terça-feira, 3 de maio de 2011

MÁQUINA PROTEGIDA

A Abimei (associação dos importadores de máquinas e equipamentos) alertou os representantes da Secex e da CNI, em reuniões em Brasília na semana passada, para o perigo de medidas protecionistas levarem a uma desaceleração do crescimento.
A importação de bens de capital é necessária para o Brasil ser competitivo no mercado internacional, segundo Ennio Crispino, presidente da Abimei.

"A questão que atinge o fabricante atualmente é que boa parte das indústrias nacionais ou multinacionais está deixando de produzir peças e componentes no Brasil", afirma Crispino.

"Elas preferem trazer os manufaturados do exterior."

O governo, de acordo com o presidente da associação, "compreende que não adiantará impor barreiras de importação às máquinas, porque o problema está na importação de componentes e peças manufaturados".

Brasileiros se aliam a estrangeiros para trazer tecnologia de energia a partir de lixo

Após a aprovação da regulamentação do tratamento de resíduos sólidos no Brasil, no final de 2010, companhias brasileiras e estrangeiras começam a se aproximar para desenvolver tecnologias de geração de energia a partir da queima de lixo.

O avanço ainda é tímido, segundo o vice-presidente da Abdib (associação de infraestrutura), Newton Azevedo.

Projetos privados ou PPPs têm sido estudados e atraem olhares de suíços, franceses e alemães, mais experientes na cogeração de energia ou vapor pela incineração.
"Há muito movimento, mas, de efetivo, há pouca coisa. O setor considera, agora que o ambiente legal está mais seguro", diz Azevedo.

Uma das estrangeiras que viram oportunidade no mercado nacional, a alemã Fisia Babcock, fornecedora de tecnologia no setor, se associou à brasileira Enfil Controle Ambiental, que já atuava em tratamento de água.
Usinas desse tipo são adequadas a grandes cidades, diz Renato Greco, executivo da Enfil. A empresa avalia se concorrerá a projetos de PPP para montar planta em Barueri. São Bernardo e Baixada Santista devem ser as próximas opções. "O custo dessas plantas é alto. Aterro sanitário ainda é mais barato."

Outro exemplo, a brasileira HVE se aliou à alemã Oschatz, para trazer tecnologia e montar projetos de mais de R$ 250 milhões, segundo o sócio William Horstmann.
A Foz, empresa de saneamento da Odebrecht, tem estudos com francesas, segundo Azevedo, também vice-presidente da empresa.

Indústria solar vê futuro em painéis que flutuam na água

NEGÓCIOS VERDES
PETALUMA, Califórnia - Os painéis solares brotaram em inúmeros telhados, estacionamentos e campos no norte da Califórnia. Hoje, várias companhias novatas veem potencial para painéis solares que flutuam na água.

Já existem 144 painéis solares sobre pontões ancorados em um lago de irrigação de 1 hectare rodeado de vinhedos em Petaluma, no condado de Sonora. Cerca de 72 km ao norte, no coração do Vale do Napa, outra instalação de 994 painéis solares cobre a superfície de um lago no vinhedo Far Niente.

"Queríamos ser solares, mas não queríamos arrancar nossas vinhas", disse Larry Maguire, executivo-chefe da Far Niente.

A empresa que instalou as duas geradoras, a SPG Solar, de Novato, Califórnia, assim como a Sunengy, da Austrália, e a Solaris Synergy, de Israel, estão entre as que tentam desenvolver um mercado de painéis solares em lagos agrícolas e de mineração, reservatórios hidrelétricos e canais. Embora seja um mercado nicho, poderá se tornar grande globalmente. As fazendas aquáticas de painéis solares despertaram o interesse de agências de água municipais, agricultores e mineradoras, atraídos pela perspectiva de encontrar um novo uso para -e nova receita de- seus ativos líquidos, segundo executivos da energia solar
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A Sunengy, por exemplo, está cortejando mercados em países em desenvolvimento que têm problemas de escassez de eletricidade, mas possuem recursos hídricos abundantes e intensa insolação, segundo Philip Connor, cofundador e diretor tecnológico da empresa.

Chris Robine, executivo-chefe da SPG Solar, disse que ouviu falar de clientes prospectivos na Índia, na Austrália e no Oriente Médio. Quando sua terra é preciosa, ele disse, "é um grande lucro ter energia limpa de origem solar, que não absorve recursos da agricultura ou mineração".

A Sunengy, baseada em Sydney, disse que assinou um acordo com a Tata Power, a maior fornecedora privada de energia da Índia, para construir um pequeno projeto piloto em um reservatório hidrelétrico perto de Mumbai.

Enquanto isso, a Solaris Synergy disse que pretende flutuar uma instalação solar em uma represa no sul da França, em um teste com a fornecedora francesa EDF.

O MDU Resources Group, um conglomerado de infraestrutura de energia e mineração baseado em Bismarck, na Dakota do Norte, está em negociação com a SPG Solar sobre instalar painéis fotovoltaicos flutuantes em lagos de sedimentos em uma de suas minas de cascalho na Califórnia, segundo Bill Connors, vice-presidente de recursos renováveis da MDU.

"Não queremos instalar um projeto de recurso renovável no meio de nossas operações, perturbando a mineração", disse Connors. "Os lagos de sedimentos são terra que não estamos utilizando no momento, exceto para descarga, e se pudermos colocar essa terra improdutiva em uso produtivo enquanto reduzimos nossos custos de eletricidade e nossa pegada de carbono é algo que nos interessa."

A SPG Solar construiu o sistema flutuante de 400 kw da Far Niente em um lago de 1,5 hectare em 2007, como um projeto especial, e passou os últimos quatro anos desenvolvendo uma versão comercial chamada Floatovoltaics que, segundo executivos, é competitiva em custo com um sistema convencional montado no solo.
O modelo Floatovoltaics é a instalação que flutua na superfície do lago de irrigação de Petaluma.

Longas fileiras de painéis fotovoltaicos comuns feitas pela Suntech, a fabricante chinesa, estão inclinadas em um ângulo de 8 graus sobre uma grade de metal adaptada a pontões e ancorada por cordas e boias para suportar o vento e as ondas.
A instalação, que ainda não entrou em operação, será ligada a uma linha de transmissão através de um cabo que passa sob o leito do lago. Phil Alwitt, gerente de desenvolvimento de projeto da SPG Solar, disse que, quando o conjunto estiver pronto, 2.016 painéis vão cobrir a maior parte da superfície do lago e gerar 1 megawatt de eletricidade no pico da produção.

Ele notou que o efeito de resfriamento da água aumenta a produção de eletricidade no vinhedo Far Niente em 1% em relação a um sistema típico montado no solo. As empresas dizem que seus sistemas inibem o crescimento de algas destrutivas ao bloquear a luz do sol de que elas precisam para crescer.

Connor disse que a Sunengy procura países em desenvolvimento para transformar barragens hidrelétricas e reservatórios de aldeias em baterias gigantes.
"Se você tiver uma seca em uma barragem hidrelétrica, seu ativo não está morto", disse Connor. "Se você tiver energia solar nessa represa, pode continuar gerando eletricidade."

BNDES aumenta atuação em fusões de empresas

RIO - Além de dobrar o volume de crédito para investimentos nos últimos dois anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está aumentando sua presença na economia, influenciando processos de consolidação ou adquirindo participações em empresas. Levantamento da consultoria Price (PwC) mostra que, entre 2009 e 2010, o banco esteve por trás de pelo menos 64 operações de fusões e aquisições no Brasil, seis vezes mais que no biênio anterior, quando foram contabilizadas apenas dez.
O BNDES tem aumentado a sua atuação no mercado empresarial por meio de seu braço de participações, a BNDESpar, como forma de incentivar a consolidação em setores considerados estratégicos. Em 2010, o ativo total da subsidiária atingiu R$ 125,8 bilhões, sendo pouco mais de 80% referente a uma carteira de ações de mais de 150 empresas e fundos de investimento.
Com isso, o banco participa hoje do capital de gigantes como Petrobras, Vale, Oi e CPFL Energia e Eletrobras, assim como de médias e pequenas empresas de base tecnológica. Além de dar musculatura financeira, o BNDES usa a compra de fatias nas companhias como uma forma de influenciá-las na direção de outras, fomentando a concentração em setores considerados estratégicos pelo governo.
Para Alexandre Pierantoni, sócio da PwC para fusões e aquisições, o salto da participação do BNDES - por meio da BNDESpar ou de companhias ou fundos de private equity (participação em empresas) dos quais é sócio - mostra como o banco se tornou um agente mais ativo na consolidação de vários segmentos, dada a distribuição multissetorial das transações. "O BNDES acaba promovendo um desenvolvimento financeiro de longo prazo e de melhor governança corporativa, especialmente entre as empresas de pequeno e médio porte, o que estimula o mercado de capitais e as fusões e aquisições", explica. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Samarco vai investir R$ 5,4 bi para expandir produção

SÃO PAULO - A Samarco Mineração anunciou ontem que vai investir R$ 5,4 bilhões em um plano de expansão para elevar em 37% sua capacidade de produção de pelotas de minério de ferro, dos atuais 22,5 milhões de toneladas/ano para 30,5 milhões de toneladas/ano até 2014.
O projeto foi aprovado pelo conselho de administração da empresa, formado por representantes das controladoras Vale e BHP Billiton, e prevê a construção de um novo concentrador na mina de Germano, em Minas Gerais, e a implantação da quarta usina de pelotização e adequação do terminal portuário de Ubu, no Espírito Santo.
Batizado de Projeto Quarta Pelotização, o programa de investimentos prevê também a construção de um terceiro mineroduto, com cerca de 400 quilômetros, ligando as unidades industriais em Minas e no Espírito Santo.
De acordo com o presidente da empresa, José Tadeu de Moraes, o quarto ciclo de expansão da Samarco vinha sendo gestado há três anos, mas foi retardado em razão da crise internacional, que em 2008 e 2009 derrubou as vendas da mineradora para a faixa de 16 milhões a 17 milhões de toneladas. No ano passado, a comercialização fechou próximo da capacidade instalada - 21,5 milhões de toneladas de pelotas. "Nosso mercado já retornou aos patamares antes da crise", observou Moraes. "Estamos no limite da capacidade".
O último ciclo de expansão da Samarco foi concluído em 2008, quando a mineradora ampliou em 54% sua capacidade de produção. No projeto atual, a empresa negociou com clientes a destinação de pelo menos metade da nova produção, destacou Moraes.
A Samarco é a segunda maior exportadora de pelotas de minério de ferro do mundo, destinando sua produção para mercados da Ásia - China principalmente, com aproximadamente 24% do total -, África, Europa e Américas. No ano passado a mineradora alcançou receita líquida de US$ 3,5 bilhões e lucro líquido de US$ 1,2 bilhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Novo marco para etanol e biodiesel

Rossetto, da Petrobras Biocombustíveis: "A agenda de regulação é de governo"

O governo fará um "novo marco regulatório" para o etanol e o biodiesel e a Petrobras fará parte dessa etapa ao reforçar os investimentos nesses segmentos até 2015, informou o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rossetto. As medidas deverão ser adotadas nos próximos meses, em paralelo à transformação do etanol em combustível estratégico sob fiscalização e controle da Agência Nacional do Petróleo (ANP). "A agenda de regulação é de governo, que tomará a iniciativa de um novo marco regulatório do etanol e do biodiesel por causa do sucesso e do impacto de ambos na economia da energia", afirmou Rossetto ao Valor.

O presidente Petrobras Biocombustíveis diz que o etanol significa 50% do volume de veículos e o biodiesel já tem 5% na matriz energética brasileira. "Eles marcam o perfil da produção sustentável, assumem importância que exigem outro padrão regulatório, mas isso é agenda de governo". No início de abril, a presidente Dilma Rousseff determinou alterações na regulação do etanol como resposta à substantiva elevação de preços, com impacto nos índices da inflação, e as ameaças ao abastecimento interno do combustível. Na sexta-feira, o governo publicou medida provisória para ampliar a banda de variação da mistura do etanol anidro na gasolina. Agora, fará um novo marco regulatório.

A aceleração nos planos de investimento da Petrobras em etanol também responde a um apelo da presidente Dilma Rousseff. "Vamos crescer os investimentos em etanol nos próximos anos e aumentar nosso capacidade", informa Rossetto. "A Petrobras assumiu esse compromisso. O mercado do etanol cresce 10% ao ano e vamos ocupar parte disso, ampliar o abastecimento e também crescer em alcoolquímica. Esse é o nosso negócio e estamos preparados para isso", afirma.

A estatal está em processo de avaliação de seu plano quinquenal de investimento para o período 2011-2015, a ser divulgado ainda em maio. A empresa dará prioridade à área de pesquisa e desenvolvimento, sobretudo para garantir biocombustíveis de "segunda geração". "Vamos investir muito em P&D, na vanguarda tecnológica dos biocombustíveis, no etanol de segunda geração e na melhoria genética das oleaginosas", diz o executivo. E detalha: "Queremos ter variedades mais rústicas, com mais foco no Semiárido, via análise dos ciclos de vida e aperfeiçoamento do padrão de produção".

A Petrobras Biocombustíveis, cuja meta de participação no mercado de etanol estava fixada em 5% até 2014, deve ampliar as apostas nesta área a partir dos investimentos em etanolduto e em novidades logísticas como a hidrovia Tietê-Paraná, ambos planejados para garantir o escoamento da produção do Centro-Oeste no longo prazo. "Nossa agenda é de produção. Temos investimentos em execução no período 2010 a 2014 de US$ 2,5 bilhões. Disso, US$ 1,9 bilhão são só para etanol".

O executivo diz que o braço de novos combustíveis da estatal encerrou 2010 com participação acionária em 14 usinas no Brasil - dez de etanol e quatro de biodiesel. Ao longo do ano passado, a empresa elevou sua capacidade instalada a 1 bilhão de litros de etanol e a 500 milhões de litros de biodiesel. A Petrobras mantém participação nas usinas Guarani, Nova Fronteira e Total. E busca novas empresas com "qualidade econômica, logística e ambiental, além de viabilidade", segundo o executivo. Na mira, estão tanto projetos "greenfield" ou construídos, mas com 100% de mecanização do plantio e da colheita. "Queremos gestão e operação com altos padrões". O crescimento se dará a partir da Guarani em São Paulo e da Fronteira em Goiás. "Compartilhamos gestão e alto padrão. E cresceremos a partir dessas empresas".
Rossetto diz que a Petrobras Biocombustíveis reforçará o "compromisso" com os projetos de biodiesel no Pará e a atuação no óleo de palma. "Vamos construir nossa usina para abastecer o Norte do país. Teremos um conceito de sustentabilidade, amplo rigor ambiental e forte integração com a agricultura familiar".

Raízen encara desafio de elevar oferta de cana em SP

Somente canaviais já existentes podem elevar oferta em 10%, diz Mizutani
Com mais de 95% de sua moagem de cana concentrada no Estado de São Paulo, a Raízen, empresa resultante da fusão da Cosan com a Shell, enfrenta, assim como todo o setor, o desafio de aumentar a oferta de cana-de-açúcar e fazê-la caminhar junto com a capacidade industrial.

A companhia, a maior do setor, tem capacidade industrial para moer 64 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra - já considerando a recém-adquirida Zanin. Mas na última safra processou 54 milhões de toneladas. Nesta temporada que se inicia, os dados ainda não são conhecidos, mas não devem sofrer grandes variações, assim como todo Centro-Sul.

Pedro Mizutani, vice-presidente executivo de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, explica, sem mencionar números da próxima safra, que a empresa busca diminuir a distância entre a capacidade industrial e a disponibilidade de cana, sobretudo em São Paulo, onde a terra é mais cara e as áreas mais escassas. Ele é econômico em dados, uma vez que a empresa está em período de silêncio por conta da divulgação do balanço.

Nesta safra, o Estado de São Paulo será o único no Centro-Sul a ter menos cana do que no ciclo anterior. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) prevê 4 milhões de toneladas a menos. "É das regiões novas que está vindo o crescimento em volume de cana, sobretudo das usinas construídas a partir de 2009", avalia.
Mas Mizutani se diz otimista com as condições de expansão em cana também em São Paulo. Ainda há pastos que podem ser convertidos em canaviais, em especial na região oeste do Estado.

No curto prazo, explica o executivo, apenas com investimentos em canaviais já existentes é possível encorpar em 10% a oferta da matéria-prima. "A plantação da cana foi duramente castigada em 2010. Recuperá-la já traz um salto expressivo", afirma.

O déficit de cana de todo o Centro-Sul - que responde por 90% do processamento no Brasil - é da ordem de 50 milhões de toneladas. A capacidade industrial, diz o executivo está na ordem de 620 milhões de toneladas, enquanto a cana disponível deve atingir nesta safra 568 milhões, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). "Essa disparidade vai acabar em três anos", prevê Mizutani.

Alguns agentes do mercado ainda olham com desconfiança para essa previsão, que indica processamento 2,1% superior ao da temporada passada. Usinas relatam que o nível de açúcar contido na cana, o chamado ATR (Açúcar Total Recuperável) ainda está muito baixo neste início de safra, por volta de 112 a 113 quilos por tonelada, quando a média esperada para este início de moagem é de 120 quilos de ATR por tonelada. "Mas a cana vai se recuperar no segundo semestre", diz.

Mesmo com uma safra um pouco maior do que a passada, as perspectivas são de preços bons, tanto para açúcar como para etanol, segundo o executivo. O hidratado, que abastece diretamente os veículos, deve ter preços próximos de 70% do valor da gasolina, o que tende a imprimir mais equilíbrio entre oferta e demanda.

Uma dose de instabilidade pode vir da decisão do governo de alterar a margem para a mistura de anidro na gasolina. Ela era de 20% a 25% e agora está entre 18% e 25%. A medida, que ainda precisa ser regulamentada, trará insegurança para toda a cadeia, na avaliação de Mizutani. "Um distribuidor terá sempre dúvidas sobre quanto comprar mais no longo prazo, pois os volumes a serem misturados [de anidro à gasolina] podem aumentar ou diminuir com mais intensidade", pondera ele.

Indústrias de máquinas ajustam estratégias

Conjuntura: Cinco maiores empresas do país nacionalizam produtos e entram em novos setores para crescer

O aquecimento do mercado de commodities agrícolas e as projeções otimistas para a renda do agronegócio no Brasil estão levando as principais empresas de máquinas agrícolas a ajustar suas estratégias no país. As cinco maiores marcas - Massey Ferguson e Valtra da AGCO, Case e New Holland da (CNH) e John Deere - preparam para este ano a nacionalização de produtos que antes eram apenas importados - atualmente só 2% das máquinas agrícolas vendidas no Brasil são provenientes do exterior -, entrada em segmentos novos e diversificação de suas linhas.

O objetivo das empresas é tentar manter aquecido o mercado depois de um 2010 bem-sucedido. No ano passado, as empresas comercializaram 68,5 mil unidades de máquinas agrícolas. Esse foi o melhor resultado nos últimos 34 anos, favorecido em grande medida pelos novos programas de financiamento criados pelo governo para a agricultura familiar - Mais Alimentos - e pela manutenção do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Líder isolada no mercado de tratores, com participação de 54% no ano passado, a AGCO busca se consolidar na liderança e vai atuar com mais força no mercado de implementos agrícolas. Com a Valtra, o grupo americano pretende ganhar espaço em tratores de alta potência. Nesta semana, durante a Agrishow, a divisão apresenta a terceira geração de suas máquinas de grande ponte, com potência entre 135 e 210 cavalos.

"A linha pesada já representa 35% do faturamento da Valtra. Nossa expectativa é que já em 2011 a linha passe a ter uma fatia de 38% para chegar e se manter ao redor dos 40% nos próximos anos", afirma Paulo Beraldi, diretor comercial da Valtra, que sozinha tem 23% do mercado de tratores.

No caso da Massey, os planos são de entrar no segmento florestal. Atualmente, os tratores vendidos para o segmento precisam ser adaptados depois que saem das fábricas. O projeto da empresa é entregar a máquina já pronta para o uso, saindo diretamente das linhas de montagem. "O setor florestal tem um grande potencial de crescimento no Brasil. A demanda por equipamentos específicos é elevada e queremos atendê-la", afirma Carlito Eckert, diretor comercial da Massey Ferguson.
Tanto Massey quanto Valtra passarão a ter pulverizadores autopropelidos. Até então, o equipamento precisava ser importado, mas passará a ser produzido na fábrica do grupo no Rio Grande do Sul, já dentro dos planos de investimentos anunciados pelo presidente global da AGCO, em outubro do ano passado. "Nossa ideia é oferecer aos agricultores um sistema completo", afirma Eckert.

No topo do ranking nacional do mercado de colheitadeiras com as marcas New Holland e Case IH, a italiana CNH busca avançar nas vendas de tratores e elevar a disputa com a concorrente americana. A empresa fabricará em sua unidade de Curitiba o trator com maior potência do país, com 385 cavalos. Em Piracicaba (SP), produzirá seu pulverizador, nacionalizando um produto antes importado.
"Esta safra foi um exemplo da necessidade que algumas regiões têm de aproveitar janelas curtas de plantio. Em Mato Grosso as chuvas atrasaram o plantio, e o agricultor teve que usar curtos espaços de tempo para plantar. Isso exige máquinas cada vez maiores", afirma Luiz Feijó, diretor comercial da New Holland.
Conhecida no mercado por suas máquinas de alta potência e preços elevados, a Case IH tenta reverter essa imagem e vai desenvolver produtos que atendam a uma categoria de produtores de pequeno e médio portes. A empresa lança esta semana em Ribeirão Preto uma colheitadeira de 250 cavalos, com foco nos mercados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que usam máquinas menores devido às condições fundiárias.

A estratégia de atender agricultores de menor porte teve início no ano passado quando a Case IH incluiu um de seus tratores no programa Mais Alimentos. "Acreditamos que durante esta semana o governo anunciará a inclusão também da colheitadeira de café e a de cana-de-açúcar. Estamos incentivando a compra conjunta da máquina para o café e, no caso da de cana, nosso foco são pequenos fornecedores ou associações de produtores", afirma Cesar di Luca, diretor comercial da Case IH.

Com o objetivo de dobrar suas vendas globais até 2018, a John Deere acredita que a América Latina terá um peso importante. Além de concluir a construção de nova unidade no Rio Grande do Sul e ampliar a planta de Goiás para suprir a demanda, a John Deere vai apresentar aos produtores brasileiros seu sistema de irrigação. "Queremos mostrar a aplicação integrada da irrigação com os nossos tratores e colheitadeiras, que são produtos mais conhecidos", diz João Pontes, diretor de marketing para America Latina da John Deere.

Todos os lançamentos das empresas serão apresentados nesta semana na Agrishow. Em 2010, a feira registrou negócios de R$ 1,15 bilhão, e a expectativa dos organizadores é que neste ano o crescimento seja de pelo menos 25%.

Classe média de 313 milhões cria oportunidades na África

O crescimento econômico sustentado da África conseguiu gerar pela primeira vez uma classe média ampla no continente inteiro, do mesmo tamanho das classes médias nos mercados emergentes da China e Índia com seus bilhões de habitantes.
A ascensão da classe média no continente mais pobre do mundo representa um momento extraordinário da economia mundial. Num momento em que os Estados Unidos, a Europa e o Japão lutam para crescer, a África começa a despontar como um consumidor da produção de outros países, graças, em parte, a sua população jovem que agora tem mais oportunidades de ascensão que nunca.

O número de consumidores de classe média da África cresceu mais de 60% na última década, para 313 milhões, segundo um novo relatório do Banco Africano de Desenvolvimento. O estudo - um dos primeiros esforços para documentar os contornos da classe consumidora emergente da África - ressalta um mercado nascente com potencial enorme para os investidores mundiais.

Fabricantes multinacionais de eletrodomésticos, empresas de telecomunicação e varejistas têm invadido o continente em busca desses consumidores, que, embora ainda relativamente pobres, agora têm renda suficiente para gastar, segundo Mthuli Ncube, economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento, voltado ao fomento da economia local.

"Eles estão criando demanda e isso está impulsionando o crescimento", disse ele.
A classe média do continente é formada por pessoas que gastam entre US$ 2 e US$ 20 por dia e corresponde a 34% da população. O número é parecido com o da classe média da China e da Índia, segundo o estudo, ao qual o Wall Street Journal teve acesso. Uma década atrás, esse número era de 196 milhões, segundo o relatório.
A pobreza continua a ser uma das principais características da África. Cerca de 61% da população do continente, de 1 bilhão de pessoas, vive com menos de US$ 2 por dia, segundo o banco. Embora muitos tenham começado a se educar mais e migrar da área rural para empregos mais bem remunerados nas cidades, o crescimento populacional da África enfraqueceu uma redução substancial nos índices de pobreza. O relatório calcula que 21% dos africanos ganham apenas o suficiente para gastar entre US$ 2 e US$ 4 por dia, o que deixa cerca de 180 milhões de pessoas vulneráveis a choques econômicos que podem derrubá-los dessa nova classe média.

Ainda existem desigualdades abissais. Cerca de 100.000 dos africanos mais ricos têm um patrimônio conjunto igual a 60% do PIB do continente, segundo o relatório, que cita dados de 2008.

Mesmo assim, a classe média emergente da África e o consumo que ela gera são vistos como uma locomotiva econômica cada vez mais poderosa, que pode complementar a tradicional dependência do continente da produção e exportação de bens agrícolas, energéticos e minerais. Cerca de 21% dos africanos já se estabilizaram na classe média, gastando entre US$ 4 e US$ 20 por dia, afirma o relatório.

O relatório do banco reconhece que seu amplo agrupamento da classe média africana inclui os degraus mais baixos dos patamares de renda. Uma definição mais rígida, com gasto diário entre US$ 4 e US$ 20 por dia, afirma, geraria uma população de classe média de apenas 120 milhões. Outras análises são ainda mais conservadoras. Um relatório de 2010 da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, que define a classe média mundial de acordo com uma despesa diária entre US$ 10 e US$ 100, calcula que a classe média da África subsaariana, que exclui os países do norte, é de 32 milhões.
Mas o estudo do Banco Africano de Desenvolvimento argumenta que seu agrupamento inclui consumidores de verdade - os que vivem acima do estágio de subsistência e gastam com bens supérfluos.
Num relatório separado divulgado ano passado, a McKinsey & Co. calculou que o número de consumidores africanos de classe média ultrapassa o total da Índia. Acredita-se que esses novos consumidores africanos ajudaram a proteger a África da crise econômica mundial recente. O Fundo Monetário Internacional prevê que a África subsaariana, formada por 47 países, vai crescer 5,5% este ano e 6% em 2012.
Documentar os números e hábitos de consumo de países diferentes é um desafio. Diante da escassez de estatísticas oficiais, os pesquisadores do banco buscaram informações de companhias áreas para determinar o índice de viagem, de concessionárias para descobrir as compras de carros e de uma empresa que vende chips SIM de celular, para analisar os consumidores da telefonia. Eles investigaram também o número de matrículas nas escolas e notaram o número crescente de africanos que opta pela educação privada, outro indicador de vigor da nova classe média.
Os dados mostram um continente em movimento, graças a mercados mais abertos e um grau maior de estabilidade política. Os novos empregos - cruciais no caso do crescimento e urbanização da China e da Índia - estão gerando migração para as cidades e imigração para os países mais ricos da África.
Jossam Mass, um costureiro de 32 anos natural de Malauí, mudou para a África do Sul há cinco anos. Agora sua loja no Oriental Plaza, em Joanesburgo, está se beneficiando diretamente da nova classe consumidora. Num dia bom, diz, ele recebe 15 mulheres que precisam de vestidos sob medida para casamentos e outros eventos sociais. Ele produziu 30 ternos e camisas na semana passada para os padrinhos de um casamento. "Eles realmente têm dinheiro para gastar", diz Mass sobre seus clientes. "E não há dúvida que gostam de gastá-lo."
As perspectivas do continente atraíram o Wal-Mart Stores Inc., que aceitou pagar cerca de US$ 2,4 bilhões para comprar 51% da sul-africana Massmart Holdings Ltd., uma varejista barateira que a rede americana planeja usar como base para sua expansão no continente. A Yum Brands Inc. anunciou recentemente que quer dobrar para 1.200 o número de lanchonetes KFC na região nos próximos anos. Na África do Sul, o Google Inc. e a Microsoft Corp. estão apoiando esforços para financiar empreendedores locais, na esperança de que incubar firmas africanas de tecnologia vai ajudar a expandir seus próprios negócios.
A Nestlé SA está abrindo uma nova fábrica na República Democrática do Congo, um país do centro da África que enfrenta turbulência causada por rebeldes. Mesmo assim, está aumentando o número de pessoas que podem arcar com o custo dos sachês de café e outros produtos mais caros da gigante suíça.
"O potencial é enorme, mas o negócio também tem de ser sustentável", diz Pierre Trouilhat, diretor regional da Nestlé baseado no Quênia. "O crescimento agora está aí."

Mas há quem veja muitas empresas multinacionais ignorando a oportunidade. Por enquanto, europeus, indianos e chineses se mostraram mais dispostos a mergulhar nos novos mercados africanos.
(Colaborou Jackie Bischof, de Joanesburgo)

Reforço de recursos se Finep virar banco

Financiamento : Há preocupação em elevar os investimentos em P&D para atingir padrões internacionais

A iminente transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em banco, ampliando sua musculatura financeira e o potencial de investimento, é festejada pelo setor de inovação no Brasil. A medida, ainda em estudo pelo governo, visa dar condições ao o país elevar o nível de investimento em inovação aos padrões internacionais. Hoje, segundo contas da própria Finep, o Brasil investe cerca de 0,6% do PIB em inovação, enquanto os países desenvolvidos aplicam quase o triplo.
"A Finep como banco seria muito bom para o setor. Ela entraria num espaço abaixo do BNDES voltada para empresas e projetos menores. O conceito de inovação apoiado pela Finep não possui linhas de crédito disponíveis. Para pequenas e médias empresas é muito difícil conseguir crédito para inovar então essa possibilidade pela Finep seria muito bom", diz José Alberto Aranha, diretor do Instituto Gênesis, a incubadora de empresas da PUC-Rio.
 
Segundo o chefe do departamento de planejamento orçamentário da Finep, André Amaral de Araújo, a transformação da instituição em banco irá ampliar a capacidade financeira para apoiar projetos inovadores. "Como banco público, a Finep vai poder captar recursos com a União sem impactar o superávit primário. Dessa forma, vamos poder tomar recursos em muito maior quantidade para financiar a inovação, que está abaixo dos níveis de países desenvolvidos".

Segundo Amaral, da Finep, as empresas privadas investem no Brasil cerca de R$ 25 bilhões por ano em inovação. Finep e BNDES respondem pelo financiamento de cerca de 15% desse montante. Para chegar à meta de 1% do PIB investido em inovação, seriam necessários mais R$ 40 bilhões adicionais por ano.
"Hoje, com recursos próprios, podemos ampliar o investimento em inovação para R$ 6 bilhões, o que ainda é pouco. A ideia é crescer aos poucos e não de uma hora para outra", afirma Amaral, lembrando que como banco as possibilidades de financiamento crescem.

O plano de transformar a Finep em banco é vista com bons olhos por empresários que apostam na inovação. José Alberto Aranha, do Instituto Gênesis, acredita que o segmento das médias empresas inseridas na cadeia produtiva de grandes corporações será um dos mais beneficiados pela medida. "Essa linha de fornecedores, formada por pequenas e médias empresas, precisa inovar, mas não tem porte para recorrer ao BNDES. Essas podem ser muito beneficiadas", diz.
José Augusto Pereira, sócio da Pipeway, especializada na inspeção de dutos de óleo e nascida na incubadora de empresas da PUC, confirma a impressão. "Nós temos uma relação histórica com a Finep. Usamos diversos produtos criados na universidade com apoio da Finep e pagamos royalties por eles. A Finep como um banco será o elo que faltava no financiamento da inovação. O BNDES vê projetos maiores, negócios consolidados. Empresas nascentes têm um risco maior e têm dificuldades de financiamento ", afirma.

Amaral lembra, no entanto, que a Finep não estimula o endividamento das empresas. A prioridade são os investimentos no capital social das companhias. Por essa razão, entre as prioridades da Finep como banco está a ampliação da participação da empresa em fundos voltados para a inovação. Hoje a Finep investe em cerca de 20 fundos e esse número deve crescer. "Queremos ampliar os instrumentos de crédito às empresas e o investimento nos fundos faz parte desse esforço", explica.