quinta-feira, 2 de junho de 2011

Brasil receberá US$ 6 bi do Banco Mundial

O presidente da instituição, Roberto Zoellick, afirma que maior parte do dinheiro vai para o Nordeste
O presidente do Banco Mundial (Bird), Roberto Zoellick, afirmou hoje que o Brasil receberá entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões em empréstimo da instituição a partir de julho. Deste total, US$ 3,5 bilhões serão para projetos no Nordeste. A média do valor de empréstimos para o Brasil tem sido em torno de US$ 3,1 bilhões nos últimos anos. Em 2010, foram US$ 3,7 bilhões.
Zoellick disse que o Bird quer dar foco nos Estados do Nordeste para aproveitar o crescimento que está ocorrendo na região. "O Nordeste do Brasil cresce mais rápido que o resto do País. É bastante singular", afirmou. Segundo ele, é preciso superar os constrangimentos fiscais dos Estados para atrair mais investimentos de longo prazo. O presidente do Bird disse que nos últimos anos o banco direcionou 80% dos empréstimos para Estados e municípios.
Zoellick discutirá amanhã com a presidente Dilma Rousseff os temas para a próxima reunião do G-20, com ênfase em segurança, alimentação e preços de commodities. Também será tratado o êxito do programa Bolsa Família. Segundo ele, há ainda milhões de pessoas na pobreza. Zoellick disse que o Bird tem usado a experiência do Brasil em outros países.
Zoellick destacou que também é preciso reduzir o custo Brasil, um dos problemas mais citados pelos empresários brasileiros. "O tópico do custo Brasil sempre surge e leva a menos eficiências. Isso é importante para o futuro. O Brasil é grande produtor de commodities, mas o boom de commodities não dura para sempre", afirmou. "É bom desenvolver serviços e manufaturas", completou.
Ele disse que o banco também pode ajudar a estruturar o modelo de privatização dos aeroportos brasileiros. "A ideia não é financiar tudo, mas compartilharmos experiências", afirmou. Outra área que o Bird pode apoiar a implementar é a formação de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Em dificuldades, estaleiro modelo do governo Lula terá aporte bilionário

Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, ainda não conseguiu entregar nenhum dos 22 petroleiros encomendados pela Transpetro

Problemas. Operários do Estaleiro Atlântico Sul: primeiro petroleiro construído pela empresa ainda passa por reparos

Os sócios do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, preparam capitalização bilionária para o empreendimento, vencedor da licitação para a construção de 22 petroleiros encomendados pelo Transpetro. As empresas Camargo Corrêa (40%) e Queiroz Galvão (40%), com o aporte, tentarão sanar grave problema de fluxo de caixa do EAS, sem receita para os pesados investimentos.
Ainda há dúvidas se os outros sócios, a coreana Samsung Heavy Industries (10%) e a brasileira PJMR Empreendimentos (10%), acompanharão o aporte ou diluirão as participações no processo de aumento de capital. O estaleiro assinará o contrato de construção das primeira sondas de perfuração da Petrobrás fabricadas no Brasil.
O primeiro petroleiro encomendado pela Transpetro, entregue em maio de 2010, ainda está no estaleiro, por conta de problemas de fabricação. Uma segunda unidade já deveria estar em construção, mas atrasou. Por enquanto, o EAS tem recebido as parcelas do financiamento obtido no BNDES, com verba do Fundo de Marinha Mercante e pagamento direto à Transpetro, subsidiária da Petrobrás.
O BNDES informou ter aprovado três financiamentos para o estaleiro, que somam R$ 1,3 bilhão. Segundo a Agência Estado apurou, em levantamento extraoficial, já foram aprovados no banco de fomento financiamentos de, pelo menos, R$ 5,7 bilhões desde 2007, quando começaram as obras do estaleiro. Do total, R$ 2,6 bilhões foram aprovados para a Transpetro repassar à construção dos navios (procedimento comum em empréstimos para construção de equipamentos de grande porte). Não há informações sobre quanto já foi efetivamente liberado.
As construtoras negam que a capitalização esteja em curso, mas executivos ligados a elas admitem preocupação com o negócio. Fontes que acompanham o processo argumentam que o aporte é a única solução para resolver o fluxo de caixa de uma empresa em "pleno investimento", com carteira grande de encomendas de longa maturação.
Empresa paralela. A preocupação chega ao ponto de as duas empresas estarem constituindo uma empresa paralela, a Drill Corporation, que ficaria responsável pela construção das sondas. A estratégia tem por objetivo não repassar o risco financeiro do EAS para o novo contrato, que deve ser assinado ainda neste semestre com a empresa Sete Brasil, formada por fundos de pensão, bancos e Petrobrás.
O EAS, idealizado entre 2003 e 2004, foi por bom tempo chamado de "estaleiro virtual" ou "de papel", pois o projeto incluía a construção simultânea das instalações e de navios e plataformas. Ao vencer a primeira licitação da Transpetro para construir dez navios e na sequência, a plataforma P-55, o EAS foi tratado como "jóia da coroa". Ao ser criado, em 2005, tornou-se o maior estaleiro da América Latina e prometeu criar quase 20 mil empregos, então metade da mão de obra da indústria naval brasileira.
Ante os rumores sobre as dificuldades financeiras, a administração do EAS foi sucinta. Em nota de uma linha limitou-se a informar que desconhece "qualquer operação de aporte dos seus acionistas".
No último dia 12, o Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante aprovou a ampliação da área do estaleiro. A empresa embasou a solicitação na necessidade de ter mais espaço para construir os sete navios-sonda que atuarão no pré-sal, ao custo de US$ 4,6 bilhões. O EAS negocia no BNDES mais recursos para aumentar as instalações.
Ouvido pela Agência Estado, integrante do conselho disse que há preocupação quanto ao EAS. "Nas condições atuais (técnicas e de capacitação de mão de obra), o estaleiro não faz as duas coisas (sondas e petroleiros) ao mesmo tempo", afirmou.
Um dos principais problemas do estaleiro é a qualidade da formação de mão de obra local, o que atrasou as obras e causou problemas estruturais que impediram a entrega do primeiro navio, o João Cândido, em agosto, três meses após ser lançado ao mar pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ineficácia do estaleiro provocou até a demissão de parte dos executivos responsáveis pelo petroleiro: o presidente Ângelo Bellelis; o diretor industrial, Reiqui Abe, e seu adjunto, Domingos Edral; e o diretor de Planejamento, Wanderley Marques.

ArcelorMittal Brasil quer novo laminador de US$1 bi

SÃO PAULO (Reuters) - A ArcelorMittal Brasil quer instalar um novo laminador de 1 bilhão de dólares em sua usina em Tubarão (ES), para transformar o excedente de placas de aço da unidade em produtos de maior valor agregado destinados ao mercado interno.
O projeto foi pensado diante do excedente de oferta de aço no mercado mundial e das dificuldades de exportação.
Em entrevista à Reuters nesta quarta-feira, o diretor-presidente da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista Filho, afirmou que a matriz deve aprovar o projeto no final de 2012.
O novo equipamento consumiria as 3,5 milhões de toneladas de placas que a usina de Tubarão destina ao mercado externo. O laminador começaria a ser erguido em 2013, ficando pronto no segundo semestre de 2015. O investimento é da ordem de 1 bilhão de dólares.
O executivo comentou ainda que não "vê muita oportunidade para se mexer em preços (de aço no mercado interno) no curto prazo".
"Vamos ter que esperar mais um, três meses para ver como as coisas se desenvolvem. De repente podemos ter até ter surpresa negativa. Tem muita incerteza no mercado", afirmou.
A empresa concedeu descontos de preços de cerca de 10 por cento aos clientes no Brasil no final de 2010, para fazer frente à enxurrada de importações de aço, e ainda não eliminou integralmente esses descontos, comentou o executivo.
Enquanto as aprovações para o projeto do laminador não chegam da matriz, a companhia está modernizando a usina de Tubarão, que tem três alto-fornos, dos quais um está parado por falta de demanda por placas de aço no exterior.
Com isso, o alto-forno 1, de 3 milhões de toneladas, vai parar a partir de abril de 2012 para passar pela primeira reforma geral desde que começou a operar em 1983. "Normalmente os alto-fornos têm campanha de 10, 15 anos, mas esse vamos parar com 29 anos de operação, um recorde mundial."
Segundo Baptista, antes da reforma de 90 dias começar em 1o de abril de 2012, o alto-forno 1 de Tubarão terá que reduzir o ritmo para ser esvaziado sem comprometer a instalação e "isso significa que vamos ter que começar a fazer uma redução na produção do forno lá para outubro, chegando a zero no final de março".
Enquanto o forno 1 é desligado e reformado, o alto-forno 2, com capacidade para cerca de 1 milhão de toneladas por ano, será religado depois de ficar inerte desde 2008, após a crise financeira internacional que derrubou a demanda mundial, disse o executivo.
Segundo ele, não há garantias de que após a reforma do alto-forno 1 a usina continuará operando a unidade 2.
"Ele (alto-forno 2) está em 'standby', decidimos não ligar ainda porque toda a produção de placa é voltada para exportação. Ele usa ainda pelotas, que é muito mais caro que minério de ferro. Fazendo a conta, não justifica, não tem mercado internacional que dê preço para se ter rentabilidade."
BRASIL ESTÁ CARO
O executivo comentou que apesar de 25 por cento da produção da companhia no Brasil ser destinada à exportação, o mercado interno mostra vantagens sobre o externo.
"O Brasil está caro, nos últimos 5 anos ficamos 80 por cento mais caros em dólar. Com essa situação é óbvio que a competitividade que o país tinha na exportação de aço foi muito afetada e, portanto, o foco das siderúrgicas é atender o crescimento da demanda doméstica."
Além de voltar Tubarão para o mercado interno, a ArcelorMittal Brasil está ampliando a capacidade da usina em São Francisco do Sul (SC) de olho no aquecido mercado automotivo.
Baptista disse a companhia conclui até o final deste ano contratos para a construção de uma terceira linha de galvanização que ampliará a capacidade de aços planos da usina de 1,35 milhão para 2 milhões de toneladas por ano, em investimento de 300 milhões de dólares. A nova capacidade deve começar a operar entre o final de 2013 e início de 2014, disse o executivo.

Lobão: regra para garantir etanol em 2012 sai em 30 dias

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou hoje que em 30 dias deve apresentar um documento com regras para o mercado de etanol, a fim de evitar o desabastecimento no País e a volatilidade dos preços em 2012, como foi visto este ano. Ele se reuniu no final da tarde com representantes do governo e do setor privado para buscar uma saída comum para o problema.
"Queremos ajustar procedimentos com vista à safra 2011/2012. Para não termos surpresas desagradáveis em 2012, tomaremos providências com um ano de antecedência", disse Lobão. "Queremos evitar desabastecimento e sobressaltos", acrescentou. De acordo com ele, o Ministério da Fazenda está estudando pedido da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do setor privado de linhas específicas de financiamento voltadas para o armazenamento do etanol no momento de maior oferta, quando os preços baixam.
O ministro disse ainda que duas ou três reuniões já foram realizadas sobre o assunto com o setor e admitiu que até o momento ainda não se chegou a nenhuma conclusão. "A decisão que for melhor para o País o governo tomará", afirmou.

Tereos Internacional compra 70% da Halotek-Fadel por R$49 mi

SÃO PAULO, 2 DE JUNHO - O grupo de açúcar e biocombustível Tereos Internacional anunciou na noite de quarta-feira a aquisição de 70 por cento da fabricante de amido Halotek-Fadel Industrial por 49 milhões de reais.
A operação, que prevê o aporte de 15 milhões de reais diretamente na Halotek-Fadel, foi realizada por meio da Syral do Brasil, subsidiária da Tereos.
"Os recursos que serão investidos diretamente na Halotek-Fadel serão destinados para a expansão da capacidade e da linha de produtos da unidade industrial", afirma a companhia em documento ao mercado.
Localizada em Palmital, interior de São Paulo, a Halotek-Fadel tem capacidade de produção de 60 mil toneladas de amido de mandioca por ano, e está investindo em uma nova unidade para produzir amido de milho.
A aquisição representa o primeiro investimento da Tereos na indústria de amido no Brasil e integra o programa de desembolsos de 100 milhões de euros, anunciado em fevereiro.
A Tereos protocolou na semana passada pedido para realizar uma oferta pública primária de ações para reforçar sua estrutura de capital.
A empresa estima que a operação movimente entre 450 milhões e 600 milhões de reais.

Cerradinho prevê investir US$ 400 mi em nova usina

Após vender duas usinas para o Grupo Noble, empresa volta a falar em expansão da produção de etanol.

O Grupo Cerradinho vai investir US$ 400 milhões na construção de uma nova unidade ao lado da usina Porto das Águas, em Chapadão do Céu (GO).Aexpectativa é de que as duas usinas tenham capacidade de moer 8 milhões de toneladas em sete anos. Atualmente, a Porto das Águas processa 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Segundo João Nogueira, membro do conselho de administração do Grupo Cerradinho, a Porto das Águas mudará de nome para Cerradinho Bioenergia. “As duas usinas se concentrarão na produção de etanol e bioeletricidade.”

Nogueira informou que a Cerradinho concluiu hoje a operação de venda de suas duas usinas paulistas para a Noble Group. O negócio foi fechado em dezembro de 2010 por cerca de R$1,5 bilhão, incluindo a dívida da empresa, de aproximadamente R$1 bilhão. Com a conclusão da operação, as duas usinas, localizadas em Catanduva e em Potirendaba, no interior paulista, passam para a Noble.

Dos R$ 500 milhões recebidos da Noble, R$ 250 milhões serão utilizados para capitalizar a Cerradinho Bioenergia. O executivo explica que os outros R$ 250 milhões serão investidos na holding Cerradinho para a diversificação dos negócios da família Sanches, controladora do grupo.

“Um dos setores estudados para entrarmos é o imobiliário”, disse o conselheiro. Ele afirmou também que o Grupo Cerradinho deve elevar sua atuação na área de terras. Atualmente, o grupo possui a Cerradinho Floresta, responsável pela administração das terras e de outras atividades ligadas ao agronegócio.
Segundo Nogueira, a empresa inaugurou um terminal d
e transbordo férreo para recepção, armazenamento e transferência do etanol localizado em Goiás, próximo a Chapadão do Céu. “O terminal permite uma logística eficiente entre a região Centro-Oeste e o município de Paulínia (SP), onde o produto é distribuído para os mercados consumidores paulistas”, disse. O terminal já movimenta 1,5 milhão de litros por dia e deve chegar a dois milhões de litros de etanol diários até o final do ano. Desse volume, metade já representa prestação de serviço para terceiros.

Expansão
A
Noble já possui outras duas usinas, Meridiano e Noroeste Paulista. Com as quatro usinas, o grupo vai processar 17,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produzir 1,34 milhão de toneladas de açúcar, 600 milhões de litros de etanol e 750 megawatts de excedente exportável de bioeletricidade da cogeração de bagaço de cana.

O setor sucroalcooleiro é o primeiro em que o grupo Noble, especializado na comercialização de commodities, entra também na produção. A companhia possui 65% de cana própria em suas unidades. Além disso, opera no Brasil também com café e grãos, mas não possui operações de produção com essas commodities (O Estado de S.Paulo, 2/6/11)

Louis Dreyfus registra prejuízo de R$ 97,6 milhões em 2010

A Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. relatou prejuízo líquido consolidado de R$ 97,604 milhões no ano de 2010, ante lucro líquido do R$ 527,782 milhões em igual período de 2009. Os dados constam nas demonstrações financeiras publicadas hoje no Diário Oficial do Estado de São Paulo. A companhia é o braço agroindustrial da francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC) no País, excluindo as operações de citros e bioenergia, reunidas em outras duas empresas independentes.

A LDC Brasil registrou receita líquida consolidada em 2010 de R$ 6,827 bilhões, leve recuo de 0,21% ante os R$ 6,841 bilhões no anterior. Os custos dos produtos vendidos variaram de R$ 6,371 bilhões em 2009 para R$ 6,195 bilhões no ano passado, queda de 2,76% entre os períodos, de acordo com os dados consolidados divulgados pela empresa.

Com isso, o lucro bruto consolidado da LDC Brasil em 2010 chegou a R$ 631,8 milhões, alta de 34,3% ante os R$ 470,4 milhões de lucro bruto da companhia no ano passado. No entanto, a LDC Brasil, que obteve uma receita operacional de R$ 92,196 milhões em 2009, relatou uma despesa operacional de R$ 845,746 milhões no ano passado. A variação que impactou diretamente na transformação de lucro para prejuízo consolidados entre os períodos.

Pela avaliação dos dados consolidados disponibilizados pela companhia, a maior variação foi obtida na diferença entre as receitas e despesas financeiras. Em 2009, a LDC Brasil conseguiu um resultado positivo de R$ 343,78 milhões entre a receita financeira de R$ 1,444 bilhão e a despesa financeira superior a R$ 1,1 bilhão. No ano passado, as operações financeiras foram bem menores, com receita financeira de R$ 110,9 milhões e despesa de R$ 288,57 milhões, o que trouxe um resultado financeiro negativo de R$ 177,678 milhões.

A LDC Brasil registrou ainda o aumento nas despesas gerais, administrativas e de vendas de R$ 580,22 milhões para R$ 715,15 milhões entre 2009 e 2010 e uma queda de R$ 487,37 milhões para R$ 68,9 milhões nas chamadas outras receitas entre os períodos. Com isso, o resultado antes da tributação sobre o lucro da LDC Brasil, positivo em R$ 562,612 milhões em 2009, ficou negativo em R$ 213,9 milhões no ano passado.

No balanço, a companhia relata ainda o processo de reestruturação finalizado em 2010, com a cisão da operação de bionergia - açúcar, etanol e energia cogerada - a qual ficou a cargo da LDC SEV. A empresa nasceu da incorporação da Santelisa Vale pela Louis Dreyfus Commodities Bioenergia, em 2009, mas a operação só terminou no início do ano passado.

Citros

A Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial, braço de citros e de produção de suco de laranja no Brasil da companhia francesa, registrou prejuízo líquido de R$ 39,137 milhões no País em 2010, ante lucro líquido de R$ 85,992 milhões no ano anterior. As demonstrações financeiras foram publicadas na edição de hoje do Diário Oficial do Estado de São Paulo.

No ano passado, a receita líquida da LDC Agroindustrial ficou em R$ 619,021 milhões, queda de 11,09% ante os R$ 696,255 milhões de receita líquida de 2009. Os custos dos produtos e dos serviços prestados ficaram em R$ 480,185 milhões em 2010, leve queda de 0,98% ante os R$ 484,926 milhões do ano anterior. Assim, o lucro bruto variou R$ 211,329 milhões, em 2009, para R$ 138,836 milhões no ano passado, queda de 34,3%.

A LDC Agroindustrial é uma das maiores produtoras de suco de laranja do Brasil, com unidades industriais nas cidades paulistas de Bebedouro, Matão e Engenheiro Coelho. Em 2007, a LDC anunciou investimentos R$ 550 milhões até 2012 no País em pomares, operações portuárias e logística.

Os investimentos incluíam a construção do terminal próprio para a exportação de suco de laranja, recursos para a produção de tanques para serem colocados em navios graneleiros, bem como adaptações nas fábricas para o suco não concentrado e não congelado (NFC).

Raízen deverá processar 7% mais cana nesta safra

A Raízen, empresa resultante da união entre Shell e Cosan, deverá processar 58 milhões de toneladas de cana na safra 2011/12, um crescimento de 7% em relação à temporada anterior.

A Raízen representa cerca de 10% do total de cana a ser processada na região centro-sul nesta safra, estimado em 568 milhões de toneladas.
Em cinco anos, a empresa quer chegar a 100 milhões de toneladas de cana. Para isso, deve fazer aquisições, construir novas usinas e expandir a produção nas existentes.
"Temos capacidade de expandir a moagem em 8 milhões de toneladas nas 24 usinas, desde que haja disponibilidade de cana", disse Pedro Mizutani, vice-presidente.

Raízen investirá R$ 400 milhões em cultivo de cana

A Raízen, empresa resultante da fusão da Cosan com a Shell, pretende plantar neste ano de 180 mil a 200 mil hectares de cana-de-açúcar. Cumprir essa meta, que inclui área própria e de fornecedores, na proporção de 50% para cada, significará investimentos da ordem de R$ 400 milhões, de acordo com Pedro Mizutani, vice-presidente de Açúcar e Álcool da Raízen.

Se for confirmado, o plantio - que está atrasado - será até 20% acima do realizado no ano passado, quando 150 mil hectares foram renovados. No total, a Raízen e seus fornecedores contam com uma área de 850 mil hectares de cana, que abastecem as 24 usinas do grupo nos Estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Essa área maior de plantio deverá ter impacto positivo na moagem da Raízen em 2012, apesar desse efeito ainda não estar medido, diz Mizutani. "Em linhas gerais, sabemos que o canavial de fim de ciclo, que agora está sendo renovada, produz 70 toneladas de cana por hectare. O novo vai inicialmente elevar essa produtividade para 100 toneladas", afirma o executivo, que esteve ontem em Piracicaba (SP) na inauguração do primeiro dia de integração dos sistemas da Raízen.

Com capacidade para processar cerca de 65 milhões de toneladas de cana - em uma safra com 225 dias -, a Raízen anunciou ontem que deve processar neste ciclo 2011/12 58,1 milhões de toneladas de cana, 7% mais do que o realizado no ciclo passado.

Apesar dos investimentos acima da média deste ano, a oferta de cana apenas alcançará a capacidade industrial da companhia daqui três safras, segundo Mizutani. Na temporada em curso, o aumento do volume de cana veio principalmente das unidades novas da empresa - Jataí (GO) e Caarapó (MS) - e da usina Zanin, adquirida neste ano e com capacidade para moer 2,6 milhões de toneladas de cana.

O mix de produção deverá repetir a média das últimas safras, segundo Mizutani. A Raízen continuará destinando 55% de seu caldo para produção de açúcar e 45% para etanol. Com isso, a produção de açúcar deverá atingir 4,4 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões no ciclo passado, e a de etanol chegará a 2,2 bilhões de litros.

Sobre possíveis mudanças do tamanho da safra até o fim da temporada, Mizutani diz que qualquer variação deve ficar na dimensão de 3% para cima ou para baixo. "No ano passado, essa oscilação chegou a 10%, foi muito alta em todo do Centro-Sul".

Ele vê um cenário altista para o açúcar, apesar de as cotações ainda estarem relativamente pressionadas por causa da expectativa maior de produção na Ásia. "Mas temos uma safra no Brasil pela frente e problemas à vista na China", pondera. Para o etanol, o executivo também enxerga menos volatilidade e demanda mais equilibrada com os preços na bomba. (FB)

Empresas questionam condições de leilão de biodiesel

A Bio Petro, empresa produtora de biodiesel controlada pelo grupo Bio Clean Energy, entregou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) um pedido de anulação do 22º leilão de biodiesel, realizado na semana passada e que resultou na negociação de 700 milhões de litros do biocombustível. Paralelamente, um grupo de pequenas e médias empresas tenta convencer o governo a alterar as regras dos futuros leilões.

A Bio Petro, que opera com uma unidade em Araraquara (SP), alega que houve disparidades significativas entre os preços de arremate do primeiro lote e os do segundo, realizado em dias diferentes. No documento entregue à ANP, a empresa detalha que, enquanto no primeiro dia o preço médio do litro foi fechado em R$ 2,25, no segundo lote esse valor caiu para R$ 1,96, um recuo de 12,8%. No primeiro lote, apenas empresas com selo social puderam participar, e hoje são grandes companhias do segmento que têm a distinção. No segundo lote, grandes, pequenas e médias companhias disputaram.

Uma das razões que explicam a diferença de preço, segundo questionamento da Bio Petro, é o fato de que o tempo de duração do pregão dos dois lotes foi o mesmo, apesar do volume negociado ter sido muito diferente: o primeiro lote negociou 560 milhões de litros entre as 10h e 17h, e o segundo lote, apenas 140 milhões de litros no mesmo intervalo de tempo. Na avaliação da Bio Petro, essa diferença fez com que houvesse um encerramento prematuro da maioria dos itens ofertados no lote 1, impedindo que outras empresas fizessem ofertas.

A produtora de biodiesel questiona, ainda, o fato de as mesmas empresas que participaram do pregão do primeiro lote terem participado do segundo lote, mas oferecendo um valor bem menor, sem, no entanto, arrematar nenhum volume. "...deixando o sentimento de ação apenas depreciativa dos preços", diz o documento.

Também questionando condições desiguais de competição, um outro grupo de indústrias de biodiesel encaminhou à ANP pedido de mudança de regras para os próximos leilões. As empresas, de pequeno e médio portes, querem que a agência defina lotes específicos para serem disputados por essas empresas menores. O objetivo é justamente evitar distorções, explica Rodrigo Prosdócimo Guerra, do Sindicato dos Produtores de Biodiesel de Mato Grosso.

Segundo ele, o pedido foi feito há um mês à ANP, para alguns ministérios (Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Minas e Energia) e à Casa Civil. "Aguardamos a aprovação para se realizar uma audiência pública para discutir o assunto no Senado", afirma Guerra.

De acordo com ele, 44 empresas participam desse pleito. Juntas, elas têm autorização para comercializar até 360 metros cúbicos de biodiesel por dia. Em número de unidades, o grupo representa 73% do segmento e, em volume de biodiesel, 37% do autorizado para comercialização no país. Procurada desde a terça-feira, a ANP não retornou.