocção e no aquecimento em países onde a energia ainda não é produzida e distribuída de forma organizada. Essa é também a principal fonte de desmatamento nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Os 20% que são comerciais são consumidos na forma de eletricidade, que representa 1,5 exajoule; geração de calor, 4 exajoules; e biocombustíveis, que representam 2 exajoules. Portanto, em nível global, os biocombustíveis ainda representam somente 0,4% da oferta primária de energia.
Não por outro motivo, a área agrícola ocupada pelos biocombustíveis no mundo é ainda pequena. O planeta possui 13,2 bilhões de hectares de terras, dos quais 1,53 bilhão é cultivado com todas as culturas. Pastagens, que produzem carnes, leite e lã ocupam outros 3,2 bilhões de hectares. No mundo, os biocombustíveis ocupam apenas 0,025 bilhão, ou 25 milhões de hectares; no Brasil, a cana destinada ao etanol ocupa apenas 4,7 milhões de hectares.
Embora o Brasil tenha perdido em 2007, para os Estados Unidos, a primazia de maior produtor de etanol do mundo, é o país que desponta como o que mais avançou em termos relativos.
O Brasil demonstrou que a produção de biocombustíveis é viável quando realizada a partir da cana. Em 2010, os Estados Unidos produziram 50,1 bilhões de litros de etanol, mas, considerando o etanol usado apenas como combustível, conseguiram substituir apenas 8% do seu consumo de gasolina. A meta é atingir 136 bilhões de litros até 2022.
Embora a atual safra brasileira esteja sendo muito afetada por clima absolutamente anormal, um esforço grande está sendo realizado na reforma e na expansão dos canaviais.

O objetivo é atender à demanda crescente de etanol no Brasil e nos Estados Unidos, especialmente porque a partir de 2012 o mercado dos EUA será totalmente liberado, com a eliminação do subsídio federal e do Imposto de Importação, abrindo perspectivas promissoras de expansão do comércio bilateral relacionado ao etanol.

PLINIO NASTARI é mestre e doutor em economia agrícola e presidente da Datagro Consultoria. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fundo vai subsidiar inovação no Centro-Oeste

A partir de hoje, os empresários da região Centro-Oeste que quiserem tomar um empréstimo para investimentos em inovação terão à disposição uma linha de crédito subsidiado, com juros de 5,7% a 8,5% ao ano, e cinco anos de carência. Trata-se do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que lança linha específica ao financiamento de investimentos, capital de giro e compra de insumos para ciência, tecnologia e inovação.
Com R$ 15 bilhões em carteira e metade do aporte de R$ 4,8 bilhões que o Tesouro fez no início deste ano à disposição, o FCO inicia, aos poucos, a transição para um modelo de financiamento que o governo Dilma Rousseff incumbiu aos operadores de crédito público no país, focado na inovação, especialmente à indústria.
Administrados pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e pelo Banco do Brasil (BB), os recursos do FCO serão disponíveis a qualquer empresa que apresentar um projeto de inovação, independentemente do setor. Para o microempresário que tomar empréstimos de até R$ 240 mil, os juros serão de 5,7% ao ano. Já os empréstimos que superarem R$ 35 milhões terão juros de 8,5% ao ano. Todas as modalidades terão a mesma carência - de cinco anos para crédito ao investimento e três anos para capital de giro - e o mesmo prazo, que vai de 15 a 20 anos, para o pagamento do principal.
A Sudeco estima que nos primeiros meses de operação, a demanda ficará entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. Mas, segundo Marcelo Dourado, diretor-superintendente da Sudeco, a crescente mobilização dos agentes de crédito e do governo federal como um todo em torno de inovação deve aumentar a demanda. "O governo está, em diferentes frentes, aumentando fortemente os esforços na consolidação de uma cultura de inovação nas empresas", diz Dourado, que acredita que "isso vai se impregnar no país nos próximos anos".
O principal foco da Sudeco, com a nova linha de financiamento é incentivar a criação de um parque tecnológico na região. "O Centro-Oeste não tem nenhum parque tecnológico implantado, enquanto apenas o Nordeste tem quatro, sendo dois muito recentes [Camaçari, na Bahia, e Suape, em Pernambuco]", afirma Dourado. "A área ao nordeste do Estado de Goiás é propícia a um parque de energia eólica, por exemplo", diz ele, para quem os recursos devem servir para "impulsionar as vantagens comparativas" da região.
O equivalente a 58% do total de recursos que são repassados anualmente pelo Tesouro ao FCO são divididos igualmente pelos Estados de Goiás e Mato Grosso, onde estão concentrados os maiores produtores da região. Outros 23% vão para os empresários do Mato Grosso do Sul e o restante para empresas do Distrito Federal.
Criado pela Constituição de 1988, o FCO viu seu orçamento saltar nos últimos anos - saiu de R$ 3,1 bilhões em 2009 para R$ 4,8 bilhões neste ano. Como, no entanto, não empresta todos os recursos que recebe dos cofres públicos, o FCO tem em caixa cerca de R$ 15 bilhões.

Mercado não regulado de CO2 avança

 

Marco Antônio Fujihara: entraves de Kyoto estão longe de significar o fracasso dos instrumento de controle

A falta de perspectiva de acordo com relação ao Tratado de Kyoto torna o cenário para o mercado regulado de créditos de carbono sombrio e tenebroso, nas palavras do consultor Marco Antônio Fujihara, diretor da consultoria Key Associados e do Instituto Totum. Por outro lado, é cada vez maior o mercado não regulado de créditos de carbono, garante Fujihara.
Segundo o especialista, no entanto, o impasse em Kyoto está longe de significar o fracasso desse instrumento de controle das emissões de poluentes. Para Fujihara, acordos entre governos e nações têm prosperado, criando as bases para a expansão desse mercado. "Temos acompanhado boas iniciativas como acordos do governo da Califórnia e do Japão para reduzir as emissões. Essas iniciativas podem ser promissoras", afirma.
Além dos acordos bilaterais, crescem no Brasil e no mundo as transações envolvendo créditos de carbono no chamado mercado não regulado. São empresas ou governos que, por conta própria, decidem compensar suas emissões por meio de projetos de redução de poluentes ou mesmo comprando créditos de outras empresas.
Segundo o estudo Bloomberg New Energy Finance, o mercado não regulado de créditos de carbono cresceu cerca de 30% em 2010 ante o ano anterior. Segundo o anuário, foram transacionados cerca de 131 milhões de toneladas métricas de carbono em 2010 contra 98 milhões de toneladas no ano anterior.
Especialista no assunto e consultor de projetos de crédito de carbono, Felipe Bittencourt, diretor comercial da Way Carbon, diz que o Brasil, entre os países em desenvolvimento, é o terceiro que mais promove mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), nos quais se enquadram os projetos de créditos de carbono. China e Índia são os líderes. Ele lembra ainda que o Brasil foi a origem do primeiro projeto de MDL no mundo, com o aterro sanitário Nova Gerar, no Rio de Janeiro.
"Há diversos projetos em andamento no Brasil. São empresas que promovem a troca de um combustível mais poluente por outro limpo e assim geram créditos de carbono ou outras que querem compensar as emissões de uma expansão comprando créditos de carbono", afirma.
Bittencourt afirma que tal cenário se explica pela maior importância dada por empresas e governos a questões ambientais. "Cada vez mais as empresas conscientizam-se de que precisam incluir em seus balanços aspectos ambientais. Sendo assim, muitas empresas estão comprando créditos de carbono como forma de compensar o impacto ambiental de suas operações."
Carlos Rossin, diretor da área de sustentabilidade da PricewaterhouseCoopers, corrobora essa visão. Segundo ele, a questão da valorização ambiental é um tema consolidado, e o mercado de carbono, com isso, só tende a crescer no Brasil e no mundo.
Para ele, novas normas contábeis que permitem às empresas contabilizar em balanço suas emissões torna quase obrigatório que essas companhias busquem no mercado créditos para compensar suas emissões.
Segundo o diretor da PwC, a crise global afetou as transações de carbono no mundo todo, inclusive no Brasil, mas para ele isso não significa o declínio do sistema de captura e comércio de carbono.
"Em pouco tempo esse sistema vai evoluir para outros ativos ambientais, como os resíduos e o uso da água. Aos poucos as pessoas vão começar a descobrir o custo de limpar a água e isso pode criar um mercado para a preservação da água limpa", afirma.
Outro ponto crítico para o Brasil, segundo Rossin, é o lixo. Com o crescimento do consumo, o país irá produzir mais lixo, cujo manejo pode ser alvo de ações de captura e venda de créditos. "Imagine um lixão. Se seu administrador tiver metas para redução de uso, ele poderia ter o estímulo de transformar isso em créditos e eventualmente vendê-los", afirma.
Para o diretor da empresa, o desafio principal do Brasil está na esfera legislativa. Aqui, afirma ele, a lei tende a criar punições, mas não estabelece prêmios para aqueles que cumprem determinados parâmetros, como eventualmente a concessão de créditos para aqueles que preservam o meio ambiente. Este é, em sua visão, o desafio do país nessa área. Criar leis criativas que estimulem a preservação ambiental sem se concentrar apenas em punições.
Um outro desafio para o mercado de carbono no Brasil e no mundo é o fim do Tratado de Kyoto, que expira em 2012. Caso não haja novo acordo, restará apenas o mercado não regulado de créditos de carbono.
Para Felipe Bittencourt, da Way Carbon, isso não será o fim dos projetos de crédito de carbono. Mas haverá uma diferença no preço. Enquanto uma tonelada de carbono equivalente é vendida hoje por € 8,9 no mercado regulado, no mercado não regulado essa mesma tonelada vale apenas € 2,3.
"Não é possível afirmar o que vai acontecer depois de 2012, mas o mercado não regulado tem crescido bastante no Brasil. Começa a surgir um mercado interno com a adoção de metas de redução de emissões por parte de governos como o de São Paulo", afirma ele.
Para Bittencourt, o mercado não regulado possui ainda um grande potencial de crescimento em razão da menor burocracia. "Para entrar no mercado regulado é preciso cumprir um procedimento longo e burocrático que pode levar até um ano. No mercado não regulado isso é mais simples e menos custoso".

DEDINI PREVÊ ´RECUPERAÇÃO MAIOR´ SÓ EM 2012

A Dedini Indústrias de Base S.A. prevê apenas para 2012 uma reação mais significativa das encomendas do setor sucroalcooleiro e do desempenho financeiro da companhia, ao contrário das perspectivas iniciais de que a retomada ocorreria em 2011.

"A expectativa é de que teremos um lucro ainda pequeno em 2011, pois o mercado reagiu muito pouco; a incerteza do setor e a queda produção da cana postergaram investimentos para 2012, quando, acredito, haverá uma recuperação maior no desempenho da companhia", disse à Agência Estado Sérgio Leme dos Santos, diretor presidente da Dedini, maior indústria de base do setor sucroalcooleiro do País.

Segundo ele, apesar de consultas e orçamentos solicitados, não há projetos greenfield (novas fábricas) definidos para o próximo ano, e as demandas do setor são apenas de brownfields, ou seja, da ampliação das unidades já existentes.

A Dedini divulgou hoje o balanço de 2010, no qual relatou prejuízo líquido consolidado de R$ 12,506 milhões, forte redução de 90,9% sobre o prejuízo líquido de R$ 137,09 milhões de 2009. Para Santos, a demora superior a nove meses para a publicação do balanço ocorreu porque a empresa se adaptou às demonstrações financeiras e à legislação internacional.

A melhora no desempenho financeiro da empresa, com a redução no prejuízo, ocorreu, segundo o executivo, após uma política de corte de custos e de melhoria de produtividade. "Apertamos o cinto em despesas, fizemos compras melhores e ainda eliminamos fatores não recorrentes, como a inadimplência de 2009, fruto da crise de 2008", disse Santos.

A Dedini obteve uma receita líquida consolidada de R$ 804,4 milhões em 2010, queda de 29,3% sobre o total de R$ 1,138 bilhão de 2009. O custo dos produtos e dos serviços prestados atingiu R$ 733,43 milhões, 36,61% menor que os R$ 1,157 bilhão do ano anterior. A companhia informou ainda que saiu de um prejuízo bruto de R$ 18,766 milhões em 2009 para um lucro bruto de R$ 70,98 milhões no ano passado.

A Dedini aposta na melhoria, ainda em 2011, nas encomendas de outros setores, principalmente o de petróleo e gás. "As encomendas desse setor normalmente ocorrem no segundo semestre e terão impacto em 2012", disse o executivo, que comemora também os anúncios previstos pela Petrobras no setor sucroalcooleiro. "Isso nos anima, porque há uma parceria e a Dedini é um fornecedor muito interessante da Petrobras", concluiu

(Agência Estado, 21/9/11)